Mídias sociais, uso de drogas e Saúde Pública: usos de natural language

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Com o rápido desenvolvimento de novas substâncias psicoativas e as mudanças no uso de drogas mais tradicionais, é cada vez mais difícil para os pesquisadores e os profissionais de saúde pública manterem-se atualizados com drogas emergentes e termos de drogas. Pesquisas de uso de substâncias e ferramentas de diagnóstico precisam ser capazes de perguntar sobre substâncias que utilizam os termos que os próprios usuários de drogas provavelmente estarão usando. As análises das mídias sociais podem oferecer novas maneiras para que os pesquisadores descubram e rastreiem mudanças em termos de drogas em tempo quase real. O estudo “Detecção de novos termos de medicamentos emergentes usando processamento de linguagem natural: um estudo de Corpus Social” descreve os resultados iniciais de uma colaboração inovadora entre epidemiologistas de uso de substâncias e cientistas linguísticos que empregam técnicas do campo do processamento de linguagem natural para examinar termos relacionados a drogas em uma amostra de tweets dos Estados Unidos.

O objetivo deste estudo foi avaliar a viabilidade de usar embutidos distribuídos de vetor de palavras treinados em dados de redes sociais para descobrir termos de drogas previamente desconhecidos (para pesquisadores). O método descrito no estudo produziu uma lista de 200 termos candidatos para a substância alvo (maconha). Destes 200 candidatos, 115 estavam determinados a referir-se, de fato, à maconha (65 termos para a própria substância, 50 termos relacionados à parafernália). Isso incluiu 30 termos que foram utilizados para se referir à substância alvo no corpus, ainda não apareceu na lista gerada por especialistas e, portanto, considerados casos bem-sucedidos de descoberta de terminologia de drogas novas. Vários destes termos parecem ter sido introduzidos tão recentemente como 1 ou 2 meses antes da faixa de tempo do corpus.

Os autores concluíram que embora a precisão do método descrito seja baixa o suficiente para ainda exigir revisão humana de qualquer lista de termos de candidatos gerados de tal maneira, o fato de que esse processo foi capaz de detectar 30 termos para a substância alvo com base apenas no valor de um mês dos dados do Twitter é altamente promissor.

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Mídias digitais sociais e aconselhamento genético: diretrizes

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Pacientes e prestadores de cuidados de saúde estão cada vez mais conectados através de redes sociais, o que traz novas oportunidades mas também muitos desafios. A conexão direta pode ocorrer entre pacientes e provedores usando ferramentas online, como Facebook e LinkedIn. Além disso, os provedores podem coletar informações sobre pacientes que usam um mecanismo de busca como o Google, conhecido como Google Gug in Googling (PTG).

Essas são algumas das conclusões do estudo “Have You Ever Googled a Patient or Been Friended by a Patient? Social MediaIntersects the Practice of Genetic Counseling” (Em tradução livre para o português: “Você já escolheu um paciente ou foi amigo de um paciente? A mídia social interage a prática do aconselhamento genético”), publicado em janeiro de 2018 em periódico científico internacional indexado na Base de Dados Pubmed.

Uma pesquisa on-line de 54 itens foi utilizada para obter informações sobre (1) como e em que medida os conselhos de orientação genética e conselheiros genéticos se conectam diretamente com os pacientes através de sites de redes sociais e (2) coletam informações sobre provedores que usam PTG. Quatrocentos estudantes de aconselhamento genético e conselheiros genéticos participaram da pesquisa. A maioria dos entrevistados (88,9%; n = 344/387) achou que nunca é ou raramente aceitável interagir com pacientes atuais através de sites de redes sociais. No entanto, 27,7% (n = 110/397) visitaram o site de mídia social de um paciente. A informação de reunião para o atendimento ao paciente foi o motivo mais comummente relatado (76,8%; n = 43/56). Trinta e três por cento (n = 130/394) consideraram pesquisar on-line ou pesquisados ​​em linha para obter informações sobre um paciente.

A curiosidade foi a razão mais comum (92,7%; n = 114/123); No entanto, os entrevistados também usaram a PTG para obter informações de contato e para se preparar para as sessões dos pacientes. O estudo aponta a necessidade de desenvolvimento e disseminação de diretrizes profissionais para servir como um recurso valioso para a prática de conselheiros genéticos e programas de treinamento de aconselhamento genético.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a citação desde que indicada a fonte.

 

Depressão, ansiedade e parto

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Uma amostra sistemática de 950 mulheres grávidas foi recrutada em três maternidades da Turquia. Os participantes completaram avaliações de depressão, ansiedade, PTSS e apoio social na gravidez, 4-6 semanas e 6 meses pós-parto. O medo do parto foi avaliado na gravidez e 4-6 semanas após o nascimento. “Identificar os fatores que precipitam e manter os sintomas de estresse pós-traumático após o nascimento é importante para informar a prática clínica e de pesquisa”, informam os pesquisadores, autores do artigo “Fatores associados aos sintomas de estresse pós-traumático (PTSS) 4-6 semanas e 6 meses após o nascimento: estudo longitudinal baseado na população”, publicado em junho de 2017.

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Os resultados apontam que o estresse seis meses após o parto foi associado com ansiedade e PTSS na gravidez, complicações durante o nascimento, satisfação com os profissionais de saúde, medo do parto 4-6 semanas após o nascimento, PTSS e depressão 4-6 semanas após o nascimento, apoio social 4 -6 semanas após o nascimento, eventos traumáticos após o nascimento, necessidade de ajuda psicológica e apoio social 6 meses após o nascimento. Este estudo baseia-se na amostragem de hospitais públicos, por isso pode não representar mulheres tratadas em hospitais privados. O estudo conclui que fatores de risco associados podem ajudar a identificar as mulheres em risco de PTSS após o nascimento e a informar a intervenção direcionada precoce.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28654849

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Investigação genética e anomalias craniofaciais

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O Projeto “Investigação da Síndrome de Deleção 22q11.2 Utilizando Diferentes
Estratégias para Aplicação em Saúde” tem como objetivo identificar anormalidades no material genético de pessoas com suspeita de Síndrome de deleção 22q11.2.

O principal objetivo é identificar  Trata-se, portanto, de exame com caráter diagnóstico, que poderá contribuir para melhorar o conhecimento sobre essa doença. Outro objetivo é formar uma base de dados brasileira de pacientes com informações sobre características clínicas, causas, fatores de risco e história natural das anomalias craniofaciais. Esta Base de dados pertence ao Projeto Crânio-Face Brasil, coordenado pelo Departamento de Genética Médica da Universidade Estadual de Campinas e conta com a participação de outros centros e foi aprovada pelo CEP desta instituição com o CAAE 35316314.9.1001.5404 e pela CONEP
(14733).

Durante a consulta será preenchido um formulário com informações
sobre a história médica do participante e de sua família, gestação, parto, uso de medicamentos, desenvolvimento físico e mental, além de aspectos genéticos e clínicos. Também serão realizadas fotografias. Essas informações e fotografias
poderão ser coletadas e atualizadas a cada retorno para acompanhamento. O armazenamento dos dados é realizado em computadores na Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP.

O projeto é coordenado pela professora doutora Verla Lúcia Gil Lopes e é desenvolvido no Hospital de Clínicas da UNICAMP.

Quem quiser mais detalhes sobre o projeto, basta acessar o link: https://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/paganex/tale_del_22-unicamp_082015.pdf

Câncer de mama e informação

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Embora o aumento da pesquisa se centre em exames de câncer de mama, pouco se sabe sobre a prevenção do câncer de mama com consciência de redução de risco para diferenças étnicas entre mulheres na faculdade. O estudo “Conhecimento, crenças e fontes de informação de mulheres não-hispânicas e hispânicas na prevenção de câncer de mama para foco na redução de risco” examinou o conhecimento, as crenças e as fontes de informação de câncer de mama entre mulheres não-hispânicas e hispânicas.

As fontes de informação mais comuns relatadas pelas participantes foram Internet (75%), revistas (69%), provedor (76%) e amigos (61%). Menos fontes comuns foram rádio (44%), jornais (34%) e mães (36%). As mulheres universitárias não-hispânicas com história familiar de câncer de mama tinham maior probabilidade de receber informações de provedores, amigos e mães. Aquelas com história de câncer de mama foram mais propensas a receber informações de suas mães. A educação para a prevenção do câncer de mama para as mulheres da faculdade é necessária para incluir a redução de risco para mudanças de comportamento de saúde modificáveis ​​como um novo foco. Os profissionais de saúde podem se dirigir a mulheres da faculdade com mais fontes de informação, incluindo Internet ou aplicativos, conclui o estudo.

Texto de Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24989348

Teorias do trauma e literatura em saúde

As teorias do trauma histórico aparecem cada vez mais na literatura sobre saúde individual e comunitária, especialmente em relação às populações minoritárias raciais e étnicas e grupos que apresentam disparidades significativas em saúde. Como conseqüência desse rápido crescimento, a literatura sobre trauma histórico compreende abordagens de terminologia e pesquisa diferentes.

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O artigo “Trauma histórico como narrativa pública: uma revisão conceitual de como a história afeta a saúde atual”, uma revisão crítica, integra essa literatura para especificar mecanismos teóricos que explicam como o trauma histórico influencia a saúde de indivíduos e comunidades. “Argumentamos que o trauma histórico funciona como uma narrativa pública para grupos ou comunidades particulares que conectam experiências e circunstâncias atuais com o trauma para influenciar a saúde”, descreve N. V. Mohatt, um dos autores do estudo. “Tratar o trauma histórico como uma narrativa pública desloca o discurso de pesquisa longe de uma busca exclusiva de variáveis ​​causais passadas que influenciam a saúde para identificar como as experiências atuais, suas narrativas correspondentes e seus impactos na saúde estão conectados a narrativas públicas de trauma histórico para um particular grupo ou comunidade”.

O artigo também discute como a conexão entre trauma histórico e experiências atuais, narrativas relacionadas e impactos na saúde pode funcionar como fonte de sofrimento atual e resiliência.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24561774

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Relação entre uso de mídia na infância e transtornos psicológicos na adolescência

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Adolescentes usam mídias digitais por mais de cinco horas ao dia em média, e quase 50% desses adolescentes podem ser considerados viciados em internet. A maioria consome conteúdo violento. e o baixo nível socioeconômico e baixas competências sócio-emocionais, além de estilo educacional desfavorável e estresse psicológico da mãe são fatores de risco para o uso da mídia na adolescência. Esses dados são apresentados no artigo “Influência do consumo de mídia durante a primeira infância no uso de mídia e transtornos psicológicos na adolescência”, divulgado no início de outubro de 2017,  e que analisou os hábitos de consumo de mídia em crianças e adolescentes, a influência de diferentes fatores de risco da primeira infância sobre o uso da mídia na adolescência e os vínculos entre o consumo de mídia infantil e os distúrbios na adolescência.

Os autores, J. Grund e W. Schulz, destacam que existem muitos estudos sugerindo um vínculo entre alto consumo de mídia e transtornos psicológicos, fisiológicos e sociais, mas ao mesmo tempo há resultados inconsistentes, limitações metódicas e falta de estudos longitudinais. “Há uma necessidade de mais estudos longitudinais para obter uma melhor compreensão das conseqüências do consumo de mídia”, afirmam no artigo.

Os adolescentes com antecedentes de migração têm um maior risco de dependência de internet e jogos de computador. Por outro lado, a utilização geral da mídia na primeira infância tem apenas um baixo poder preditivo, isto é, não é capaz de gerar muitas previsões sobre os reflexos deste uso nos próximos anos de vida da criança. Os resultados do estudo indicam que as conexões entre o uso na infância e os transtornos psicológicos na adolescência parecem ser mais complexas do que até então pesquisadores científicos acreditavam. Participaram do estudo 249 famílias.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28974188