Sistema TEACCH: terapia e educação de crianças autistas

 

O sistema TEACCH (sigla do nome em inglês, Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children) utiliza currículos fortemente estruturados e limites para manter autistas em suas tarefas, concentrados na aula. Os horários de aula são personalizados para cada criança e utilizam os pontos fortes do autista como reforço durante todo o dia.

A base do sistema TEACCH é a crença de que os comportamentos característicos de cada autista, que muitas vezes são vistos como problemáticos por pais e terapeutas, na verdade têm uma função para a criança. Por isso, antes de tentar modificar o comportamento, é essencial conhecer sua motivação.

Os educadores adeptos do sistema ensinam ao autista comportamentos alternativos que trazem a ele os mesmos resultados que a conduta entendida como problemática. Com o tempo, espera-se que os novos comportamentos substituam os antigos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.

Educação de crianças autistas


Análise de Comportamento Aplicado é um método de disciplina que pode ser adotado por educadores de crianças autistas. O método utiliza sinais encontrados ao redor do autista para influenciar comportamentos adequados ao ambiente escolar. Primeiramente, o educador procura descobrir quais os disparadores de comportamentos negativos do autista, e também o que acontece antes e depois. O objetivo dessa etapa é evitar a ocorrência desses disparadores, substituindo-os por estímulos positivos.

Se o comportamento negativo aparece quando o educador passa de uma tarefa que o autista aprecia, como a leitura de histórias, por exemplo, para outra que não é de seu agrado, uma saída é oferecer uma alternativa de transição entre as duas tarefas. Se a sala contar com um ajudante, ele pode desempenhar essa função, lendo uma breve história relacionada à próxima tarefa, por exemplo.

O professor também pode recorrer a recursos visuais para essa transição. À medida que o autista for sentindo-se mais confortável com a mudança de tarefas, essa etapa de transição poderá ser até eliminada. O reforço verbal, principalmente com elogios, ajuda tanto na etapa de transição quanto na hora de dispensá-la.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.

Aprendizagem de autistas: eficácia da estratégia aumenta habilidade para comportamentos mais complexos

Muitos pais de autistas consideram o desenvolvimento social o principal ganho de seus filhos aos freqüentarem a escola, seja regular ou especial. Com o direcionamento de autistas para escolas regulares, porém, aumenta a exposição desses alunos aos conteúdos acadêmicos tradicionais. Interessada no processo de aprendizagem dos conceitos de adição e subtração por autistas, a pesquisadora Camila Graciella Santos Gomes acompanhou uma adolescente autista que recebeu estímulos visuais para explicar as operações aritméticas.

Autora do estudo “Autismo e ensino de habilidades acadêmicas: adição e subtração”, a pesquisadora descreve como gradualmente foi aumentada a comeplexidade das operações ensinadas, à medida que ia aumentando o número de acertos dela nas tarefas. “O ensino de habilidades acadêmicas para pessoas com autismo tem recebido pouca atenção de estudos, provavelmente porque os comprometimentos clássicos do transtorno relacionados à comunicação, interação social e comportamentos são vistos como prioritários no desenvolvimento de pesquisas”, explica a pesquisadora.

O estudo utilizou procedimentos adaptados com base em descrições sobre o quadro de autismo, princípios de aprendizagem da análise experimental do comportamento, técnicas de ensino e observação direta do repertório da participante. “Pode-se perceber que, com o aumento da eficácia das estratégias de ensino que possibilitam a aquisição de habilidades básicas e que suplementam as dificuldades clássicas do transtorno, crianças com autismo têm mostrado um ganho no repertório geral e, conseqüentemente, tornam-se hábeis a aprender comportamentos mais complexos como àqueles necessários aos conteúdos acadêmicos”, destaca o estudo.

A menina autista participante do estudo à época tinha 12 anos e freqüentava uma classe com colegas de 11 anos em média. Sabia ler e escrever, mas demonstrava dificuldade em compreender os conteúdos. Enquanto o restante de sua turma trabalhava conteúdos de multiplicação, divisão, potenciação e raiz quadrada, ela ainda não havia aprendido a resolver operações de adição e subtração. Sua fala é descrita como repetitiva e estereotipada, e era comum que a menina falasse sobre o mesmo assunto ou fizesse a mesma pergunta diversas vezes. “Apresentava também alteração no tom da fala, troca de pronomes e dificuldades na organização de frases”, descreve o estudo, completando que a menina compreendia literalmente ordens verbais e apresentava dificuldades na compreensão de ordens complexas e conceitos abstratos, necessitando de explicações mais simples e diretas. Não compreendia conceitos que necessitavam de relações entre objetos ou quantidade como “maior”, “menor”, “mais” ou “menos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382007000300004&lng=pt&nrm=iso

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Quase metade de crianças autistas que não falaram até os cinco anos poderão falar com fluência mais tarde

O fato de uma criança autista não falar entre os quatro ou cinco anos não significa que ela nunca irá falar, como receiam alguns pais. Estudo publicado na revista Pediatrics verificou que 70% de crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos que não falavam aos quatro anos desenvolviam-se a ponto de utilizar frases simples, enquanto quase metade adquiria com o decorrer dos anos um linguajar fluente e adequado.

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O estudo analisou mais de 500 crianças com autismo, e não encontrou relações entre a possibilidade da criança desenvolver a linguagem mais tarde e suas condições demográficas, como a região em que nasceu, e condições psiquiátricas, como o grau do autismo, crises de ansiedade ou agressividade, por exemplo. Isso quer dizer que a princípio qualquer criança pode desenvolver a fala, mesmo que já tenha passado dos cinco anos.

A pesquisa destaca ainda não ter encontrado indícios de que interesses restritos (crianças que comem somente determinados alimentos, por exemplo, ou gostam apenas de uma cor, estilo de roupa ou brinquedo), assim como as condutas repetitivas que muitos autistas apresentam (girar constantemente objetos, por exemplo) e os aspectos sensoriais (como extrema sensibilidade/aversão ao toque) interfiram significativamente no desenvolvimento da linguagem.

Fonte:http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2013/02/26/peds.2012-2221

Altas habilidades/superdotação: invisibilidade é resultado de estigma e falta de informação da sociedade e de docentes


O atendimento educacional especializado para alunos com altas habilidades/superdotação na Educação Básica é hoje uma realidade legalmente consolidada, que precisa ser implementada e surtir efeitos concretos nos encaminhamentos pedagógicos. Esta é a posição das pesquisadoras Susana Graciela Pérez Barrera Pérez e Soraia Napoleão Freitas. “Os alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) constituem uma parcela importante da população-alvo da Educação Especial, que ultrapassa os 2 milhões de matrículas na Educação Básica”, afirmam. Essa estimativa foi levantada para a elaboração do estudo “Encaminhamentos pedagógicos com alunos com Altas Habilidades/Superdotação na Educação Básica: o cenário Brasileiro”, de autoria de ambas.

O estudo analisa os aspectos que prejudicam a concretização do atendimento aos alunos com altas habilidades/superdotação – desinformação, representação cultural e falta de formação acadêmica e docente – que, segundo as autoras, são as causas da invisibilidade destes alunos. “A representação cultural deturpada leva a pensar que o aluno com AH/SD é uma pessoa rara, que não precisa de nada, que se autoeduca, que somente existe em classes privilegiadas, que só pode ser o aluno nota 10 na sala de aula e, principalmente, que não é um aluno com necessidades educacionais especiais, pois este termo é equivocadamente reservado aos alunos com deficiência”.

O estudo destaca ainda que a estigmatização de alunos com altas habilidades/superdotação faz com que eles não consigam sair de sua invisibilidade sistêmica, que se reflete nos censos escolares, que não recebem informações adequadas das escolas e, portanto, apresentam números insignificantes dentro das matrículas escolares. O estigma também reflete nos dispositivos legais, “que embora às vezes os contemplem, o fazem superficialmente, sem medidas específicas para eles”, e nos programas de atendimento de Educação Especial ou Educação Inclusiva, “que frequentemente esquecem dessa população”, segundo as autoras.

O estudo destaca ainda que, na maioria dos programas de formação acadêmica, especialmente nos cursos de Pedagogia e Educação, o tema altas habilidades, quando apresentado, “é de forma tão superficial que não permite uma compreensão adequada por parte dos futuros professores”. As autoras alertam ainda que, “nos cursos de Psicologia, Neurologia e Pediatria, cujos profissionais deveriam ter conhecimentos mínimos sobre o assunto, é extremamente raro encontrar o tema nos conteúdos curriculares e isso leva a que muitas pessoas com AH/SD sejam “diagnosticadas”, tratadas e inclusive medicadas por patologias como a transtorno de déficit de atenção com (ou sem) hiperatividade, depressão, bipolaridade, por exemplo”.

Para mudar esse quadro, as autoras ressaltam que a informação da sociedade como um todo e a formação dos docentes é um dos principais elementos que poderão apagar o nefasto prefixo “in” da palavra “invisibilidade”. “Nesse sentido, o desenvolvimento de campanhas de informação, como as que já ocorrem para as áreas da deficiência, permitiria que os mitos e as crenças populares relativas às PAH/SD fossem combatidos”, defendem.

A revisão das políticas públicas também é necessária. “Para que a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva possa concretizar seus anseios de promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo, entre outras, o atendimento educacional especializado e a formação de professores para esse atendimento e dos demais profissionais da educação para a inclusão escolar, tem que haver uma normatização mais eficiente e a tão necessária articulação intersetorial na implementação das políticas públicas, da educação infantil ao ensino superior”.

A inclusão de conteúdos relativos às altas habilidades/superdotação no programas de graduação também é importante. “Isso depende muito de ações mais pró-ativas do órgão regulador em nível federal – o Ministério de Educação – e da Secretaria de Educação Especial, em particular”, ressalta o estudo.

Como a responsabilidade de oferecer formação continuada e especializada está nas mãos das Secretarias de Educação (federal, estaduais e municipais), as autoras preocupam-se com as seguintes questões: “Quem e como identificará os alunos com Altas Habilidades/Superdotação que deverão ser declarados no Censo Escolar?”, “Quem vai preparar e como vai ser preparado o professor para o atendimento educacional especializado para os alunos com Altas Habilidades/Superdotação?”, e “Quando o aluno com AH/SD é atendido nos NAAH/S ou em salas de recursos específicas para as AH/SD – que não constituem Salas de Recursos Multifuncionais – como serão declarados no formulário do Censo, visto que na opção que seria a mais apropriada para o cadastro dos NAAH/S e das salas de recursos específicas para as AH/SD (a terceira), estes alunos não aparecem relacionados?”.

Por fim, o estudo alerta que, para o pleno desenvolvimento das habilidades desses alunos, é necessário levar em conta que além do enriquecimento extracurricular, desenvolvido no contraturno, também devem ser adotadas estratégias pedagógicas de enriquecimento intracurricular, ou seja, dentro da sala de aula.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602011000300008&lng=pt&nrm=iso

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Educação científica e inclusão escolar

O subsídio à formação continuada dos professores universitários é uma iniciativa fundamental para melhorar a formação de professores de ciências da Educação Básica no que diz respeito às práticas para diversidade. A afirmação é das pesquisadoras Eveline Borges Vilela-Ribeiro e Anna Maria Canavarro Benite, autoras do estudo “Alfabetização científica e educação inclusiva no discurso de professores formadores de professores de ciências”.

A pesquisa foi conduzida com o objetivo de analisar concepções sobre alfabetização científica e temas em educação inclusiva nos discursos de professores formadores de ciências (Biologia, Física, Matemática e Química), em uma instituição de Ensino Superior. “A complexidade de ensinar ciências em salas de aulas inclusivas é evidenciada pela falta de preparo dos professores e das escolas em transpor a linguagem científica para as pessoas com diferentes necessidades de aprendizagem”, ressaltam as autoras.

O estudo destaca ainda que os professores entrevistados compreendem a alfabetização científica como fundamental para os cidadãos, e interpretam que todos os cidadãos têm direito a aprender ciência. ”Ações, pensamentos e estruturas adaptativas são requeridos porque a inclusão das pessoas não consiste apenas em sua matrícula na escola, mas, sim, no oferecimento de todas as condições para que elas se mantenham durante todo o processo educativo e aprendam”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132013000300016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Crianças com autismo de alto funcionamento podem avaliar sua qualidade de vida e dizer o que as faz felizes, afirma pesquisadora


A pesquisadora Marília Penna Bernal, autora do estudo “Qualidade de vida e autismo de alto funcionamento: percepção da criança, família e educador”, descreve autismo de alto funcionamento como um quadro pertencente ao transtorno do espectro autista. Esse quadro é caracterizado pelo comprometimento de três áreas: interação social, déficits de linguagem e interesses restritos e estereotipados. “Tradicionalmente a qualidade de vida da criança tem sido avaliada por adultos, existindo uma carência de instrumentos que se destinam a essa avaliação, dificultando a avaliação pela própria criança”, ressalta a pesquisadora.

A dissertação de mestrado, defendida no Instituto de Psicologia da USP, analisou crianças entre 04 e 12 anos diagnosticadas com autismo de alto funcionamento, seus familiares e educadores. “O objetivo deste trabalho foi de avaliar a qualidade de vida de crianças portadoras de autismo de alto funcionamento, analisando o índice de concordância entre criança, familiar e educador, bem como analisar a sensibilidade do questionário utilizado quando respondido por terceiros”.

Os resultados mostram consistência nas respostas dos três grupos. “Ao se pensar as crianças como incapazes de responder a um questionário de qualidade de vida fica evidente a necessidade de se construir ou validar instrumentos já existentes”, conclui a pesquisadora. “Nos resultados encontrados percebe-se que as crianças avaliadas são capazes de fornecer informações sobre si, sobre sua qualidade de vida e o que as tornam felizes”. Os dados, afirma a autora, são importantes para se estruturar serviços que atendam essa população.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-09022011-103709/pt-br.php