Terapia Ocupacional: benefícios para crianças com baixa visão


Crianças em idade pré-escolar com baixa visão podem ser beneficiadas por consultoria colaborativa em Terapia Ocupacional voltada para seus professores. Um estudo conduzido pelas pesquisadoras Tatiana Luísa Reis Gebraele Cláudia Maria Simões Martinez demonstrou aumento do repertório dos professores do Grupo Experimental nas atividades de higiene e alimentação de seus alunos com baixa visão. “As estratégias desenvolvidas e empregadas no PRÓ-AVD, como atividades práticas, feedbacks e a interação entre a pesquisadora e professoras foram decisivos para a adesão dos participantes e resultados obtidos na consultoria colaborativa”, destacam as pesquisadoras.

Os resultados foram apresentados no estudo “Consultoria colaborativa em terapia ocupacional para professores de crianças pré-escolares com baixa visão”, que teve como objetivo elaborar, implementar e avaliar um programa individualizado de consultoria colaborativa em Terapia Ocupacional para professores.

A meta, descreve o estudo, era aumentar o repertório de estratégias e recursos dos professores para promover a independência de crianças pré-escolares com baixa visão nas atividades de vida diária de higiene e alimentação, denominado PRÓ-AVD. “A elaboração do Programa envolveu o estudo prévio das habilidades da criança nas tarefas de autocuidado, e de sua capacidade visual, do repertório inicial do professor, e da dinâmica da díade Professor – Aluno durante a realização das AVDs”. A implementação do Programa ocorreu por meio de consultoria colaborativa em seis encontros semanais.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382011000100008&lng=pt&nrm=iso

Autismo e deficiência visual: educadora especial descreve desafio duplo


Como ensinar a um aluno autista que não enxerga? Esse é um dilema para uma educadora especial que conta com duas alunas adolescentes cegas e com diagnóstico de autismo em sua sala de aula. Técnicas baseadas em ilustrações são uma importante ferramenta de aprendizagem para autistas, utilizada tanto pelos pais quanto por terapeutas e educadores especiais. Como autistas costumam ter mais facilidade para aprender com figuras, desenhos e fotografias, a repetição de uma sequência de figuras ajuda na memorização. No caso das adolescentes sob a responsabilidade da educadora, entretanto, este recurso não pode ser utilizado.

A educadora descreve que em uma das alunas a ecolalia é mais presente. “A todo questionamento feito a ela, a resposta são as duas últimas palavras ditas por mim”, conta. Ecolalia é a repetição de frases, perguntas e palavras que caracteriza alguns autistas.

As duas alunas estão alfabetizas em braile, tanto para leitura como para escrita, e segundo a educadora dominam o uso do DOSVOX com competência e destreza. DOSVOX é um sistema para computadores utilizado por deficientes visuais, que entre outras aplicações faz síntese de fala e conta com jogos didáticos e ferramentas de apoio à aprendizagem.

A maior dificuldade encontrada pela educadora é manter uma rotina com as duas adolescentes. Orientação espacial e mobilidade, que no caso das duas alunas envolve orientações verbais da educadora, também apresentam dificuldades. “É necessário repetir isso constantemente, pois elas acabam esquecendo com facilidade, têm dificuldade de reter conceitos e aprendizagens com significado”, conta.

Por outro lado, ela já observou que seguir à risca alguns padrões facilita a aprendizagem das adolescentes. “Percebo que tudo o que acontece de forma mecanizada e sistematizada transforma-se em aprendizagens retidas”.

A educadora busca informações sobre o tema, que possam contribuir para o desenvolvimento de suas duas alunas. “Gostaria de mais sugestões para trabalhar com elas, pois pela ausência visual,sinto que muitas coisas poderiam ser mais estimuladas e acabam ficando muito restritas”, ressalta.

Leia outros textos do blog Meunomenai sobre os assuntos mencionados neste texto:

Técnica da Antecipação para diminuir a ansiedade de crianças autistas: http://meunomenai.com/2013/07/10/tecnica-da-antecipacao-para-diminuir-ansiedade-de-criancas-autistas/ e http://meunomenai.com/2013/07/09/agenda-visual-ensina-rotinas-a-crianca-autista/

Ecolalia: quando o autista apenas repete palavras, frases ou perguntas:

http://meunomenai.com/2013/07/27/ecolalia-quando-o-autista-apenas-repete-palavras-frases-ou-perguntas/

DOSVOX: com um computador comum deficientes visuais adquirem independência:

http://meunomenai.com/2013/09/26/dosvox-com-um-computador-comum-deficientes-visuais-adquirem-independencia/

Textos escritos por Silvana Schultze, do blog Meunomenai.

DOSVOX: com um computador comum, deficientes visuais adquirem independência


DOSVOX é um sistema para computadores que se comunica com o usuário através de síntese de voz, destinado a deficientes visuais. A comunicação é feita em português, mas o sistema pode ser configurado para outros idiomas. De acordo com o Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo DOSVOX, a diferença do sistema é que a comunicação entre homem e máquina é mais simples, e leva em conta as limitações da pessoas.

Em vez de ler o que está na tela, o DOSVOX cria um diálogo amigável, com a ajuda de programas específicos e interfaces adaptativas. Além disso, grande parte das mensagens sonoras emitidas pelo DOSVOX é feita em voz humana gravada, o que diminui o índice de estresse para o usuário, mesmo com uso prolongado.

Além do sistema de síntese de fala, o DOSVOX conta com editor, leitor e impressor/formatador de textos, jogos de caráter didático e lúdico, ampliador de telas para pessoas com visão reduzida e programas para acesso à internet, entre outras ferramentas. O sistema pode ser utilizado em computadores comuns, e não impede a utilização de outros programas de acesso para deficientes visuais.

O DOSVOX pode ser baixado gratuitamente pela internet, no link: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/download.htm

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).