Música e neurociências: relação com linguagem, movimentos e emoções

Diversos estudos apontam a música como ferramenta de intervenção em diferentes alterações neurológicas como afasia (distúrbio de linguagem), autismo e dislexia, assim como o estudo da neurociência tem trazido muitas contribuições em diversas áreas, buscando melhor compreender o funcionamento do cérebro humano. É o que ressaltam os pesquisadores Viviane Cristina da Rocha e Paulo Sérgio Boggio, autores do estudo “A música por uma óptica neurocientífica”.

Revisando artigos científicos publicados em periódicos internacionais na década de 2010, relacionados à música e à neurociência, os autores concluíram que há contribuição da neurociência tanto para o campo de música, da pedagogia musical e da performance, quanto para o campo da musicoterapia. “O estudo da música tem sido valorizado em diversas áreas, das quais se destacam a percepção auditiva, a relação entre música e movimento, a relação entre música e memória, estudos com música e linguagem, além daqueles acerca das emoções evocadas por música”.

Destacando que a música é vivenciada diariamente por uma grande maioria de pessoas, os autores afirmam que a música, junto à linguagem, é um dos traços exclusivos dos seres humanos. “Apesar da existência do canto dos pássaros e alguns tipos de comunicação entre primatas e baleias, por exemplo, nenhuma outra espécie possui esses dois domínios organizados da maneira como são nos seres humanos”, afirmam, com base em literatura da área.

O artigo descreve ainda os avanços da área de Neurociências nas últimas décadas, que têm possibilitado uma maior compreensão sobre a relação entre música e sistema nervoso. “Técnicas como imagem por ressonância magnética (IRM) têm possibilitado, por exemplo, a verificação de diferentes volumes de estruturas cerebrais específicas como o corpo caloso, córtex motor e cerebelo quando se compara músicos de alto desempenho e não músicos”, apontam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-75992013000100012&lng=pt&nrm=iso

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Superdotados e rock pesado: catarse e fuga do tédio

O rock pesado (Heavy Metal) muitas vezes está associado à delinquência e ao baixo rendimento escolar. Este estereótipo, entretanto, ficou abalado com a publicação dos resultados de pesquisa realizada pela Universidade de Warwick, no Reino Unido. As pessoas afixionadas por rock pesado, segundo o estudo, são extremamente inteligentes e utilizam a música como forma de auto-ajuda para ajustarem-se melhor à sociedade.

Sutart Cadwallader, psicólogO autor da pesquisa, afirma que essa estratégia é mais utilizada pelas pessoas com altas habilidades/superdotação que também apresentam auto-estima abaixo da média. “Existe uma crença de que pessoas com altas habilidades tendem a gostar de música clássica, e acredito que esse estereótipo é inadequado”, ressalta.

O psicólogo afirma que a predileção por este estilo de música não deve preocupar os pais. “É simplesmente algo catártico, e não um indicador de problemas”, alerta. O termo “catártico”, usado pelo pesquisador para apontar a sensação que os participantes da pesquisa sentem ao ouvir rock pesado, tem origem na palavra grega “catarsis” (em português, catarse), e significa “limpeza da alma”.

Os participantes da pesquisa afirmaram ainda ouvir rock pesado quando estavam de mal-humor, utilizando a música para diminuir suas frustrações e também o tédio. “Não dá para descarregar a raiva com outro tipo de música”, afirmou um dos participantes.

Texto escrito por Silvana Schulte, do blog http://www.meunomenai.com

A linguagem da música

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A partir da análise de composições musicais de crianças bilíngues, a pesquisadora Débora Sousa França Affonso investigou o papel de aulas de música podem desempenhar na formação da identidade cultural de alunos matriculados em escolas de educação bilíngue. A contribuição da música para o processo de aquisição de linguagem também foi estudada.

Observando que as escolas de Educação Infantil bilíngues privilegiam o método de imersão, enquanto nas de Ensino Fundamental a opção é pelo enriquecimento, Débora Sousa França Affonso concluiu que, em função do uso de símbolos e potencial de comunicação, assim como pelo fato de ser conhecida por todos os indivíduos, a música é uma forma de linguagem, passível de interpretação subjetiva.

A dissertação, intitulada “Música e bilinguismo: como a identidade cultural das crianças pode se evidenciar em suas composições musicais”, foi defendida na Escola de Comunicações e Artes da USP . O trabalho apresenta ainda sugestões de atividades de música, tanto em português como em inglês, oferecendo conteúdos de linguagem musical, apreciação, escuta, composição e improvisação.

Fonte: Universidade de São Paulo.