Leitura em voz alta e escrita: interferência positiva

Ler em voz alta pode contribuir no processo de apropriação da escrita por crianças. “As características da leitura em voz alta – a presencialidade atualizada pela voz e pelo olhar, a convocação do corpo sonoro e seu potencial para transmitir cultura – são significantes e podem interferir positivamente no processo de apropriação da escrita”, defende a pesquisadora Lucila Maria Pastorello.

Autora da dissertação de mestrado “Leitura em voz alta e apropriação da linguagem escrita pela criança”, defendida na Faculdade de Educação da USP, a pesquisadora realizou um entrecruzamento entre a lingüística, a psicanálise e a clínica fonoaudiológica. O estudo destaca que a leitura em voz alta, entretanto, pode ser uma tarefa árdua e até frustrante, se for desempenhada pelos próprios alunos. A leitura em tropeços, segundo a pesquisadora, que é natural em uma criança que se depara com um texto pela primeira vez, pode afastar o leitor do texto, pois “a incompletude é aniquiladora”.

A pesquisadora aponta ainda que, em seu trabalho, foram os textos marcadamente estéticos, e não os informativos, que possibilitaram a circulação do desejo e o laço com o escrito. “A cena de leitura em voz alta permite à criança ´ouviver´ a escrita a partir de um saboreamento, do saber as letras”, ressalta, com destaque para o neologismo que une os verbos “ouvir” e “viver”.

A dissertação destaca, ainda, um emocionante depoimento do escritor Moacir Scliar, no qual ele relata a prática de sua mãe de ler em voz alta para ele, ainda em sua barriga. A mãe do escritor faleceu em função de complicações de seu parto, mas a história manteve-se viva por meio dos relatos de seu pai, que mencionava inclusive o autor preferido do bebê Moacir: Machado de Assis.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-20042010-154846/pt-br.php

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Dislexia: treinamento da correspondência grafema-fonema

 

A dislexia é caracterizada como um distúrbio específico de aprendizagem, de origem neurológica. É caracterizado pela dificuldade com a fluência correta na leitura, além de dificuldade na habilidade de decodificação e soletração, resultante de um déficit em componentes da linguagem.

As pesquisadoras Daniele de Campos Refundini, Maíra Anelli Martins e Simone Aparecida Capellini, autoras do estudo “Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para a dislexia”, encontraram evidências de que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações.

Os principais sinais da dislexia, destacam as pesquisadoras, podem ser evidenciados durante o desenvolvimento do escolar e se referem a fala ininteligível, imaturidade fonológica, redução de léxico e dificuldade em aprender o nome das letras ou os sons do alfabeto. Também ocorre dificuldade para entender instruções, compreender a fala ou material lido, dificuldade para lembrar números, letras em sequência, questões e direções, e dificuldade para lembrar sentenças ou estórias, além de atraso de fala, confusão direita-esquerda, embaixo, em cima, frente-atrás (palavras-conceitos) e dificuldade em processar sons das palavras e história familial positiva de problemas de fala, linguagem e desenvolvimento da leitura. “Como esses sinais podem ser evidenciados na fase pré-escolar e no início da lfabetização, a dislexia pode ser identificada e detectada precocemente”, ressalta o estudo.

Estudos internacionais recomendam o uso de intervenção em escolares de séries iniciais de alfabetização que apresentem desempenho abaixo do esperado em relação ao seu grupo classe, denominado essas crianças como crianças de risco para a dislexia.

A pesquisa foi realizada com o objetivo de verificar a eficácia do programa da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para dislexia da 1ª série. Participaram deste estudo 60 escolares de ensino público municipal, na faixa etária de 6 a 7 anos de idade.

Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significantes, evidenciando que dos 18 escolares submetidos ao programa, 17 apresentaram melhor desempenho em situação de pós-testagem em relação à pré-testagem. “A realização deste programa foi eficaz para a identificação dos escolares com sinais da dislexia, evidenciando que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-84862010000200005&script=sci_arttext

Treino em consciência fonológica recupera atrasos em linguagem escrita


Atrasos de linguagem escrita, um problema que afeta número significativo de alunos brasileiros do Ensino Fundamental, podem ser revertidos por meio do treino em consciência fonológica, que é a capacidade de separar, de modo consciente, as palavras em suas menores unidades: sílabas e fonemas. É o que afirma a pesquisadora Neusa Lopes Bispo Diniz, autora do estudo “Metalingugaem e alfabetização: efeitos de uma intervenção para recuperação de alunos com dificuldades na aprendizagem da linguagem escrita”.

A tese de doutorado foi defendida no Instituto de Psicologia da USP, e ressalta que a efetividade do programa de intervenção constitui uma importante implicação pedagógica. “É possível recuperar atrasos em linguagem escrita em crianças dos anos iniciais do ensino fundamental através de treino em consciência fonológica, correspondência grafemafonema e consciência sintática, em situação real de sala de aula”.

A pesquisadora acompanhou alunos entre 08 e 12 anos durante 16 sessões de aplicação coletiva de atividades lúdicas metafonológicas e 15 sessões de atividades lúdicas metassintáticas. “Há na literatura especializada fortes evidências empíricas a respeito das relações entre habilidades de leitura e escrita e habilidades metalingüísticas”, aponta.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-09012009-144508/pt-br.php