O poder dos quietos

Resultado de imagem para shy

Um mundo que não pára de falar, e onde sobressaem aqueles que falam bem, principalmente em público. Como sobressair em meio a essa multidão?  “Mude a forma como você vê o mundo. Mude a forma como você se vê. Desvende o segredo dos introvertidos”. Assim é a apresentado o livro O poder dos quietos – como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. A autora, Susan Cain, é apresentada como uma autêntica introvertida, o que talvez lhe confira sabedoria para analisar como a extroversão tornou-se o ideal cultural, e como extrovertidos e introvertidos pensam.

Dividido em quatro partes, o livro apresenta ainda um capítulo dedicado à educação de crianças quietas. É nesta seção que a autora apresenta sua teoria da típica má combinação entre pais e filhos, na qual pais extrovertidos tentam modificar a natureza de seus filhos quietos, na esperança de prepará-los para melhor enfrentar a vida. “Os pais precisam se distanciar de suas próprias preferências e ver como o mundo é aos olhos de seus filhos quietos”, defende Susan.

A autora discorre ainda sobre as imposições da indústria da propaganda sobre os padrões de comportamento, sobretudo das mulheres, aborda a diferença entre timidez e introversão e chama a atenção para o quanto pessoas introvertidas podem ser boas na resolução de problemas complexos.

Texto escrito por Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Relação entre uso de mídia na infância e transtornos psicológicos na adolescência

Resultado de imagem para social media

Adolescentes usam mídias digitais por mais de cinco horas ao dia em média, e quase 50% desses adolescentes podem ser considerados viciados em internet. A maioria consome conteúdo violento. e o baixo nível socioeconômico e baixas competências sócio-emocionais, além de estilo educacional desfavorável e estresse psicológico da mãe são fatores de risco para o uso da mídia na adolescência. Esses dados são apresentados no artigo “Influência do consumo de mídia durante a primeira infância no uso de mídia e transtornos psicológicos na adolescência”, divulgado no início de outubro de 2017,  e que analisou os hábitos de consumo de mídia em crianças e adolescentes, a influência de diferentes fatores de risco da primeira infância sobre o uso da mídia na adolescência e os vínculos entre o consumo de mídia infantil e os distúrbios na adolescência.

Os autores, J. Grund e W. Schulz, destacam que existem muitos estudos sugerindo um vínculo entre alto consumo de mídia e transtornos psicológicos, fisiológicos e sociais, mas ao mesmo tempo há resultados inconsistentes, limitações metódicas e falta de estudos longitudinais. “Há uma necessidade de mais estudos longitudinais para obter uma melhor compreensão das conseqüências do consumo de mídia”, afirmam no artigo.

Os adolescentes com antecedentes de migração têm um maior risco de dependência de internet e jogos de computador. Por outro lado, a utilização geral da mídia na primeira infância tem apenas um baixo poder preditivo, isto é, não é capaz de gerar muitas previsões sobre os reflexos deste uso nos próximos anos de vida da criança. Os resultados do estudo indicam que as conexões entre o uso na infância e os transtornos psicológicos na adolescência parecem ser mais complexas do que até então pesquisadores científicos acreditavam. Participaram do estudo 249 famílias.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28974188

Teoria da Mente e interação de bebês com pessoas ao seu redor

nullEm torno do final do primeiro ano de vida, as interações dos bebês com as pessoas ao seu redor mudam radicalmente. Antes disso, as interações são em essência marcadas por intercâmbios face-a-face. Por volta dos 9-12 meses de idade, os bebês começam a olhar na direção do gesto de olhar ou de apontar de um adulto, e também começam a mostrar objetos para as outras pessoas verem.
A explicação é dada pelas pesquisadoras Camila Soares de Abreu, Cláudia Cardoso-Martins e Poliana Gonçalves Babosa, autoras do estudo “A Relação entre a Atenção Compartilhada e a Teoria da Mente: Um Estudo Longitudinal”.
Interessadas em avaliar a relação entre a habilidade de a criança compartilhar sua atenção com a atenção de outras pessoas e o desenvolvimento posterior da teoria da mente, as autoras acompanharam 28 crianças. “Os resultados sugerem que, desde o final do primeiro ano de vida, as crianças interpretam o gesto de olhar/apontar das pessoas ao seu redor como ações intencionais.
O estudo questiona a hipótese de que a habilidade de crianças de seguir o gesto de olhar ou de apontar das outras pessoas é o resultado de uma aprendizagem condicionada. Durante a pesquisa, as autoras observaram que a maior parte dos comportamentos de iniciar a atenção compartilhada consistiu de respostas de alternar o olhar entre um brinquedo mecânico em movimento e o examinador, em um contexto em que este estava claramente engajado com a criança e o objeto de sua atenção. “Não é certo, portanto, que a criança estivesse tentando influenciar o estado atencional do examinador”, ressaltam as pesquisadoras.
A pesquisa também trouxe resultados inesperados, segundo elas. “Em oposição aos resultados encontrados para os comportamentos de responder à atenção compartilhada, não encontramos uma associação entre os comportamentos de iniciar atenção compartilhada e o desempenho nas tarefas de teoria da mente”.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722014000200409&lng=pt&nrm=iso

Estresse entre mães de pessoas com autismo

null

Um estudo com 30 mães de pessoas com autismo mostrou que 70% delas apresentavam altos níveis de estresse. As mães, que tinham entre 30 e 56 anos de idade, quando consultadas sobre os comportamentos dos filhos com os quais se julgavam mais eficazes para lidar, apontaram os movimentos estereotipados dos filhos, o grande tempo gasto em uma atividade particular e a insistência para que as coisas sejam feitas de uma determinada maneira. “O estresse psicológico constitui-se em um processo no qual o indivíduo percebe e reage a situações consideradas por ele como desafiadoras, que excedem seus limites e ameaçam o seu bem-estar”, descrevem os pesquisadores Carlo Schmidt e Cleonice Bosa, autores do estudo “Estresse e auto-eficácia em mães de pessoas com autismo”.
A auto-eficácia é descrita no estudo como o julgamento do sujeito sobre sua habilidade para desempenhar com sucesso um padrão específico de comportamento. “A natureza crônica do autismo tende a acarretar dificuldades importantes no que tange à realização de tarefas comuns, próprias da fase de desenvolvimento dessas pessoas”, explicam os autores.
Carlo Schmidt e Cleonice Bosa ressaltam ainda que a compreensão da relação entre autismo e estresse familiar não pode ser baseada em relações lineares entre possíveis causas e efeitos. As explicações sobre como esses dois fatores estão relacionados, defendem os pesquisadores, devem levar em conta diversos outros fatores envolvidos no processo de adaptação da família a uma condição crônica, como o autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:
http://seer.psicologia.ufrj.br/index.php/abp/article/view/88/101

Timidez e dependência do olhar

O olhar do outro sobre uma pessoa tímida pode produzir sofrimento, tais como embaraço e humilhação. O pesquisador Julio Verztman, autor do estudo “Embaraço, humilhação e transparência psíquica: o tímido e sua dependência do olhar”, discute em seu artigo os impasses experimentados pelo sujeito caracterizado como tímido na sua relação com o olhar.

O autor destaca que no projeto-piloto da pesquisa, que envolveu o atendimento a dois pacientes com o diagnóstico de fobia social, duas possibilidades de experiência da vergonha chamaram a atenção: a vergonha vivida como embaraço e a vergonha vivida como humilhação.

O paciente um, que sentia vergonha como embaraço, conseguia nomear alguns de seus medos diante da exposição ao olhar do outro, e também era capaz de evitar situações nas quais poderia sentir vergonha. “O motivo de sua vergonha lhe escapava inteiramente, e não percebia qualquer animosidade intencional no outro, mesmo que isto fosse constantemente temido”, ressalta o pesquisador. O paciente dois, que sentia vergonha como humilhação, ao contrário, era muito mais retraído e desconfiado. “Ele não conseguia sequer definir o que sentia e se precavia permanentemente da possibilidade palpável de sofrer humilhação intencional por parte do outro”, descreve Julio Verztman.

O autor aponta ainda que o tímido sente-se constantemente como um réu durante um julgamento, o julgamento do olhar do outro. Neste julgamento, qualquer gesto ou texto do tímido o coloca mais ainda em evidência. Citando outro pesquisador, J. F. Costa, autor do estudo “Os sobrenomes da vergonha: depressão e narcisismo”, Julio Verztman ressalta que as pessoas envergonhadas enfrentam um paradoxo: ao mesmo tempo em que querem ser reconhecidos como objeto de investimento de outra pessoa, temem não corresponder às expectativas que acreditam que essa outra pessoa tem sobre eles. Em síntese, o tímido nem quer ser visto nem quer deixar de ser visto.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982014000300011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Pessoas em situação de sofrimento psíquico: projeto oferece oficinas de moda e de Teatro dos Oprimidos, entre outras


Crazy Fashion Day é um evento criado pelo Projeto Tear, serviço público de Saúde Mental que oferece oficinas de trabalho artesanal para pessoas em situação de sofrimento psíquico. Criado em 2003 em Guarulhos, São Paulo, o projeto é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Guarulhos, Associação Cornélia Vlieg e Laboratórios Pfizer.
Em maio de 2013 aconteceu o Primeiro Desfile de Moda do Crazy Fashion Day, no calçadão do centro de Guarulhos, onde foi apresentada a coleção de camisetas da Luta Antimanicomial 2014. E em 13 de dezembro do mesmo ano, aconteceu novo desfile, no Parque Mario Covas, na Avenida Paulista, com o tema “Pelos campos de Van Gogh”. Os trabalhos foram apresentados durante a Feira da Rede de Economia Solidária de São Paulo.
Em 2014, 120 usuários participaram das oficinas de Encadernação & Papelaria Artesanal, Marcenaria & Marchetaria, Serigrafia & Personalização, Tear & Costura, Velas & Sabonetes, Mosaico, Papel Reciclado Artesanal e Vitral que. Além de espaço de convivência, as oficinas proporcionam renda para os participantes, resultante da venda dos produtos e de bolsa-oficina. O projeto conta com loja aberta ao público, diariamente das 9h às 17h, em Guarulhos (Rua Silvestre Vasconcelos Calmon, 92), e também comercializa os produtos em feiras e bazares, fixos e itinerantes.
Além das oficinas de trabalho, o Projeto Tear oferece atividades complementares por meio de parcerias, como a do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, com o Programa Igual Diferente. Desde 2006, os participantes do projeto vem freqüentando cursos de desenho, fotografia, animação e escultura, entre outros. O objetivo é promover o desenvolvimento de uma linguagem pessoal artística dos participantes, ampliando seus canais de expressão e trocas sociais, contribuindo para sua inclusão social. Também são realizadas atividades esportivas e de Lian Gong, prática corporal terapêutica que une medicina preventiva e exercícios harmoniosos, com base em tradições milenares chinesas. Além de redução de ansiedade e depressão, a aplicação da técnica tem demonstrado, entre os participantes do Projeto, eficácia no tratamento de síndromes dolorosas nas articulações, tendões e disfunções dos órgãos internos, além de contribuir para a melhora da circulação sanguínea, equilíbrio da função do SNC (sistema nervoso central) e fortalecimento da constituição física e do sistema imunológico, bem como na elevação da auto-estima e na qualidade do sono.
Outra atividade desenvolvida no Projeto Tear é o Grupo de Teatro “Tecendo Cenas”, nascido em 2006, a partir do projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental, iniciativa do Centro de Teatro do Oprimido (CTO) do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério da Saúde – Coordenação de Saúde Mental e Secretaria de Saúde de Guarulhos. Por meio de técnica teatral criada pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, são oferecidos aos participantes espaços de reflexão e diálogo, entre si e com trabalhadores e familiares. A principal técnica de Teatro do Oprimido utilizada pelo grupo é o Teatro-Fórum, espetáculo baseado em fatos reais, no qual personagens oprimidos e opressores entram em conflito de forma clara e objetiva, com o intuito de defender seus desejos e interesses. Neste confronto, o oprimido fracassa e o público é convidado pelo curinga (facilitador) a entrar em cena, substituir o oprimido e buscar alternativas para o problema encenado. Nas oficinas semanais no Projeto, além da criação de cenas, são trabalhados jogos e exercícios teatrais que visam a desmecanização do corpo e sentidos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer mais sobre o Projeto Tear, acesse o link: http://www.projetotear.org.br/nosso_projeto.asp

TDAH subtipo desatento: protocolo oficial contra equívocos


Um protocolo oficial poderia ser uma saída para evitar equívocos diagnósticos ou interpretações de sintomas de outros transtornos que não o TDAH do subtipo desatento. É o que apontam as pesquisadoras Lilian Martins Larroca e Neide Micelli Domingos, autoras do estudo “TDAH – Investigação dos critérios para diagnóstico do subtipo predominantemente desatento”. De acordo com a pesquisa, as discrepâncias de diagnóstico e suposta falta de critério científico dos sintomas do transtorno alimentam o questionamento de uma corrente de pensamento que se opõe à sua existência.
O objetivo desta pesquisa foi identificar, através da literatura científica e entrevistas realizadas com três neuropediatras, os procedimentos médicos necessários para o diagnóstico seguro do TDAH – subtipo desatento e verificar se esses procedimentos foram aplicados ao diagnóstico de alunos de um colégio particular no interior de São Paulo. “O encaminhamento para avaliações multiprofissionais depende dos critérios seguidos por cada médico e não segue uma diretriz”, observaram as autoras.
Os resultados demonstraram ainda que nenhum dos diagnósticos da amostra seguiu todos os procedimentos apontados, mostrando a necessidade de estabelecer um protocolo amplo, que agregue a participação de outros profissionais (fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos etc.), e que garanta a precisão diagnóstica, além de descartar possibilidades e investigar fatores concorrentes para dificuldades apresentadas pela criança desatenta.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572012000100012&lng=pt&nrm=iso