Diferenças e semelhanças entre superdotação e Asperger

nullQuais as diferenças e semelhanças entre pessoas com altas habilidades/superdotação e com Síndrome de Asperger? Interessadas em conhecer o que já havia sido publicado sobre isso em periódicos científicos na área de educação, duas pesquisadoras consultaram artigos publicados entre 2000 e 2011.
Nara Joyce Wellausen Vieira e Karolina Waechter Simon observaram que as necessidades educacionais dos chamados superdotados e aluno com Asperger são diferentes. “A Educação Especial possui um público-alvo de alunos, que segundo a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008), se delimita na educação dos alunos com deficiências, transtornos global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação”, explicam as autoras do estudo “Diferenças e semelhanças na dupla necessidade educacional especial: altas habilidades/superdotação x Síndrome de Asperger”.
As pesquisadoras descrevem outra temática da área das altas habilidades/ superdotação: a dupla necessidade especial, que ocorre quando os sujeitos possuem habilidades em determinada área e apresentam outra necessidade educacional. O número pequeno de publicações com essa temática chamou a atenção das autoras. “A visão tradicional de inteligência que se tinha no início do século passado impossibilitava o entendimento de que uma pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação tivesse outra necessidade educacional especial associada”.
O estudo ressalta que essa visão fazia com que as deficiências fossem colocadas num extremo oposto à superdotação, o que só modificado com pesquisas de Joseph Renzulli, a partir de 2004, e de Gardner, a partir de 2000. A partir deles, foi possível perceber a existência da dupla necessidade educacional especial.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/view/5266/3823

Alunos com necessidades especiais: desinteresse e insegurança

Projetos que exigem a comunicação entre uma escola regular e um centro de educação especial ainda não executados de acordo com as características de cada aluno. Caso a articulação entre elas seja eficiente, as capacidades dos alunos com deficiência podem ser potencializadas.

Esse descompasso ficou evidente no estudo de caso de uma escola em São Carlos, interior de São Paulo. As pesquisadoras Bárbara Martins de Lima Delpretto e Bianca Campos Carlos dos Santos, autoras do estudo “Um contexto em transformação político- pedagógico: a articulação entre uma escola regular e um centro de atendimento educacional especializado”, partiram do pressuposto de que as instituições regulares e centros de AEE-atendimento educacional especializado atuam na oferta obrigatória de serviços e recursos voltados para os alunos com deficiência, e por isso ambas devem trabalhar juntas de forma a favorecer o processo de escolarização desses alunos.

Analisando as respostas ao questionário desenvolvido para esta pesquisa, as autoras observaram uma carência de recursos estimulantes. “Muitas das atividades aplicadas ainda estão ‘engessadas’ a uma proposta que se limita no uso de materiais diferenciados ao ambiente escolar e que geram, segundo relatos, um desinteresse por parte do aluno com necessidades especiais”. O motivo do desinteresse dos alunos com necessidades especiais, ressaltam as pesquisadoras, é que essas atividades têm sido aplicadas da mesma forma pela escola regular e pela instituição de educação especial, e não de forma complementar.

A pesquisa apontou ainda insegurança entre os professores em relação aos alunos com necessidades especiais. “Muitos docentes ainda se sentem inseguros em uma intervenção conjunta diante das especificidades dessa articulação, assim como das necessidades educacionais dos alunos em questão”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/view/4595/pdf

Altas habilidades: o papel do professor

Quais os passos que um professor deve dar ao notar que um aluno de sua turma pode ter altas habilidades? Os professores conhecem a legislação específica, sabem como proceder? Uma pista para a resposta a essas perguntas pode ser encontrada no estudo “Altas habilidades: uma questão escolar”. Conduzido pelas pesquisadoras Célia Maria Paz Ferreira Barreto e Marsyl Bulkool Mettrau, o estudo foi realizado em uma escola federal de ensino, localizada no Rio de Janeiro, e tinha como objetivos gerais investigar as representações dos professores sobre as altas habilidades e a existência da indicação de alunos com esse perfil para atendimento.

Quando questionados sobre políticas públicas e amparo legal, apenas 63% dos respondentes possuíam informações sobre a existência do amparo legal para o atendimento específico dessa clientela. Dos 36 professores participantes da pesquisa, quatro haviam concluído curso superior, dois cursavam especialização, quatorze haviam concluído especialização, quatro cursavam o mestrado, sete já haviam concluído o mestrado, dois cursavam doutorado e três já haviam concluído o doutorado.

Para as pesquisadoras, o estudo aponta uma lacuna frente a questões que merecem mais esclarecimentos em estudo futuros. Uma delas é: por que os professores não formalizaram a indicação dos alunos dos quais acreditavam terem altas habilidades aos setores responsáveis?

A pesquisa apontou também que todos os professores desejam acesso à informações sobre o tema superdotação/altas habilidades, e apenas 19% acreditam saber lidar com esses alunos. Apesar disso, 89% reconheceram ser o professor o mais qualificado dos profissionais dentro da escola para indicar e lidar com alunos com altas habilidades.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382011000300005&lng=pt&nrm=iso

Autismo: ensinando habilidades de comunicação social

A modelagem comportamental é reconhecida há muitos anos como uma estratégia eficaz de ensino para crianças com autismo. Normalmente, os modelos de comportamento desejados são apresentados à criança por meio de encenações, ao vivo, pelos pais, educadores ou terapeutas. Uma vez que as crianças passam uma grande parte de seu tempo em instituições, desde a década de 1990 a apresentação desses modelos de comportamento passou a ser feita também em video.

As novas tecnologias e o aumento do acesso a elas permitiram a difussão dessa nova maneira de apresentação, permitindo sua utilização em salas de aula.

As encenações em vídeo, entretanto, são tão eficientes quanto as encenações ao vivo? Um estudo fez uma comparação entre as duas modalidades, apresentadas em sala de aula para desenvolver a comunicação social de alunos com autismo.

Os resultados observados variaram: enquanto alguns alunos com autismo desenvolveram-se mais com o modelo ao vivo, outros apresentaram resultados mais satisfatórios no modelo em vídeo. Um terceiro grupo apresentou bons resultados em ambos os modelos. Para explicar essa diferença de resultados, o estudo levanta a hipótese de que a atenção dos alunos varia conforme as necessidades de cada um.

Para os pesquisadores, o estudo confirma o poder dos meios digitais para atrair a atenção dos estudantes e demonstra o potencial deles para intervenções com o objetivo de desenvolver a comunicação social de crianças com autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: “Ensinando habilidades de comunicação social para alunos pré-escolares com autismo: eficácia do vídeo versus modelagem na sala de aula”, de K. P. Wilson, 2013 (Tradução livre do original em inglês para o português).

 

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Sistema TEACCH: terapia e educação de crianças autistas

 

O sistema TEACCH (sigla do nome em inglês, Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children) utiliza currículos fortemente estruturados e limites para manter autistas em suas tarefas, concentrados na aula. Os horários de aula são personalizados para cada criança e utilizam os pontos fortes do autista como reforço durante todo o dia.

A base do sistema TEACCH é a crença de que os comportamentos característicos de cada autista, que muitas vezes são vistos como problemáticos por pais e terapeutas, na verdade têm uma função para a criança. Por isso, antes de tentar modificar o comportamento, é essencial conhecer sua motivação.

Os educadores adeptos do sistema ensinam ao autista comportamentos alternativos que trazem a ele os mesmos resultados que a conduta entendida como problemática. Com o tempo, espera-se que os novos comportamentos substituam os antigos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.

Educação de crianças autistas


Análise de Comportamento Aplicado é um método de disciplina que pode ser adotado por educadores de crianças autistas. O método utiliza sinais encontrados ao redor do autista para influenciar comportamentos adequados ao ambiente escolar. Primeiramente, o educador procura descobrir quais os disparadores de comportamentos negativos do autista, e também o que acontece antes e depois. O objetivo dessa etapa é evitar a ocorrência desses disparadores, substituindo-os por estímulos positivos.

Se o comportamento negativo aparece quando o educador passa de uma tarefa que o autista aprecia, como a leitura de histórias, por exemplo, para outra que não é de seu agrado, uma saída é oferecer uma alternativa de transição entre as duas tarefas. Se a sala contar com um ajudante, ele pode desempenhar essa função, lendo uma breve história relacionada à próxima tarefa, por exemplo.

O professor também pode recorrer a recursos visuais para essa transição. À medida que o autista for sentindo-se mais confortável com a mudança de tarefas, essa etapa de transição poderá ser até eliminada. O reforço verbal, principalmente com elogios, ajuda tanto na etapa de transição quanto na hora de dispensá-la.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.

Aprendizagem de autistas: eficácia da estratégia aumenta habilidade para comportamentos mais complexos

Muitos pais de autistas consideram o desenvolvimento social o principal ganho de seus filhos aos freqüentarem a escola, seja regular ou especial. Com o direcionamento de autistas para escolas regulares, porém, aumenta a exposição desses alunos aos conteúdos acadêmicos tradicionais. Interessada no processo de aprendizagem dos conceitos de adição e subtração por autistas, a pesquisadora Camila Graciella Santos Gomes acompanhou uma adolescente autista que recebeu estímulos visuais para explicar as operações aritméticas.

Autora do estudo “Autismo e ensino de habilidades acadêmicas: adição e subtração”, a pesquisadora descreve como gradualmente foi aumentada a comeplexidade das operações ensinadas, à medida que ia aumentando o número de acertos dela nas tarefas. “O ensino de habilidades acadêmicas para pessoas com autismo tem recebido pouca atenção de estudos, provavelmente porque os comprometimentos clássicos do transtorno relacionados à comunicação, interação social e comportamentos são vistos como prioritários no desenvolvimento de pesquisas”, explica a pesquisadora.

O estudo utilizou procedimentos adaptados com base em descrições sobre o quadro de autismo, princípios de aprendizagem da análise experimental do comportamento, técnicas de ensino e observação direta do repertório da participante. “Pode-se perceber que, com o aumento da eficácia das estratégias de ensino que possibilitam a aquisição de habilidades básicas e que suplementam as dificuldades clássicas do transtorno, crianças com autismo têm mostrado um ganho no repertório geral e, conseqüentemente, tornam-se hábeis a aprender comportamentos mais complexos como àqueles necessários aos conteúdos acadêmicos”, destaca o estudo.

A menina autista participante do estudo à época tinha 12 anos e freqüentava uma classe com colegas de 11 anos em média. Sabia ler e escrever, mas demonstrava dificuldade em compreender os conteúdos. Enquanto o restante de sua turma trabalhava conteúdos de multiplicação, divisão, potenciação e raiz quadrada, ela ainda não havia aprendido a resolver operações de adição e subtração. Sua fala é descrita como repetitiva e estereotipada, e era comum que a menina falasse sobre o mesmo assunto ou fizesse a mesma pergunta diversas vezes. “Apresentava também alteração no tom da fala, troca de pronomes e dificuldades na organização de frases”, descreve o estudo, completando que a menina compreendia literalmente ordens verbais e apresentava dificuldades na compreensão de ordens complexas e conceitos abstratos, necessitando de explicações mais simples e diretas. Não compreendia conceitos que necessitavam de relações entre objetos ou quantidade como “maior”, “menor”, “mais” ou “menos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382007000300004&lng=pt&nrm=iso

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