Conceito de afetividade em casos de divórcio com disputas de guarda de filhos, falso abuso sexual e síndrome de alienação parental é analisado em estudo

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Casos de divórcio onde os filhos estão envolvidos em acusações de abuso sexual, disputa de guarda e síndrome de alienação parental (SAP) exigem análise transdisciplinar, que observe e compreenda as relações entre os três temas. “São temas cada dia mais recorrentes no direito de família contemporâneo, e seu entrelaçamento é bastante complexo”, destacam os autores do estudo científico “Síndrome de Alienação Parental, falso abuso sexual e guarda compartilhada: a necessidade de uma observação jurídica transdisciplinar”.

A Lei n. 12.318/2010, conhecida como Lei da Alienação Parental, é definida pelos pesquisadores como “uma funesta postura psicossocial, que deve ser efetivamente observada pelos operadores do direito e por psicólogos”.

Os efeitos do falso abuso sexual sobre a guarda compartilhada também são analisados no estudo. “Não se deve abstrair o contexto do relato da criança supostamente vítima de abuso sexual, pois em um cenário de guarda compartilhada, temos a criança transitando livremente por lares que velam duas mentalidades por vezes conflitantes”, alertam os pesquisadores Ana Maria Oliveira de Souza e Ricardo Menna Barreto.

Refletindo sobre o modo como o processamento de informações, conhecimentos e sua repercussão nas diversas disciplinas podem ser úteis para pensarmos as relações familiares, os pesquisadores ressaltam que não se trata de analisar famílias chamadas “pós-modernas”, mas sim famílias que alcançam as próprias consequências da modernidade.

As modificações comportamentais internas e externas sofridas pela família brasileira são apontadas no estudo como motivo para que os operadores do direito tenham necessidade de absorver novos conceitos, oriundos na maioria das vezes de outras áreas, dotando-lhes de sentido jurídico. “Dentro desse processo de mutação está, por exemplo, a introdução da noção de afetividade como dorso estruturante da unidade familiar e, corroborando neste processo, a emancipação da mulher e as consequências da lei do divórcio, aspectos estes que incrementam o leque de mudanças na relação (ex)cônjuge-mãe, (ex)cônjuge-pai e filho(s) pela guarda destes”, afirma.

Texto elaborado por Silvana Schultze, editora do blog www.meunomenai.wordpress.com

Conheça o estudo completo no link: http://editora.unoesc.edu.br/index.php/espacojuridico/article/view/1400/784

Gagueira: pesquisa analisa fatores genéticos e desafios para a fonoaudiologia

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Identificar a variação genética responsável pela gagueira é um grande desafio enfrentado por diversos grupos de pesquisa. Com base nessa realidade, o estudo “Gagueira desenvolvimental persistente familial: perspectivas genéticas” analisa os prováveis fatores genéticos envolvidos com a manifestação da gagueira desenvolvimental persistente familial. “A predisposição biológica no desenvolvimento da gagueira ainda não é bem compreendida, mas contribuições genéticas para esta predisposição são reforçadas tanto por referências à agregação familial da gagueira, quanto à gagueira familial, que têm aparecido na literatura há mais de 70 anos”, destaca o trabalho.

Os pesquisadores Breila Vilela de Oliveira, Carlos Eduardo Frigério Domingues, Fabíola Staróbole Juste, Claudia Regina Furquim de Andrade e Danilo Moretti-Ferreira, autores do estudo, afirmam que o modelo exato de transmissão da herança genética para a gagueira provavelmente varia entre famílias e populações. “A gagueira é uma desordem da comunicação oral que tem uma característica multidimensional”, explicam.

De acordo com o estudo, a melhor compreensão dos fatores genéticos é determinante para o entendimento de sua etiologia primária, dos aspectos epidemiológicos e dos possíveis fatores não genéticos envolvidos e que tem importantes implicações no diagnóstico e no prognóstico do paciente. “As análises genômicas demonstram, concomitantemente, a relevância dos componentes genéticos envolvidos e sua complexidade, sugerindo assim tratar-se de uma doença poligênica, na qual diversos genes de efeitos variados podem estar envolvidos com o aumento da susceptibilidade de ocorrência da gagueira”.

Os pesquisadores ressaltam que profissionais devem estar alertas ao fato de que uma criança com histórico familial positivo para gagueira poderá ter uma forte tendência a desenvolver o distúrbio de forma crônica. “As avaliações objetivas e os tratamentos controlados têm um papel muito importante para o domínio da evolução do distúrbio”.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400021&lng=pt&nrm=iso

Obesidade infantil adianta conflitos entre pais e filhos

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Qual o papel das mães e avós no aumento da obesidade infantil no Brasil? Falta de coesão em torno das normas alimentares da casa e de limites à criança, conflitos conjugais e familiares, além da dificuldade de adequar o ambiente às recomendações solicitadas por profissionais como médicos e nutricionistas são fatores que podem contribuir para o avanço da obesidade infantil no Brasil.

Os fatores são apontados pelas pesquisadoras Priscilla Machado Moraes e Cristina

Maria de Souza Brito Dias, autoras do estudo “Nem Só de Pão se Vive: a voz das mães na obesidade Infantil”, que analisou crianças entre oito e dez anos atendidas em ambulatório de referência para obesidade infantil. O objetivo da pesquisa era compreender os elementos presentes na história familiar de crianças com obesidade.

De acordo com as pesquisadoras, crianças obesas começam a pensar que são diferentes de tanto serem tratadas assim. “É como se elas não pertencessem a lugar nenhum, exceto quando encontram outra criança na mesma condição que a sua”, destacam. “Começam a se sentir incapazes para fazer qualquer coisa, ficam desmotivadas e acham que não adianta tentar, afinal, elas não conseguirão mesmo”.

Quando a autoestima está muito baixa, ressaltam as autoras, crianças obesas começam a se achar insignificantes e, por vezes, acabam encontrando uma forma de se relacionar com os colegas, sendo as boazinhas do grupo e fazendo o que outros não fazem na esperança de agradar.

As autoras destacam ainda que o Brasil é considerado um país em transição nutricional, pela substituição da desnutrição – decorrente da escassez de alimentos – pela obesidade, devido ao excesso e à inadequação do consumo alimenta, e que a obesidade infantil vem causando a precocidade de conflitos entre pais e filhos. “A prevalência da obesidade reflete as profundas modificações que a sociedade vem passando ao longo dos anos: saída da mulher para o mercado de trabalho, proliferação das redes de fast-food e mudanças das brincadeiras infantis que faziam despender energia para o uso de games em computadores”.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v33n1/v33n1a05.pdf

Agenda visual ensina rotinas à criança autista

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É muito comum que crianças com autismo queiram repetir – inclusive muitas e muitas vezes – uma atividade que lhes agrada. Quando isso não é possível ou não lhes é permitido, podem ficar ansiosos ou irritados. Esse comportamento pode trazer dificuldades na rotina de pais e professores, e uma dica para contorná-lo é criar uma agenda visual de atividades, com a sequência de tudo que será feito no decorrer do dia.

A agenda permite à criança ajustar-se ao que irá acontecer, evitando que ela se distraia com outras atividades que queira fazer a qualquer momento. Ainda que as atividades não variem no decorrer do dia, ou mesmo dos dias, ao visualizar cada ação a criança percebe melhor o que ainda precisa ser feito.

Seja por meio de fotografias, gravuras, desenhos ou mesmo objetos, o ideal é que a atividade seja apresentada e descrita à criança ao mesmo tempo em que ela consegue visualizar a imagem da ação. A cada nova atividade é mostrada uma imagem correspondente, e ao terminá-la, a mesma imagem pode ser virada ou colocada de lado, para ficar claro que ela foi encerrada, antes de mostrar a nova figura da próxima atividade.

No caso de crianças muito pequenas, utilizar objetos em vez de desenhos pode ser mais eficiente. À medida em que crescem, pode-se substituir os objetos por desenhos ou imagens que os representem, sempre da forma mais simples possível.

Fonte: Desafiando el autismo.

Satisfação de pais com o comportamento de filhos superdotados

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Existem diferenças entre alunos superdotados, alunos não superdotados e seus pais (ou responsáveis) quanto a fatores familiares relacionados à comunicação, uso do tempo, ensino, frustração ou satisfação com os comportamentos do filho? Necessidade de informação sobre temas que auxiliem na educação do filho e expectativas parentais acerca do desempenho do filho também apresentam diferenças entre pais de alunos superdotados e de não superdotados?

A partir dessas perguntas, as pesquisadoras Jane Farias Chagase Denise de Souza Fleith desenvolveram o estudo “Estudo comparativo sobre superdotação com famílias em situação socioeconômica desfavorecida”.

A partir da análise de 28 famílias do Distrito Federal, sendo 14 com superdotados e 14 sem filhos superdotados, as pesquisadoras utilizaram três instrumentos na pesquisa: Inventário de Sucesso Parental (PSI), Teste de Pensamento Criativo (TCP-DT) e questionário sobre características individuais e familiares do superdotado.

Os alunos superdotados participantes do estudo foram avaliados e eram atendidos na sala de recursos do programa da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, e os critérios para determinação da superdotação foram baseados no conceito do Modelo dos Três Aneis, proposto por Joseph Renzulli: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e criatividade.

As pesquisadoras observaram que os pais e responsáveis tanto de superdotados quanto de não superdotados avaliaram o nível de comunicação e sua satisfação em relação a comportamento dos filhos de forma mais positiva do que os próprios filhos. Além disso, pais de alunos superdotados tiveram maior participação na vida acadêmica de seus filhos.

O desempenho superior dos alunos superdotados nas avaliações de criatividade ficou evidente para as pesquisadoras, que chamam a atenção para o papel que a família pode desempenhar no estímulo de habilidades, talentos e interesses. E esse papel é, sobretudo, marcado pela participação dos pais nas atividades escolares, assim como pela comunicação e valorização do (bom) comportamento de seus filhos.

A boa notícia é que essas três atitudes exigem muito mais boa vontade e disposição dos pais do que propriamente recursos financeiros, como ficou evidente na pesquisa, que analisou somente famílias de baixa renda.

Livro de Stephen Hawking traz aventura no espaço para crianças e adolescentes

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Uma história cheia de aventura e ação, com um belo ingrediente a mais: o mais recente conhecimento científico sobe o Universo, de forma simples e divertida. Um livro assim não seria possível se os autores não fossem o físico Stephen Hawking e sua filha, Lucy.

O livro “George e a caça ao tesouro cósmico” é o segundo escrito pela dupla, e narra as aventuras de George, Annie, Eric e Cosmos, o computador mais potente de toda a galáxia. Contribuíram ainda para o livro cientistas da França, Reino Unido e dos Estados Unidos.

Professor de matemática na Universidade de Cambridge, Stephen Hawking é considerado um dos mais brilhantes físicos teóricos desde Einstein. Sua filha Lucy é autora de dois romances e tem feito palestras para crianças no mundo inteiro sobre ciências e viagens espaciais, sendo premiada por sua contribuição para a popularização da ciência.

O livro traz ainda fotografias coloridas de planetas como Júpiter, Urano e do lançamento do primeiro vôo espacial norte-americano tripulado, entre outras. Traz também um Guia Prático do Universo, onde os autores respondem perguntas como “Por que viajar para o espaço?” e “Por que gastar tanto dinheiro com pesquisas espaciais?”.

Desenvolvimento social é principal ganho de crianças e adolescentes especiais que frequentam escola

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Crianças e adolescentes com Síndrome de Autismo que frequentam a escola apresentam melhoras na aprendizagem, independência, comunicação e comportamento. Por outro lado, os resultados escolares são pouco notados.

Essas são as conclusões da pesquisadora Ana Gabriela Lopes Pimentel, autora do estudo “Autismo e escola: perspectiva de pais e professores”, apresentado na Faculdade de Medicina da USP. Participaram da pesquisa 56 cuidadores de crianças e adolescentes e 51 professores de escolares regulares e especiais.

Os pais e cuidadores tinham, em sua maioria, nível médio de ensino e renda familiar média-baixa. Os professores eram em sua maioria mulheres, com idades entre 31 e 40 anos, com formação em pedagogia e entre um e vinte anos de experiência profissional.

O desenvolvimento social foi citado pelos pais e cuidadores como a área de maior desenvolvimento: 53% dos cuidadores. Benefícios variados (de aprendizagem, independência, comunicação e comportamento) foram mencionados por 18% dos cuidadores, e 14% deles não perceberam qualquer efeito positivo relacionado à experiência escolar dos seus filhos.

Os professores responderam que acreditam influenciar principalmente a comunicação e as relações interpessoais. Mas também referem que as dificuldades são principalmente relacionadas à aprendizagem, à comunicação e ao comportamento da criança.

Os professores afirmaram ainda que a escola oferece apoio suficiente para seu trabalho, mas que há muito pouco apoio por outros profissionais, além da falta de tecnologia de ensino adequado.

Ana Gabriela Lopes Pimentel demonstra preocupação diante da falta de menção a resultados educacionais em sua pesquisa. “Ou o potencial educativo das crianças e adolescentes com Distúrbio do Espectro do Autismo está sendo subestimado ou os resultados escolares estão sendo ignorados pelas pessoas que devem compartilhar a responsabilidade por sua qualidade”, conclui.

Fonte: Universidade de São Paulo.