Gestão de saúde e competitividade

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Sandra Hyodo, sócia de clínica médica privada há mais de 20 anos, consultora em Gestão em Saúde e professora do Programa de Desenvolvimento de  Gestão em Saúde da Fundação Dom Cabral

1 – A especialização e a educação continuada são cada vez mais exigidas. De que forma a pós-graduação em Gestão de Saúde pode contribuir para a competitividade dos profissionais no mercado de trabalho?
Sandra Hyodo: Atualmente a Área da Saúde vem sofrendo profundas mudanças, e uma grande quantidade de ferramentas de diagnósticos e novas tecnologias têm colaborado para que os serviços de saúde possam oferecer um atendimento de qualidade, pois os profissionais estão se tornando tecnicamente cada vez mais competentes e capazes de solucionar os problemas. Mas para que um serviço de saúde tenha sucesso, não basta ter um corpo clínico altamente qualificado, a sua gestão é algo imprescindível. Hoje percebe-se que as empresas da Área de Saúde que se destacam no mercado reúnem 2 condições básicas: profissionais altamente qualificados e uma ges tão eficaz; esse é o segredo do sucesso. O grande desafio está no fato de que, a maioria dos profissionais da Área da Saúde não possuem conhecimento de gestão; mas esse cenário vem mudando, as empresas de pequeno e médio porte (clínicas, consultórios, laboratórios) passaram a perceber que há a necessidade de se ter conhecimentos básicos de gestão para se manter no mercado. Entendo que não é necessário ser especialista no assunto, mas entender o seu modelo de negócio, como administrar seus recursos (humanos, financeiros, etc) e processos é o caminho para se obter melhores resultados. Assim, os cursos de Gestão em Saúde vêm contribuindo para desenvolver nos profissionais uma visão estratégica alinhada à nova realidade do setor.
2. Há quanto tempo dedica-se ao ensino na pós-graduação nesse campo, e como observa o perfil dos alunos que hoje buscam o curso? Houve alguma mudança desde que começou?

Sandra Hyodo: Como sócia de uma clínica médica privada há mais de 20 anos, consultora em Gestão em Saúde e recentemente convidada a atuar como Professora do Programa de Desenvolvimento de  Gestão em Saúde da Fundação Dom Cabral, tenho percebido  que nos últimos anos o perfil das pessoas que buscam este tipo de curso mudou bastante; antes, muitos profissionais que atuavam na área de gestão buscavam desenvolver outras habilidades para atuar na área de saúde (administradores, principalmente), atualmente os cursos têm apresentado uma grande quantidade de profissionais da saúde (médicos, fisioterapeutas, dentistas, enfermeiros, entre outros) buscam qualificação profissional com o objetivo de melhorar seus resultados.

3) Ao término de seu módulo, que novas habilidades e capacitações os alunos adquirem?
Sandra Hyodo: O módulo de finanças é dividido em 2 partes, a primeira parte é ministrada pelo Prof. Sergio Pires, contador, que possui uma ampla experiência e profundo conhecimento na área contábil; nesta parte, o aluno tem uma visão de contabilidade gerencial. Na segunda parte desse módulo, a qual sou responsável, desenvolvemos os aspectos relacionados à gestão de custos, faturamento de contas médicas (modelos de remuneração, tabelas médicas, glosas) e tributação na área da Saúde. Ao final deste módulo, o aluno deve ser capaz de entender um Demonstrativo de Resultados e analisar se a atividade &ea cute; lu crativa, qual serviço oferecido resulta em melhor resultado financeiro, como conduzir uma negociação com operadoras de planos de saúde, estratégias para redução de glosas e a melhor opção tributária para a empresa.

Jornalismo e saúde

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A jornalista especializada em Saúde Mônica Tarantino concedeu a seguinte entrevista ao blog:

1)    Comente sobre sua trajetória profissional – formação, principais atividades e projetos

Silvana, comecei a trabalhar em jornal antes de entrar na faculdade. Eu era recepcionista e precisava definir o que queria da vida. Minha tia tinha um namorado que era fotógrafo de esportes dos Diários Associados. Eu achava as histórias dele incríveis, aquela paixão pelo trabalho, cada dia uma coisa, zero rotina. Nesse período, eu também adorava ler jornais, comprava o que tinha na banca  – Movimento, Opinião, Pasquim…a chamada imprensa nanica. Aos 16 anos, consegui um estágio no jornal Valeparaibano, em São José dos Campos (SP) e amei aquele mundo. Fazia a página de televisão, cultura e…horóscopo, porque o contrato do astrólogo tinha vencido e não fora ainda renovado. Um dia entrei no jornal e a moça da recepção, que era de Touro, tinha cortado o cabelo porque nós (eu e algumas colegas de redação) tínhamos dado essa sugestão no horóscopo. Fiquei apavorada com o impacto do que era publicado…grande lição. Aos 17 anos entrei na faculdade, voltei a São Paulo, onde nasci, e passei nos cursos para recém-formados da Editora Abril e da Folha de S.Paulo. Antes de me especializar em saúde e medicina, cobri educação, política, cultura, agribusiness, trabalhei em assessoria de imprensa, assessoria de comunicação política e de governo. Fiz livros como ghost writer de médicos, organizei livros e projetos com a ONG Nossa Tribo para comunidades indígenas. Um deles, realizado com recursos do Criança Esperança, buscava resgatar aspectos da alimentação tradicional para melhorar a nutrição de crianças do povo Xavante. Outra coisa legal foi organizar o songbook compositor Itamar Assumpção, cujo projeto e edição receberam um APCA de melhor biografia. Hoje estou preocupada em aprender sobre jornalismo de dados em cursos on-line e estudar mais sobre saúde pública no Brasil. Enfim, me atualizar de alguma forma.

  2)    Como é a rotina de um repórter especializado em saúde? Que tipo de pautas você cobre, e com quais profissionais interage para fazer as matérias?

Precisamos ler (e ouvir) muito, especialmente revistas científicas, sites de divulgação científica, jornais do Brasil e internacionais, agências, sites de governo. Acompanho blogs de ciência de alguns pesquisadores e converso com cientistas e médicos com frequência. Quando algum tema vira matéria, a preocupação constante é ouvir diversos pesquisadores para contextualizar as descobertas e pesquisas. Outra questão premente é ampliar a consciência, no Brasil, sobre a importância da divulgação científica. Isso tem melhorado muito, mas ainda precisa se tornar uma ação reconhecida e estabelecida pelas instituições, que deveriam investir mais. Participei de um evento há alguns meses, o Pint of Science BR, e fiquei muito impressionada com a disposição dos pesquisadores em divulgar seus trabalhos. É preciso criar meios para que essas informações cheguem ao público interessado. Como diz meu amigo Moura Leite Neto, vice-presidente da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência, a ciência precisa chegar às pessoas. 

3) Como chegou à área de saúde, e quais os desafios de se trabalhar nesta área?

O jornalismo na área da saúde e medicina entrou na minha vida por acaso, quando fechou uma revista em que eu trabalhava (Mulher Atual) e fui acolhida na revista Saúde! É Vital, que à época pertencia à Editora Azul, ligada a Abril. Foram tempos de muito aprendizado. Reescrevia as matérias muitas vezes, demorava para acertar, chorei muito, ficava arrasada com o rigor das editoras. Enfim, aprendi muito e vi que ainda precisaria aprender muito mais. Acabei me apaixonando pelo tema e segui na área. Fiquei 15 anos na ISTOÉ, fiz cursos de especialização, mas não cursei nenhum mestrado. Penso nisso agora. Em 2015, fui realizar um sonho na editora Brasileiros – Monique Oliveira (jornalista e doutoranda em saúde pública) e eu criamos ali o site Saúde! Brasileiros e a editoria de saúde da revista. Foi uma experiência maravilhosa. Lá ganhamos o prêmio Jornalistas Tropicais, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, por uma matéria chamada Herdeiros do Zika, que foi capa da revista. Em 2017, por causa da crise econômica e política, a Brasileiros parou de ser publicada e encerrou também o site. Adoraria que voltasse. Ainda em 2017, Monique e eu criamos uma agência  on-line de jornalismo em saúde, a Bula. Mais recentemente, começamos um podcast na rádio Brasil Atual chamado Tudo Ciência! Sigo dando suporte na parte de pesquisa e edição de livros e escrevo para o site Medscape. E sim, é um desafio cobrir essa área com qualidade. Exige muita pesquisa para contextualizar as notícias, a busca de fontes envolvidas e não envolvidas nos estudos para comentá-los com seriedade, rigor constante para selecionar as boas fontes de informação. Precisa gostar de verdade.

Música como terapia no envelhecimento

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Devido aos avanços no conhecimento médico, a população de adultos mais velhos que lutam com problemas de envelhecimento, como a doença de Alzheimer (DA) e, a doença de Parkinson (DP), está crescendo. Há uma necessidade de intervenções terapêuticas para fornecer estratégias adaptativas para sustentar a qualidade de vida, diminuir o comprometimento neurológico e manter ou retardar o declínio cognitivo e o funcionamento devido a doenças neurológicas degenerativas. Intervenções musicais com adultos com deficiências cognitivas receberam maior atenção nos últimos anos, como o valor da audição de música personalizada no projeto iPod para o AD; a música como uma ferramenta para diminuir a agitação e a ansiedade na demência; e música para auxiliar na memória episódica; Estimulação Auditiva Rítmica como reabilitação para a DP; e recentemente o potencial de estimulação cerebral sensorial de 40 Hz com AD e PD. Essas abordagens indicam o escopo e a eficácia em expansão da musicoterapia e os mecanismos potenciais envolvidos. Um artigo explica modelo de quatro níveis de mecanismos de resposta musical que pode ajudar a compreender as abordagens e tratamentos atuais de musicoterapia e ajudar a direcionar pesquisas futuras.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Para conhecer o estudo original (em inglês), acesse https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30255022

Qualidade de vida de autistas

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O termo qualidade de vida expressa uma série de percepções, do próprio indivíduo ou de terceiros, como familiares, e no caso de autismo, auxilia na identificação de fatores importantes para a qualidade de vida do indivíduo com o transtorno e também para que a qualidade de vida relatada por este esteja em consonância com a qualidade de vida relatada por parentes.

Um estudo internacional com mais de 1.700 pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro do autismo na infância observou que comorbidade psiquiátrica, dificuldade para dormir, incapacidade intelectual, comportamento desadaptativo, funcionamento adaptativo, sintomatologia do autismo, atividade diurna principal e residência são fatores que se associam-se à qualidade de vida.

(Leia mais sobre autismo no blog http://www.meunomenai.wordpress na categoria Autismo & Asperger: lá, você encontra textos como Trabalhando com crianças com autismo: saúde e educação)

Os pesquisadores ressaltam que a qualidade de vida reportada (por terceiros) é diferente da qualidade de vida reportada pelo próprio indivíduo e deve ser considerada como uma fonte de informação alternativa.  “A qualidade de vida pode ser melhorada quando os fatores associados a ela são melhorados”, observam. “Entretanto, grandes variações na qualidade de vida foram encontradas para a maioria dos fatores, sugerindo a necessidade de envolver os indivíduos com o transtorno e/ou suas famílias ao melhorar sua qualidade de vida”, conclui o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Para conhecer o estudo original (em inglês), acesse https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30312897

Mídias sociais, uso de drogas e Saúde Pública: usos de natural language

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Com o rápido desenvolvimento de novas substâncias psicoativas e as mudanças no uso de drogas mais tradicionais, é cada vez mais difícil para os pesquisadores e os profissionais de saúde pública manterem-se atualizados com drogas emergentes e termos de drogas. Pesquisas de uso de substâncias e ferramentas de diagnóstico precisam ser capazes de perguntar sobre substâncias que utilizam os termos que os próprios usuários de drogas provavelmente estarão usando. As análises das mídias sociais podem oferecer novas maneiras para que os pesquisadores descubram e rastreiem mudanças em termos de drogas em tempo quase real. O estudo “Detecção de novos termos de medicamentos emergentes usando processamento de linguagem natural: um estudo de Corpus Social” descreve os resultados iniciais de uma colaboração inovadora entre epidemiologistas de uso de substâncias e cientistas linguísticos que empregam técnicas do campo do processamento de linguagem natural para examinar termos relacionados a drogas em uma amostra de tweets dos Estados Unidos.

O objetivo deste estudo foi avaliar a viabilidade de usar embutidos distribuídos de vetor de palavras treinados em dados de redes sociais para descobrir termos de drogas previamente desconhecidos (para pesquisadores). O método descrito no estudo produziu uma lista de 200 termos candidatos para a substância alvo (maconha). Destes 200 candidatos, 115 estavam determinados a referir-se, de fato, à maconha (65 termos para a própria substância, 50 termos relacionados à parafernália). Isso incluiu 30 termos que foram utilizados para se referir à substância alvo no corpus, ainda não apareceu na lista gerada por especialistas e, portanto, considerados casos bem-sucedidos de descoberta de terminologia de drogas novas. Vários destes termos parecem ter sido introduzidos tão recentemente como 1 ou 2 meses antes da faixa de tempo do corpus.

Os autores concluíram que embora a precisão do método descrito seja baixa o suficiente para ainda exigir revisão humana de qualquer lista de termos de candidatos gerados de tal maneira, o fato de que esse processo foi capaz de detectar 30 termos para a substância alvo com base apenas no valor de um mês dos dados do Twitter é altamente promissor.

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Mídias digitais sociais e aconselhamento genético: diretrizes

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Pacientes e prestadores de cuidados de saúde estão cada vez mais conectados através de redes sociais, o que traz novas oportunidades mas também muitos desafios. A conexão direta pode ocorrer entre pacientes e provedores usando ferramentas online, como Facebook e LinkedIn. Além disso, os provedores podem coletar informações sobre pacientes que usam um mecanismo de busca como o Google, conhecido como Google Gug in Googling (PTG).

Essas são algumas das conclusões do estudo “Have You Ever Googled a Patient or Been Friended by a Patient? Social MediaIntersects the Practice of Genetic Counseling” (Em tradução livre para o português: “Você já escolheu um paciente ou foi amigo de um paciente? A mídia social interage a prática do aconselhamento genético”), publicado em janeiro de 2018 em periódico científico internacional indexado na Base de Dados Pubmed.

Uma pesquisa on-line de 54 itens foi utilizada para obter informações sobre (1) como e em que medida os conselhos de orientação genética e conselheiros genéticos se conectam diretamente com os pacientes através de sites de redes sociais e (2) coletam informações sobre provedores que usam PTG. Quatrocentos estudantes de aconselhamento genético e conselheiros genéticos participaram da pesquisa. A maioria dos entrevistados (88,9%; n = 344/387) achou que nunca é ou raramente aceitável interagir com pacientes atuais através de sites de redes sociais. No entanto, 27,7% (n = 110/397) visitaram o site de mídia social de um paciente. A informação de reunião para o atendimento ao paciente foi o motivo mais comummente relatado (76,8%; n = 43/56). Trinta e três por cento (n = 130/394) consideraram pesquisar on-line ou pesquisados ​​em linha para obter informações sobre um paciente.

A curiosidade foi a razão mais comum (92,7%; n = 114/123); No entanto, os entrevistados também usaram a PTG para obter informações de contato e para se preparar para as sessões dos pacientes. O estudo aponta a necessidade de desenvolvimento e disseminação de diretrizes profissionais para servir como um recurso valioso para a prática de conselheiros genéticos e programas de treinamento de aconselhamento genético.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a citação desde que indicada a fonte.

 

Depressão, ansiedade e parto

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Uma amostra sistemática de 950 mulheres grávidas foi recrutada em três maternidades da Turquia. Os participantes completaram avaliações de depressão, ansiedade, PTSS e apoio social na gravidez, 4-6 semanas e 6 meses pós-parto. O medo do parto foi avaliado na gravidez e 4-6 semanas após o nascimento. “Identificar os fatores que precipitam e manter os sintomas de estresse pós-traumático após o nascimento é importante para informar a prática clínica e de pesquisa”, informam os pesquisadores, autores do artigo “Fatores associados aos sintomas de estresse pós-traumático (PTSS) 4-6 semanas e 6 meses após o nascimento: estudo longitudinal baseado na população”, publicado em junho de 2017.

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Os resultados apontam que o estresse seis meses após o parto foi associado com ansiedade e PTSS na gravidez, complicações durante o nascimento, satisfação com os profissionais de saúde, medo do parto 4-6 semanas após o nascimento, PTSS e depressão 4-6 semanas após o nascimento, apoio social 4 -6 semanas após o nascimento, eventos traumáticos após o nascimento, necessidade de ajuda psicológica e apoio social 6 meses após o nascimento. Este estudo baseia-se na amostragem de hospitais públicos, por isso pode não representar mulheres tratadas em hospitais privados. O estudo conclui que fatores de risco associados podem ajudar a identificar as mulheres em risco de PTSS após o nascimento e a informar a intervenção direcionada precoce.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28654849

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.