Tecnologia e educação

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Anos atrás trabalhei no Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), da Escola Politécnica da USP, e lá tomei contato com o projeto Um Computador por Aluno (UCA). Achei e continuo achando incrível a união entre tecnologia e educação, e nos tempos atuais não dá para ser diferente. Por isso gostei tanto da proposta da Capiche Education, e publico aqui uma pequena entrevista com o CEO desta startup, André Araújo. A entrevista foi intermediada pela competente e atenciosa Renata Bosco, da Allameda, a quem agradeço.

 1) Grande parte da população manifesta interesse por ciência. Como a proposta de sua empresa contribui para despertar e cultivar esse interesse entre as crianças?

Sim, você tem toda razão. Grande parte dos brasileiros tem interesse por Ciência e presta atenção quando assuntos relacionados são abordados em mídias de massa, como TVs, por exemplo. O grande desafio, porém, está em despertar o interesse das crianças e dos adolescentes nas salas de aula. Estamos em pleno século 21 e o mundo mudou completamente na comparação com as décadas anteriores. Há celulares, internet, computadores conectados, dispositivos móveis que são lançados diariamente, games de imersão e gadgets que potencializam a experiência em ambientes 3D – isso sem falar nos filmes live action e de resolução 4K que requerem equipamentos sofisticados e viabilizam uma nova realidade visual. Mas, se compararmos uma sala de aula dos anos 70 com uma sala de hoje em dia, eu diria que pouco ou quase nada mudou. Lá pelos idos de 1970 e pouco, o ambiente escolar era composto basicamente por um quadro negro, um livro, giz e uma professora que tentava ensinar com parcos recursos. Certamente, os professores evoluíram muito de lá para cá e a precariedade e a rigidez de ensino nas salas de aula acabaram por impulsionar ainda mais a evolução natural dos professores, que precisavam tirar água de pedra para despertar e manter o interesse dos alunos. Mas em termos de tecnologia, a sala de aula ficou parada no tempo. Então, há algo de errado nessa equação. Como uma criança de hoje em dia, que praticamente nasce usando celular e é criada com todo um aparato tecnológico disponível no mercado, pode sentir-se motivada em uma sala de aula sem recursos? Nossa missão é levar a tecnologia para dentro do ambiente escolar a fim de despertar o interesse em Ciências – um tema que por si é complexo e que precisa sair da abstração para ser melhor entendido, absorvido e assimilado. A tecnologia é parceira da facilitação do saber.

2) O país atravessa momentos difíceis de corte de verbas destinadas à pesquisa científica. Qual o desafio de estar à frente de uma startup focada na ciência?

Primeiramente, vemos com profundo pesar o corte de verbas, uma vez que a pesquisa científica é o celeiro de estudos e descobertas incríveis capazes de impactar positivamente a humanidade e a forma como vivemos. Com mais esse entrave no caminho do desenvolvimento da Educação e do campo científico, creio que temos hoje uma necessidade pungente de tecnologias mais econômicas e acessíveis para o ensino de Ciências. É esse o desafio que acabou por impulsionar ainda mais os objetivos da nossa startup: inovar e baratear, possibilitando aos alunos as tecnologias disponíveis no mercado. Nossa solução tem por premissa inserir a criança ou o adolescente em um ambiente laboratorial virtual dentro da sala de aula. Realidade Virtual e Inteligência Artificial estão presentes no Capiche VRAI, mas são tecnologias disponíveis, portanto não inventamos a roda. No entanto, eu diria que usamos ‘a roda’ de forma diferenciada e sob um novo foco, justamente por acreditar que é possível que todos os alunos brasileiros possam fazer experimentações de laboratório em suas escolas. E já que falamos também em vantagens econômicas, o custo do nosso produto é dez vezes mais barato que os valores gastos na montagem de laboratórios físicos tradicionais.

3) Quais os modelos de outras iniciativas que inspiram a Capiche?

A Capiche Education faz parte de um grupo de outras empresas brasileiras que disponibilizam tecnologias de Educação, mas de forma tradicional, além de tecnologias mais avançadas para Robótica e Inteligência Artificial. O que nos inspira é trazer esse arcabouço de tecnologias que conhecemos bem para facilitar o aprendizado das crianças e a vida do professor com o uso de novas ferramentas. Outra grande fonte de inspiração é que temos o olhar voltado para a geração de hoje – a primeira 100% digital e hiperconectada e para a qual a tecnologia é uma extensão da forma como percebem, aprendem e conhecem a si próprios e o mundo. Para essas crianças e adolescentes, que não têm referência e até desprezam o mundo analógico, estudar Ciências da Natureza em um ambiente virtual e de gamificação com uso de óculos 3D e controle que simula a mão do estudante na manipulação dos experimentos é uma imersão divertida e estimulante no mundo das Ciências da Natureza. É uma forma incrível e bastante impactante de aprender e em conformidade com a realidade dos tempos atuais.

Música como terapia no envelhecimento

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Devido aos avanços no conhecimento médico, a população de adultos mais velhos que lutam com problemas de envelhecimento, como a doença de Alzheimer (DA) e, a doença de Parkinson (DP), está crescendo. Há uma necessidade de intervenções terapêuticas para fornecer estratégias adaptativas para sustentar a qualidade de vida, diminuir o comprometimento neurológico e manter ou retardar o declínio cognitivo e o funcionamento devido a doenças neurológicas degenerativas. Intervenções musicais com adultos com deficiências cognitivas receberam maior atenção nos últimos anos, como o valor da audição de música personalizada no projeto iPod para o AD; a música como uma ferramenta para diminuir a agitação e a ansiedade na demência; e música para auxiliar na memória episódica; Estimulação Auditiva Rítmica como reabilitação para a DP; e recentemente o potencial de estimulação cerebral sensorial de 40 Hz com AD e PD. Essas abordagens indicam o escopo e a eficácia em expansão da musicoterapia e os mecanismos potenciais envolvidos. Um artigo explica modelo de quatro níveis de mecanismos de resposta musical que pode ajudar a compreender as abordagens e tratamentos atuais de musicoterapia e ajudar a direcionar pesquisas futuras.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Para conhecer o estudo original (em inglês), acesse https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30255022

Mídias digitais sociais e aconselhamento genético: diretrizes

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Pacientes e prestadores de cuidados de saúde estão cada vez mais conectados através de redes sociais, o que traz novas oportunidades mas também muitos desafios. A conexão direta pode ocorrer entre pacientes e provedores usando ferramentas online, como Facebook e LinkedIn. Além disso, os provedores podem coletar informações sobre pacientes que usam um mecanismo de busca como o Google, conhecido como Google Gug in Googling (PTG).

Essas são algumas das conclusões do estudo “Have You Ever Googled a Patient or Been Friended by a Patient? Social MediaIntersects the Practice of Genetic Counseling” (Em tradução livre para o português: “Você já escolheu um paciente ou foi amigo de um paciente? A mídia social interage a prática do aconselhamento genético”), publicado em janeiro de 2018 em periódico científico internacional indexado na Base de Dados Pubmed.

Uma pesquisa on-line de 54 itens foi utilizada para obter informações sobre (1) como e em que medida os conselhos de orientação genética e conselheiros genéticos se conectam diretamente com os pacientes através de sites de redes sociais e (2) coletam informações sobre provedores que usam PTG. Quatrocentos estudantes de aconselhamento genético e conselheiros genéticos participaram da pesquisa. A maioria dos entrevistados (88,9%; n = 344/387) achou que nunca é ou raramente aceitável interagir com pacientes atuais através de sites de redes sociais. No entanto, 27,7% (n = 110/397) visitaram o site de mídia social de um paciente. A informação de reunião para o atendimento ao paciente foi o motivo mais comummente relatado (76,8%; n = 43/56). Trinta e três por cento (n = 130/394) consideraram pesquisar on-line ou pesquisados ​​em linha para obter informações sobre um paciente.

A curiosidade foi a razão mais comum (92,7%; n = 114/123); No entanto, os entrevistados também usaram a PTG para obter informações de contato e para se preparar para as sessões dos pacientes. O estudo aponta a necessidade de desenvolvimento e disseminação de diretrizes profissionais para servir como um recurso valioso para a prática de conselheiros genéticos e programas de treinamento de aconselhamento genético.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a citação desde que indicada a fonte.

 

Câncer de mama e informação

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Embora o aumento da pesquisa se centre em exames de câncer de mama, pouco se sabe sobre a prevenção do câncer de mama com consciência de redução de risco para diferenças étnicas entre mulheres na faculdade. O estudo “Conhecimento, crenças e fontes de informação de mulheres não-hispânicas e hispânicas na prevenção de câncer de mama para foco na redução de risco” examinou o conhecimento, as crenças e as fontes de informação de câncer de mama entre mulheres não-hispânicas e hispânicas.

As fontes de informação mais comuns relatadas pelas participantes foram Internet (75%), revistas (69%), provedor (76%) e amigos (61%). Menos fontes comuns foram rádio (44%), jornais (34%) e mães (36%). As mulheres universitárias não-hispânicas com história familiar de câncer de mama tinham maior probabilidade de receber informações de provedores, amigos e mães. Aquelas com história de câncer de mama foram mais propensas a receber informações de suas mães. A educação para a prevenção do câncer de mama para as mulheres da faculdade é necessária para incluir a redução de risco para mudanças de comportamento de saúde modificáveis ​​como um novo foco. Os profissionais de saúde podem se dirigir a mulheres da faculdade com mais fontes de informação, incluindo Internet ou aplicativos, conclui o estudo.

Texto de Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24989348

Cultura, de produto a serviço

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Doutor e mestre em Ciências Sociais, além de mestre em Ciência Política, Direito Público e Filosofia, Frédéric Martel atuou em jornais e revistas, foi professor visitante nas universidades de Harvard e de Nova Iorque, além de ter lecionado no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po).

Autor do livro Smart: o que você não sabe sobre a internet, Martel defende em sua obra que a cultura, que era um produto cultural, está se transformando em serviço. Nesse cenário, surgem o que o autor chama de “pequenos militantes da recomendação” (p. 319) – pessoas que, confiantes em seu próprio senso estético e capacidade de discernimento, assumem-se como responsáveis pela disseminação de suas opiniões.

O capítulo proporciona ao leitor uma das percepções mais claras da visão que o autor tem sobre a arena em que se transformou a internet. Da diversidade de entrevistados selecionados à leveza com que apresenta seus discursos, Martel é especialmente feliz na sua abordagem dos progressos da algoritmia, apontado o que ele considera o risco de, ao fornecer-lhe apenas o que ele já consome, enfeixar o usuário numa bolha, fortalecendo o vínculo com uma comunidade à qual este já usuário já pertence – e deixando de estimulá-lo a ampliar seus horizontes (p. 321). Diante desse risco e de outros desdobramentos que a oferta de cultura como serviço acarreta, um dos caminhos pelos quais a leitura pode ser conduzida leva à cena cibercultural contemporânea, explorada por teóricos diversos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

China digital, Smart e Alibaba

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A China Digital é uma das etapas que o pesquisador Frédéric Martel percorreu para escrever seu livro Smart: o que você não sabe sobre a internet. Para compreender o fenômeno do Alibaba, símbolo da web chinesa fundada em 1999 por Ma Yun, especialista em artes marciais e professor de inglês que ficou bilionário. “A imagem seria quase perfeita, e a história, uma notável sucess history, se o Alibaba não fosse um clone”, afirma Martel, referindo-se à mistura de negócios incorporada pelo site chinês conhecido como “o maior bazar do mundo” (p. 42). Mistura de Amazon, eBay e PayPal, o Alibaba ultrapassa em volume de negócios as três plataformas que lhe serviram de inspiração juntas, tornando-se um império que em 2014 passou a ser cotado na bolsa de Nova Iorque, “numa operação financeira que foi ao mesmo tempo a maior estréia de uma empresa tecnológica na história e o valor mais alto alcançado por uma empresa chinesa” (p. 42).

Para Martel, as cópias são a solução inventada pela China para resolver, simultaneamente, problemas existenciais e de criatividade. “Visitando a maioria dessas cópias numa dezena de grandes cidades chinesas, assim como suas filiais em Hong Kong, Cingapura e Taiwan, entendi que os chineses queriam ter acesso aos mesmos sites e serviços que os americanos, sem por isso depender deles” (p. 43). Por trás desse panorama, as instituições de ensino chinesas assumem um papel distinto da estimulação à inovação encontrada em Stanford, por exemplo. Wang Dan, presidente da New School for Democracy e célebre ciberdissidente chinês exilado em Taipé, onde está instalada a Universidade de Taiwan – palco do encontro assistido pelo autor do livro – acredita que a internet é uma ferramenta que contribui para o surgimento de uma sociedade civil na China. “Quando alguém participa das versões asiáticas do The Voice e vota por SMS num ídolo da televisão, está aprendendo a dar sua opinião”, defende Wang (p. 58).

 

Crowdsourcing, produtividade coletiva e abordagem algorítmica

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Os sistemas Crowdsourcing são complexos não só por causa do enorme número de estratégias potenciais para atribuir tarefas aos trabalhadores, mas também devido às características dinâmicas associadas aos trabalhadores. É o que afirmam os autores do estudo “Gestão Algorítmica para Melhorar a Produtividade Coletiva no Crowdsourcing”, publicado em outubro de 2017.

Maximizar o bem-estar social em tais situações é conhecido por ser difícil, e os autores da pesquisa propõem o uso de algoritmos. “Ao analisar a dinâmica típica do sistema de crowdsourcing, estabelecemos um índice de desejabilidade do trabalhador simples e inovador, considerando em conjunto o efeito da reputação, da carga de trabalho e da motivação de cada trabalhador para trabalhar na produtividade coletiva”, descreve o estudo. Um estudo empírico de grande escala de três anos envolvendo 1.144 participantes em mais de 9.000 sessões mostra que o sistema supera as decisões de delegação de tarefas humanas em mais de 80% do tempo em condições comuns de carga de trabalho. “A abordagem e os resultados podem ajudar a criar sistemas de suporte à decisão de gestão algorítmica, altamente dimensionados e com base em dados, para crowdsourcing”, concluem os pesquisadores.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28970545

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.