Mulheres e mastectomia: Yoga para diminuir estresse e dor


O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum na população feminina, sendo um dos mais temidos pelas mulheres. “As mulheres que se submetem ao tratamento de câncer de mama passam por grande sofrimento”, ressaltam os pesquisadores Marina Lima Daleprane Bernardi, Maria Helena Costa Amorim, Eliana Zandonade, Danilo Forghieri Santaellae Juliana de Assis Novais Barbosa, destacando que os cuidados às mulheres acometidas pelo câncer de mama não devem se esgotar em procedimentos cirúrgicos, quimio e radioterápicos, e devem ser permanentes. “O estado de tensão decorrente de toda essa situação vivida pelas mulheres mastectomizadas é referido por muitas pacientes como fator de enfraquecimento ao combate da doença e favorecedor tanto de sua recorrência, quanto de sua progressão”.

Em função disso, os pesquisadores decidiram investigar os benefícios da prática de yoga no processo de recuperação de mulheres que passaram por mastectomia. “A recuperação teria como objetivo tratar ou atenuar as incapacidades causadas pela doença ou pelos efeitos colaterais do tratamento com o objetivo de promover sua reintegração social e qualidade de vida”, ressaltam os autores do estudo “Efeitos da intervenção Hatha-Yoga nos níveis de estresse e ansiedade em mulheres mastectomizadas”.

A prática de yoga foi escolhida pela possibilidade de reunir o bem-estar psicossocial ao espiritual, além do trabalho com o próprio corpo. “O Hatha-Yoga é uma vertente do Yoga que busca desenvolver o potencial do corpo estabelecendo sua integração com a mente, atenuando, desta forma, problemas físicos e emocionais”, explicam os autores, destacando que é a ramificação do Yoga mais difundida no Ocidente. O sistema dessa ramificação é composto por posturas corporais, controle da respiração, inibição sensorial, concentração e meditação, além de diversas técnicas de limpeza orgânica.

A prática foi descrita por mulheres participantes do estudo com frases como uma experiência ótima, que trouxe calma e alívio da dor. “A prática de yoga tem me mostrado que praticando-a vencemos as limitações que impomos ao nosso corpo”, afirmou uma dessas mulheres. Para outra, “praticar yoga é como tomar anestesia, deixa o corpo sem dor e sem querer despertá-lo”.

Com base nesses resultados, o estudo concluir que “o Hatha-Yoga funciona como ferramenta que auxilia a mulher no enfrentamento do câncer de mama à medida que promove o seu autoconhecimento, a melhora de sua autoestima e o gerenciamento de sua ansiedade e estresse, assim como a favorece suas relações externas”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232013001200018&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Mortes violentas de mulheres: cenários e narrativas

Histórias singulares, apesar de encontradas em várias regiões brasileiras onde existe desigualdade de gênero. É a conclusão do estudo “Femicídios: narrativas de crimes de gênero”. Femicídios são mortes violentas de mulheres, decorrentes do exercício de poder entre homens e mulheres. “Com relação aos homicídios femininos, o Brasil ocupa o sétimo lugar entre 84 países do mundo”, ressalta o estudo. Apesar dessa colocação nada honrosa, a pesquisa destaca que as mortes femininas por agressão são pouco estudadas, e que um dos motivos pode ser o fato de que a mortalidade masculina por agressão tem se mostrado historicamente maior que a feminina, apresentando taxas até dez vezes maiores.

O estudo analisou 92 inquéritos policiais de homicídios femininos em Porto Alegre, utilizando as narrativas como ferramenta de análise. Os pesquisadores Stela Nazareth Menegehel, Roger Flores Ceccon, Lilian Zielke Hesler, Ane Freitas Margarites, Stefania Rosa e Valmir Dorn Vasconcelos selecionaram seis casos considerados representativos de femicídio íntimo, femicídio com abuso sexual, morte por execução ou conexão, e femicídio de profissional do sexo. “Observou-se a presença de crimes de gênero caracterizados pela crueldade, semelhantes aos encontrados em regiões de elevada violência e misoginia”, destacam. Misoginia significa ódio, desprezo ou repulsa às mulheres ou características consideradas femininas.

O trabalho aponta como maioria das vítimas mulheres jovens, negras, profissionais do sexo e moradoras de territórios marcados pelo tráfico e pela pobreza. “Há diferentes cenários onde os femicídios podem ocorrer, tornando esse conjunto de mortes heterogêneo e complexo, embora se possa afirmar que todos eles são provocados pela condição de discriminação e subordinação das mulheres na sociedade patriarcal”.

Os pesquisadores afirmam ainda que os novos cenários de femicídio, que compreendem as redes internacionais de tráfico e a exploração de mulheres, movimentam enormes somas de dinheiro e atingem dimensões mundiais. “Para o comércio de mulheres, é importante que a mercadoria esteja viva, porém, se há ameaça de fuga, pedido de ajuda, contato com outras pessoas ou adoecimento, a mulher torna-se uma peça sacrificável”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832013000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Empreendedorismo feminino: estudo aponta aquecimento de mercado e conquista de poder pela mulher


No Brasil, assim como em diversos países do mundo, as mulheres têm mais dificuldade de inserção no mercado de trabalho com vínculo formalizado e de receber maiores salários, apesar de contarem com maior grau de escolarização. Esses são os apontamentos do estudo “Empreendedorismo feminino no Brasil: perspectivas”. A partir destas constatações, os pesquisadores Deilson Aparecida leite Freire, Leonor Natividade de Medeiros Campos, Rosany Corrêa e Henrique César Melo Ribeiro, autores do estudo, analisaram a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, de 2002 a 2010, além de outras pesquisas relacionadas ao assunto.

O empreendendorismo feminino, segundo os pesquisadores, é uma forma de as mulheres assumirem o poder no âmbito profissional, escapando da situação de subordinação e vulnerabilidade, além dos salários mais baixos em relação aos dos homens, mesmo quando desempenham as mesmas funções. “Se metade da população mundial, composta por mulheres, lançar-se em alguma atividade empreendedora, poderá ocorrer um maior aquecimento da economia nacional”, ressaltam.

Outro resultado desse novo contexto seria uma transformação nas relações entre homens e mulheres, defende o estudo. “Deve-se pensar em como a mulher é vista na sociedade como um todo”, explicam os pesquisadores.  “ Analisando-se os diferentes papéis que ela exerce –  mãe, mulher, filha, empresária, dentre outros – fica claro que o seu papel dentro da família exerce grandes reflexos na busca do seu empoderamento”.  Espera-se que a mulher vivencie sempre o papel de

As expectativas convencionais em torno da mulher também refletem em seu papel como empreendedora. “Espera-se que a mulher seja esposa e não de empreendedora”, afirma o estudo, destacando ainda a valorização das chamadas características masculinas. “As mulheres precisam repensar o seu espaço em uma sociedade paternalista e desigual”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://pe.izabelahendrix.edu.br/ojs/index.php/tec/article/view/300/317

Identificação formal: mudanças de comportamento e atitudes em mulheres adultas superdotadas

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Mulheres adultas, entre 47 e 50 anos, identificadas como superdotadas, mas que ainda relutam para reconhecerem-se como portadoras de altas habilidades. Decididas a descobrir o porquê dessa dificuldade, as pesquisadoras Susana Graciela Pérez Barrera Pérez e Soraia Napoleão Freitas resgataram a história de vida dessas mulheres. O objetivo era descobrir também algumas das razões que fazem com que mulheres com altas habilidades sejam identificadas em menor número do que homens.

Ao longo dos três anos em que acompanharam estas mulheres, as pesquisadoras perceberam uma aceitação progressiva da identidade de superdotada, após a identificação formal da condição.

Já foi observado que mulheres com altas habilidades/superdotação tendem a esconder essa característica de suas identidades, como forma de serem aceitas pelo grupo, e muitas vezes pelos próprios parceiros e familiares. Estudos também apontam que muitas mulheres canalizam suas altas habilidades em benefício de sua própria família. Assim, grande criatividade na resolução de problemas, atenção aos detalhes e capacidade de elaborar cardápios diferentes e bem-apresentados podem “denunciar” mulheres superdotadas aos mais atentos. Para muitos, entretanto, essas características não passariam de jogo de cintura e capricho no cuidar da casa, por exemplo. Atitudes socialmente aceitas e valorizadas, que não apresentam qualquer risco de exclusão ou discriminação.

A pesquisa “A mulher com altas habilidades/superdotação: à procura de uma identidade” observou que os discursos e atitudes das mulheres analisadas durante os três anos apresentaram mudanças positivas no decorrer do tempo. “Parte desse processo está alicerçado na troca com pares com Altas habilidades/Superdotação e na crescente discussão do tema”, ressaltam as pesquisadoras.

A identificação da superdotação, segundo as autoras, foi um fator decisivo na aceitação e reconhecimento das Altas habilidades por parte dessas mulheres. “Esse fato nos leva a defender que, além do atendimento educacional especializado para os estudantes com Altas habilidades/Superdotação, já previsto na legislação, deveríamos pensar ainda em estratégias específicas para o atendimento à mulher com Altas habilidades/Superdotação”.

A identificação formal da superdotação depende de vários fatores, e muitas vezes é motivada por questões formais, como a aceleração de séries escolares. Vale a pena refletir, entretanto, sobre sua contribuição para a construção e consolidação da identidade do superdotado, seja ele homem ou mulher. Uma vez pronta essa identidade, aumentam as chances de que o indivíduo busque seus pares, encontrando assim oportunidade de enriquecer não só seu próprio repertório de conhecimentos, mas também sobre ele próprio.

Texto escrito por Silvana Schultze, autora do blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Conheça a pesquisa completa em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382012000400010&lng=pt&nrm=iso

Mulheres de baixa renda consomem produtos de beleza como forma de compensação

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O uso de produtos de beleza pode ser uma forma de mulheres de baixa renda reduzirem pistas visuais de sua condição social, evitando situações constrangedoras ou mesmo humilhantes. Essa é uma das análises do estudo “Valores que motivam mulheres de baixa renda a comprar produtos de beleza”, dos pesquisadores Mariana Nazaré Livramento, Luis Fernando Hor-Meyll e Luís Alexandre Grubits de Paula Pessôa. “Mais do que um capricho, os produtos desempenhariam o papel de preservar a dignidade do indivíduo”, ressaltam eles, destacando que os relatos coletados para a pesquisa revelam forte percepção das entrevistadas de que sofrem discriminação social, inclusive em seu próprio ambiente.

O trabalho tem como objetivo identificar valores individuais que motivam mulheres de baixa renda, mesmo vivendo com severas limitações financeiras, a comprar produtos de beleza, e que poderiam, à primeira vista, ser considerados itens supérfluos. Os pesquisadores realizaram entrevistas com mulheres no Rio de Janeiro, e concluíram que a marca dos produtos selecionados para compra por essas mulheres surgiu como fator importante em suas escolhas, não para obter status, mas como garantia da qualidade dos produtos. “Este trabalho buscou ampliar o conhecimento sobre o comportamento de consumo dos grupos sociais na base da pirâmide, examinando questões ainda pouco exploradas, como valores de sua subcultura”, explicam.

O relato de uma das entrevistadas, faxineira, afirmando que após um dia de trabalho extenuante maquiar-se e cuidar dos cabelos era indispensável antes de retornar para casa, reforça a análise. Sentir-se mais bonita e cuidada era a forma que restava para reconquistar sua dignidade, nas próprias palavras da entrevistada.

Os pesquisadores destacam ainda que o valor percebido, entendido como o preço pago em relação à qualidade do produto, surgiu como importante fator de influência na decisão de compra de produtos de beleza. O preço, por sua vez, parece ser fator eliminatório, já que a compra de itens caros desequilibraria o orçamento familiar, comprometendo ainda mais a satisfação de necessidades básicas da família. “A qualidade percebida, entretanto, também parece ser crucial, já que, uma vez comprado o produto, seja ele barato ou caro, terá que ser totalmente utilizado, pois sua recompra seria proibitiva”.

Fonte: Revista de Administração Mackenzie.

Pesquisa da USP analisa decisão de mulheres por cirurgia bariátrica

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“O processo de tomada de decisão de mulheres obesas pela cirurgia bariátrica: uma abordagem compreensiva” é o título da pesquisa desenvolvida por Deíse Moura de Oliveira na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

Partindo do pressuposto de que as mulheres que optam pela cirurgia enxergam os riscos envolvidos no procedimento como menos importantes do que as dificuldades enfrentadas em seu convívio com a obesidade, a pesquisadora conversou com 12 mulheres candidatas à cirurgia, em Juiz de ora, Minas Gerais.

Durante três meses, Deíse Moura de Oliveira conduziu entrevistas com as mulheres, baseadas em três questões: “O que fez você se decidir pela cirurgia bariátrica?”; “Como está sendo para você se decidir pela cirurgia bariátrica?” e “O que você espera para a sua vida ao decidir-se pela cirurgia bariátrica?”.

Analisando os depoimentos, a pesquisadora concluiu que o processo de tomada de decisão pela cirurgia das mulheres fundamentou-se em cinco fatore: a inadequação de seus hábitos alimentares, na incompatibilidade de suas aparências físicas com os padrões da sociedade contemporânea, no preconceito vivenciado, nas limitações impostas pela obesidade e no insucesso de inúmeras tentativas anteriores de emagrecimento.

A pesquisadora observa ainda que, para essas mulheres, a cirurgia representa uma oportunidade de resgatar suas vidas, inserindo-se no mercado de trabalho e sentindo-se inclusas socialmente.

Fonte: Universidade de São Paulo.

Mulheres em Ciências e Engenharias

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As mulheres ainda são minoria nas carreiras da áreas de ciências e engenharias. Foi-se o tempo em que as alunas de uma sala de graduação em engenharia, por exemplo, eram facilmente contadas nos dedos de uma das mãos, mas os homens continuam em maior número.

A boa notícia – sempre existe uma – é que o número de mulheres em salas de aula de cursos das áreas de ciência e engenharias cresce a cada ano, assim como o número de profissionais mulheres destas áreas em empresas pequenas e grandes, nacionais e multinacionais.

Esse crescimento certamente já foi notado pela professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), Roseli de Deus Lopes. Com graduação, mestrado, doutorado e livre-docência em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica, Roseli de Deus Lopes é pesquisadora do Laboratório de Sistemas Integráveis da EPUSP, onde é líder do Grupo de Pesquisa em Meios Eletrônicos Interativos e criou, em 2003, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), evento anual promovido na USP voltado à identificação e desenvolvimento de talentos, e que realizou em 2013 sua décima-primeira edição.

Entre inúmeras outras atividades e projetos de incentivo à divulgação científica e ao desenvolvimento de talentos, a professora foi mediadora, na USP, do fórum internacional Mulheres em Ciências e Engenharia – Hoje e Amanhã. Com a presença de profissionais mulheres da Boeing, Embraer e GE, além de professora-titular do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da USP, o grupo debateu o mercado de trabalho para mulheres no Brasil e nos Estados Unidos.

Entre as dificuldades, desafios e conquistas mencionadas, as profissionais foram unânimes em reconhecer que as mulheres avançam a passos largos nas carreiras das áreas de ciências e engenharias. Gostem ou não, os profissionais estão a cada dia mais habituados com a presença delas, inclusive em cargos de chefia. Donna Hrinak, presidente da Boeing no Brasil, foi categórica ao resumir: “O mundo vive hoje um bom momento para mulheres profissionais”.

Mais informações sobre a FEBRACE em http://www.febrace.org.br