Crenças espirituais fortalecem enfermeiras que atuam em oncologia pediátrica

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Enfermeiras que atuam no setor de oncologia pediátrica preocupam-se com o cuidar de si e com o fortalecimento de suas crenças para melhor compreensão do seu trabalho.

Essa é uma das conclusões da pesquisadora Fabiane Cristina Santos de Oliveira, autora da dissertação de mestrado “Os sentidos do cuidado espiritual atribuídos pelas enfermeiras na oncologia pediátrica”, defendida na Escola de Enfermagem da USP Ribeirão Preto.

Por meio de observação e entrevistas com as profissionais, Fabiane Cristina Santos de Oliveira observou que o cuidado espiritual na oncologia pediátrica apresentou-se articulado e indissociável da religião, da fé e da espiritualidade.

Ressaltando a complexidade de identificação do cuidado espiritual durante as rotinas de trabalho, dada sua subjetividade e a ausência de fronteiras claras, as enfermeiras apontaram o conhecimento dos elementos culturais que são valorizados e norteiam o pensar e o agir dos familiares como uma possibilidade de orientação para esse cuidado.

Realizado em um hospital-escola no interior paulista, o estudo apontou ainda determinadas situações do cotidiano das enfermeiras em que o cuidado espiritual deve ser oferecido, e destacou o benefício mútuo – para pacientes e enferemeiras – de se prestar o cuidado espiritual.

Fonte: Universidade de São Paulo.

Engenheira desenvolve software que ajuda no tratamento de pacientes com distrofia muscular e déficit cognitivo

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O GenVirtual, software livre de produção de música e estímulo cognitivo, vem sendo utilizado por pacientes com distrofia muscular de Duchenne e terapeutas da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM) e por crianças com paralisia cerebral no setor de musicoterapia da Associação de Assistência a Crianças Deficientes (AACD).

Desenvolvido pela engenheira Ana Grazielle Dionísio Corrêa, pesquisadora do Laboratório de Sistemas Integrávies (LSI) da Escola Politécnica da USP, o software também foi utilizado por terapeutas do National Yakumo Hospital, em Hokkaido, província ao norte do Japão. Especializado na reabilitação de pacientes com distrofia muscular, o hospital observou resultados altamente satisfatórios com o software.

A distrofia muscular é uma das alterações genéticas mais comuns em todo o mundo, e apesar das limitações físicas, a grande maioria dos afetados tem preservada sua capacidade intelectual. Muitos jovens frequentam escolas comuns e chegam à universidade.

Desenvolvido com técnicas de Realidade Aumentada, o GenVirtual também vem sendo testado com pacientes que apresentam déficit cognitivo. O software é composto por cartões coloridos que podem ser impressos em diferentes cores e tamanhos de acordo com as limitações físicas/cognitivas de cada indivíduo. Os cartões substituem o teclado para composição musical e podem simular sons de diversos instrumentos musicais (percussão, corda ou sopro).

Gratuito, o GenVirtual pode ser baixado no site http://www.reabilitacaocognitiva.org/2010/01/gen-virtual-para-download/

Fonte: Laboratório de Sistemas Integráveis

Interesse de alunos do Ensino Fundamental por matemática aumenta após oficinas

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Alunos do Ensino Fundamental que participaram de oficinas dos jogos Kenken e Feche a Caixa mostraram-se mais interessados nas aulas de matemática e afirmaram que passaram a gostar mais da disciplina. Esse resultado foi observado pela psicóloga Talita Lima Queiroga, e descrito em seu trabalho “Jogos de raciocínio lógico-matemático em alunos da Escola Fundamental II”. A pesquisa foi realizada durante pós-graduação no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Com o objetivo de estudar o raciocínio lógico-matemático em alunos de ensino fundamental, a psicóloga analisou os aspectos lógico-matemáticos dos jogos e observou como esse tipo de raciocínio se manifestava nos alunos, enquanto resolviam os desafios propostos. Além de verificar o desempenho dos alunos, a psicóloga analisou com os alunos lidam com os erros e acertos e argumentam suas respostas.

Criado em 2004 no Japão, o jogo Kenken é similar ao Sudoku: deve ser completado com números sem que eles se repitam em uma linha ou coluna. O tracejado mais escuro forma um bloco, onde a primeira casa contém um número e um sinal, representando, respectivamente, o resultado que deve ser obtido e a operação matemática que deve ser utilizada para chegar a tal resultado.

O Feche a Caixa, além de incluir raciocínio lógico e operações aritméticas, envolve também a sorte, pois as jogadas dependem de resultados de dados. O jogo tradicional é composto por nove caixas (ou casas) com números visíveis. O jogador lança dois dados e os resultados obtidos devem ser somados. Em seguida, abaixa-se a caixa, ou as caixas, correspondentes ao valor da soma dos dados. As caixas abaixadas permanecem assim até o fim da partida. Quando o total de pontos não permitir fechar mais nenhuma casa, o jogador somará os valores que continuam expostos e, quem atingir primeiro os 45 pontos, perde.

No Kenken, os alunos erraram pouco: em apenas 11,6% dos jogos entregues à pesquisadora apresentavam algum tipo de erro. O mesmo resultado foi observado quando os jogos foram passados como tarefa de casa. Entretanto, apenas 15,5% das jogadas foram resolvidas sem a necessidade de jogadas excedentes.

A porcentagem de erro no Feche a Caixa foi maior: 22%. “É interessante observar que, embora o Feche a Caixa exigisse operações matemáticas consideradas pelos alunos como mais simples, os erros de cálculo foram mais frequentes nesse jogo do que no Kenken”, destaca a psicóloga.

A pesquisadora realizou ainda torneios, e apesar de observar que a competição aumentou a motivação, concluiu que a ansiedade também foi maior, tornando os alunos mais suscetíveis a erros. “O errar faz parte da vida e, muitas vezes, pode resultar em uma aprendizagem”, afirma.

Talita Lima Queiroga destaca ainda que durante as oficinas ocorreu o chamado Ciclo Virtuoso, que segundo o professor da USP Lino de Macedo, orientador da pesquisa, consiste em jogar para aprender matemática. “Jogar para aprender matemática, aprender matemática para jogar melhor, jogar melhor para competir, competir para se aperfeiçoar, aperfeiçoar-se para tornar-se mais desenvolvido no jogo do conhecimento, no jogo da escola”, conclui a psicóloga.

Fonte: Universidade de São Paulo

Baixa auto-estima de adultos superdotados

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Segundo a psicóloga Carmen Sanz Chacón, especialista em superdotação, grande número de adultos com altas habilidades, também chamados de superdotadas, são caracterizados por introversão, baixa auto-estima, problemas de ansiedade, fobia social e dificuldades de relacionamento social.

Carmen Sanz Chacón acredita que a maioria destes problemas é resultado da falta de adaptação destas pessoas durante a infância, que levam a um isolamento maior do que o normal durante a adolescência.

Essas dificuldades, unidas à sensação de que são diferentes  – não só por sentirem-se diferentes, mas também porque sabem que as outras pessoas os enxergam de modo diferente – desperta nos superdotados um Complexo de “Patinho Feio”, resumido no pensamento: “Sou diferente, tenho menos valor que os outros”.

Assim, não querer chamar a atenção, o que faz inclusive que muitos adolescentes desistam de estudar para não destacarem em relação aos colegas de classe, torna-se uma estratégia dos superdotados para que se integrem melhor. A psicóloga chama ainda a atenção para o fato de que a estratégia de se fazer despercebido é especialmente utilizada por meninas superdotadas.

O isolamento, outra estratégia apontada por Carmen Sanz Chacón como de uso frequente dos adolescentes superdotados, faz com que essas pessoas percam as ricas experiências que marcam os relacionamentos sociais da adolescência. São essas experiências, ressalta a psicóloga, que nos ensinam a conhecer nossas limitações, a fazer novos amigos e consolidar amizades e a escolher as pessoas com quem nos sentimos melhor.

A perda dos momentos que marcam as primeiras relações amorosas – tanto os momentos bons quanto os maus, todos essenciais para nosso amadurecimento – também é uma das consequências do isolamento voluntário de adolescentes superdotados.

A psicóloga alerta que, ao chegar à vida adulta, a pessoa superdotada que recorreu a essas estratégias durante a adolescência não tem as habilidades sociais básicas para enfrentar o mercado de trabalho, constituir família e manter relacionamentos satisfatórios com amigos e familiares. Com isso, os sentimentos de baixa auto-estima, fracasso pessoal e desmotivação são potencializados.

Aos adultos superdotados que apresentam esse quadro, Carmen Sanz Chacón sugere que investiguem a origem destes sentimentos em busca do melhor tratamento, que geralmente envolvem o treino de habilidades sociais específicas e programas de melhora da auto-estima. Quanto antes essas medidas forem tomadas, ressalta a psicóloga, mais rapidamente as condutas e sentimentos serão regularizados, aumentando o bem-estar da pessoa.

Fonte: http://www.elmundodelsuperdotado.com/

Pesquisa da USP analisa decisão de mulheres por cirurgia bariátrica

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“O processo de tomada de decisão de mulheres obesas pela cirurgia bariátrica: uma abordagem compreensiva” é o título da pesquisa desenvolvida por Deíse Moura de Oliveira na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

Partindo do pressuposto de que as mulheres que optam pela cirurgia enxergam os riscos envolvidos no procedimento como menos importantes do que as dificuldades enfrentadas em seu convívio com a obesidade, a pesquisadora conversou com 12 mulheres candidatas à cirurgia, em Juiz de ora, Minas Gerais.

Durante três meses, Deíse Moura de Oliveira conduziu entrevistas com as mulheres, baseadas em três questões: “O que fez você se decidir pela cirurgia bariátrica?”; “Como está sendo para você se decidir pela cirurgia bariátrica?” e “O que você espera para a sua vida ao decidir-se pela cirurgia bariátrica?”.

Analisando os depoimentos, a pesquisadora concluiu que o processo de tomada de decisão pela cirurgia das mulheres fundamentou-se em cinco fatore: a inadequação de seus hábitos alimentares, na incompatibilidade de suas aparências físicas com os padrões da sociedade contemporânea, no preconceito vivenciado, nas limitações impostas pela obesidade e no insucesso de inúmeras tentativas anteriores de emagrecimento.

A pesquisadora observa ainda que, para essas mulheres, a cirurgia representa uma oportunidade de resgatar suas vidas, inserindo-se no mercado de trabalho e sentindo-se inclusas socialmente.

Fonte: Universidade de São Paulo.

Estrutura escolar afeta saúde de professores, conclui estudo

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O cotidiano escolar no Brasil pode ser insuportável para a maioria dos profissionais da educação. A conclusão é do historiador Danilo Alexandre Ferreira de Camargo, autor da dissertação de mestrado “O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores”, defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Durante quatro anos, Danilo Alexandre Ferreira de Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos a respeito do adoecimento de professores, e concluiu que não existem diferenças significativas entre os conceitos apresentadas nas pesquisas sobre o tema.

O pesquisador ressalva que sua intenção não é questionar os trabalhos desenvolvidos, e sim a escola como instituição. Aplicando o conceito de governamentalidade desenvolvido pelo filósofo francês Michel Foucault, Danilo Alexandre Ferreira de Camargo defende que o adoecimento dos professores e sua posterior deserção profissional são resultados das condutas internas da instituição escolar.

Essa realidade, acredita o historiador, torna natural o processo de burocratização da infância, que por sua vez resulta em cidadãos facilmente comandados politicamente. Assim, conclui Danilo Alexandre Ferreira de Camargo, os problemas da realidade escolar devem ser encarados como uma questão política, e não apenas como desvios morais de alunos e professores.

A questão central da dissertação, segundo o autor, não é propor uma nova plataforma educacional, e sim provocar reflexões sobre a incapacidade da sociedade contemporânea de imaginar um modelo educacional substituto. “Nossa sociedade percebe o ensino escolarizado como algo absolutamente natural e indispensável, apesar do mesmo existir da forma que conhecemos hoje somente a partir do século XIX”, destaca.

Fonte: Universidade de São Paulo

Dentes de leite de crianças com autismo são usados em pesquisa com células-tronco

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A bióloga Patrícia Beltrão Braga realiza, desde 2009, a reprogramação celular da polpa de dentes de leite de crianças com autismo, transformando-as em células-tronco que são diferenciadas em neurônios. O processo permite a identificação de diferenças biológicas nos neurônios com autismo, além do estudo de seu funcionamento e o teste de medicamentos.

O projeto, chamado de A Fada do Dente, é desenvolvido pela bióloga e sua equipe da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia. A técnica utilizada foi desenvolvida pelo médico japonês Shinya Yamanaka, vencedor do prêmio Nobel de Medicina em 2012.

A utilização de células da polpa de dentes de leite foi escolhida pela facilidade de obtenção do material. Os resultados obtidos até o momento na pesquisa, ainda em fase inicial, já são considerados um avanço em relação às descobertas sobre autismo dos últimos 20 anos.

Para participar do projeto Fada do Dente, os pais de crianças diagnosticadas com autismo devem entrar em contato com os responsáveis pelo projeto, pelo e-mail projetofadadodente@yahoo.com.br

Os pais cadastrados recebem um kit para colher o dente quando ele cair ou for retirado. O kit mantém as células do dente vivas, para que cheguem em condições viáveis para o estudo no laboratório.

Caso o dente caia quando o kit não estiver às mãos, os pais devem coloca-lo dentro de um copo com água filtrada e deixá-lo na geladeira, para que a polpa não seque e as células não morram. O dente nunca deve ser congelado, e precisa ser colhido com rapidez.

Fonte: Universidade de São Paulo