Sistema Nacional de Educação e autonomia local


O Brasil não seguiu o caminho de organização do sistema nacional, e por isso foi ficando para trás ao invocar recorrentemente, em especial na discussão dos projetos da primeira e da atual Lei de Diretrizes e Bases, o argumento de que a adoção do regime federativo seria um fator impeditivo da instituição de um Sistema Nacional de Educação. É o que concluir o pesquisador Dermeval Saviani, autor do estudo “Vicissitudes e perspectivas do direito à educação no Brasil: abordagem histórica e situação atual”.

A organização do sistema nacional de ensino, segundo o pesquisador, foi a via adotada pelos principais países, a exemplo da Europa e também da Argentina, Chile e Uruguai, para assegurar o direito à educação às suas respectivas populações. “Na construção do Sistema Nacional de Educação e na efetivação do Plano Nacional de Educação, deve-se levar em conta o regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, conforme disposto na Constituição Federal, efetuando uma repartição das responsabilidades entre os entes federativos, todos voltados para o mesmo objetivo de assegurar o direito de cada brasileiro, provendo uma educação com o mesmo padrão de qualidade a toda a população”, defende.

O estudo alerta ainda que a formação de professores, a definição da carreira e as condições de exercício docente não podem ser confiados aos municípios. “A grande maioria dos municípios não preenche os requisitos para atuar nesse âmbito”, afirma. A responsabilidade principal dos municípios, destaca o autor, incidirá sobre a construção e conservação dos prédios escolares e de seus equipamentos, assim como sobre a inspeção de suas condições de funcionamento, e dos serviços de apoio como merenda escolar, transporte escolar, entre outros. “Efetivamente, são esses os aspectos em que os municípios têm experiência consolidada”.

Ao argumento de que esse tratamento dado aos municípios reduziria sua importância e o grau de sua autonomia, o autor responde que a diferença de graus de autonomia não significa redução de importância para as instâncias que detêm menor autonomia.

O estudo aponta ainda que co caso da educação, o discurso da autonomia local ou regional com as normas decorrentes teve efeitos bem diferentes do proclamado, o que pode ser constatado tanto no plano diacrônico, isto é, historicamente, como no plano sincrônico, ou seja, nas condições atuais. “Devemos caminhar resolutamente na via da construção de um verdadeiro Sistema Nacional de Educação, isto é, um conjunto unificado que articula todos os aspectos da educação no país inteiro, com normas comuns válidas para todo o território nacional e com procedimentos também comuns, visando a assegurar educação com o mesmo padrão de qualidade a toda a população do país”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302013000300006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/11/20/caso-de-policia-analise-do-sistema-educacional-brasileiro/

http://meunomenai.com/2013/12/11/aluno-da-rede-estadual-vence-premio-jovem-cientista-2013/

http://meunomenai.com/2013/12/10/altas-habilidadessuperdotacao-invisibilidade-e-resultado-de-estigma-e-falta-de-informacao-da-sociedade-e-de-docentes/

http://meunomenai.com/2013/12/02/educacao-cientifica-e-inclusao-escolar/

http://meunomenai.com/2013/10/21/leitura-em-voz-alta-e-escrita-interferencia-positiva/

 

Diretores de escolas estaduais e educadores: tensões e incoerências de discursos

Qual a função de um diretor de escola pública estadual? Refletindo sobre essa questão, as pesquisadoras Graziela Zambão Abdian; Maria Eliza Nogueira Oliveira e Graziela de Jesus, da UNESP de Marília (SP), fizeram revisão de literatura e entrevistas com gestores e equipes de docentes. “Os resultados da análise indicam contradições na percepção da Administração Escolar, tal como difusa nos diferentes âmbitos que, de certa forma, refletem-se nas concepções dos entrevistados”, destacam.

O estudo “Função do diretor na escola pública paulista: mudanças e permanências” foi baseado na hipótese, levantada pelas autoras, de que os profissionais da educação percebem a função do diretor e a vivenciam por meio das tensões estabelecidas entre a realidade da escola pública, a produção do conhecimento e as diretrizes da política educacional.

A literatura levantada aponta que, entre os anos 1960 e 1970, houve a predominância da Administração de Empresas como subsídio teórico da Administração Escolar; sendo o diretor o executivo na unidade escolar, líder no sentido de motivar o alcance de objetivos postos fora e acima de sua escola, e autoridade hierarquicamente constituída e responsável pelo progresso da empresa escolar. “Nos anos 1980, houve preocupação de descentrar o diretor no exercício de sua função, experimentando novos subsídios teóricos para a Administração Escolar que permitissem pensar sua própria natureza”, ressalta o estudo.

Já nos anos 1990, identifica-se a convivência de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas, a predominância de coletâneas, abordagens que se aproximam da gestão empresarial e perspectivas afinadas com as ideias dos anos 1980. Nessa época, segundo as autoras, percebe-se inclusive em uma mesma abordagem aspectos que, evidentemente, parecem inconciliáveis. “É o caso da expressão liderança para uma gestão democrática”.

O estatuto aponta ainda que a partir dos anos 1990, principalmente nos anos 2000, quando os documentos legais deixaram de funcionar como Estatutos ou Normas, para se transformar em Decretos e Resoluções, a função do diretor como executivo da escola, responsável por seus resultados ficou evidente. “Neste momento, a definição da função é revestida de termos comumente utilizados na literatura sobre Administração empresarial e que atualmente se apresenta com certa frequência no campo da gestão educacional”.

Segundo o estudo, os profissionais da educação entrevistados deixam transparecer esta tensão, mesmo que não o façam de forma consciente. “Considera-se tensão, porque, de um lado, há conquistas teóricas e legais que indicam possibilidades de vivências democráticas; de outro, porque a Administração/gestão escolar não conseguiu teoricamente contrapor-se aos ditames empresariais”.

A publicação de documentos legais que definem pormenorizadamente as competências, habilidades e atribuições do diretor de escola também cobram-lhe o compromisso de concretizá-las, em busca de resultados fixos externamente às escolas, alerta o estudo. “No registro e documentação das diferentes execuções discursivas dos entrevistados, pôde-se observar que transitam por termos que, tal como por eles articulados, beiram à incoerência, à incompatibilidade. Trata-se de um ir e vir de ideias de o diretor poder, mas não poder ao mesmo tempo; de existir, de fato, participação, mas tomada na noção de poder falar e ser ouvido, e não no sentido de participar efetivamente da tomada de decisão”, aponta o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-62362013000300015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/09/18/expansao-da-universidade-publica-brasileira-existe-politica-de-formacao-pedagogica-de-professores/

http://meunomenai.com/2013/08/15/alunos-superdotados-pedem-professores-com-algo-a-mais-o-caso-do-professor-alberto/

http://meunomenai.com/2013/07/30/educacao-estocastica-pesquisadora-propoe-formacao-diferenciada-para-professores/

http://meunomenai.com/2013/07/16/lecionando-para-criancas-e-adolescentes-com-autismo-informacoes-para-pais-e-professores-compartilharem/

http://meunomenai.com/2013/07/14/qualidade-de-vida-de-professores-o-caso-dos-docentes-de-ciencias-no-rio-grande-do-sul/

Aluno da rede estadual vence Prêmio Jovem Cientista 2013

O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e acontece desde o ano 1981. Este ano, o tema foi “Água – desafios da sociedade”., e o vencedor, o estudante Edvan Nascimento Pereira, da 2ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Ernestina Pereira Maia, localizada no município de Moju, no Pará.

Seu projeto, “Carvão do Caroço de Açaí (Euterpe oleracea) ativados quimicamente com hidróxido de sódio (NaOH) e sua eficiência no tratamento de água para o consumo”, foi baseado em pesquisa que revelou um índice de 64% de moradores da região que afirmam ter contraído algum tipo de doença pela ingestão de água não tratada. O carvão resultante do caroço de açaí desempenha papel de filtro,  contribuindo para a prevenção de inúmeras doenças e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida da população local.

Com esse projeto, Edvan já participou de várias feiras de ciências e conquistou prêmios como o da Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE) e Ciência Jovem, que acontece em Recife. “Isso é uma demostração que a escola pública está produzindo bons frutos na área de ciência e tecnologia. Grande parte desses projetos são desenvolvidos em parceria com as secretaria estaduais de Educação e os clubes de ciências”, enfatizou Licurgo Brito, secretário adjunto de Ensino da Seduc.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Fonte: FEBRACE

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/08/07/aprendizagem-interativa-em-ciencias-e-engenharia-cursos-online-e-gratuitos-em-plataforma-feita-em-parceria-com-laboratorio-da-usp/

http://meunomenai.com/2013/09/02/impacto-das-novas-tecnologias-no-ensino-superior-em-cinema-e-audiovisual-pesquisa-analisa-transformacoes-e-demandas-do-mercado-de-trabalho/

http://meunomenai.com/2013/12/10/musica-e-neurociencias-relacao-com-linguagem-movimentos-e-emocoes-2/

http://meunomenai.com/2013/12/02/educacao-cientifica-e-inclusao-escolar/

http://meunomenai.com/2013/09/02/educacao-domiciliar-violencia-e-baixa-qualidade-do-ensino-sao-motivos-para-as-familias-brasileiras-que-preferem-nao-mandar-seus-filhos-para-a-escola/

Educação científica e inclusão escolar

O subsídio à formação continuada dos professores universitários é uma iniciativa fundamental para melhorar a formação de professores de ciências da Educação Básica no que diz respeito às práticas para diversidade. A afirmação é das pesquisadoras Eveline Borges Vilela-Ribeiro e Anna Maria Canavarro Benite, autoras do estudo “Alfabetização científica e educação inclusiva no discurso de professores formadores de professores de ciências”.

A pesquisa foi conduzida com o objetivo de analisar concepções sobre alfabetização científica e temas em educação inclusiva nos discursos de professores formadores de ciências (Biologia, Física, Matemática e Química), em uma instituição de Ensino Superior. “A complexidade de ensinar ciências em salas de aulas inclusivas é evidenciada pela falta de preparo dos professores e das escolas em transpor a linguagem científica para as pessoas com diferentes necessidades de aprendizagem”, ressaltam as autoras.

O estudo destaca ainda que os professores entrevistados compreendem a alfabetização científica como fundamental para os cidadãos, e interpretam que todos os cidadãos têm direito a aprender ciência. ”Ações, pensamentos e estruturas adaptativas são requeridos porque a inclusão das pessoas não consiste apenas em sua matrícula na escola, mas, sim, no oferecimento de todas as condições para que elas se mantenham durante todo o processo educativo e aprendam”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-73132013000300016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/06/29/estrutura-escola-afeta-saude-de-professores-conclui-estudo/

http://meunomenai.com/2013/11/20/caso-de-policia-analise-do-sistema-educacional-brasileiro/

http://meunomenai.com/2013/10/21/leitura-em-voz-alta-e-escrita-interferencia-positiva/

http://meunomenai.com/2013/10/13/programa-alfabetizacao-solidaria-tese-aponta-difusao-de-ideias-neoliberais-como-financiamento-publico-e-privado-e-mao-de-obra-barata-e-temporaria/

http://meunomenai.com/2013/10/02/provinha-brasil-pesquisadora-alerta-que-instrumento-de-avaliacao-da-alfabetizacao-pouco-contribui-para-formacao-de-leitores-e-escritores/

Caso de polícia? Análise do sistema educacional brasileiro


É chocante assistir a professores serem brutalmente atacados pela polícia em manifestações públicas que exigem nada mais que condições dignas para seu trabalho. Mais chocante ainda é observar a repetição dessa brutalidade, mesmo diante do consenso de que a profissão de professor é desvalorizada a ponto de muitos recearem que, se o governo brasileiro não modificar profundamente o sistema, haverá escassez gritante de professores.

Por que, afinal, não se consegue articular discursos coerentes que conduzam à melhoria do sistema de ensino brasileiro, satisfazendo todas as partes envolvidas nesse sistema? Será uma utopia um sistema de ensino onde professores sentem-se valorizados e pessoalmente realizados pelos resultados de seu trabalho e pela sua remuneração, ao mesmo tempo em que alunos terminam seus ciclos de estudos cientes de que receberam uma formação sólida que os preparou para as próximas etapas?

Interessado nas possibilidades e nos limites da construção de um Estado de direitos, assim como do fortalecimento da esfera pública, o pesquisador Miguel G. Arroyo aprofundou-se nos referenciais teóricos com que tem sido analisada a construção do sistema de educação. “Ao atrelar a construção de um sistema de educação à cooperação entre os entes federados, que possibilidades e limites coloca a garantia do direito de todos à educação?”, questiona o pesquisador.

Essa e outras questões estão presentes no estudo “Reinventar a política – reinventar o sistema de educação”. O autor ressalta: “Depois de algumas décadas de tentar a contra-hegemonia pelo pensamento crítico, pela conscientização por currículos anti-hegemônicos, idealizados como semeadores do dissenso, o que experimentamos é que a paz nos campos, nas vilas, nos conglomerados, nas ruas e até nas escolas não passa por acentuar um sistema educacional que faça o jogo de consenso integrador”.

Consenso e dissenso são analisados no estudo, que argumenta: “Como garantir igualdade de direitos em um padrão de poder no qual o poder dos entes federados é tão assimétrico?”. O pesquisador destaca ainda que, “quando se opta por privilegiar processos de um mínimo sobreviver, não há lugar nem para o jogo do consenso nem do dissenso”.

A partir do questão “Educar para o consenso ou suprimir o dissenso?”, o autor argumenta que “o discurso sobre a necessidade de um sistema articulado, de qualidade, tem destacado a necessidade de socializar os trabalhadores e os cidadãos para o consenso na cultura nacional, nos valores da ordem”. Segundo ele, “não por acaso a questão operária foi uma questão de polícia, como as questões agrária, da paz nas favelas e nos conglomerados continuam uma questão de polícia, de repressão e de extermínio”.

Por quanto tempo ainda a questão da educação será no Brasil caso de polícia?

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302013000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/06/29/estrutura-escola-afeta-saude-de-professores-conclui-estudo/

http://meunomenai.com/2013/10/21/leitura-em-voz-alta-e-escrita-interferencia-positiva/

http://meunomenai.com/2013/10/13/programa-alfabetizacao-solidaria-tese-aponta-difusao-de-ideias-neoliberais-como-financiamento-publico-e-privado-e-mao-de-obra-barata-e-temporaria/

http://meunomenai.com/2013/10/04/curriculo-escolar-e-agente-potencializador-de-acoes-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao/

http://meunomenai.com/2013/10/02/provinha-brasil-pesquisadora-alerta-que-instrumento-de-avaliacao-da-alfabetizacao-pouco-contribui-para-formacao-de-leitores-e-escritores/

Leitura em voz alta e escrita: interferência positiva

Ler em voz alta pode contribuir no processo de apropriação da escrita por crianças. “As características da leitura em voz alta – a presencialidade atualizada pela voz e pelo olhar, a convocação do corpo sonoro e seu potencial para transmitir cultura – são significantes e podem interferir positivamente no processo de apropriação da escrita”, defende a pesquisadora Lucila Maria Pastorello.

Autora da dissertação de mestrado “Leitura em voz alta e apropriação da linguagem escrita pela criança”, defendida na Faculdade de Educação da USP, a pesquisadora realizou um entrecruzamento entre a lingüística, a psicanálise e a clínica fonoaudiológica. O estudo destaca que a leitura em voz alta, entretanto, pode ser uma tarefa árdua e até frustrante, se for desempenhada pelos próprios alunos. A leitura em tropeços, segundo a pesquisadora, que é natural em uma criança que se depara com um texto pela primeira vez, pode afastar o leitor do texto, pois “a incompletude é aniquiladora”.

A pesquisadora aponta ainda que, em seu trabalho, foram os textos marcadamente estéticos, e não os informativos, que possibilitaram a circulação do desejo e o laço com o escrito. “A cena de leitura em voz alta permite à criança ´ouviver´ a escrita a partir de um saboreamento, do saber as letras”, ressalta, com destaque para o neologismo que une os verbos “ouvir” e “viver”.

A dissertação destaca, ainda, um emocionante depoimento do escritor Moacir Scliar, no qual ele relata a prática de sua mãe de ler em voz alta para ele, ainda em sua barriga. A mãe do escritor faleceu em função de complicações de seu parto, mas a história manteve-se viva por meio dos relatos de seu pai, que mencionava inclusive o autor preferido do bebê Moacir: Machado de Assis.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-20042010-154846/pt-br.php

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/10/04/curriculo-escolar-e-agente-potencializador-de-acoes-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao/

http://meunomenai.com/2013/10/02/provinha-brasil-pesquisadora-alerta-que-instrumento-de-avaliacao-da-alfabetizacao-pouco-contribui-para-formacao-de-leitores-e-escritores/

http://meunomenai.com/2013/06/29/estrutura-escola-afeta-saude-de-professores-conclui-estudo/

http://meunomenai.com/2013/09/18/expansao-da-universidade-publica-brasileira-existe-politica-de-formacao-pedagogica-de-professores/

http://meunomenai.com/2013/09/18/pesquisa-aponta-oportunidades-de-questionamento-cientifico-oferecidas-pelo-metodo-montessori/

Programa Alfabetização Solidária: tese aponta difusão de ideias neoliberais, como financiamento público e privado e mão de obra barata e temporária


O Programa Alfabetização Solidária foi, realmente, uma política governamental de alfabetização de jovens e adultos, apesar de se postular como não governamental. Essa é a conclusão da pesquisadora Gladys Beatriz Barreyro, autora do estudo “Política sociais e educação: o programa Alfabetização Solidária e a participação das instituições de ensino superior na sua implementação”.

Segundo a autora, o formato do programa difundiu um modelo de implementação de políticas sociais que aplicou ideias neoliberais adaptadas ao Brasil, tais como financiamento público e privado, utilização de mão de obra barata e temporária, filantropização das problemáticas sociais e terceirização na implementação, por meio de Instituições de Ensino Superior. “A essas, o Programa proporcionou o desenvolvimento de atividades como extensão e estágios, e valiosas experiências de pesquisa, produção de materiais e envolvimento com a problemática da Educação de Jovens e Adultos”, destaca a pesquisadora.

A tese de Doutorado foi defendida na Faculdade de Educação da USP, e teve como objetivos

explicar as características das políticas sociais decorrentes do contexto de reformas e mudanças no papel dos Estados latino-americanos, particularmente o brasileiro, analisar as políticas educacionais da década, especialmente a municipalização, e explicar, analisar e interpretar a política na ação, mostrando como as Instituições de Ensino Superior, as quais passavam por um processo de expansão com novas regras de avaliação, credenciamento e reconhecimento, implementaram esse Programa.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-23012013-162535/pt-br.php