Enfermeiros-gerentes: pesquisa aponta deficiências e facilitadores na formação acadêmica em enfermagem


A profissão de enfermeiro possui uma divisão do trabalho entre os diferentes membros de uma equipe. Dispostos a compreender a contribuição do ‘ser enfermeira’ no cotidiano de trabalho do ‘ser gerente’ no contexto hospitalar, os pesquisadores Ludmila Mourão Xavier-Gomes e Thiago Luis de Andrade Barbosa desenvolveram o estudo “Trabalho das enfermeiras-gerentes e a sua formação profissional”.

Por meio de entrevistas com enfermeiras de três instituições hospitalares, os pesquisadores constataram que a formação acadêmica de enfermagem conferiu às enfermeiras o conhecimento e as habilidades para o exercício profissional e para a adoção de uma visão administrativa. “A vivência do ‘ser enfermeira’ é descrita como facilitadora das funções gerenciais”, destaca o estudo.

Também se observaram deficiências na formação acadêmica relacionadas às funções administrativas. “Percebe-se que o ensino de graduação na enfermagem necessita ser reordenado, buscando a formação de profissionais que estejam em sintonia com as rápidas transformações da sociedade contemporânea”.

Em relação ao perfil das enfermeiras-gerentes pesquisadas, verificou-se que a maior parte (70%) era constituída de profissionais com até 40 anos, e 27% encontravam-se na faixa etária entre 41 e 50 anos. “Percebem-se, assim, profissionais jovens nos cargos de gerência”, afirmam os pesquisadores. Quanto ao perfil profissional, 33% concluíram o curso de graduação em instituições privadas e 67%, em universidades públicas. Em se tratando da formação acadêmica, 45% das gerentes possuíam entre seis e dez anos de formada; 33%, de um a cinco anos; e apenas 22%, mais de vinte anos de formada. Quanto à qualificação, todas realizaram cursos de pós-graduação lato sensu, sendo que 55% eram especialistas em administração hospitalar. Quanto ao tempo de cargo de gerente, 78% possuíam de um a três anos no cargo e apenas 22% tinham mais de cinco anos à época da coleta de dados para a pesquisa.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-77462011000300006&lng=pt&nrm=iso

Controle de violência por parceiro íntimo deve integrar rotina de enfermeiros

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Incluir o controle de condições potencialmente ameaçadoras da vida materna (CPAV) e violência por parceiro íntimo (VPI) na rotina de enfermeiros é a proposta de Maria Inês Rosselli Puccia após concluir estudo sobre a associação entre VPI na gravidez atual e ocorrência de CPAV entre mulheres atendidas em maternidades públicas da Grande São Paulo.

A tese de doutorado “Violência por parceiro íntimo e morbidade materna grave”, defendida pela pesquisadora na Escola de Enfermagem da USP, utilizou os critérios clínicos, laboratoriais e de manejo relativos à morbidade materna grave, adotados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para a definição de condições potencialmente ameaçadoras da vida materna.

Os casos e os controles da pesquisa foram selecionados por meio de visitas diárias aos locais de estudo durante nove meses, além de entrevistas próximas da alta hospitalar. A pesquisadora observou a prevalência de 12,7% de violência psicológica; 7,6% de violência física e 1,6% de violência sexual durante a gestação atual entre casos e controles.

Com base nos resultados, a pesquisadora defende que o rastreamento rotineiro da VPI entre gestantes e o monitoramento de casos CPAV sejam incluídos no processo de trabalho dos enfermeiros. “Isto é importante para promover a qualificação da atenção à saúde materna”, conclui.

Fonte: Universidade de São Paulo.

Crenças espirituais fortalecem enfermeiras que atuam em oncologia pediátrica

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Enfermeiras que atuam no setor de oncologia pediátrica preocupam-se com o cuidar de si e com o fortalecimento de suas crenças para melhor compreensão do seu trabalho.

Essa é uma das conclusões da pesquisadora Fabiane Cristina Santos de Oliveira, autora da dissertação de mestrado “Os sentidos do cuidado espiritual atribuídos pelas enfermeiras na oncologia pediátrica”, defendida na Escola de Enfermagem da USP Ribeirão Preto.

Por meio de observação e entrevistas com as profissionais, Fabiane Cristina Santos de Oliveira observou que o cuidado espiritual na oncologia pediátrica apresentou-se articulado e indissociável da religião, da fé e da espiritualidade.

Ressaltando a complexidade de identificação do cuidado espiritual durante as rotinas de trabalho, dada sua subjetividade e a ausência de fronteiras claras, as enfermeiras apontaram o conhecimento dos elementos culturais que são valorizados e norteiam o pensar e o agir dos familiares como uma possibilidade de orientação para esse cuidado.

Realizado em um hospital-escola no interior paulista, o estudo apontou ainda determinadas situações do cotidiano das enfermeiras em que o cuidado espiritual deve ser oferecido, e destacou o benefício mútuo – para pacientes e enferemeiras – de se prestar o cuidado espiritual.

Fonte: Universidade de São Paulo.

Pesquisa da USP analisa decisão de mulheres por cirurgia bariátrica

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“O processo de tomada de decisão de mulheres obesas pela cirurgia bariátrica: uma abordagem compreensiva” é o título da pesquisa desenvolvida por Deíse Moura de Oliveira na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

Partindo do pressuposto de que as mulheres que optam pela cirurgia enxergam os riscos envolvidos no procedimento como menos importantes do que as dificuldades enfrentadas em seu convívio com a obesidade, a pesquisadora conversou com 12 mulheres candidatas à cirurgia, em Juiz de ora, Minas Gerais.

Durante três meses, Deíse Moura de Oliveira conduziu entrevistas com as mulheres, baseadas em três questões: “O que fez você se decidir pela cirurgia bariátrica?”; “Como está sendo para você se decidir pela cirurgia bariátrica?” e “O que você espera para a sua vida ao decidir-se pela cirurgia bariátrica?”.

Analisando os depoimentos, a pesquisadora concluiu que o processo de tomada de decisão pela cirurgia das mulheres fundamentou-se em cinco fatore: a inadequação de seus hábitos alimentares, na incompatibilidade de suas aparências físicas com os padrões da sociedade contemporânea, no preconceito vivenciado, nas limitações impostas pela obesidade e no insucesso de inúmeras tentativas anteriores de emagrecimento.

A pesquisadora observa ainda que, para essas mulheres, a cirurgia representa uma oportunidade de resgatar suas vidas, inserindo-se no mercado de trabalho e sentindo-se inclusas socialmente.

Fonte: Universidade de São Paulo.