Filhos-prodígio obrigam os pais a redesenhar a vida


Ter um filho extremamente talentoso, ou superdotado, exige que os pais busquem novas comunidades: de pessoas com experiências semelhantes e de especialistas, que ensinam a esses pais estratégias para lidar com a excepcionalidade do filho. Os pais assumem, assim, não só seu repertório de conhecimento menor do que o do filho, mas também seu próprio desconhecimento em desempenhar as funções materna e paterna naquela condição atípica.

Andrew Solomon, autor do livro “Longe da árvore”, afirma que, assim como a deficiência, a prodigiosidade obriga os pais a redesenhar a vida em torno das necessidades especiais do filho. “Ser muito dotado e ser deficiente são surpreendentemente parecidos: isolamento, incompreensão, espanto”.

Durante uma década, o autor realizou entrevistas com pais de crianças, jovens e adultos que ele definiu como fora dos padrões biológicos e sociais. “É possível prejudicar os prodígios alimentando-lhes o talento à custa do crescimento pessoal ou cultivando seu desenvolvimento geral em detrimento da aptidão especial que podia lhes dar a mais profunda satisfação”, ressalta o autor. “Se as expectativas da sociedade pela maioria das crianças com diferenças profundas são demasiado baixas, as expectativas depositadas nos prodígios tendem a ser perigosamente altas”, alerta.

O autor explica ainda que a palavra prodígio costuma refletir a precocidade em determinado domínio, enquanto a genialidade refletiria a capacidade de acrescentar algo de valor à consciência humana. Assim, é possível ser dotado de genialidade sem ser precoce, e vice-versa. As pessoas entrevistadas para o livro, entretanto, muitas vezes apresentavam uma sobreposição de precocidade e genialidade, e estão concentradas na área musical, que foi o foco do autor para este capítulo.

Entre diversas histórias de prodígios em música, destaca-se a do pianista russo conhecido como Zhenya, que contou: “De menino, quando eu tocava, era apenas por gostar da música e eu tocava do modo como a sentia”. Conforme crescia, entretanto, suas idéias tornaram-se mais claras ao mesmo tempo em que ficavam mais complexas, ou que aumentava a dificuldade em executá-las. “É por isso que agora fico mais nervoso antes dos meus concertos”, afirma o pianista. Segundo Andrew Solomon, essa é a descrição mais acertada a respeito de como cresce um prodígio.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

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Prodígio e superdotação: número de crianças precoces não corresponde à expectativa de dotação


Muitos pais e profissionais de educação consideram como superdotadas crianças com grande facilidade para aprender determinada habilidade. As pesquisadoras Zenita Cunha Guenther e Carina Alexandra Rondini, entretanto, observam que há mais crianças precoces que a probabilidade esperada de dotação, enquanto muitas pessoas dotadas não foram prodígios ou sequer precoces. “A noção de prodígio seria mais bem-considerada como extrema precocidade no grau e no ritmo de maturação do aparelho nervoso central do que como sinal de potencial elevado”.

Autoras do estudo “Capacidade, dotação, talento, habilidades: uma sondagem da conceituação pelo ideário dos educadores”, as pesquisadoras afirmam que a associação entre prodígio e dotação ocorre porque a dotação também compreende, essencialmente, facilidade e rapidez de aprendizagem naquele domínio em que existe capacidade superior. “Porém, estudos longitudinais evidenciam que o prodígio pode ser apenas expressão de precocidade, e não efetivamente sinônimo de dotação”.

As pesquisadoras ressaltam ainda que Inteligência é um domínio de capacidade entre outros, sendo possível haver dotação em um domínio, por exemplo, dotação física ou socioafetiva, sem haver necessariamente dotação em inteligência.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982012000100011&lang=pt