Treino em consciência fonológica recupera atrasos em linguagem escrita


Atrasos de linguagem escrita, um problema que afeta número significativo de alunos brasileiros do Ensino Fundamental, podem ser revertidos por meio do treino em consciência fonológica, que é a capacidade de separar, de modo consciente, as palavras em suas menores unidades: sílabas e fonemas. É o que afirma a pesquisadora Neusa Lopes Bispo Diniz, autora do estudo “Metalingugaem e alfabetização: efeitos de uma intervenção para recuperação de alunos com dificuldades na aprendizagem da linguagem escrita”.

A tese de doutorado foi defendida no Instituto de Psicologia da USP, e ressalta que a efetividade do programa de intervenção constitui uma importante implicação pedagógica. “É possível recuperar atrasos em linguagem escrita em crianças dos anos iniciais do ensino fundamental através de treino em consciência fonológica, correspondência grafemafonema e consciência sintática, em situação real de sala de aula”.

A pesquisadora acompanhou alunos entre 08 e 12 anos durante 16 sessões de aplicação coletiva de atividades lúdicas metafonológicas e 15 sessões de atividades lúdicas metassintáticas. “Há na literatura especializada fortes evidências empíricas a respeito das relações entre habilidades de leitura e escrita e habilidades metalingüísticas”, aponta.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-09012009-144508/pt-br.php

Estimulação da consciência fonológica: pesquisadores apontam proposta para atuação em creche

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A consciência fonológica, habilidade de segmentar os sons da fala refletindo sobre a estrutura sonora das palavras, foi tema de estudo com crianças entre quatro e cinco anos. Durante três meses, os pesquisadores Marisa de Sousa Viana Jesus, Alena Nazareth soares, Ludimila Kyrath Lobo, Luiza Cristina Aurora, Maria Izabel e Simões Horta desenvolveram um programa de estimulação da consciência fonológica, e em seguida utilizaram parte do instrumento de avaliação seqüencial da Consciência fonológica (Confias). “Estudos mostram que o treinamento dessa habilidade metalinguística (consciência fonológica) aumenta significativamente as possibilidades de um bom desempenho futuro no aprendizado da leitura e escrita”, destaca o estudo.

Os pesquisadores observaram diferenças significativas, após a aplicação do programa, nas habilidades e Segmentação, Identificação de sílaba inicial e Transposição silábica, mostrando que as crianças se beneficiaram do programa de treinamento. “Nas demais etapas – Identificação, produção e exclusão de rima, Produção de palavra com a sílaba dada e Identificação de sílaba medial, houve um aumento da média de escores, mas estatisticamente não foi significativo”, destacam.

O fato de as crianças ficarem expostas ao processo escolar formal durante o tempo em que tal pesquisa foi realizada foi apontado pelos pesquisadores como um possível fator de interferência nos resultados positivos, assim como a possibilidade de que a primeira testagem possa ter exercido efeitos cumulativos de aprendizagem. “Sugere-se que pesquisas posteriores incluam no delineamento da pesquisa um grupo que não seja submetido ao programa, para que melhor se evidencie o real resultado da estimulação”.

De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos têm implicações práticas para a prevenção e remedição do fracasso em leitura e escrita.

O trabalho pode ser lido na íntegra no link: http://pe.izabelahendrix.edu.br/ojs/index.php/tec/article/view/270/230