Música como terapia no envelhecimento

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Devido aos avanços no conhecimento médico, a população de adultos mais velhos que lutam com problemas de envelhecimento, como a doença de Alzheimer (DA) e, a doença de Parkinson (DP), está crescendo. Há uma necessidade de intervenções terapêuticas para fornecer estratégias adaptativas para sustentar a qualidade de vida, diminuir o comprometimento neurológico e manter ou retardar o declínio cognitivo e o funcionamento devido a doenças neurológicas degenerativas. Intervenções musicais com adultos com deficiências cognitivas receberam maior atenção nos últimos anos, como o valor da audição de música personalizada no projeto iPod para o AD; a música como uma ferramenta para diminuir a agitação e a ansiedade na demência; e música para auxiliar na memória episódica; Estimulação Auditiva Rítmica como reabilitação para a DP; e recentemente o potencial de estimulação cerebral sensorial de 40 Hz com AD e PD. Essas abordagens indicam o escopo e a eficácia em expansão da musicoterapia e os mecanismos potenciais envolvidos. Um artigo explica modelo de quatro níveis de mecanismos de resposta musical que pode ajudar a compreender as abordagens e tratamentos atuais de musicoterapia e ajudar a direcionar pesquisas futuras.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Para conhecer o estudo original (em inglês), acesse https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30255022

Qualidade de vida de autistas

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O termo qualidade de vida expressa uma série de percepções, do próprio indivíduo ou de terceiros, como familiares, e no caso de autismo, auxilia na identificação de fatores importantes para a qualidade de vida do indivíduo com o transtorno e também para que a qualidade de vida relatada por este esteja em consonância com a qualidade de vida relatada por parentes.

Um estudo internacional com mais de 1.700 pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro do autismo na infância observou que comorbidade psiquiátrica, dificuldade para dormir, incapacidade intelectual, comportamento desadaptativo, funcionamento adaptativo, sintomatologia do autismo, atividade diurna principal e residência são fatores que se associam-se à qualidade de vida.

(Leia mais sobre autismo no blog http://www.meunomenai.wordpress na categoria Autismo & Asperger: lá, você encontra textos como Trabalhando com crianças com autismo: saúde e educação)

Os pesquisadores ressaltam que a qualidade de vida reportada (por terceiros) é diferente da qualidade de vida reportada pelo próprio indivíduo e deve ser considerada como uma fonte de informação alternativa.  “A qualidade de vida pode ser melhorada quando os fatores associados a ela são melhorados”, observam. “Entretanto, grandes variações na qualidade de vida foram encontradas para a maioria dos fatores, sugerindo a necessidade de envolver os indivíduos com o transtorno e/ou suas famílias ao melhorar sua qualidade de vida”, conclui o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Para conhecer o estudo original (em inglês), acesse https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30312897

O poder dos quietos

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Um mundo que não pára de falar, e onde sobressaem aqueles que falam bem, principalmente em público. Como sobressair em meio a essa multidão?  “Mude a forma como você vê o mundo. Mude a forma como você se vê. Desvende o segredo dos introvertidos”. Assim é a apresentado o livro O poder dos quietos – como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. A autora, Susan Cain, é apresentada como uma autêntica introvertida, o que talvez lhe confira sabedoria para analisar como a extroversão tornou-se o ideal cultural, e como extrovertidos e introvertidos pensam.

Dividido em quatro partes, o livro apresenta ainda um capítulo dedicado à educação de crianças quietas. É nesta seção que a autora apresenta sua teoria da típica má combinação entre pais e filhos, na qual pais extrovertidos tentam modificar a natureza de seus filhos quietos, na esperança de prepará-los para melhor enfrentar a vida. “Os pais precisam se distanciar de suas próprias preferências e ver como o mundo é aos olhos de seus filhos quietos”, defende Susan.

A autora discorre ainda sobre as imposições da indústria da propaganda sobre os padrões de comportamento, sobretudo das mulheres, aborda a diferença entre timidez e introversão e chama a atenção para o quanto pessoas introvertidas podem ser boas na resolução de problemas complexos.

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Relação entre uso de mídia na infância e transtornos psicológicos na adolescência

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Adolescentes usam mídias digitais por mais de cinco horas ao dia em média, e quase 50% desses adolescentes podem ser considerados viciados em internet. A maioria consome conteúdo violento. e o baixo nível socioeconômico e baixas competências sócio-emocionais, além de estilo educacional desfavorável e estresse psicológico da mãe são fatores de risco para o uso da mídia na adolescência. Esses dados são apresentados no artigo “Influência do consumo de mídia durante a primeira infância no uso de mídia e transtornos psicológicos na adolescência”, divulgado no início de outubro de 2017,  e que analisou os hábitos de consumo de mídia em crianças e adolescentes, a influência de diferentes fatores de risco da primeira infância sobre o uso da mídia na adolescência e os vínculos entre o consumo de mídia infantil e os distúrbios na adolescência.

Os autores, J. Grund e W. Schulz, destacam que existem muitos estudos sugerindo um vínculo entre alto consumo de mídia e transtornos psicológicos, fisiológicos e sociais, mas ao mesmo tempo há resultados inconsistentes, limitações metódicas e falta de estudos longitudinais. “Há uma necessidade de mais estudos longitudinais para obter uma melhor compreensão das conseqüências do consumo de mídia”, afirmam no artigo.

Os adolescentes com antecedentes de migração têm um maior risco de dependência de internet e jogos de computador. Por outro lado, a utilização geral da mídia na primeira infância tem apenas um baixo poder preditivo, isto é, não é capaz de gerar muitas previsões sobre os reflexos deste uso nos próximos anos de vida da criança. Os resultados do estudo indicam que as conexões entre o uso na infância e os transtornos psicológicos na adolescência parecem ser mais complexas do que até então pesquisadores científicos acreditavam. Participaram do estudo 249 famílias.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28974188

Teoria da Mente e interação de bebês com pessoas ao seu redor

nullEm torno do final do primeiro ano de vida, as interações dos bebês com as pessoas ao seu redor mudam radicalmente. Antes disso, as interações são em essência marcadas por intercâmbios face-a-face. Por volta dos 9-12 meses de idade, os bebês começam a olhar na direção do gesto de olhar ou de apontar de um adulto, e também começam a mostrar objetos para as outras pessoas verem.
A explicação é dada pelas pesquisadoras Camila Soares de Abreu, Cláudia Cardoso-Martins e Poliana Gonçalves Babosa, autoras do estudo “A Relação entre a Atenção Compartilhada e a Teoria da Mente: Um Estudo Longitudinal”.
Interessadas em avaliar a relação entre a habilidade de a criança compartilhar sua atenção com a atenção de outras pessoas e o desenvolvimento posterior da teoria da mente, as autoras acompanharam 28 crianças. “Os resultados sugerem que, desde o final do primeiro ano de vida, as crianças interpretam o gesto de olhar/apontar das pessoas ao seu redor como ações intencionais.
O estudo questiona a hipótese de que a habilidade de crianças de seguir o gesto de olhar ou de apontar das outras pessoas é o resultado de uma aprendizagem condicionada. Durante a pesquisa, as autoras observaram que a maior parte dos comportamentos de iniciar a atenção compartilhada consistiu de respostas de alternar o olhar entre um brinquedo mecânico em movimento e o examinador, em um contexto em que este estava claramente engajado com a criança e o objeto de sua atenção. “Não é certo, portanto, que a criança estivesse tentando influenciar o estado atencional do examinador”, ressaltam as pesquisadoras.
A pesquisa também trouxe resultados inesperados, segundo elas. “Em oposição aos resultados encontrados para os comportamentos de responder à atenção compartilhada, não encontramos uma associação entre os comportamentos de iniciar atenção compartilhada e o desempenho nas tarefas de teoria da mente”.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722014000200409&lng=pt&nrm=iso

Estresse entre mães de pessoas com autismo

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Um estudo com 30 mães de pessoas com autismo mostrou que 70% delas apresentavam altos níveis de estresse. As mães, que tinham entre 30 e 56 anos de idade, quando consultadas sobre os comportamentos dos filhos com os quais se julgavam mais eficazes para lidar, apontaram os movimentos estereotipados dos filhos, o grande tempo gasto em uma atividade particular e a insistência para que as coisas sejam feitas de uma determinada maneira. “O estresse psicológico constitui-se em um processo no qual o indivíduo percebe e reage a situações consideradas por ele como desafiadoras, que excedem seus limites e ameaçam o seu bem-estar”, descrevem os pesquisadores Carlo Schmidt e Cleonice Bosa, autores do estudo “Estresse e auto-eficácia em mães de pessoas com autismo”.
A auto-eficácia é descrita no estudo como o julgamento do sujeito sobre sua habilidade para desempenhar com sucesso um padrão específico de comportamento. “A natureza crônica do autismo tende a acarretar dificuldades importantes no que tange à realização de tarefas comuns, próprias da fase de desenvolvimento dessas pessoas”, explicam os autores.
Carlo Schmidt e Cleonice Bosa ressaltam ainda que a compreensão da relação entre autismo e estresse familiar não pode ser baseada em relações lineares entre possíveis causas e efeitos. As explicações sobre como esses dois fatores estão relacionados, defendem os pesquisadores, devem levar em conta diversos outros fatores envolvidos no processo de adaptação da família a uma condição crônica, como o autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:
http://seer.psicologia.ufrj.br/index.php/abp/article/view/88/101

Timidez e dependência do olhar

O olhar do outro sobre uma pessoa tímida pode produzir sofrimento, tais como embaraço e humilhação. O pesquisador Julio Verztman, autor do estudo “Embaraço, humilhação e transparência psíquica: o tímido e sua dependência do olhar”, discute em seu artigo os impasses experimentados pelo sujeito caracterizado como tímido na sua relação com o olhar.

O autor destaca que no projeto-piloto da pesquisa, que envolveu o atendimento a dois pacientes com o diagnóstico de fobia social, duas possibilidades de experiência da vergonha chamaram a atenção: a vergonha vivida como embaraço e a vergonha vivida como humilhação.

O paciente um, que sentia vergonha como embaraço, conseguia nomear alguns de seus medos diante da exposição ao olhar do outro, e também era capaz de evitar situações nas quais poderia sentir vergonha. “O motivo de sua vergonha lhe escapava inteiramente, e não percebia qualquer animosidade intencional no outro, mesmo que isto fosse constantemente temido”, ressalta o pesquisador. O paciente dois, que sentia vergonha como humilhação, ao contrário, era muito mais retraído e desconfiado. “Ele não conseguia sequer definir o que sentia e se precavia permanentemente da possibilidade palpável de sofrer humilhação intencional por parte do outro”, descreve Julio Verztman.

O autor aponta ainda que o tímido sente-se constantemente como um réu durante um julgamento, o julgamento do olhar do outro. Neste julgamento, qualquer gesto ou texto do tímido o coloca mais ainda em evidência. Citando outro pesquisador, J. F. Costa, autor do estudo “Os sobrenomes da vergonha: depressão e narcisismo”, Julio Verztman ressalta que as pessoas envergonhadas enfrentam um paradoxo: ao mesmo tempo em que querem ser reconhecidos como objeto de investimento de outra pessoa, temem não corresponder às expectativas que acreditam que essa outra pessoa tem sobre eles. Em síntese, o tímido nem quer ser visto nem quer deixar de ser visto.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982014000300011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt