O ato de conversar para pessoas com déficit cognitivo

nullO ato de conversar é uma das bases dos relacionamentos, e muita gente acha que é um processo tão fácil e natural quanto respirar, algo que fazemos automaticamente quase sempre sem perceber. Conversar, entretanto, é algo bastante complexo, pois exige o exercício simultâneo de uma série de habilidades. Essas habilidades podem ser comparadas aos músicos de uma orquestra – quando todos estão entrosados, o resultado é algo compreensível e agradável para quem está acompanhando. Quando a orquestra não está afinada, por outro lado, o público fica sem entender nada: não sabe qual músico acompanhar, e nem quais sons são intencionais e quais são “desafinadas”.
Músicos levam anos aprendendo a tocar um instrumento e muitas horas ensaiando para tocar em grupo, e isso é facilmente compreendido e aceito pelas pessoas, até mesmo pelas que nunca tentaram tocar um instrumento. Por outro lado, espera-se que o processo de conversação seja facilmente adquirido, ainda nos primeiros anos de vida. As pessoas com déficits cognitivos sociais chamam a atenção para o fato de que esse processo não é simples e pode não ser tão rápido.
Entre as habilidades exigidas numa conversação, estão as de estabelecer contato visual, conhecer as palavras e compreender o propósito de usar determinadas perguntas em momentos adequados. Identificar quais são as habilidades que a pessoa com déficit cognitivo consegue desempenhar permite ajudá-la a coordenar com outras habilidades com as quais ela não está tão familiarizada. Assim, se ela conhece quais são as perguntas básicas – como, onde, por quê, quem e quando – mas não consegue identificar o momento de usá-las, é possível escrever essas perguntas em cartões para fazer exercícios, nos quais o interlocutor vai mostrando os cartões indicados conforme a conversa-treino se desenvolve.
O mesmo pode ser feito com alguns comentários convencionais, que servem para demonstrar o interesse de uma pessoa no que a outra está falando, estimulando-a a continuar falando e assim manter a conversa fluida.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Fonte: “O que é uma conversação? – Algumas ideias para ensinar a conversar” (tradução livre do original).
Para ler o texto original na íntegra (em espanhol), acesse o link: http://desafiandoalautismo.org/que-es-una-conversacion-algunas-ideas-para-ensenar-a-conversar/

Perguntas repetidas de autistas, causadas por ansiedade e falta de habilidade: como ajudar


Crianças autistas podem ter o hábito de fazer a mesma pergunta seguidas vezes. Nem sempre, porém, elAs perguntam porque não entenderam a resposta. Existem alguns motivos possíveis para que a criança volte a perguntar algo que já foi respondido antes. Um deles é que a criança autista tem dificuldades em visualizar o que vai acontecer num futuro próximo, mesmo que já tenha passado por aquela situação antes. Essa dificuldade faz com que a criança sinta-se ansiosa, e perguntar é uma forma de aliviar a ansiedade. Com medo do futuro, sente-se segura ao ouvir sempre a mesma resposta, e pode ficar nervosa se a resposta for elaborada de forma diferente.

Perguntar várias vezes a mesma coisa também é uma forma de participar da conversa. Sem grandes habilidades de conversação, a criança autista encontra no ato de fazer perguntas uma forma de manter-se na conversa.

Seja qual for o motivo, é importante ter muita paciência, pois a fase das perguntas repetitivas pode ser entendida como uma fase essencial para que a criança autista avance no desenvolvimento de suas habilidades de conversação.

Algumas dicas práticas podem amenizar este hábito, facilitando a convivência com a família e outras pessoas:

(1)    Experimente usar um cartaz ou agenda com figuras (agenda visual) para mostrar à criança o que vai acontecer, em vez de falar.

(2)    Diga a ela que ela só pode perguntar a mesma coisa três vezes (ou duas, quatro, cinco…) e quando ela ultrapassar esse limite diga claramente: “Você já perguntou isso antes e não pode mais perguntar. Vamos falar agora de… “.

(3)    Diga à criança que só irá responder quando ela terminar determinada tarefa (pode ser qualquer coisa que costume prender a atenção dela). É possível que o foco de seu interesse mude, aliviando a tensão e fazendo-a esquecer as perguntas.

(4)    Defina lugares nos quais ela pode fazer as perguntas. Na escola, por exemplo, ensine que é somente no pátio, durante o recreio.

É importante também observar se, ao fazer as perguntas, o autista interrompe falas de outras pessoas ou ignore os sinais de que os outros estão aborrecidos com a conversa. Se isto estiver acontecendo, vale a pena praticar para que isto não aconteça (Para saber mais sobre isso, leia o post “Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo”, neste blog, pelo link: http://meunomenai.com/2013/08/07/dicas-para-desenvolver-habilidade-de-conversacao-avancada-em-criancas-com-autismo/ )

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

MEUNOMENAI: Perguntas repetidas de autistas, causadas por ansiedade e falta de habilidade: como ajudar


Crianças autistas podem ter o hábito de fazer a mesma pergunta seguidas vezes. Nem sempre, porém, elAs perguntam porque não entenderam a resposta. Existem alguns motivos possíveis para que a criança volte a perguntar algo que já foi respondido antes. Um deles é que a criança autista tem dificuldades em visualizar o que vai acontecer num futuro próximo, mesmo que já tenha passado por aquela situação antes. Essa dificuldade faz com que a criança sinta-se ansiosa, e perguntar é uma forma de aliviar a ansiedade. Com medo do futuro, sente-se segura ao ouvir sempre a mesma resposta, e pode ficar nervosa se a resposta for elaborada de forma diferente.

Perguntar várias vezes a mesma coisa também é uma forma de participar da conversa. Sem grandes habilidades de conversação, a criança autista encontra no ato de fazer perguntas uma forma de manter-se na conversa.

Seja qual for o motivo, é importante ter muita paciência, pois a fase das perguntas repetitivas pode ser entendida como uma fase essencial para que a criança autista avance no desenvolvimento de suas habilidades de conversação.

Algumas dicas práticas podem amenizar este hábito, facilitando a convivência com a família e outras pessoas:

(1)    Experimente usar um cartaz ou agenda com figuras (agenda visual) para mostrar à criança o que vai acontecer, em vez de falar.

(2)    Diga a ela que ela só pode perguntar a mesma coisa três vezes (ou duas, quatro, cinco…) e quando ela ultrapassar esse limite diga claramente: “Você já perguntou isso antes e não pode mais perguntar. Vamos falar agora de… “.

(3)    Diga à criança que só irá responder quando ela terminar determinada tarefa (pode ser qualquer coisa que costume prender a atenção dela). É possível que o foco de seu interesse mude, aliviando a tensão e fazendo-a esquecer as perguntas.

(4)    Defina lugares nos quais ela pode fazer as perguntas. Na escola, por exemplo, ensine que é somente no pátio, durante o recreio.

É importante também observar se, ao fazer as perguntas, o autista interrompe falas de outras pessoas ou ignore os sinais de que os outros estão aborrecidos com a conversa. Se isto estiver acontecendo, vale a pena praticar para que isto não aconteça (Para saber mais sobre isso, leia o post “Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo”, neste blog, pelo link: http://meunomenai.com/2013/08/07/dicas-para-desenvolver-habilidade-de-conversacao-avancada-em-criancas-com-autismo/ )

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com