Trabalhando com livros

black pen on white book page
Photo by Pixabay on Pexels.com
Márcio Coelho é editor de aquisições da editora Alta Books, e concedeu essa simpática entrevista ao blog. Um prazer para quem ama livros e trabalha ou pretende trabalhar com eles!

Conte um pouco sobre sua trajetória profissional.

Sou graduado em Letras com pós-graduação em Administração pela EAESP-FGV. Trabalho com livros há vinte anos, começando como editor e chegando a diretor editorial, passando por várias editoras. Em 2015 abri minha própria editora. Hoje sou editor de aquisições da Alta Books, sou responsável por trazer autores nacionais com foco em comportamento, desenvolvimento humano e gestão.

Num mundo cada vez mais digital, qual o principal desafio de se trabalhar com livro físico?

O mundo fica cada vez mais digital, mas o livro físico só se fortalece, é só olhar a quantidade de clubes de assinatura de livros físicos que existem no Brasil e no mundo. A visão de quem  está de fora do mercado, é sempre de que o digital está entrando com tudo e o físico vai acabar, mas não passa nem perto disso. É importante estar nas duas frentes, mas um complementa o outro.

Quais as características que um profissional precisa ter ou desenvolver para atuar no mercado editorial?

Paciência, não ter medo de colocar a mão na massa, ter cabeça aberta para aprender sempre e estar muito antenado ao que acontece no mundo. Ser um leitor ávido é básico.

Fale um pouco sobre sua nova função, no que consiste e o que representa em sua carreira.

Minha nova função é mais estratégica e menos operacional, quase nada operacional, na verdade. Preciso criar um catálogo de autores “celebridades”, que trazem resultado financeiro e midiático para a editora. É uma abordagem relativamente nova em minha carreira porque, apesar de já ter feito algo parecido, eu não o responsável por esse papel.

Qualificando a expressão oral

Foto Fernanda Pompeu (1)

Fernanda Pompeu – escritora e blogueira – é facilitadora da palavra e do texto. Mantém o blog Acelera Texto (www.aceleratexto.com.br) que trabalha conteúdos de gramática e estilística para destravar e inspirar a expressão verbal, particularmente nas mídias sociais. Fernanda concedeu esta entrevista ao blog Meunomenai, de minha autoria, onde fala sobre seu trabalho. Boa leitura!

Silvana Schultze, comunicadora, editora do blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Meunomenai: Com a intensificação do uso de mídias sociais digitais, cresce a necessidade do desenvolvimento de habilidades de comunicação em diversos formatos. O profissional hoje precisa expressar-se oralmente e através da escrita, criando conteúdo para as diversas redes sociais nas quais está inserido. Como prestadora de serviços nesta área, de que forma você auxilia as pessoas a desenvolverem essas habilidades?

Fernanda Pompeu: A principal habilidade com que eu trabalho é a expressão verbal – escrita e oral. Não importa se a pessoa está fazendo um post escrito, vídeo ou áudio, ela terá que usar a palavra. Meu trabalho é o esforço para tornar a comunicação verbal mais clara, precisa, concisa, comunicativa. As redes sociais trouxeram a maravilhosa oportunidade de “dar” um canal para todo mundo. Qualquer pessoa hoje, se quiser, pode ser uma mídia. Isso é inédito na história da humanidade. É evidente, também, que uma multidão produzindo amplifica os “defeitos” de comunicação. Mas no lugar de demonizar postadores e postadoras, quero contribuir para qualificar a expressão verbal.

Meunomenai: As novas gerações têm grande familiaridade com performances em redes sociais digitais. Algumas pessoas, entretanto, acreditam que essa tendência é acompanhada pela diminuição da capacidade de escrita. O que você pensa sobre o assunto, e como é essa relação entre seus clientes?

Fernanda Pompeu: Creio que incapacidade de escrita tem mais a ver com uma falha da escola do que com as redes sociais digitais. Faz tempo que há uma falha enorme no ensino da língua e da sua expressão. Quantos chegam aos 16, 17 anos escrevendo mal e porcamente? Muitos! E faz tempo. Daí a pessoa chega na internet e vai escrever como pode. Na verdade, eu creio que as mídias sociais acabam estimulando uma melhora nessa falha de base. Porque quem escreve, ou fala em um vídeo, quer “ser entendido”. Quer se comunicar. Quanto aos meus clientes, prefiro chamá-los de alunos, a principal motivação é a de destravar o texto e melhorar a comunicação. Não é uma tarefa fácil nem para eles e nem para mim. Mas é possível.

Meunomenai: Em sua opinião, quais as principais habilidades em comunicação que o profissional do século 21 deve desenvolver?

Fernanda Pompeu: A curiosidade e a capacidade de aprender a aprender.

 

O poder dos quietos

Resultado de imagem para shy

Um mundo que não pára de falar, e onde sobressaem aqueles que falam bem, principalmente em público. Como sobressair em meio a essa multidão?  “Mude a forma como você vê o mundo. Mude a forma como você se vê. Desvende o segredo dos introvertidos”. Assim é a apresentado o livro O poder dos quietos – como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. A autora, Susan Cain, é apresentada como uma autêntica introvertida, o que talvez lhe confira sabedoria para analisar como a extroversão tornou-se o ideal cultural, e como extrovertidos e introvertidos pensam.

Dividido em quatro partes, o livro apresenta ainda um capítulo dedicado à educação de crianças quietas. É nesta seção que a autora apresenta sua teoria da típica má combinação entre pais e filhos, na qual pais extrovertidos tentam modificar a natureza de seus filhos quietos, na esperança de prepará-los para melhor enfrentar a vida. “Os pais precisam se distanciar de suas próprias preferências e ver como o mundo é aos olhos de seus filhos quietos”, defende Susan.

A autora discorre ainda sobre as imposições da indústria da propaganda sobre os padrões de comportamento, sobretudo das mulheres, aborda a diferença entre timidez e introversão e chama a atenção para o quanto pessoas introvertidas podem ser boas na resolução de problemas complexos.

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

A influência do espiritismo em obra de Henry James

Imagem

“Os Inocentes”, escrito em 1898 por Henry James e também conhecido por “A volta do parafuso” já deu origem a filme de cinema, estrelado por Deborah Kerr, e ópera, em cartaz recentemente, durante curta temporada, em São Paulo, capital. Aparentemente simples, o segredo do sucesso da história certamente está no elemento “sobrenatural”, que pelas mãos habilidosas do escritor norte-americano e naturalizado inglês transformou-se em mais uma possibilidade de explorar o caráter dos personagens. O escritor foi influenciado, na criação dessa história, pelas crenças de seu irmão no espiritismo. Não fica claro, entretanto, qual é sua interpretação dos fatos que ele próprio inventou. Longe de ser uma falha, este é um dos elementos-chave da história, pois permite ao leitor a agradável tarefa de tirar suas próprias conclusões.

Na história, uma jovem é contratada para cuidar de um menino e uma menina órfãos, irmãos que não têm o menor convívio com o tio, único parente vivo de ambos. Ela logo percebe que o garoto foi expulso da escola, e embora o motivo esteja obscuro na carta escrita pelo diretor, pode estar relacionado aos supostos fantasmas que transitam pela casa. A jovem passa a ver os falecidos antigos funcionários da casa, embora a antiga empregada da casa, que a colocou a par da estranha história, e mesmo acreditando na história a ponto de ter medo, não os veja.

Receosa de que a presença dos fantasmas possa ser uma má influência para as crianças, a jovem insiste para que ambos admitam ver as aparições. Em sua mente, essa é a única forma de enfrentar o problema para resolvê-lo sem necessidade de incomodar o tio das crianças, a quem ela prometeu jamais importunar como condição para ser contratada.

As crianças negam ver os fantasmas, com diferentes reações: o menino com certa dose de sarcasmo, e a menina ficando doente e se recusando a voltar a ver a jovem cuidadora. Essas reações, principalmente os comentários dúbios do garoto, colocam o leitor em dúvida tanto em relação à saúde mental da jovem quanto em relação ao caráter das duas crianças.

Somente o leitor com alguma convicção no espiritismo, entretanto, interpretará a história conforme a doutrina: os fantasmas existem, sim, e são espíritos malignos que influenciam negativamente os dois irmãos.

Independentemente da crença de cada um, a abordagem de Henry James é excepcional no sentido de que não faz falta, em nenhum momento da história, um motivo concreto tanto para as atitudes das crianças quanto para as dos fantasmas e as da jovem. Todos seriam movidos por seu caráter, ou falta deste.

Para os crentes no espiritismo, é o caráter firme que leva a jovem a vencer os próprios medos, inclusive o de perder o emprego que precisa, para resgatar as crianças, ainda com caráter em consolidação, da influência dos espíritos, que carregaram para o mundo do pós-morte seus caráteres funestos, permanecendo cruéis a ponto de transitarem na dimensão dos vivos com as piores intenções.

E para aqueles que não acreditam ou questionam o espiritismo, há pureza do estilo de Henry James neste livro suficiente para algumas horas de boa leitura.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog meunomenai.com

Livro de Stephen Hawking traz aventura no espaço para crianças e adolescentes

Imagem

Uma história cheia de aventura e ação, com um belo ingrediente a mais: o mais recente conhecimento científico sobe o Universo, de forma simples e divertida. Um livro assim não seria possível se os autores não fossem o físico Stephen Hawking e sua filha, Lucy.

O livro “George e a caça ao tesouro cósmico” é o segundo escrito pela dupla, e narra as aventuras de George, Annie, Eric e Cosmos, o computador mais potente de toda a galáxia. Contribuíram ainda para o livro cientistas da França, Reino Unido e dos Estados Unidos.

Professor de matemática na Universidade de Cambridge, Stephen Hawking é considerado um dos mais brilhantes físicos teóricos desde Einstein. Sua filha Lucy é autora de dois romances e tem feito palestras para crianças no mundo inteiro sobre ciências e viagens espaciais, sendo premiada por sua contribuição para a popularização da ciência.

O livro traz ainda fotografias coloridas de planetas como Júpiter, Urano e do lançamento do primeiro vôo espacial norte-americano tripulado, entre outras. Traz também um Guia Prático do Universo, onde os autores respondem perguntas como “Por que viajar para o espaço?” e “Por que gastar tanto dinheiro com pesquisas espaciais?”.

Mário de Andrade, inquieto e conectado

Imagem

Uma exposição dividida em módulos, com mais de 440 itens e cheia de gavetinhas que qualquer um – inclusive as inquietas crianças, para alívio dos pais sempre cheios de dedos – pode abrir e remexer à vontade. Assim é “Ocupação Mário de Andrade”, que será inaugurada para o público na próxima sexta-feira, dia 28 de junho, no Instituto Itaú Cultural.

Autor de “Macunaíma” e um dos idealizadores do Modernismo no Brasil, Mário de Andrade era também formado em canto e piano, e se empenhou para realizar concertos e apresentar ao grande público a música erudita de vanguarda. Com as limitações de sua época, inclusive técnicas, moveu mundos e fundos para conseguir esse feito. Utilizando todos os seus contatos – sim, Mário de Andrade já era uma pessoa conectada, antes mesmo do termo ser disseminado – conseguia discos emprestados para que as pessoas conhecessem compositores como Stravinski, uma das grandes novidades de meados da década de 1930. O Brasil não contava com orquestras aptas a executar as peças, e até mesmo o gramofone era raro. E assim nascia a Discoteca Oneida Alvarenga, existente até hoje no Centro Cultural São Paulo.

Funcionário público, sorriu e chorou ao exercer a função, lutando para difundir a literatura, sobretudo a infantil, não só na capital paulista, mas também pelo Estado. Visionário, concebeu parques infantis – os precursores do atual Centro Educacional Unificado (CEU) – nos quais as crianças em idade pré-escolar eram entretidas com atividades artísticas. Suas jardineiras, espécie de caminhão que levava livros e bibliotecários a espaços públicos da capital, levaram à criação de bibliotecas circulantes e especializadas.

Uma mente inquieta, brilhante, que até o dia 28 de julho poderá ser relembrada e homenageada, ao som da Pauliceia dos anos 1930, marcada pelo burburinho das pessoas, do telégrafo, do telefone e da máquina de escrever, como sua fiel Manuela, que conta com uma réplica na exposição.

Visite o site da exposição em http://www.itaucultural.org.br