Educação científica e inclusão escolar

O subsídio à formação continuada dos professores universitários é uma iniciativa fundamental para melhorar a formação de professores de ciências da Educação Básica no que diz respeito às práticas para diversidade. A afirmação é das pesquisadoras Eveline Borges Vilela-Ribeiro e Anna Maria Canavarro Benite, autoras do estudo “Alfabetização científica e educação inclusiva no discurso de professores formadores de professores de ciências”.

A pesquisa foi conduzida com o objetivo de analisar concepções sobre alfabetização científica e temas em educação inclusiva nos discursos de professores formadores de ciências (Biologia, Física, Matemática e Química), em uma instituição de Ensino Superior. “A complexidade de ensinar ciências em salas de aulas inclusivas é evidenciada pela falta de preparo dos professores e das escolas em transpor a linguagem científica para as pessoas com diferentes necessidades de aprendizagem”, ressaltam as autoras.

O estudo destaca ainda que os professores entrevistados compreendem a alfabetização científica como fundamental para os cidadãos, e interpretam que todos os cidadãos têm direito a aprender ciência. ”Ações, pensamentos e estruturas adaptativas são requeridos porque a inclusão das pessoas não consiste apenas em sua matrícula na escola, mas, sim, no oferecimento de todas as condições para que elas se mantenham durante todo o processo educativo e aprendam”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132013000300016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Impasses da atuação de psicólogos na educação de alunos com transtornos de desenvolvimento


O trabalho de psicólogas em escolas é indispensável, mas a necessidade de repensar suas intervenções, sobretudo na educação especial, é emergente. A conclusão é da pesquisadora Valéria Campinas Braunstein, autora do estudo “Escolarização de pessoas com transtornos globais do desenvolvimento: possibilidades de atuação no campo da psicologia”.

A ideia do estudo partiu da experiência profissional e acadêmica da autora, que envolve a criação de uma escola que, a partir de 1997, passou a receber alunos com necessidades especiais na educação. A decisão, recorda, resultou em questionamentos e pressões tanto por parte de profissionais quanto de pais de alunos. “Alguns, indignados, transferiram seus filhos, afirmando ser irresponsabilidade de nossa parte permitir tal convivência”, descreve a pesquisadora.

Apesar de a decisão causar a perda de cerca de metade dos alunos, a autora ressalta que os pais de alunos com necessidades especiais de educação insistiram para que o trabalho continuasse, em função dos ganhos observados no bem-estar e desenvolvimento de seus filhos.

Essa experiência também é descrita na dissertação de mestrado, que foi defendida na Faculdade de Educação da USP. O trabalho descreve ainda os parâmetros que norteiam práticas em psicologia escolar frente às demandas relacionadas ao aluno com transtornos globais do desenvolvimento. “Nossa proposta desde o início foi de refletir sobre os impasses da concretização de uma prática crítica em que os psicólogos possam buscar respostas às suas indagações sobre o trabalho com crianças que têm transtornos globais de desenvolvimento no âmbito escolar”.

A pesquisadora ressalta, ainda que esse exercício deve começar no momento de formação do profissional. “É fundamentalmente importante que alunos e profissionais que pretendam trabalhar com a diversidade possam conhecer a realidade escolar por meio de estágios articulados com discussões com profissionais da área escolar”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-10122012-145930/pt-br.php

Inclusão escolar de crianças acontece a cada ano, e não só no ingresso, afirmam pais

 

A inclusão escolar de crianças com Síndrome de Down foi estudada por uma equipe de pesquisadoras formada por fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, psicóloga e enfermeira. “Todo início de ano a expectativa de algumas mães era a mesma de quando a criança entrou na escola pela primeira vez, particularmente no que diz respeito à nova professora, aos colegas e à adaptação de seu filho com SD a um novo contexto”, observam as pesquisadoras Flávia Mendonça Rosa Luiz, Luzia Iara Pfeifer, Silvia Regina Ricco Lucato Sigolo e Lucila Castanheira Nascimento.

As pesquisadoras acompanharam onze famílias de crianças com Síndrome de Down, concluindo que, apesar de os professores não terem se mostrado preparados para a inclusão, o processo demonstrou-se benéfico na Educação Infantil. “Ficou evidente a necessidade de articulação entre os setores da educação e saúde e de uma mudança de paradigma no modelo educacional”, destacam.

Como forma de evitar a ansiedade gerada a cada início de ano letivo, as pesquisadoras defendem que todos os profissionais que fazem parte da escola deveriam sejam estimulados a trabalhar ou ter contato com os alunos que possuam necessidades especiais. “Assim, a presença da criança com Síndrome de Down não seria mais um fato novo para nenhum dos educadores e demais membros da escola quando estes a recebessem”.

Essa prática também evitaria que a família precisasse repassar, a cda início de ano, as orientações a respeito de seu filho. O diálogo entre educadores e terapeutas que atendem a criança também é apontado no estudo como uma forma de contribuir para a continuidade da atenção e do trabalho desenvolvido até o momento da transição da escola especial para a comum.

A presença de um professor auxiliar em sala de aula também é apontda no estudo. “O aluno com síndrome de Down tem melhor aproveitamento com a ajuda de um professor assistente, porém esse recurso só deve ser viabilizado quando houver necessidade, para que a criança não desenvolva dependência e tenha a oportunidade de trabalhar com outros auxiliares”, descreve o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722012000400011&lang=pt

Inclusão escolar de autistas deve trazer ganhos para os dois lados, defende pesquisadora

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Proporcionar interação social a crianças e adolescentes autistas é uma das ações mais importantes do tratamento visando à melhoria na qualidade de vida deles. No entanto, apesar de a legislação garantir a inclusão escolar de crianças e adolescentes especiais, seus pais sabem que nem sempre essa é uma tarefa fácil ou harmoniosa. As dificuldades podem surgir tanto em função do despreparo ou resistência da escola e professores quanto da parte dos alunos, colegas ou não de classe. “É importante que as crianças com PEA estejam incluídas nas turmas de ensino regular se forem respeitadas as suas especificidades e necessidades, com os recursos humanos e os materiais necessários ao seu desenvolvimento e com atitudes e expectativas consistentes por parte de todos os agentes educativos”, afirma a pesquisadora Cláudia Paiva Martins.

Interessada em descobrir como os colegas sem necessidades especiais encaram a presença de crianças autistas em sua turma, a pesquisadora desenvolveu o estudo “Face a face com o autismo: será a inclusão um mito ou uma realidade?”.

Após analisar os resultados, Cláudia Paiva Martins concluiu que não existem vantagens significativas para as crianças com autismo ao estarem integradas nas turmas regulares, pois muitas não possuem atividade nem participação no ambiente escolar. Estas crianças, segundo a autora, não são solicitadas pelos seus colegas para brincar no recreio, trabalhar na sala de aula, participar em jogos ou ir a festas. “As dificuldades de interação social e de relação são o que mais as inibe de colaborarem com os seus colegas”, afirma.

Por outro lado, a pesquisadora encontrou indícios de que os colegas sem necessidades especiais não atribuem muita importâncias às dificuldades de comunicação e aos comportamentos disruptivos e estereotipados das crianças e adolescentes autistas.

A pesquisadora afirma que a inclusão escolar prevista na legislação brasileira só funciona, na prática, quando ambos os lados – alunos com necessidades especiais, de um lado, e alunos sem, de outro, ganham com a experiência. “Se isto se efetivar, talvez seja

possível melhorar a representação do aluno autista em relação à sua presença na escola e, por outro lado, criar novas representações mais positivas, que fomentem a sua presença na sociedade e, em alguns casos, no mercado de trabalho”, conclui o estudo.

 Texto escrito por Silvana Schultze, editora do blog www.meunomenai.wordpress.com

 Leia o estudo completo no link: http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/2562/1/ClaudiaMartins.pdf