Expansão da universidade pública brasileira: existe política de formação pedagógica de professores?


Analisar o papel da pedagogia universitária em projetos inovadores de universidades públicas brasileiras foi o ponto de partida da tese de doutorado “A pedagogia universitária nas propostas inovadoras de universidades brasileiras: por uma cultura da docência e construção da identidade docente”, defendida na Faculdade de Educação da USP. A autora, Lígia Paula Couto, avaliaou em que medida projetos que, a princípio, podem ser classificados como inovadores cooperam para a transformação do ensino superior.

As universidades selecionadas foram a USP Leste e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) Litoral, por afirmarem contar com propostas inovadoras. “Ambas as universidades estão inovando e trabalhando a pedagogia universitária”, destaca a autora. “No entanto, o trabalho com a pedagogia universitária e a formação pedagógica é muito mais presente na instituição que tem no ensino sua atividade fundante, do que naquela em que este fica subsumido na atividade de pesquisador do docente”.

Como resultado, a pesquisadora afirma que é possível analisar duas realidades diferentes: a instauração de uma cultura da docência capaz de promover a construção da identidade docente de seus professores, e uma cultura mais voltada à pesquisa, desvinculada do eixo ensino. “Esse estudo revela que é necessária uma aproximação da teoria/prática no que se refere à inovação proposta e, para isso, a área da pedagogia universitária pode contribuir de maneira fundamental, principalmente no tocante à formação docente para lidar com o aspecto inovador do projeto”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-13082013-164438/pt-br.php

Fragilidades da seleção de professores por universidades federais

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Os processos de seleção de professores em universidades federais são pautados pela observação fragmentada do candidato, com ênfase para elementos que pretendem avaliar o conhecimento do candidato e sua capacidade de ensinar. Além disso, tais processos apresentam fragilidades que podem comprometer seus resultados. Essas são as conclusões da pesquisa documental “Seleção de Docentes em Universidades Federais: uma análise dos regulamentos”, realizada por Elisabete Stradiotto Siqueira, Erlaine Binotto, Fabiula Meneguete Vidas da Silva e Débora Nayar Hoff.

O estudo foi realizado com o objetivo de analisar se a estrutura do concurso público avalia o candidato naquilo que lhe é demandado no contexto do trabalho docente. “A estabilidade presente na esfera pública dá ao candidato secionado a oportunidade de permanecer nela pelo menos 30 anos, considerando a nova lei de aposentadoria para homens e mulheres (idade, tempo no cargo e contribuição)”, ressaltam as pesquisadoras.

De acordo com elas, os processos que acarretam a demissão de docentes em universidades federais não se mostram tão comuns, o que faz com que equívocos cometidos durante a seleção encontrem pouca possibilidade de correção ao longo do tempo. “Quando encontram esta possibilidade, provocam desgastes para a instituição”.

O estudo sugere práticas que podem aperfeiçoar o processo seletivo: acesso ao currículo dos avaliadores antes do processo, evitar avaliações fragmentadas do candidato com etapas eliminatórias, que não permitem análise mais ampla de suas competências, divulgação dos componentes da banca aos candidatos com antecedência e inclusão de entrevista, entre outras.

As pesquisadoras ressaltam a pouca clareza dos regulamentos analisados, o que pode levar a uma abordagem mais funcionalista que estratégica. “Na abordagem estratégica seria considerada a construção e gerenciamento do capital intelectual, alinhada à estratégia da instituição que se refere ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão”, destacam. “De uma forma geral os regulamentos não orientam os candidatos a consultarem documentos institucionais que revelem sua dimensão estratégica, levando a crer que essa questão não é avaliada”.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40362012000400006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt