Quase metade de crianças autistas que não falaram até os cinco anos poderão falar com fluência mais tarde

O fato de uma criança autista não falar entre os quatro ou cinco anos não significa que ela nunca irá falar, como receiam alguns pais. Estudo publicado na revista Pediatrics verificou que 70% de crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos que não falavam aos quatro anos desenvolviam-se a ponto de utilizar frases simples, enquanto quase metade adquiria com o decorrer dos anos um linguajar fluente e adequado.

Imagem

O estudo analisou mais de 500 crianças com autismo, e não encontrou relações entre a possibilidade da criança desenvolver a linguagem mais tarde e suas condições demográficas, como a região em que nasceu, e condições psiquiátricas, como o grau do autismo, crises de ansiedade ou agressividade, por exemplo. Isso quer dizer que a princípio qualquer criança pode desenvolver a fala, mesmo que já tenha passado dos cinco anos.

A pesquisa destaca ainda não ter encontrado indícios de que interesses restritos (crianças que comem somente determinados alimentos, por exemplo, ou gostam apenas de uma cor, estilo de roupa ou brinquedo), assim como as condutas repetitivas que muitos autistas apresentam (girar constantemente objetos, por exemplo) e os aspectos sensoriais (como extrema sensibilidade/aversão ao toque) interfiram significativamente no desenvolvimento da linguagem.

Fonte:http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2013/02/26/peds.2012-2221

Perguntas repetidas de autistas, causadas por ansiedade e falta de habilidade: como ajudar


Crianças autistas podem ter o hábito de fazer a mesma pergunta seguidas vezes. Nem sempre, porém, elAs perguntam porque não entenderam a resposta. Existem alguns motivos possíveis para que a criança volte a perguntar algo que já foi respondido antes. Um deles é que a criança autista tem dificuldades em visualizar o que vai acontecer num futuro próximo, mesmo que já tenha passado por aquela situação antes. Essa dificuldade faz com que a criança sinta-se ansiosa, e perguntar é uma forma de aliviar a ansiedade. Com medo do futuro, sente-se segura ao ouvir sempre a mesma resposta, e pode ficar nervosa se a resposta for elaborada de forma diferente.

Perguntar várias vezes a mesma coisa também é uma forma de participar da conversa. Sem grandes habilidades de conversação, a criança autista encontra no ato de fazer perguntas uma forma de manter-se na conversa.

Seja qual for o motivo, é importante ter muita paciência, pois a fase das perguntas repetitivas pode ser entendida como uma fase essencial para que a criança autista avance no desenvolvimento de suas habilidades de conversação.

Algumas dicas práticas podem amenizar este hábito, facilitando a convivência com a família e outras pessoas:

(1)    Experimente usar um cartaz ou agenda com figuras (agenda visual) para mostrar à criança o que vai acontecer, em vez de falar.

(2)    Diga a ela que ela só pode perguntar a mesma coisa três vezes (ou duas, quatro, cinco…) e quando ela ultrapassar esse limite diga claramente: “Você já perguntou isso antes e não pode mais perguntar. Vamos falar agora de… “.

(3)    Diga à criança que só irá responder quando ela terminar determinada tarefa (pode ser qualquer coisa que costume prender a atenção dela). É possível que o foco de seu interesse mude, aliviando a tensão e fazendo-a esquecer as perguntas.

(4)    Defina lugares nos quais ela pode fazer as perguntas. Na escola, por exemplo, ensine que é somente no pátio, durante o recreio.

É importante também observar se, ao fazer as perguntas, o autista interrompe falas de outras pessoas ou ignore os sinais de que os outros estão aborrecidos com a conversa. Se isto estiver acontecendo, vale a pena praticar para que isto não aconteça (Para saber mais sobre isso, leia o post “Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo”, neste blog, pelo link: http://meunomenai.com/2013/08/07/dicas-para-desenvolver-habilidade-de-conversacao-avancada-em-criancas-com-autismo/ )

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

MEUNOMENAI: Perguntas repetidas de autistas, causadas por ansiedade e falta de habilidade: como ajudar


Crianças autistas podem ter o hábito de fazer a mesma pergunta seguidas vezes. Nem sempre, porém, elAs perguntam porque não entenderam a resposta. Existem alguns motivos possíveis para que a criança volte a perguntar algo que já foi respondido antes. Um deles é que a criança autista tem dificuldades em visualizar o que vai acontecer num futuro próximo, mesmo que já tenha passado por aquela situação antes. Essa dificuldade faz com que a criança sinta-se ansiosa, e perguntar é uma forma de aliviar a ansiedade. Com medo do futuro, sente-se segura ao ouvir sempre a mesma resposta, e pode ficar nervosa se a resposta for elaborada de forma diferente.

Perguntar várias vezes a mesma coisa também é uma forma de participar da conversa. Sem grandes habilidades de conversação, a criança autista encontra no ato de fazer perguntas uma forma de manter-se na conversa.

Seja qual for o motivo, é importante ter muita paciência, pois a fase das perguntas repetitivas pode ser entendida como uma fase essencial para que a criança autista avance no desenvolvimento de suas habilidades de conversação.

Algumas dicas práticas podem amenizar este hábito, facilitando a convivência com a família e outras pessoas:

(1)    Experimente usar um cartaz ou agenda com figuras (agenda visual) para mostrar à criança o que vai acontecer, em vez de falar.

(2)    Diga a ela que ela só pode perguntar a mesma coisa três vezes (ou duas, quatro, cinco…) e quando ela ultrapassar esse limite diga claramente: “Você já perguntou isso antes e não pode mais perguntar. Vamos falar agora de… “.

(3)    Diga à criança que só irá responder quando ela terminar determinada tarefa (pode ser qualquer coisa que costume prender a atenção dela). É possível que o foco de seu interesse mude, aliviando a tensão e fazendo-a esquecer as perguntas.

(4)    Defina lugares nos quais ela pode fazer as perguntas. Na escola, por exemplo, ensine que é somente no pátio, durante o recreio.

É importante também observar se, ao fazer as perguntas, o autista interrompe falas de outras pessoas ou ignore os sinais de que os outros estão aborrecidos com a conversa. Se isto estiver acontecendo, vale a pena praticar para que isto não aconteça (Para saber mais sobre isso, leia o post “Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo”, neste blog, pelo link: http://meunomenai.com/2013/08/07/dicas-para-desenvolver-habilidade-de-conversacao-avancada-em-criancas-com-autismo/ )

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Crianças autistas podem “falar” sem palavras: formas de comunicação não-verbal

Comunicar-se é algo diferente de falar. Muitos pais de autistas observam que seus filhos apenas repetem frases, palavras e perguntas – o que é chamado de ecolalia. Nem sempre, porém, isso quer dizer que a criança está buscando a comunicação com outras pessoas.

Por outro lado, autistas que não falam podem ter intenção de comunicar-se, e o reconhecimento de seus esforços levará a avanços em seu desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida.

A intenção de comunicação da criança autista pode manifestar-se por meio de gestos, olhares e sons, e a observação é o melhor caminho para pais e cuidadores identificarem-na.

Uma criança autista pode, por exemplo, começar a chorar sem motivo aparente, e ao notar a presença de seu pai ou mãe, parar de chorar e olhar para um objeto. Ela claramente tem a intenção de comunicar aos pais que deseja aquele objeto. Para perceber isso, os pais devem ter em mente que o choro tem um significado diferente para a criança que não fala – seja autista ou não. O fato é que à medida que os filhos crescem, tendo idade para falar, os pais tendem a esquecer-se disso, e continuam concentrando suas expectativas nas palavras faladas como a forma ideal de comunicação.

Outras formas de comunicação sem palavras que podem ser usadas por autistas são a motora, quando o autista empurra ou puxa uma pessoa ou objeto, por gesto, quando o autista olha fixamente para uma pessoa ou objeto, aponta ou indica, e a vocalização, quando o autista produz sons, inclusive o choro.

Para interpretar as mensagens que o autista quer transmitir em cada situação, é preciso observar com atenção, sem esquecer seus hábitos e gostos. Uma criança que vocaliza “mamã”, por exemplo, não necessariamente está tentando falar a palavra “mãe” ou chamar a própria mãe; essa vocalização pode ser apenas uma forma de chamar a atenção de alguém, produzindo um som que para ela pode ser como outro qualquer.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Baseado no artigo “Desenvolvimento de habilidades de comunicação expressiva para crianças com transtornos do espectro autista não-verbais” (tradução livre para o português).

Para ler o artigo original completo (em espanhol), acesse o link: http://desafiandoalautismo.org/desarrollo-de-destrezas-en-la-comunicacion-expresiva-para-ninos-con-trastornos-del-espectro-autista-no-verbales/

Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo

Imagem

Ensinar uma criança autista a fazer perguntas e declarações é o primeiro passo para que elas desenvolvam suas habilidades para iniciar e manter uma conversa, além de trocar de temas durante uma mesma conversa e até resgatar o interesse da outra pessoa durante a mesma conversa. Estas são consideradas habilidades avançadas de conversação, e podem ser exercitadas por pais, familiares, amigos, professores e terapeutas.

O primeiro passo é ensinar à criança que uma conversa é marcada pela ida e volta de falas: ao perguntar ou declarar algo, portanto, ela deve entender que haverá uma resposta verbal da outra pessoa, mesmo que seja para dizer “Não sei”. Da mesma forma, é preciso mostrar a ela que as outras pessoas esperam respostas verbais durante uma conversa. Isso pode ser ensinado por meio de exercícios práticos, desenhos ou objetos, como fantoches ou bonecos.

É importante também explicar à criança o valor das conversas para o desenvolvimento das relações afetivas e sociais. E, acima de tudo, a criança com autismo deve ter oportunidade de praticar a conversação com o maior número de pessoas, para que entre em contato com opiniões e reações diferentes. Os comportamentos agressivos ou relutantes que algumas crianças apresentam diante de pessoas novas podem ser amenizados com a prática social.

Uma conversa é feita também de sinais não-verbais, e isso também deve ser ensinado à criança. Mostrar a ela que muitas pessoas costumam ficar inquietas ou olhar ao redor quando não estão interessadas em uma conversa é uma boa maneira de treinar o resgate da conversa. Pode-se, por exemplo, ensinar a ela que nessas situações é possível fazer uma pergunta para que a pessoa volte sua atenção à conversa.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog meunomenai. Baseado no artigo “Conversational development for autismo”, disponível no link: http://desafiandoalautismo.org/wp-content/uploads/2012/01/Conversational-development-for-autism.docx

Sistema SPC oferece comunicação alternativa para pessoas com autismo e paralisia cerebral, ajudando no desenvolvimento da linguagem

Imagem

O sistema chamado “Símbolos Pictográficos para a Comunicação (SPC)” foi desenvolvido pela fonoaudióloga americana Roxana Mayer-Johnson na década de 1980 e pode ajudar na comunicação e no desenvolvimento da fala de pessoas com autismo e paralisia cerebral, entre outras.

Percebendo que os jovens com determinadas deficiências a quem atendia precisavam de um sistema de comunicação alternativo om símbolos facilmente apreendidos, a fonoaudióloga criou série de desenhos em preto, sobre fundo branco, que correspondem diretamente ao seu significado, escrito na parte superior de cada desenho.

O sistema possui cerca de 11.000 símbolos, organizados em seis categorias, representadas por cores diferentes, e já foi traduzido para doze idiomas, entre eles o português. As categorias são: pessoas (inclusive pronomes pessoais), verbos, adjetivos, substantivos, diversos (cores, tempos, nomes, números e outras palavras abstratas) e sociais (cumprimentos, expressões de prazer ou repulsa, entre outras).

O sistema SPC foi baseado nas palavras e ações mais comuns usados na comunicação diária, e de uma maneira que fosse facilmente aprendido por pessoas de várias idades. Diversos programas semelhantes ao SPC foram desenvolvidos, entre eles o Picto-Selector, que pode ser conhecido no link: http://pictoselector.sclera.be/setup_complete.exe

Ecolalia: quando o autista apenas repete palavras, frases ou perguntas

Imagem

Ecolalia é a repetição de palavras, frases ou perguntas que muitos autistas apresentam. O ato de repetição pode ocorrer porque a criança quer apenas ouvir sua própria vez, como os bebês fazem ao balbuciar. Pode significar, também que a criança com autismo não entendeu o significado do que foi dito a ela.

A ecolalia é vista por especialistas como um bom sinal. Para incrementar a linguagem da criança, é recomendado que as atividades sejam acompanhadas de comentários. No caso de jogos, por exemplo, é possível dizer o que será feito em seguida ou descrever o que está sendo feito.

É importante saber qual o comentário que a criança já conhece. Todos os comentários devem ser claros e objetivos, e nunca deve-se usar sarcasmo ou ironia. O tom de voz deve ser alegre e expressivo, dando ênfase às palavras principais da frase. Usar frases curtas e simples, dando instruções objetivas, também facilitam a compreensão. Dizer “Tire a roupa e entre no chuveiro” é muito mais eficiente do que “Você brincou bastante hoje e está suado; precisa tomar banho para ficar limpo e cheiroso antes de dormir”. Gestos simples e até linguagem de sinais também podem reforçar a compreensão do que está sendo dito à criança.

Pode-se ainda desenvolver brincadeiras que sejam acompanhadas de frases repetidas a cada ação, como “Preparar, apontar, já!”. Após várias repetições da mesma frase, pode-se ainda não falar a última palavra, para verificar se a criança está acompanhando e se ela mesma lembra-se de dizer a palavra. Músicas curtas e repetitivas também são úteis quando se pretende incrementar a fala da criança autista.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.wordpress.com

Baseado em informações da instituição Desafiando el Autismo.