Autismo: relatório aponta 27 tipos de terapias


Uma revisão de mais de 29 mil estudos científicos identificou 27 tipos de terapias com evidência de benefícios para crianças, jovens e adultos com autismo. O resultado foi publicado no relatório “Práticas baseadas em evidências para crianças, jovens e adultos com transtornos do Espectro do Autismo”, elaborado pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Profissional (PNCD) em Transtornos do Espectro do Autismo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Entre as terapias descritas, estão a Terapia Cognitiva Comportamental e a construção de histórias sociais. O novo relatório, que teve a edição anterior publicada em 2008, também aponta a força das novas tecnologias no suporte das terapias, sobretudo o uso de vídeos e de tablets.

Os pesquisadores destacam que a eficácia de terapias pode reduzir os custos familiares, e destacam a necessidade de mais estudos que vão além dos primeiros anos escolares. “Isso é particularmente importante para ajudar as pessoas a alcançar o máximo de independência e qualidade de vida”, ressaltam.

O relatório completo (no original em inglês) pode ser conhecido gratuitamente pelo link: http://autismpdc.fpg.unc.edu/sites/autismpdc.fpg.unc.edu/files/2014-EBP-Report.pdf

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Fonoaudiologia e Síndrome de Prader-Willi: melhoria da mastigação e capacidade discursiva


Oficinas de Cozinha podem ser um recurso para terapia fonoaudiológica de pessoas com Síndrome de Prader-Willi, que apresentam dificuldades alimentares desde os primeiros meses de vida, além de dificuldades de linguagem. “Prader-Willi apresenta duas fases clínicas opostas”, descreve o estudo “Trabalho fonoaudiológico em oficina de cozinha em um caso de Prader-Willi”, que acompanhou uma criança de cinco anos com diagnósticos da Síndrome. “Na primeira fase, os principais sintomas são hipotonia neonatal, hipotermia, letargia, choro fraco, hiporreflexia e dificuldade na alimentação, devido ao reflexo de sucção fraco, continua o estudo, ressaltando que a hipotonia é central e não progressiva, apresentando melhoras entre o oitavo e décimo primeiro mês de vida.

Conforme o tônus muscular aumenta e a criança começa a ficar mais alerta, ela ganha mais apetite e inicia-se o segundo estágio da síndrome, que começa a partir do segundo ano de vida. “A criança apresenta apetite insaciável e não seletivo, resultando em ganho de peso e desenvolvimento progressivo da hiperfagia e obesidade”, destacam os pesquisadores Nathalia Zambottie Luiz Augusto de Paula Souza. Nesta fase, pessoas com a Síndrome de Prader-Willi também apresentam atrasos no desenvolvimento psicomotor e de linguagem, caracterizados por problemas de articulação na fala, habilidades morfossintáticas restritas e dificuldades pragmáticas e lexicais. “Esse quadro normalmente contribui para um déficit de aprendizado”, alertam. Outros sintomas também são desenvolvidos no segundo estágio, como sonolência e sensação de dor diminuída.

O estudo destaca que a Oficina de Cozinha, no trabalho fonoaudiológico com crianças pequenas, vem sendo utilizada por profissionais da área da saúde, com resultados satisfatórios no tratamento de vários casos clínicos. “É um dispositivo pertinente à elaboração da linguagem em crianças, uma vez que remonta cenas simbólicas e inaugurais da oralidade, entre outras: amamentação, sucção digital, balbucio e primeiros níveis de desenvolvimento da fala”.

No caso estudado, houve melhora no funcionamento miofuncional oral e de linguagem – organização da função mastigatória e ganho de autonomia na capacidade discursiva. “A criança, que apresenta marcas orgânicas advindas da Síndrome, usufruiu de potencialidades da Oficina de Cozinha”, concluem os pesquisadores.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462013000100022&lng=pt&nrm=iso

Autismo: ensinando habilidades de comunicação social

A modelagem comportamental é reconhecida há muitos anos como uma estratégia eficaz de ensino para crianças com autismo. Normalmente, os modelos de comportamento desejados são apresentados à criança por meio de encenações, ao vivo, pelos pais, educadores ou terapeutas. Uma vez que as crianças passam uma grande parte de seu tempo em instituições, desde a década de 1990 a apresentação desses modelos de comportamento passou a ser feita também em video.

As novas tecnologias e o aumento do acesso a elas permitiram a difussão dessa nova maneira de apresentação, permitindo sua utilização em salas de aula.

As encenações em vídeo, entretanto, são tão eficientes quanto as encenações ao vivo? Um estudo fez uma comparação entre as duas modalidades, apresentadas em sala de aula para desenvolver a comunicação social de alunos com autismo.

Os resultados observados variaram: enquanto alguns alunos com autismo desenvolveram-se mais com o modelo ao vivo, outros apresentaram resultados mais satisfatórios no modelo em vídeo. Um terceiro grupo apresentou bons resultados em ambos os modelos. Para explicar essa diferença de resultados, o estudo levanta a hipótese de que a atenção dos alunos varia conforme as necessidades de cada um.

Para os pesquisadores, o estudo confirma o poder dos meios digitais para atrair a atenção dos estudantes e demonstra o potencial deles para intervenções com o objetivo de desenvolver a comunicação social de crianças com autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: “Ensinando habilidades de comunicação social para alunos pré-escolares com autismo: eficácia do vídeo versus modelagem na sala de aula”, de K. P. Wilson, 2013 (Tradução livre do original em inglês para o português).

 

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Dessonorização e idade da criança: pesquisa investiga relação


O processo fonológico de dessonorização possui alta ocorrência em crianças com desvio fonológico, sendo mais prevalente para consoantes plosivas. É uma das conclusões das pesquisadoras Helena Bolli Mota, Aline Berticelli, Cintia da Conceição Costa, Fernanda Marafiga Wiethan e Roberta Michelon Melo. “A idade não influencia a ocorrência deste processo e a gravidade do desvio é um fator relevante para seu emprego, sendo mais prevalente nos graus mais graves”, destacam.

Esses e outros resultados foram apresentados no estudo “Ocorrência de dessonorização no desvio fonológico: relação com fonemas mais acometidos, gravidade do desvio e idade”. A pesquisa acompanhou 50 crianças, com média de idade de 6 anos e 5 meses, e coletou dados de fala por meio da Avaliação Fonológica da Criança.

As pesquisadoras observaram que, ao comparar seis fonemas, simultaneamente, não houve diferença quanto ao emprego da dessonorização. “Obteve-se diferença somente para /g/ x /v/, e /b/ x /v/”, ressaltam. Quanto à faixa etária, não houve diferença, e quanto à gravidade do desvio, foi possível constatar que houve diferença apenas para a variável dessonorização de /d/ e /ʒ/. 

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400011&lng=pt&nrm=iso

 

Sinais de autismo: família e educadores são os primeiros a perceberem


A família é a primeira a perceber alterações no desenvolvimento da criança autista, como constataram os pesquisadores Maria Del Sol Fortea Sevilla, Maria Olga Escandell Bermúdez e José Juan Castro Sánchez. Autores de uma pesquisa que investigou a idade em que surgem as primeiras suspeitas de autismo, a que profissionais a família recorre e o tempo médio de diagnóstico, os pesquisadores observaram que profissionais de educação são os segundos a perceberem primeiramente indícios de autismo.

Os resultados foram apresentados no estudo “Detecção precoce do autismo: profissionais implicados”. O tempo de diagnóstico das crianças participantes do estudo durou em média 16 meses, e 69% delas receberam o diagnóstico durante os três primeiros anos de vida.

Os pesquisadores ressaltam que a maioria dos pais constatou alterações de desenvolvimento quando seus filhos tinham por volta de um ano e meio de vida, e destacam a importância da atenção primária. “Os pediatras de atenção primária exercem uma função de atenção integral que consideram o contexto da criança, o seguimento de seu desenvolvimento e a atenção aos problemas de saúde.

Atenção primária, descreve o estudo, é o primeiro grau de acesso à assistência sanitária e integra a atenção preventiva, curativa e reabilitadora, assim como a promoção da saúde da comunidade. “O procedimento recomendado é que o pediatria encaminhe a criança aos demais especialistas imediatamente para as diferentes avaliações”, destacam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1135-57272013000200008&lng=es&nrm=iso

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Sistema TEACCH: terapia e educação de crianças autistas

 

O sistema TEACCH (sigla do nome em inglês, Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children) utiliza currículos fortemente estruturados e limites para manter autistas em suas tarefas, concentrados na aula. Os horários de aula são personalizados para cada criança e utilizam os pontos fortes do autista como reforço durante todo o dia.

A base do sistema TEACCH é a crença de que os comportamentos característicos de cada autista, que muitas vezes são vistos como problemáticos por pais e terapeutas, na verdade têm uma função para a criança. Por isso, antes de tentar modificar o comportamento, é essencial conhecer sua motivação.

Os educadores adeptos do sistema ensinam ao autista comportamentos alternativos que trazem a ele os mesmos resultados que a conduta entendida como problemática. Com o tempo, espera-se que os novos comportamentos substituam os antigos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.

Sistema PECS e autismo: comunicação por figuras

O sistema PECS, sigla do inglês Picture Exchange Communication System é frequentemente utilizado em indivíduos com autismo e/ou pouca fala funcional. É um sistema de comunicação por meio de trocas de figuras, e ocorre em seis fases: 1) Fazer pedidos através da troca de figuras pelos itens desejados; 2) Ir até a tábua de comunicação, apanhar uma figura, ir a um adulto e entregá-la em sua mão; 3) Discriminar entre as figuras; 4) Solicitar itens utilizando várias palavras em frases simples, fixadas na tábua de comunicação; 5) Responder à pergunta O que você quer e 6) Emitir comentários espontâneos.

A partir dessa descrição, as pesquisadoras Táhcita Medrado Mizael e Ana Lúcia Rossito Aiello fizeram uma revisão de estudos nacionais e internacionais que apresentavam resultados de intervenções com o PECS como instrumento de ensino de linguagem a indivíduos com autismo e dificuldades de fala. “Os estudos revisados mostraram que, em consonância com a literatura, o PECS parece ser efetivo no ensino da comunicação”, destacam as pesquisadoras.

Esses e outros resultados da revisão foram apresentadas no estudo “Revisão de estudos sobre o Picture Exchange Communication System (PECS) para o ensino de linguagem a indivíduos com autismo e outras dificuldades de fala”, de autoria de ambas.

Os estudos analisados apontam ainda que o uso do sistema PECS foi eficaz no ensino da comunicação funcional pelos participantes tanto com o uso gestual quanto vocal, aumentando o número de trocas de figuras de maneira independente e até diminuindo comportamentos inadequados. As pesquisadoras destacam ainda que o sistema usado nas pesquisas que geraram os estudos brasileiros foi uma adaptação do sistema PECS. “Essa adaptação parece gerar os mesmos resultados positivos que o PECS original, ou seja, ambas as modalidades parecem ser efetivas no ensino de linguagem, e não só para indivíduos com autismo, uma vez que quatro crianças com Paralisia Cerebral, um participante com Síndrome do X-Frágil e um adulto com Síndrome de Down também se beneficiaram do método”, ressaltam as pesquisadoras.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-65382013000400011&script=sci_arttext&tlng=pt

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