Trabalhando com crianças com autismo: saúde e educação

Resultado de imagem para autism

Existe uma necessidade crescente de incluir experiências interprofissionais na educação para a saúde de graduação. A simulação é uma metodologia venerada como capaz de facilitar as oportunidades de aprendizagem interprofissional em um ambiente seguro e estruturado. O artigo “Trabalhar com crianças com autismo: um tutorial interprofissional baseado em simulação para estudantes de patologia da fala e terapia ocupacional” apresenta projeto que teve como objetivo desenvolver, testar e avaliar um tutorial interprofissional de simulação utilizando recursos de DVD.

No total, 70 estudantes de patologia da fala e 76 estudantes de terapia ocupacional participaram de uma peça de papéis envolvendo imagens e documentação de DVD para facilitar o planejamento e análise de dados de avaliação para uma criança com autismo. Questionários pediram aos participantes que classificassem suas experiências percebidas em 13 itens usando uma escala Likert de 5 pontos, bem como três perguntas abertas. Os resultados revelaram reações positivas e sugeriram que os estudantes sentiam que os objetivos de aprendizagem foram cumpridos.

Muitos estudantes expressaram interesse em se engajar em mais experiências de aprendizagem interprofissionais. Tomados em conjunto com outros estudos semelhantes, as oficinas baseadas em simulação interprofissionais que usam imagens de DVD podem fornecer uma alternativa gerenciável às modalidades tradicionais de aprendizagem interprofissional, em particular ao incorporar clientes com deficiências complexas e de desenvolvimento.
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Terapia Ocupacional: benefícios para crianças com baixa visão


Crianças em idade pré-escolar com baixa visão podem ser beneficiadas por consultoria colaborativa em Terapia Ocupacional voltada para seus professores. Um estudo conduzido pelas pesquisadoras Tatiana Luísa Reis Gebraele Cláudia Maria Simões Martinez demonstrou aumento do repertório dos professores do Grupo Experimental nas atividades de higiene e alimentação de seus alunos com baixa visão. “As estratégias desenvolvidas e empregadas no PRÓ-AVD, como atividades práticas, feedbacks e a interação entre a pesquisadora e professoras foram decisivos para a adesão dos participantes e resultados obtidos na consultoria colaborativa”, destacam as pesquisadoras.

Os resultados foram apresentados no estudo “Consultoria colaborativa em terapia ocupacional para professores de crianças pré-escolares com baixa visão”, que teve como objetivo elaborar, implementar e avaliar um programa individualizado de consultoria colaborativa em Terapia Ocupacional para professores.

A meta, descreve o estudo, era aumentar o repertório de estratégias e recursos dos professores para promover a independência de crianças pré-escolares com baixa visão nas atividades de vida diária de higiene e alimentação, denominado PRÓ-AVD. “A elaboração do Programa envolveu o estudo prévio das habilidades da criança nas tarefas de autocuidado, e de sua capacidade visual, do repertório inicial do professor, e da dinâmica da díade Professor – Aluno durante a realização das AVDs”. A implementação do Programa ocorreu por meio de consultoria colaborativa em seis encontros semanais.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382011000100008&lng=pt&nrm=iso

Terapia ocupacional e tratamento de transtornos de linguagem

Pessoas com transtornos de linguagem podem apresentar dificuldades em outras esferas de sua vida, como a social, autonomia pessoal, sensorial e ocupacional. “O transtorno específico da linguagem é uma patologia que a cada dia tem mais relevância, já que cada vez sabemos mais e se diagnostica melhor”, ressalta a pesquisadora Sabina Barrios Fernández, autora do estudo “Processo de Terapia Ocupacional em um usuário com transtorno específico de linguagem”.

A pesquisadora acompanhou um garoto de 12 anos, com diagnóstico de transtorno misto de linguagem receptiva-expressiva, e observou avanços na autonomia pessoal e social. Outro resultado que mereceu destaque foi o reforço da auto-estima, uma vez que o garoto passou a cuidar cada vez melhor de si: ganhou pequenas responsabilidades em casa, passou a tomar banho sozinho e a fazer pequenas compras nas proximidades de sua casa.

O estudo destaca que tais avanços não seriam possíveis sem a união da equipe interdisciplinar, integrada pelo profissional de terapia ocupacional, e sem a colaboração e apoio da família. “A Terapia Ocupacional oferece uma visão holística da pessoa, não como uma máquina que pode ser decomposta por problemas”, ressalta a pesquisadora.

As técnicas utilizadas durante o tratamento descrito no estudo envolveram apoios visuais, como fichas que a descrevem atividades rotineiras e que despertavam a atenção do garoto, como as providências que devem ser tomadas para uma viagem à praia.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.revistatog.com/num17/pdfs/caso2.pdf

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Método da Escavação: contribuição para diminuir lacunas na formação acadêmica do profissional de Terapia Ocupacional


O Método da Escavação, em Terapia Ocupacional, foi desenvolvido com base na prática clínica e acadêmica, com o objetivo de contribuir para diminuir as lacunas na formação acadêmica do profissional de T.O. Essas lacunas, segundo as pesquisadoras Eliana Anjos Furtado e Maria Clara Bueno Fischer, ocorrem nas implicações técnicas e metodológicas da função de terapeuta ocupacional, na compreensão e assimilação do perfil profissional e no entendimento do papel da atividade humana como recurso terapêutico.

Autoras do estudo “Método da escavação em terapia ocupacional: um dispositivo dinâmico a três pólos?”, as pesquisadoras analisaram a experiência com o método em um grupo de alunos do Instituto Metodista de Porto Alegre (IPA), participantes do Grupo de Estudos sobre Atividade Humana (Geah).

O Método da Escavação originou-se da prática clínica e docente da pesquisadora Eliana Furtado em seus trinta anos de atividades. O Método foi experimentado pelo Geah e iniciou suas atividades no segundo semestre de 2005, e após avaliação positiva do colegiado do curso, foi instituído como atividade acadêmica curricular complementar entre 2006 e 2009.

O objetivo inicial do Método, segundo o estudo, era desenvolver uma atividade acadêmica que articulasse experimentação de atividade de ensino diferenciada e prática investigativa com os alunos. “A dinâmica do grupo promoveu o desenvolvimento da capacidade perceptiva e de observação dos alunos sobre a atividade humana”, destacam as autoras.

Após analisar os resultados da experiência, as pesquisadoras observaram que a vivência do método permitiu a confrontação e o entrecruzamento de saberes e valores entre o polo da experiência e o polo conceitual que compõem a terapia ocupacional. “Os discentes renormatizaram saberes e ressignificaram suas vidas cotidianas e experiências de trabalho, reafirmando o poder terapêutico e criador da atividade humana”, concluem.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-77462011000400009&lng=pt&nrm=iso

Higiene pessoal de crianças e adolescentes autistas: dicas práticas para criar o hábito


Os hábitos de higiene pessoal, como escovar os dentes e tomar banho adequadamente, entre outros, são transmitidos às crianças pelos pais e cuidadores tanto por palavras e orientações quanto por exemplos. Ao observar que seus colegas de escola, outros amigos e familiares apresentam-se sempre limpos, a criança aprende que essa é uma conduta social desejada e aceita. Crianças e adolescentes autistas, entretanto, podem não perceber esses exemplos concretos, e as instruções verbais podem ser muito abstratas para que elas entendam o que de fato têm que fazer para manterem-se limpas.

Uma maneira de conseguir que a higiene pessoal de crianças e adolescentes autistas seja adequada, precisando cada vez menos de supervisão dos pais e cuidadores, é descrever claramente o que deve ser feito durante o banho para que a pessoa esteja limpa ao sair do chuveiro ou banheira.

Em vem de dizer “Entre no chuveiro para tomar banho”, é possível descrever cada etapa do banho: “Tire as roupas e entre no chuveiro para molhar os cabelos, colocar um pouco de xampu na palma da mão e depois esfregá-lo nos cabelos até sua cabeça estar coberta de espuma”, e assim por diante. A expectativa é que após um certo número de instruções  – mantendo sempre as mesmas palavras e mesma sequência – a criança ou adolescente memorize cada etapa, sendo capaz de fazê-las sem instruções ou até supervisão.

O número de vezes que as instruções deverão ser repetidas até que a sequência seja memorizada e transformada em um hábito irá variar de acordo com o grau do transtorno e da personalidade de cada autista.

Uma maneira de reforçar as instruções verbais, ou mesmo substituí-las, caso o resultado não esteja sendo satisfatório, é utilizar ilustrações ou bonecos. É possível, por exemplo,criar um quebra-cabeças de cartolina, com desenhos ou colagem de ilustrações de partes do corpo humano. Antes do banho propriamente dito, pode-se criar uma rotina de brincadeira com esse material, descrevendo cada etapa do banho que será tomado em seguida.

É importante que a sequência seja sempre a mesma, para que fique claro quando o banho termina, e que somente quando todas as etapas tiverem sido cumpridas é que o banho estará completo, e a criança limpa, como se espera. Assim, pode-se começar a brincadeira dizendo à criança que a menina (ou menino) lava a cabeça com água e xampu, tirando toda a espuma, ao mesmo tempo que se coloca a figura da cabeça de lado, ou dentro de uma pequena caixa, saco plástico ou pasta. Em seguida, pega-se as figuras da mãos (uma de cada), dizendo que a criança lava a mão com água e sabonete, colocando também essas figuras de lado, e assim por diante, até terminarem todas as partes do corpo.

Essa atividade pode ser feita também com bonecos de plástico ou de tecido, conforme a criatividade dos pais e cuidadores e gostos de cada criança. Se a criança ou adolescente contar com o atendimento de terapeuta ocupacional, esta atividade poderá ser feita em parceria com o profissional, reforçando a aquisição do hábito de cuidar da própria higiene pessoal.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Relatos de vida auxiliam na terapia ocupacional para pessoas com deficiência psiquiátrica, defende pesquisadora

A avaliação narrativa é defendida pela pesquisadora Laura Rueda Castro como forma de observar integralmente a vida de uma pessoa. Autora do estudo “Construção de histórias de vida: uma avaliação de terapia ocupacional em pessoas com deficiência psiquiátrica”, Laura Rueda Castro analisou dose casos em que as pessoas participaram de sessões que privilegiaram os relatos de vida.

O participantes apresentavam condições psiquiátricas que interferem ou diminuem seu desempenho ocupacional. Para que a comunicação ocorra, é necessário que um ser humano entre em contato com outro, e exista a identificação entre eles, como destaca a autora. “Este é o elo central da intervenção terapêutica à pessoa com alterações na comunicação, não-comunicação ou bloqueios de vínculos permanentes”.

A comunicação expressa na ocupação ou atividade humana, segundo a autora, permite criar formas de transcender os círculos viciosos, transformando-os em virtuosos, assim como os ciclos mortais em vitais. “Este procedimento não é uma mera negociação estratégica”, alerta. “O diálogo é um debate racional que busca um autêntico acordo consensual entre os participantes do discurso”.

o estudo destaca ainda que, neste método, o terapeuta ocupacional pode observar o que motiva a pessoa assistida a readequar sua história, em um esforço de dar sentido a uma experiência traumática. “Dessa forma, o paciente compromete-se a reiniciar um processo de aceitação e modificação para um novo estilo devida”, conclui.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para ler o estudo completo, acesse o link: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CC4QFjAA&url=http%3A%2F%2Fdialnet.unirioja.es%2Fdescarga%2Farticulo%2F4221932.pdf&ei=1OAMUv7UJKStigKlkICIBQ&usg=AFQjCNH-1BYicA6y3RgwZq8zv3pR69hIeQ&sig2=9x7QSwa3mjKsaEEiA4ppPw&bvm=bv.50768961,d.cGE

O ditado “cabeça vazia, oficina do diabo” e a imagem da terapia ocupacional

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O termo ocupação dá margem a uma série de interpretações, e o provérbio “cabeça vazia, oficina do diabo” é aceito por estudantes de terapia ocupacional como parte do senso comum. Quando ele é associado à terapia ocupacional em si, entretanto, estes estudantes entendem que ele pode prejudicar a imagem da profissão. Esta análise é parte do estudo “Cabeça vazia, oficina do diabo”: concepções populares do termo ocupação e a terapia ocupacional”.

A autora, Teresinha Cid Constantinidis, discutiu os significados do termo ocupação e as implicações na terapia ocupacional na perspectiva de futuros profissionais da área. Os dados obtidos na pesquisa com os estudantes apontaram discursos comuns entre eles em três categorias: ócio, ou tempo livre, valores associados à ocupação e ocupação e a terapia ocupacional

Para os estudantes, esse termo foi valorado positivamente quando associado ao provérbio, porém, rejeitado quando associado à terapia ocupacional. “A rejeição da associação do termo à profissão afasta a terapia ocupacional do domínio público, do senso comum e busca sua demarcação no discurso científico”, destaca a pesquisadora.

Ela ressalta ainda que, mesmo que esses estudantes neguem ou evitem a associação do termo à profissão, a terapia ocupacional tem suas intervenções dimensionadas pela ocupação, assim como seu campo de estudo é relacionado ao cotidiano, lidando com subjetividades, sistema de valores e verdades ligados à ocupação normatizadora e ao ócio desorganizador.

“Um movimento de apropriar-se do termo, analisando-o de forma crítica, ou até mesmo tentando superá-lo de forma explícita, situando-o na teia de significados que sustenta a realidade da terapia ocupacional no discurso científico, possa ser um meio interessante para produzir novos conhecimentos na área”, conclui.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822012000300022&lng=pt&nrm=iso