Terapia fonológica contrastiva: estudo compara aquisição de fonemas entre crianças com e sem intervenção


Compreender o percurso de aquisição que, mesmo sem tratamento, a criança com desvio fonológico percorre, seja para suprir ou não suas dificuldades na fala ao longo do tempo, foi uma das bases do estudo “Mudanças no sistema fonológico após terapia fonológica de abordagem contrastiva”.

As autoras Marileda Barichello Gubiani, Ana Rita Brancalioni e Márcia Keske-Soares acompanharam 14 crianças entre quatro anos e 10 meses e sete anos e quatro meses, de ambos os gêneros, com diagnóstico de desvio fonológico. As avaliações foram feitas antes e depois do período de terapia de abordagem contrastiva. O objetivo era verificar as mudanças no sistema fonológico (aquisição de fonemas) e na gravidade do desvio fonológico de sujeitos submetidos à terapia fonológica de abordagem contrastiva, em comparação a um grupo de sujeitos sem intervenção.

Os resultados apontaram que o Grupo Experimental adquiriu maior número de fonemas, que determinaram mudança na gravidade do desvio fonológico. “As diferenças encontradas entre ambos os grupos foram significativas”, destaca o estudo. “A terapia fonológica de abordagem contrastiva promove mudanças no sistema fonológico, que influenciam significativamente a aquisição de fonemas e a mudança da gravidade”.

As pesquisadoras ressaltam ainda que estudos científicos costumam descrever as evoluções obtidas com o tratamento. “Questões éticas justificam a escassez de estudos envolvendo a aquisição de sistemas fonológicos desviantes, sem intervenção fonoaudiológica, dada a inadequação de manter crianças com problemas de fala sem terapia (apenas em função de pesquisa)”, explicam. “Entretanto, os atendimentos fonoaudiológicos gratuitos, como os disponibilizados em clínicas-escola, geralmente não conseguem suprir toda a demanda por tratamento clínico fonoaudiológico, fato que permitiu a execução da metodologia empregada na presente pesquisa, que envolveu a análise retrospectiva de prontuários de crianças com desvio fonológico”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo na íntegra, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400012&lng=pt&nrm=iso

Falso-negativo em triagem auditiva neonatal é pouco abordado em pesquisas

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A disseminação da internet como meio de busca de informações sobre saúde deram origem à pesquisa “Telessaúde: avaliação de websites sobre triagem auditiva neonatal na língua portuguesa”, defendida por Juliana Nogueira Chaves na Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.

Com o objetivo de verificar os aspectos de qualidade técnica e de conteúdo dos websites sobre triagem auditiva neonatal na língua portuguesa, a pesquisadora reuniu um grupo de fonoaudiólogos para selecionar descritores, por meio da técnica Delphi.

Inserindo os descritores no Google Trends, Juliana Nogueira Chaves levantou um grupo de termos possíveis de serem utilizados pelos pais na busca de informações na internet sobre triagem auditiva neonatal.

Os tópicos mais abordados em 19 websites foram sobre os objetivos e benefícios da triagem auditiva neonatal, além do processo de diagnóstico audiológico. Os menos discutidos foram sobre o resultado falso-negativo, desenvolvimento da audição e da linguagem, resultado falso-positivo, acompanhamento audiológico, interpretação dos resultados Passa / Não passa, reteste e protocolo.

A pesquisadora concluiu ainda que o nível de leitura dos textos é difícil, e que devido à falta de hábito de se inserir links, os websites nacionais tornam-se pouco relevante no sistema de procura Google. “Há necessidade de revisar o nível de leitura dos conteúdos e os aspectos de qualidade técnica referentes à precisão e atualização das informações, autoria e links”, ressalta.

Fonte: Universidade de São Paulo.

O trabalho completo está disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25143/tde-05062013-102124/pt-br.php