Modelo de educação em saúde auditiva

Propostas desenvolvidas com a Teleducação Interativa caracterizam um trabalho que tem sido aprimorado ao longo dos anos, com enfoque na hierarquização do conhecimento. É o que concluíram as pesquisadoras Wanderléia Quinhoneiro Blasca, Jéssica Kuchar, Cássia de Souza Pardo-Fanton, Ana Carolina Soares Ascencio e Adriana Pessuto, autoras do estudo “Modelo de educação em saúde auditiva”. Segundo as autoras, profissionais, alunos de graduação, pós-graduação e a comunidade envolvem-se na criação de uma rede de aprendizagem colaborativa para o desenvolvimento de materiais educacionais, cursos de capacitação, website e projetos educacionais.

O estudo teve como objetivo apresentar um modelo de educação em saúde auditiva com Teleducação Interativa desenvolvido pelo Departamento de Fonoaudiologia da FOB-USP, enfatizando a importância da criação de materiais educacionais numa proposta de educação profissional e ao paciente na área de Audiologia. “Em um país com dimensões geográficas extensas como o Brasil, onde há heterogeneidade na distribuição de fonoaudiólogos, as aplicações da Telessaúde na área de Audiologia estão crescendo em ritmo acelerado, vindo ao encontro das necessidades de descentralização de conhecimento e atendimento especializado para profissionais e pacientes”, destaca o estudo.

Para isso, foi elaborado um modelo de educação em saúde auditiva baseado na Teleducação Interativa a partir da união de informações sobre os projetos desenvolvidos e levantamento cronológico da elaboração dos objetos de aprendizagem.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462014000100023&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Dispraxia verbal: pesquisa analisa processos de substituição

Os processos de substituição que ocorrem na fala de pessoas com Dispraxia Verbal ocorrem, de modo geral, em palavras com mais de duas sílabas, em alvos líquidos e fricativos, dentro do pé-métrico do acento (em tônica e pós-tônica), em posição de onset simples medial e coda final. Essa é uma das análises do estudo “Processos de substituição e variabilidade articulatória na fala de sujeitos com dispraxia verbal”.

As pesquisadoras Inaê Costa Rechia, Ana Paula Ramos de Souza, Carolina Lisboa Mezzomo e Michele Paula Moro, autoras do estudo, analisaram a fala de crianças entre dois anos e meio e quatro anos e dois meses, com hipótese diagnóstica de Dispraxia Verbal. “A tonicidade foi estatisticamente significante para a ocorrência da variabilidade articulatória e substituições usuais, sendo que o processo apresentou maior probabilidade de ocorrência em sílaba tônica e pós-tônica (sílabas dentro do pé métrico do acento), respectivamente”, destaca o estudo.

As autoras apontam, entre as implicações clínicas do estudo, a necessidade de se considerar que a aquisição de segmentos não ocorrerá com ampla generalização entre estruturas silábicas e sílabas distintas nas palavras, pois o acento e o tipo de estrutura silábica, bem como a extensão da palavra, desempenham papel importante no processo de aquisição fonológica por sujeitos dispráxicos. “Assim, novos segmentos devem ser trabalhados, preferencialmente em palavras mono e dissílabas, se possível paroxítonas, com o segmento na sílaba tônica”, ressaltam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342009000400020&lng=pt&nrm=iso

Dessonorização e idade da criança: pesquisa investiga relação


O processo fonológico de dessonorização possui alta ocorrência em crianças com desvio fonológico, sendo mais prevalente para consoantes plosivas. É uma das conclusões das pesquisadoras Helena Bolli Mota, Aline Berticelli, Cintia da Conceição Costa, Fernanda Marafiga Wiethan e Roberta Michelon Melo. “A idade não influencia a ocorrência deste processo e a gravidade do desvio é um fator relevante para seu emprego, sendo mais prevalente nos graus mais graves”, destacam.

Esses e outros resultados foram apresentados no estudo “Ocorrência de dessonorização no desvio fonológico: relação com fonemas mais acometidos, gravidade do desvio e idade”. A pesquisa acompanhou 50 crianças, com média de idade de 6 anos e 5 meses, e coletou dados de fala por meio da Avaliação Fonológica da Criança.

As pesquisadoras observaram que, ao comparar seis fonemas, simultaneamente, não houve diferença quanto ao emprego da dessonorização. “Obteve-se diferença somente para /g/ x /v/, e /b/ x /v/”, ressaltam. Quanto à faixa etária, não houve diferença, e quanto à gravidade do desvio, foi possível constatar que houve diferença apenas para a variável dessonorização de /d/ e /ʒ/. 

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400011&lng=pt&nrm=iso

 

Pesquisas em disfagia dificultam prática baseada em evidências

 

Pesquisas científicas estão fortemente relacionadas às formas de identificação de disfagia, e não às características proporcionadas pela deglutição de diferentes consistências, segundo estudo “Alimentos na consistência líquida e deglutição: uma revisão crítica da literatura”. O objetivo do trabalho foi analisar artigos científicos internacionais publicados sobre a fisiologia da deglutição de alimentos líquidos nas fases oral e faríngea.

Os autores, Elaine Cristina Pires, Fernanda Chiarion Sassi, Laura Davison Mangilli, Suelly Cecília Olivan Limongi e Claudia Regina Furquim de Andrade, destacam que na maioria dos estudos descritos nos artigos analisados não há grupo-controle. “Os achados desta revisão demonstram que há dificuldade na aplicabilidade clínica dos achados científicos, dificultando a prática baseada em evidências”, ressaltam.

Distúrbio da deglutição decorrente de alterações em uma ou mais de suas fases, podendo ter como causa aspectos neurológicos e/ou estruturais, a disfagia pode ocasionar aspiração laringo-traqueal (entrada de alimentos ou líquidos, incluindo saliva e secreções, na via aérea, abaixo da glote), conforme descreve a literatura levantada para o estudo. “Tosse, sufocação/asfixia, problemas pulmonares, desidratação, desnutrição, sepse, perda de peso e morte, são resultados característicos da aspiração decorrente da disfagia”, apontam os autores, com base nessa literatura.

O estudo ressalta que inúmeros fatores interferem na eficiência da deglutição, como a consistência do bolo alimentar, o volume ingerido, a temperatura, a própria característica anatômica dos indivíduos e a integridade dos músculos e nervos envolvidos no processo de deglutição. “O líquido é designado por alguns autores como sendo a consistência que mais causa penetração laríngea e aspiração, mesmo quando comparado com a deglutição de líquidos espessados”.

Durante a revisão de literatura, foi observado ainda que os grupos estudados nas pesquisas descritas são heterogêneos, principalmente quando considerando indivíduos com alterações neurológicas. “Além disso, não há pareamento de idade na maioria dos estudos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400020&lng=pt&nrm=iso

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Fonoaudiologia na Bahia: semelhanças com a constituição da área no Brasil


Os cursos de fonoaudiologia foram implantados no Estado da Bahia em 1999, mas a história da área na cidade de Salvador é mais antiga. Segundo as pesquisadoras Rina Tereza D´Ângelo Nunes e Suzana Magalhães Maia, essa história se articula, em muitos aspectos, com as preocupações que vêm marcando o campo da fonoaudiologia.

Autoras do estudo “Narrativas sobre o início das práticas fonoaudiológicas na cidade de Salvador, Bahia, Brasil”, elas buscaram histórias de fonoaudiólogas precursoras na capital baiana. O objetivo era encontrar, nessas experiências, uma fonte para compreensão do passado e do presente, além de projeção para o futuro.

As pesquisadoras destacam, dentre as narrativas, aspectos como a prevalência de um trabalho fonoaudiológico privatista, como resultado de políticas públicas equivocadas, e o reconhecimento por parte dos pacientes, como fonte primordial de divulgação da área. As primeiras práticas também apareceram, nessas narrativas, como relacionadas à educação de pessoas surdas e com deficiência mental. “As vozes das narrativas emolduram a fonoaudiologia em Salvador como acontecimento singular e, ao mesmo tempo, característico da forma como a área foi se constituindo no Brasil”, destaca estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902013000300025&lng=pt&nrm=iso

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Falta de mão de obra especializada e exclusão digital prejudicam projetos de Telefonoaudiologia


Os pontos fortes de projetos na área de Telefonoaudiologia estão concentrados na competência administrativa, enquanto os pontos fracos estão identificados na competência de sustentabilidade, necessitando de ações específicas para diminuir os efeitos negativos durante a execução destes projetos pelos seus responsáveis. Estas são as conclusões do estudo “Aplicação de instrumento administrativo para orientação das pesquisas em Telefonoaudiologia na Faculdade de Odontologia de Bauru”, do pesquisador Paulo Marcos Zanferrari. “A importância da Telessaúde no âmbito da medicina propagou-se de forma exponencial, demonstrando capacidade de maximizar resultados, sendo utilizada rapidamente na área de Fonoaudiologia, podendo ser denominada de Telefonoaudiologia”, explica o pesquisador.

Docentes responsáveis por 32 projetos desenvolvidos no Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, SP, na área de Telessaúde, foram entrevistados pelo pesquisador para sua dissertação de mestrado, defendida na Faculdade de Odontologia da USP Bauru.

O objetivo do trabalho era desenvolver um instrumento para criar linhas de orientação das pesquisas dos projetos, além de identificar os pontos fortes e fracos dos projetos analisados e suas possíveis causas. “A pesquisa mostrou que o domínio dos pontos fortes e pontos fracos dos projetos, associados a especialização do capital humano, a maximização do tempo e a atualização dos recursos digitais são insumos importantes para ampliar os benefícios dos projetos de Telessaúde, rumo à vantagem competitiva organizacional”, ressalta o autor.

Foram identificados como pontos fortes a missão do projeto, a qualidade das informações, os canais de comunicação e os benefícios proporcionados aos usuários, tendo como principais causas a utilização de multimeios específicos, a educação continuada, a quantidade de informações disponibilizadas e o comprometimento do capital humano. Em relação aos fatores negativos, os resultados indicam a ausência de especialização da mão de obra em determinadas etapas do projeto, a falta de atualização de hardware e software, a exclusão digital dos usuários e a obsolescência do projeto. “As principais causas desses pontos fracos estão concentradas na dificuldade de suporte técnico, profissionais para divulgação e treinamento, estratégias de marketing e a manutenção dos projetos desenvolvidos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25143/tde-14082013-103242/pt-br.php

Dislexia: treinamento da correspondência grafema-fonema

 

A dislexia é caracterizada como um distúrbio específico de aprendizagem, de origem neurológica. É caracterizado pela dificuldade com a fluência correta na leitura, além de dificuldade na habilidade de decodificação e soletração, resultante de um déficit em componentes da linguagem.

As pesquisadoras Daniele de Campos Refundini, Maíra Anelli Martins e Simone Aparecida Capellini, autoras do estudo “Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para a dislexia”, encontraram evidências de que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações.

Os principais sinais da dislexia, destacam as pesquisadoras, podem ser evidenciados durante o desenvolvimento do escolar e se referem a fala ininteligível, imaturidade fonológica, redução de léxico e dificuldade em aprender o nome das letras ou os sons do alfabeto. Também ocorre dificuldade para entender instruções, compreender a fala ou material lido, dificuldade para lembrar números, letras em sequência, questões e direções, e dificuldade para lembrar sentenças ou estórias, além de atraso de fala, confusão direita-esquerda, embaixo, em cima, frente-atrás (palavras-conceitos) e dificuldade em processar sons das palavras e história familial positiva de problemas de fala, linguagem e desenvolvimento da leitura. “Como esses sinais podem ser evidenciados na fase pré-escolar e no início da lfabetização, a dislexia pode ser identificada e detectada precocemente”, ressalta o estudo.

Estudos internacionais recomendam o uso de intervenção em escolares de séries iniciais de alfabetização que apresentem desempenho abaixo do esperado em relação ao seu grupo classe, denominado essas crianças como crianças de risco para a dislexia.

A pesquisa foi realizada com o objetivo de verificar a eficácia do programa da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para dislexia da 1ª série. Participaram deste estudo 60 escolares de ensino público municipal, na faixa etária de 6 a 7 anos de idade.

Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significantes, evidenciando que dos 18 escolares submetidos ao programa, 17 apresentaram melhor desempenho em situação de pós-testagem em relação à pré-testagem. “A realização deste programa foi eficaz para a identificação dos escolares com sinais da dislexia, evidenciando que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-84862010000200005&script=sci_arttext