Nativos digitais e imigrantes digitais: novos conteúdos pedagógicos


Nativos digitais são as pessoas nascidas após o surgimento e utilização da internet de forma global, enquanto imigrantes digitais são as nascidas em período anterior, e que procuram uma adaptação ao mundo tecnológico. A distinção é apontada pelos pesquisadores Bruno Carolina, Jerónimo Francisco e Pedro Reis, autores do estudo “Fossos geracionais na aprendizagem escolar: nativos digitais e imigrantes digitais”.

O estudo analisa as alterações propostas pela tecnologia nos alunos, que obrigam a escola a se adaptar aos meios tecnológicos e informacionais. “Esta mudança faz com que os professores tenham de alterar o tradicional ensino”, ressaltam os pesquisadores.

Eles ressaltam ainda que os novos alunos estimulam os professores a modificar seus métodos de ensino, construindo objetos pedagógicos na área de tecnologia da informação. Esses conteúdo aparecem sob a forma de objetos de aprendizagem, não só como uma nova forma de ensino, mas também como complemento de ensino e uma maneira de incentivar a auto-aprendizagem. “Embora não se saiba ainda se é este o modelo a seguir, pois não há ainda estudos retrospectivos, o modelo tradicional como o conhecemos tenderá para a extinção”, concluem.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/2324/3/cibertxt_4_cardina_francisco_reis_pt.pdf

Inclusão de novas tecnologias na educação brasileira: pesquisa aponta que problemas de acesso, qualidade e evasão não são resolvidos


O uso de tecnologias na educação brasileira mais uma do que uma revolução, como muitos vêm acreditando, e não resolve problemas graves do sistema, como o acesso e a qualidade do ensino, além da evasão escolar. Além disso, a crença predominante de que a utilização das novas tecnologias na escola é uma forma de modernizar as aulas para prender a atenção dos alunos, familiarizados com essas tecnologias, impede o debate e análise crítica sobre o tema. Essas são algumas das conclusões da pesquisadora Michelle Prazeres, autora de tese de doutorado sobre o uso de tecnologias na educação, desenvolvida na Faculdade de Educação da USP.

A pesquisadora analisou matérias veiculadas na grande imprensa, textos acadêmicos, documentos da Secretaria da Educação e relatórios da empresa Microsoft, que desenvolve projetos educacionais em parceria com o Poder Público, em busca da motivação de cada envolvido. “Especificamente, o Estado tem interesse em propagandear ações de implantação de equipamentos nas escolas”, aponta. As empresas, por sua vez, são motivadas pelo desejo de formar público consumidor para seus produtos tecnológicos. Michelle Prazeres pretende dar continuidade à pesquisa, desta vez para verificar se tudo o que é dito vem sendo aplicado. “Embora haja um grande consenso já consolidado, sabe-se que enquanto algumas escolas passaram por uma transformação do contexto escolar, em outras o equipamento permanece às vezes trancado, sem uso, com dificuldades para sua utilização”, ressalta.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Universidade de São Paulo.