A inteligência de crianças com autismo

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A inteligência de crianças com autismo é subestimada? Essa é a pergunta que muitos pais e professores se fazem, e também foi feita pelas pesquisadoras Anne-Marie Nader, Valérie Courchesne, Michelle Dawson e Isabelle Soulières. Para tentar respondê-la, elas escreveram o artigo “O WISC-IV subestima a inteligência de crianças autistas?” (tradução livre do original em inglês Does the WISC-IV underestimate the intelligence of autistic children?).
WISC-IV é a sigla para Escala Wechsler de Inteligência para Crianças, e IV refere-se à ultima versão do teste, desenvolvida em 2003. As autoras acreditam que essa versão pode subestimar a inteligência de crianças autistas com transtornos de linguagem, e destacam que essas crianças alcançam pontuação maior quando são avaliadas pelo teste RPM, sigla para Matrizes Progressivas de Raven. Wechsler e Raven são sobrenomes dos pesquisadores que desenvolveram esses dois instrumentos usados para estimativa da inteligência de uma criança.
Os dois testes, apesar de enfoques bem diferentes, apresentam resultados parecidos quando aplicados em crianças chamadas típicas, sem transtornos. O site espanhol Desafiando el autismo publicou matéria sobre esse estudo, onde destaca que cada vez mais estudos desafiam a visão recorrente de que o autismo é incompatível com o desenvolvimento de uma verdadeira inteligência.
O questionamento dos resultados da aplicação de testes em crianças autistas é importante porque ressalta a necessidade de desenvolvimento de instrumentos de avaliação específicos para essas crianças. Caso contrário, corre-se o risco de reproduzir rótulos e estereótipos que muitos pais e mães sabem que não condizem com a realidade de seus filhos autistas.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer a matéria original do site espanhol, acesse o link: http://desafiandoalautismo.org/el-wisc-iv-subestima-la-inteligencia-de-los-ninos-con-autismo/

Diferenças e semelhanças entre superdotação e Asperger

nullQuais as diferenças e semelhanças entre pessoas com altas habilidades/superdotação e com Síndrome de Asperger? Interessadas em conhecer o que já havia sido publicado sobre isso em periódicos científicos na área de educação, duas pesquisadoras consultaram artigos publicados entre 2000 e 2011.
Nara Joyce Wellausen Vieira e Karolina Waechter Simon observaram que as necessidades educacionais dos chamados superdotados e aluno com Asperger são diferentes. “A Educação Especial possui um público-alvo de alunos, que segundo a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008), se delimita na educação dos alunos com deficiências, transtornos global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação”, explicam as autoras do estudo “Diferenças e semelhanças na dupla necessidade educacional especial: altas habilidades/superdotação x Síndrome de Asperger”.
As pesquisadoras descrevem outra temática da área das altas habilidades/ superdotação: a dupla necessidade especial, que ocorre quando os sujeitos possuem habilidades em determinada área e apresentam outra necessidade educacional. O número pequeno de publicações com essa temática chamou a atenção das autoras. “A visão tradicional de inteligência que se tinha no início do século passado impossibilitava o entendimento de que uma pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação tivesse outra necessidade educacional especial associada”.
O estudo ressalta que essa visão fazia com que as deficiências fossem colocadas num extremo oposto à superdotação, o que só modificado com pesquisas de Joseph Renzulli, a partir de 2004, e de Gardner, a partir de 2000. A partir deles, foi possível perceber a existência da dupla necessidade educacional especial.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/view/5266/3823

O ato de conversar para pessoas com déficit cognitivo

nullO ato de conversar é uma das bases dos relacionamentos, e muita gente acha que é um processo tão fácil e natural quanto respirar, algo que fazemos automaticamente quase sempre sem perceber. Conversar, entretanto, é algo bastante complexo, pois exige o exercício simultâneo de uma série de habilidades. Essas habilidades podem ser comparadas aos músicos de uma orquestra – quando todos estão entrosados, o resultado é algo compreensível e agradável para quem está acompanhando. Quando a orquestra não está afinada, por outro lado, o público fica sem entender nada: não sabe qual músico acompanhar, e nem quais sons são intencionais e quais são “desafinadas”.
Músicos levam anos aprendendo a tocar um instrumento e muitas horas ensaiando para tocar em grupo, e isso é facilmente compreendido e aceito pelas pessoas, até mesmo pelas que nunca tentaram tocar um instrumento. Por outro lado, espera-se que o processo de conversação seja facilmente adquirido, ainda nos primeiros anos de vida. As pessoas com déficits cognitivos sociais chamam a atenção para o fato de que esse processo não é simples e pode não ser tão rápido.
Entre as habilidades exigidas numa conversação, estão as de estabelecer contato visual, conhecer as palavras e compreender o propósito de usar determinadas perguntas em momentos adequados. Identificar quais são as habilidades que a pessoa com déficit cognitivo consegue desempenhar permite ajudá-la a coordenar com outras habilidades com as quais ela não está tão familiarizada. Assim, se ela conhece quais são as perguntas básicas – como, onde, por quê, quem e quando – mas não consegue identificar o momento de usá-las, é possível escrever essas perguntas em cartões para fazer exercícios, nos quais o interlocutor vai mostrando os cartões indicados conforme a conversa-treino se desenvolve.
O mesmo pode ser feito com alguns comentários convencionais, que servem para demonstrar o interesse de uma pessoa no que a outra está falando, estimulando-a a continuar falando e assim manter a conversa fluida.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Fonte: “O que é uma conversação? – Algumas ideias para ensinar a conversar” (tradução livre do original).
Para ler o texto original na íntegra (em espanhol), acesse o link: http://desafiandoalautismo.org/que-es-una-conversacion-algunas-ideas-para-ensenar-a-conversar/

Autismo: ensinando habilidades de comunicação social

A modelagem comportamental é reconhecida há muitos anos como uma estratégia eficaz de ensino para crianças com autismo. Normalmente, os modelos de comportamento desejados são apresentados à criança por meio de encenações, ao vivo, pelos pais, educadores ou terapeutas. Uma vez que as crianças passam uma grande parte de seu tempo em instituições, desde a década de 1990 a apresentação desses modelos de comportamento passou a ser feita também em video.

As novas tecnologias e o aumento do acesso a elas permitiram a difussão dessa nova maneira de apresentação, permitindo sua utilização em salas de aula.

As encenações em vídeo, entretanto, são tão eficientes quanto as encenações ao vivo? Um estudo fez uma comparação entre as duas modalidades, apresentadas em sala de aula para desenvolver a comunicação social de alunos com autismo.

Os resultados observados variaram: enquanto alguns alunos com autismo desenvolveram-se mais com o modelo ao vivo, outros apresentaram resultados mais satisfatórios no modelo em vídeo. Um terceiro grupo apresentou bons resultados em ambos os modelos. Para explicar essa diferença de resultados, o estudo levanta a hipótese de que a atenção dos alunos varia conforme as necessidades de cada um.

Para os pesquisadores, o estudo confirma o poder dos meios digitais para atrair a atenção dos estudantes e demonstra o potencial deles para intervenções com o objetivo de desenvolver a comunicação social de crianças com autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: “Ensinando habilidades de comunicação social para alunos pré-escolares com autismo: eficácia do vídeo versus modelagem na sala de aula”, de K. P. Wilson, 2013 (Tradução livre do original em inglês para o português).

 

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Sinais de autismo: família e educadores são os primeiros a perceberem


A família é a primeira a perceber alterações no desenvolvimento da criança autista, como constataram os pesquisadores Maria Del Sol Fortea Sevilla, Maria Olga Escandell Bermúdez e José Juan Castro Sánchez. Autores de uma pesquisa que investigou a idade em que surgem as primeiras suspeitas de autismo, a que profissionais a família recorre e o tempo médio de diagnóstico, os pesquisadores observaram que profissionais de educação são os segundos a perceberem primeiramente indícios de autismo.

Os resultados foram apresentados no estudo “Detecção precoce do autismo: profissionais implicados”. O tempo de diagnóstico das crianças participantes do estudo durou em média 16 meses, e 69% delas receberam o diagnóstico durante os três primeiros anos de vida.

Os pesquisadores ressaltam que a maioria dos pais constatou alterações de desenvolvimento quando seus filhos tinham por volta de um ano e meio de vida, e destacam a importância da atenção primária. “Os pediatras de atenção primária exercem uma função de atenção integral que consideram o contexto da criança, o seguimento de seu desenvolvimento e a atenção aos problemas de saúde.

Atenção primária, descreve o estudo, é o primeiro grau de acesso à assistência sanitária e integra a atenção preventiva, curativa e reabilitadora, assim como a promoção da saúde da comunidade. “O procedimento recomendado é que o pediatria encaminhe a criança aos demais especialistas imediatamente para as diferentes avaliações”, destacam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1135-57272013000200008&lng=es&nrm=iso

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Sistema TEACCH: terapia e educação de crianças autistas

 

O sistema TEACCH (sigla do nome em inglês, Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children) utiliza currículos fortemente estruturados e limites para manter autistas em suas tarefas, concentrados na aula. Os horários de aula são personalizados para cada criança e utilizam os pontos fortes do autista como reforço durante todo o dia.

A base do sistema TEACCH é a crença de que os comportamentos característicos de cada autista, que muitas vezes são vistos como problemáticos por pais e terapeutas, na verdade têm uma função para a criança. Por isso, antes de tentar modificar o comportamento, é essencial conhecer sua motivação.

Os educadores adeptos do sistema ensinam ao autista comportamentos alternativos que trazem a ele os mesmos resultados que a conduta entendida como problemática. Com o tempo, espera-se que os novos comportamentos substituam os antigos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.

Sistema PECS e autismo: comunicação por figuras

O sistema PECS, sigla do inglês Picture Exchange Communication System é frequentemente utilizado em indivíduos com autismo e/ou pouca fala funcional. É um sistema de comunicação por meio de trocas de figuras, e ocorre em seis fases: 1) Fazer pedidos através da troca de figuras pelos itens desejados; 2) Ir até a tábua de comunicação, apanhar uma figura, ir a um adulto e entregá-la em sua mão; 3) Discriminar entre as figuras; 4) Solicitar itens utilizando várias palavras em frases simples, fixadas na tábua de comunicação; 5) Responder à pergunta O que você quer e 6) Emitir comentários espontâneos.

A partir dessa descrição, as pesquisadoras Táhcita Medrado Mizael e Ana Lúcia Rossito Aiello fizeram uma revisão de estudos nacionais e internacionais que apresentavam resultados de intervenções com o PECS como instrumento de ensino de linguagem a indivíduos com autismo e dificuldades de fala. “Os estudos revisados mostraram que, em consonância com a literatura, o PECS parece ser efetivo no ensino da comunicação”, destacam as pesquisadoras.

Esses e outros resultados da revisão foram apresentadas no estudo “Revisão de estudos sobre o Picture Exchange Communication System (PECS) para o ensino de linguagem a indivíduos com autismo e outras dificuldades de fala”, de autoria de ambas.

Os estudos analisados apontam ainda que o uso do sistema PECS foi eficaz no ensino da comunicação funcional pelos participantes tanto com o uso gestual quanto vocal, aumentando o número de trocas de figuras de maneira independente e até diminuindo comportamentos inadequados. As pesquisadoras destacam ainda que o sistema usado nas pesquisas que geraram os estudos brasileiros foi uma adaptação do sistema PECS. “Essa adaptação parece gerar os mesmos resultados positivos que o PECS original, ou seja, ambas as modalidades parecem ser efetivas no ensino de linguagem, e não só para indivíduos com autismo, uma vez que quatro crianças com Paralisia Cerebral, um participante com Síndrome do X-Frágil e um adulto com Síndrome de Down também se beneficiaram do método”, ressaltam as pesquisadoras.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-65382013000400011&script=sci_arttext&tlng=pt

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