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Superdotação & Altas Habilidades

Altas habilidades: o papel do professor

Quais os passos que um professor deve dar ao notar que um aluno de sua turma pode ter altas habilidades? Os professores conhecem a legislação específica, sabem como proceder? Uma pista para a resposta a essas perguntas pode ser encontrada no estudo “Altas habilidades: uma questão escolar”. Conduzido pelas pesquisadoras Célia Maria Paz Ferreira Barreto e Marsyl Bulkool Mettrau, o estudo foi realizado em uma escola federal de ensino, localizada no Rio de Janeiro, e tinha como objetivos gerais investigar as representações dos professores sobre as altas habilidades e a existência da indicação de alunos com esse perfil para atendimento.

Quando questionados sobre políticas públicas e amparo legal, apenas 63% dos respondentes possuíam informações sobre a existência do amparo legal para o atendimento específico dessa clientela. Dos 36 professores participantes da pesquisa, quatro haviam concluído curso superior, dois cursavam especialização, quatorze haviam concluído especialização, quatro cursavam o mestrado, sete já haviam concluído o mestrado, dois cursavam doutorado e três já haviam concluído o doutorado.

Para as pesquisadoras, o estudo aponta uma lacuna frente a questões que merecem mais esclarecimentos em estudo futuros. Uma delas é: por que os professores não formalizaram a indicação dos alunos dos quais acreditavam terem altas habilidades aos setores responsáveis?

A pesquisa apontou também que todos os professores desejam acesso à informações sobre o tema superdotação/altas habilidades, e apenas 19% acreditam saber lidar com esses alunos. Apesar disso, 89% reconheceram ser o professor o mais qualificado dos profissionais dentro da escola para indicar e lidar com alunos com altas habilidades.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382011000300005&lng=pt&nrm=iso

Superdotação e liderança criativa: proposta para estímulo

O tema da liderança vem sendo debatido intensamente na literatura, principalmente no ambiente empresarial, governamental e militar, mas seu conhecimento ainda é bastante escasso entre os educadores e psicólogos. Alguns tópicos desse conhecimento são abordados no estudo “Liderança em jovens:uma proposta para identificação e desenvolvimento da criatividade e superdotação”, de autoria dos pesquisadores Steven I. Pfeiffer e Solange Muglia Wechsler. “Existem possibilidades de detectar a superdotação intelectual e criativa entre crianças e jovens e expectativas de superação de um nível básico de competência para atingir o de especialista ou esperto, em qualquer área, permitindo assim o aparecimento da liderança”, ressaltam os autores.

O estudo trata ainda de indicadores da liderança, ou como a liderança se desenvolve entre os jovens, além de possíveis diferenças de sexo, e a relação da inteligência com a criatividade. Os autores apresentam ainda um modelo para estimular a liderança criativa e uma escala para professores avaliarem superdotação, com o objetivo de estímulo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S0103-166X2013000200008&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

 

Aluno da rede estadual vence Prêmio Jovem Cientista 2013

O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e acontece desde o ano 1981. Este ano, o tema foi “Água – desafios da sociedade”., e o vencedor, o estudante Edvan Nascimento Pereira, da 2ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Ernestina Pereira Maia, localizada no município de Moju, no Pará.

Seu projeto, “Carvão do Caroço de Açaí (Euterpe oleracea) ativados quimicamente com hidróxido de sódio (NaOH) e sua eficiência no tratamento de água para o consumo”, foi baseado em pesquisa que revelou um índice de 64% de moradores da região que afirmam ter contraído algum tipo de doença pela ingestão de água não tratada. O carvão resultante do caroço de açaí desempenha papel de filtro,  contribuindo para a prevenção de inúmeras doenças e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida da população local.

Com esse projeto, Edvan já participou de várias feiras de ciências e conquistou prêmios como o da Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE) e Ciência Jovem, que acontece em Recife. “Isso é uma demostração que a escola pública está produzindo bons frutos na área de ciência e tecnologia. Grande parte desses projetos são desenvolvidos em parceria com as secretaria estaduais de Educação e os clubes de ciências”, enfatizou Licurgo Brito, secretário adjunto de Ensino da Seduc.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Fonte: FEBRACE

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Altas habilidades/superdotação: invisibilidade é resultado de estigma e falta de informação da sociedade e de docentes


O atendimento educacional especializado para alunos com altas habilidades/superdotação na Educação Básica é hoje uma realidade legalmente consolidada, que precisa ser implementada e surtir efeitos concretos nos encaminhamentos pedagógicos. Esta é a posição das pesquisadoras Susana Graciela Pérez Barrera Pérez e Soraia Napoleão Freitas. “Os alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) constituem uma parcela importante da população-alvo da Educação Especial, que ultrapassa os 2 milhões de matrículas na Educação Básica”, afirmam. Essa estimativa foi levantada para a elaboração do estudo “Encaminhamentos pedagógicos com alunos com Altas Habilidades/Superdotação na Educação Básica: o cenário Brasileiro”, de autoria de ambas.

O estudo analisa os aspectos que prejudicam a concretização do atendimento aos alunos com altas habilidades/superdotação – desinformação, representação cultural e falta de formação acadêmica e docente – que, segundo as autoras, são as causas da invisibilidade destes alunos. “A representação cultural deturpada leva a pensar que o aluno com AH/SD é uma pessoa rara, que não precisa de nada, que se autoeduca, que somente existe em classes privilegiadas, que só pode ser o aluno nota 10 na sala de aula e, principalmente, que não é um aluno com necessidades educacionais especiais, pois este termo é equivocadamente reservado aos alunos com deficiência”.

O estudo destaca ainda que a estigmatização de alunos com altas habilidades/superdotação faz com que eles não consigam sair de sua invisibilidade sistêmica, que se reflete nos censos escolares, que não recebem informações adequadas das escolas e, portanto, apresentam números insignificantes dentro das matrículas escolares. O estigma também reflete nos dispositivos legais, “que embora às vezes os contemplem, o fazem superficialmente, sem medidas específicas para eles”, e nos programas de atendimento de Educação Especial ou Educação Inclusiva, “que frequentemente esquecem dessa população”, segundo as autoras.

O estudo destaca ainda que, na maioria dos programas de formação acadêmica, especialmente nos cursos de Pedagogia e Educação, o tema altas habilidades, quando apresentado, “é de forma tão superficial que não permite uma compreensão adequada por parte dos futuros professores”. As autoras alertam ainda que, “nos cursos de Psicologia, Neurologia e Pediatria, cujos profissionais deveriam ter conhecimentos mínimos sobre o assunto, é extremamente raro encontrar o tema nos conteúdos curriculares e isso leva a que muitas pessoas com AH/SD sejam “diagnosticadas”, tratadas e inclusive medicadas por patologias como a transtorno de déficit de atenção com (ou sem) hiperatividade, depressão, bipolaridade, por exemplo”.

Para mudar esse quadro, as autoras ressaltam que a informação da sociedade como um todo e a formação dos docentes é um dos principais elementos que poderão apagar o nefasto prefixo “in” da palavra “invisibilidade”. “Nesse sentido, o desenvolvimento de campanhas de informação, como as que já ocorrem para as áreas da deficiência, permitiria que os mitos e as crenças populares relativas às PAH/SD fossem combatidos”, defendem.

A revisão das políticas públicas também é necessária. “Para que a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva possa concretizar seus anseios de promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo, entre outras, o atendimento educacional especializado e a formação de professores para esse atendimento e dos demais profissionais da educação para a inclusão escolar, tem que haver uma normatização mais eficiente e a tão necessária articulação intersetorial na implementação das políticas públicas, da educação infantil ao ensino superior”.

A inclusão de conteúdos relativos às altas habilidades/superdotação no programas de graduação também é importante. “Isso depende muito de ações mais pró-ativas do órgão regulador em nível federal – o Ministério de Educação – e da Secretaria de Educação Especial, em particular”, ressalta o estudo.

Como a responsabilidade de oferecer formação continuada e especializada está nas mãos das Secretarias de Educação (federal, estaduais e municipais), as autoras preocupam-se com as seguintes questões: “Quem e como identificará os alunos com Altas Habilidades/Superdotação que deverão ser declarados no Censo Escolar?”, “Quem vai preparar e como vai ser preparado o professor para o atendimento educacional especializado para os alunos com Altas Habilidades/Superdotação?”, e “Quando o aluno com AH/SD é atendido nos NAAH/S ou em salas de recursos específicas para as AH/SD – que não constituem Salas de Recursos Multifuncionais – como serão declarados no formulário do Censo, visto que na opção que seria a mais apropriada para o cadastro dos NAAH/S e das salas de recursos específicas para as AH/SD (a terceira), estes alunos não aparecem relacionados?”.

Por fim, o estudo alerta que, para o pleno desenvolvimento das habilidades desses alunos, é necessário levar em conta que além do enriquecimento extracurricular, desenvolvido no contraturno, também devem ser adotadas estratégias pedagógicas de enriquecimento intracurricular, ou seja, dentro da sala de aula.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602011000300008&lng=pt&nrm=iso

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Filhos-prodígio obrigam os pais a redesenhar a vida


Ter um filho extremamente talentoso, ou superdotado, exige que os pais busquem novas comunidades: de pessoas com experiências semelhantes e de especialistas, que ensinam a esses pais estratégias para lidar com a excepcionalidade do filho. Os pais assumem, assim, não só seu repertório de conhecimento menor do que o do filho, mas também seu próprio desconhecimento em desempenhar as funções materna e paterna naquela condição atípica.

Andrew Solomon, autor do livro “Longe da árvore”, afirma que, assim como a deficiência, a prodigiosidade obriga os pais a redesenhar a vida em torno das necessidades especiais do filho. “Ser muito dotado e ser deficiente são surpreendentemente parecidos: isolamento, incompreensão, espanto”.

Durante uma década, o autor realizou entrevistas com pais de crianças, jovens e adultos que ele definiu como fora dos padrões biológicos e sociais. “É possível prejudicar os prodígios alimentando-lhes o talento à custa do crescimento pessoal ou cultivando seu desenvolvimento geral em detrimento da aptidão especial que podia lhes dar a mais profunda satisfação”, ressalta o autor. “Se as expectativas da sociedade pela maioria das crianças com diferenças profundas são demasiado baixas, as expectativas depositadas nos prodígios tendem a ser perigosamente altas”, alerta.

O autor explica ainda que a palavra prodígio costuma refletir a precocidade em determinado domínio, enquanto a genialidade refletiria a capacidade de acrescentar algo de valor à consciência humana. Assim, é possível ser dotado de genialidade sem ser precoce, e vice-versa. As pessoas entrevistadas para o livro, entretanto, muitas vezes apresentavam uma sobreposição de precocidade e genialidade, e estão concentradas na área musical, que foi o foco do autor para este capítulo.

Entre diversas histórias de prodígios em música, destaca-se a do pianista russo conhecido como Zhenya, que contou: “De menino, quando eu tocava, era apenas por gostar da música e eu tocava do modo como a sentia”. Conforme crescia, entretanto, suas idéias tornaram-se mais claras ao mesmo tempo em que ficavam mais complexas, ou que aumentava a dificuldade em executá-las. “É por isso que agora fico mais nervoso antes dos meus concertos”, afirma o pianista. Segundo Andrew Solomon, essa é a descrição mais acertada a respeito de como cresce um prodígio.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

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Currículo escolar é agente potencializador de ações para alunos com altas habilidades/superdotação


Um convite para os educadores olharem as prerrogativas da educação inclusiva sob as lentes dos estudos curriculares. É o que fazem os pesquisadores Soraia Napoleão Freitas e Claus Dieter Stobäus, em estudo que traz visibilidade a uma discussão curricular fortemente marcada pela prática educativa de aprendizes com altas habilidades/superdotação.

O artigo “Olhando as altas habilidades/superdotação sob as lentes dos estudos curriculares” destaca que o termo currículo é entendido como um território de conhecimento e poder. Assim, o currículo funciona como agente potencializador de ações diferenciadas para a educação de alunos com altas habilidades/superdotação, resguardando-os de momentos de discriminação, segregação e exclusão pessoal, familiar, escolar e social.

Os autores ressaltam que, quando se trata da educação inclusiva, existe uma preocupação com todos os sujeitos que, de alguma maneira, encontram-se à margem (da sociedade e da educação) e na luta por uma educação de qualidade na escola regular. “Isso faz com que os serviços educacionais prestados sejam continuamente revistos e reorganizados, para que seja alçada uma proposta curricular compatível com a demanda e para qualificar o ensino docente e a aprendizagem discente”.

Com isso, defende o estudo, as práticas pedagógicas e curriculares devem flexibilizar relações e processos que possam contemplar ações que acompanhem o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos com altas habilidades/superdotação, possibilitando o encontro de interesses com as possibilidades pedagógicas efetivadas na instituição.

Os autores apontam como possibilidades diversas ações que podem ser implementadas nas instituições escolares, como a perspectiva de propostas de aceleração/suplementação curricular. “A aceleração caracteriza-se como a oportunidade de cumprir a proposta curricular

da escola em menor tempo, avançando com maior rapidez e com a possibilidade de maior aprofundamento”.

As propostas de aceleração, por sua vez, podem ser de diversas formas – admissão precoce do aluno na escola; avanço de determinada série e/ou ano; cumprir uma série ou ano em menor tempo ou combinações de séries em um mesmo período, entre outras. “Essas possibilidades de aceleração podem ser propostas pela escola e pelos professores de acordo com a singularidade e as necessidades do aluno com altas habilidades/superdotação, respeitando seus domínios e suas habilidades, assim como seu envolvimento social e emocional”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/view/4371/2703

Minoria de meninas superdotadas: repetição de padrão cultural?


“Por que um programa de altas habilidades/superdotação tem ampla predominância de meninos, quando as meninas são maioria no total de matrícula do ensino regular?”. Essa é a pergunta dos pesquisadores Ana Paula Poças Zambelli dos Reis e Candido Alberto Gomes, que coletaram dados de 16 educadores do Programa de Atendimento ao Aluno com Altas Habilidades/Superdotação de uma rede escolar pública urbana.

A partir da análise dos dados de alunas e alunos participantes das salas de recursos deste programa, os pesquisadores investigaram os critérios para identificar e encaminhar esses alunos. Foram feitas entrevistas com os professores, que também preencheram formulários com as características e/ou comportamentos que podem ser evidenciados nos alunos e nas alunas identificados como superdotados. “A análise revelou que a subestimativa dos talentos femininos ocorre na seleção e na indicação de discentes pelos professores do ensino regular, quando as meninas são vistas pelas lentes de estereótipos, com a internalização de imagens de inferioridade pelas/os próprias/os professoras/es, em ampla maioria mulheres”.

Os pesquisadores destacam que o que poderia ser uma vantagem para as meninas – o alto número de educadores do gênero feminino educando alunos do mesmo gênero – acaba beneficiando os meninos, em função da repetição de um padrão cultural. Esse padrão cultural que desfavorece as meninas fica evidente nas falas de professoras que participaram da pesquisa. Enquanto uma professora afirma que “A gente (as mulheres) é ensinada a valorizar, a enxergar mais o homem, e a gente termina repetindo esse padrão”, a outra completa: “Eu acho que o menino é mais autorizado a se expor. A menina não, tem que ser mais quietinha, mais educadinha”, afirma, e continua: “Se ela (a menina) se expõe muito, é muito “saidinha”, é muito exibida – isso é malvisto”.

 O menino, segundo a análise dessa professora, é visto como inteligente quanto apresenta esse comportamento “saidinho”. Além disso, as falas dos professores deixaram claro que, uma vez que o comportamento exemplar é esperado das meninas, quando uma aluna apresenta características de superdotação, como aplicação e comprometimento com os estudos, isso é visto como natural, e não excepcional.

A pesquisa, intitulada “Práticas pedagógicas reprodutoras de desigualdades: a subrepresentação de meninas entre alunos superdotados”, sugere uma reflexão acerca dos estudos sobre as relações sociais de gênero e suas implicações na área da educação, em especial sobre a educação de alunas com altas habilidades. Conclui, ainda, ser necessária uma mudança de atitudes que envolvem a formação dos profissionais que atuam na área. Essa mudança, apontam os pesquisadores, deve ocorrem também nas orientações dadas aos professores do ensino regular, responsáveis pela indicação, e a reestruturação/redefinição dos critérios de seleção desses alunos e alunas, visando a uma melhor adequação da porta de entrada do Programa, com o fim de atender, de forma igualitária, a ambos os gêneros. “Caso contrário, profissionais pouco preparados continuarão a abrir a porta para uns e fechá-la para outras”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2011000200013&lng=pt&nrm=iso

Adultos superdotados: cultivar experiências positivas na escola beneficia a atuação profissional

 

Ser dotado de altas habilidades pode fazer com que a pessoa chegue à idade adulta com uma sensação de fracasso ou mesmo de injustiça, uma vez que a integração escolar pode ter sido um processo difícil em função das características que envolvem a superdotação. Não são raros os casos em que a criança ou adolescente com altas habilidades é perseguido por colegas, ou então acaba se isolando, mesmo quando tem consciência de sua capacidade. Com a ajuda da família, da instituição e de profissionais, entretanto, essa situação pode ser controlada para que não deixe seqüelas emocionais.

Reverter a negatividade que pode cercar o período escolar de pessoas com altas habilidades é essencial para garantir que, ao chegar à vida adulta, ela não sofra ao buscar uma posição no mercado de trabalho. Ao chegar à vida adulta, ela irá se deparar com a necessidade de uma nova integração, desta vez no ambiente de trabalho, e nem sempre poderá contar com a compreensão ou suporte de seus superiores e colegas.

Se as dificuldades de sua época escolar foram superadas e a pessoa conquistou um grau de especialização que lhe permita ocupar um cargo à altura de sua capacidade intelectual, acabará por ser reconhecida por resolver problemas e realizar um trabalho de alta qualidade. Por outro lado, se as dificuldades que podem surgir na época escolar fizeram com que ela abandonasse os estudos ou os concluísse como mera formalidade, sem aproveitamento total, ela corre o risco de acabar em empregos não especializados. Sem oferecer desafios, estes empregos acabam por lhe trazer dificuldades de se aceitar e aceitar a autoridade de outros profissionais que, em sua avaliação, são menos capacitados do que ela própria. Em conseqüência, esse trabalhador insatisfeito pode ter problemas para encontrar uma posição que lhe satisfaça e até para manter um trabalho estável.

A melhor forma de evitar que isso aconteça é o fortalecimento emocional. A psicóloga Carmen Sanz, do blog El mundo Del superdotado, afirma que pessoas com altas habilidades costumam revelar-se como bondosas, com grande sensibilidade e pouco agressivas. “Salvo com as palavras, que às vezes utilizam como uma espada, e com um grande senso de humor”, ressalta.

Oferecer à criança e adolescente com altas habilidades a chance de mostrar sua própria natureza fará com que ela entenda que são qualidades, que irão ajudar-lhe quando chegar ao mercado de trabalho. Por mais agressivo que este seja, a adaptação será ainda mais difícil se a pessoa ver-se forçada a desenvolver e cultivar características contrárias à sua própria essência.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Baseado no texto “Adultos superdotados”, de Carmen Sanz. Para conhecer o texto original na íntegra (em espanhol), acesse o link: http://www.elmundodelsuperdotado.com/adultossuperdotados.htm

Prodígio e superdotação: número de crianças precoces não corresponde à expectativa de dotação


Muitos pais e profissionais de educação consideram como superdotadas crianças com grande facilidade para aprender determinada habilidade. As pesquisadoras Zenita Cunha Guenther e Carina Alexandra Rondini, entretanto, observam que há mais crianças precoces que a probabilidade esperada de dotação, enquanto muitas pessoas dotadas não foram prodígios ou sequer precoces. “A noção de prodígio seria mais bem-considerada como extrema precocidade no grau e no ritmo de maturação do aparelho nervoso central do que como sinal de potencial elevado”.

Autoras do estudo “Capacidade, dotação, talento, habilidades: uma sondagem da conceituação pelo ideário dos educadores”, as pesquisadoras afirmam que a associação entre prodígio e dotação ocorre porque a dotação também compreende, essencialmente, facilidade e rapidez de aprendizagem naquele domínio em que existe capacidade superior. “Porém, estudos longitudinais evidenciam que o prodígio pode ser apenas expressão de precocidade, e não efetivamente sinônimo de dotação”.

As pesquisadoras ressaltam ainda que Inteligência é um domínio de capacidade entre outros, sendo possível haver dotação em um domínio, por exemplo, dotação física ou socioafetiva, sem haver necessariamente dotação em inteligência.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982012000100011&lang=pt

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