Depressão, ansiedade e parto

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Uma amostra sistemática de 950 mulheres grávidas foi recrutada em três maternidades da Turquia. Os participantes completaram avaliações de depressão, ansiedade, PTSS e apoio social na gravidez, 4-6 semanas e 6 meses pós-parto. O medo do parto foi avaliado na gravidez e 4-6 semanas após o nascimento. “Identificar os fatores que precipitam e manter os sintomas de estresse pós-traumático após o nascimento é importante para informar a prática clínica e de pesquisa”, informam os pesquisadores, autores do artigo “Fatores associados aos sintomas de estresse pós-traumático (PTSS) 4-6 semanas e 6 meses após o nascimento: estudo longitudinal baseado na população”, publicado em junho de 2017.

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Os resultados apontam que o estresse seis meses após o parto foi associado com ansiedade e PTSS na gravidez, complicações durante o nascimento, satisfação com os profissionais de saúde, medo do parto 4-6 semanas após o nascimento, PTSS e depressão 4-6 semanas após o nascimento, apoio social 4 -6 semanas após o nascimento, eventos traumáticos após o nascimento, necessidade de ajuda psicológica e apoio social 6 meses após o nascimento. Este estudo baseia-se na amostragem de hospitais públicos, por isso pode não representar mulheres tratadas em hospitais privados. O estudo conclui que fatores de risco associados podem ajudar a identificar as mulheres em risco de PTSS após o nascimento e a informar a intervenção direcionada precoce.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28654849

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Do explícito ao implícito: revisão e reescrita de Virgínia Woolf

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“Certa tarde, no começo de outubro, quando o tráfego se tornava agitado, , um homem alto veio a passos largos pela beira da calçada, levando uma dama pelo braço”, é trecho da obra The Voyage Out, de Virginia Woolf, um dos livros da autora analisados pela pesquisadora Maria A. Galbiati. Em seu livro “Do explícito ao implícito: o processo de revisão e reescrita em Melymbrosia The Voyage Out, de Virgínia Woolf”, Maria investiga a origem de Melymbrosia, romance de formação escrito em um contexto Pré-Guerra Mundial, no qual se destaca a viagem da personagem principal à América do Sul.

Segundo Thomas Bonnici, autor do texto de apresentação da obra, “no espaço entre MelymbrosiaThe Voyage Out, nasce a escrita de James Joyce, William Faulkner e Clarice Lispector”. A autora chama a atenção para marcas temporais e sobre as sensações expressas pelos personagens, como o tédio de Helen Ambrose durante sua viagem, e para a caracterização dos personagens e de seus papeis sociais. “Rachel Vinrace mostra-se próxima ao perfil da jovem mulher, educada conforme costumes do século XIX”.

Peter James Harris, autor do prefácio de “Do explícito ao implícito”, relembra que a composição de The Voyage Out foi um processo sofrido para Virginia Woolf, “marcado por diversas crises de insanidade mental, cujo percurso deixou um rastro de rascunhos e versões inacabadas, entre os quais  Melymbrosia, completado em 1912, mas nunca publicado durante a vida de Virginia Woolf”.

Mulheres dos anos dourados

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“Jornal das moças critica as mulheres que se importam em demasia com os cuidados pessoais, chamando-as de frívolas. Claudia, por sua vez, como valoriza o consumo tanto quanto as virtudes morais, não faz esse tipo de censura; nessa revista, cuidados com a beleza e a aparência nunca são demais”. Com essas palavras, Carla Bassanezi Pinsky analisa, através de publicações voltadas ao público feminino, os tempos em que casar era indispensável, traições masculinas eram perdoadas em nome da harmonia conjugal e bons eletrodomésticos deveriam compensar a monotomia. Publicado pela Editora Contexto, 396 páginas, 2014, o livro traz na contracapa uma pergunta: será que as coisas mudaram tanto assim?

A autora trata as noções de masculino e feminino como conceitos históricos. “As concepções relacionadas à diferença sexual tanto são produto das relações sociais quanto produzem e atuam na construção dessas relações”, descreve Carla. O livro reflete ainda sobre os papeis desempenhados e atribuídos às mulheres dentro de um relacionamento ao longo do tempo: mulheres solteiras, desquitadas, que traem, que são traídas, que são amantes.

Em sua análise das publicações consideradas femininas, ela relembra a figura de Carmen da Silva, que por muitos anos foi editora da revista Claudia e foi pioneira em suas opiniões sobre criação de filhos, por exemplo, defendendo a liberdade de diálogo inclusive sobre sexo.

Estresse entre mães de pessoas com autismo

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Um estudo com 30 mães de pessoas com autismo mostrou que 70% delas apresentavam altos níveis de estresse. As mães, que tinham entre 30 e 56 anos de idade, quando consultadas sobre os comportamentos dos filhos com os quais se julgavam mais eficazes para lidar, apontaram os movimentos estereotipados dos filhos, o grande tempo gasto em uma atividade particular e a insistência para que as coisas sejam feitas de uma determinada maneira. “O estresse psicológico constitui-se em um processo no qual o indivíduo percebe e reage a situações consideradas por ele como desafiadoras, que excedem seus limites e ameaçam o seu bem-estar”, descrevem os pesquisadores Carlo Schmidt e Cleonice Bosa, autores do estudo “Estresse e auto-eficácia em mães de pessoas com autismo”.
A auto-eficácia é descrita no estudo como o julgamento do sujeito sobre sua habilidade para desempenhar com sucesso um padrão específico de comportamento. “A natureza crônica do autismo tende a acarretar dificuldades importantes no que tange à realização de tarefas comuns, próprias da fase de desenvolvimento dessas pessoas”, explicam os autores.
Carlo Schmidt e Cleonice Bosa ressaltam ainda que a compreensão da relação entre autismo e estresse familiar não pode ser baseada em relações lineares entre possíveis causas e efeitos. As explicações sobre como esses dois fatores estão relacionados, defendem os pesquisadores, devem levar em conta diversos outros fatores envolvidos no processo de adaptação da família a uma condição crônica, como o autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:
http://seer.psicologia.ufrj.br/index.php/abp/article/view/88/101

Mulheres e mastectomia: Yoga para diminuir estresse e dor


O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum na população feminina, sendo um dos mais temidos pelas mulheres. “As mulheres que se submetem ao tratamento de câncer de mama passam por grande sofrimento”, ressaltam os pesquisadores Marina Lima Daleprane Bernardi, Maria Helena Costa Amorim, Eliana Zandonade, Danilo Forghieri Santaellae Juliana de Assis Novais Barbosa, destacando que os cuidados às mulheres acometidas pelo câncer de mama não devem se esgotar em procedimentos cirúrgicos, quimio e radioterápicos, e devem ser permanentes. “O estado de tensão decorrente de toda essa situação vivida pelas mulheres mastectomizadas é referido por muitas pacientes como fator de enfraquecimento ao combate da doença e favorecedor tanto de sua recorrência, quanto de sua progressão”.

Em função disso, os pesquisadores decidiram investigar os benefícios da prática de yoga no processo de recuperação de mulheres que passaram por mastectomia. “A recuperação teria como objetivo tratar ou atenuar as incapacidades causadas pela doença ou pelos efeitos colaterais do tratamento com o objetivo de promover sua reintegração social e qualidade de vida”, ressaltam os autores do estudo “Efeitos da intervenção Hatha-Yoga nos níveis de estresse e ansiedade em mulheres mastectomizadas”.

A prática de yoga foi escolhida pela possibilidade de reunir o bem-estar psicossocial ao espiritual, além do trabalho com o próprio corpo. “O Hatha-Yoga é uma vertente do Yoga que busca desenvolver o potencial do corpo estabelecendo sua integração com a mente, atenuando, desta forma, problemas físicos e emocionais”, explicam os autores, destacando que é a ramificação do Yoga mais difundida no Ocidente. O sistema dessa ramificação é composto por posturas corporais, controle da respiração, inibição sensorial, concentração e meditação, além de diversas técnicas de limpeza orgânica.

A prática foi descrita por mulheres participantes do estudo com frases como uma experiência ótima, que trouxe calma e alívio da dor. “A prática de yoga tem me mostrado que praticando-a vencemos as limitações que impomos ao nosso corpo”, afirmou uma dessas mulheres. Para outra, “praticar yoga é como tomar anestesia, deixa o corpo sem dor e sem querer despertá-lo”.

Com base nesses resultados, o estudo concluir que “o Hatha-Yoga funciona como ferramenta que auxilia a mulher no enfrentamento do câncer de mama à medida que promove o seu autoconhecimento, a melhora de sua autoestima e o gerenciamento de sua ansiedade e estresse, assim como a favorece suas relações externas”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232013001200018&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Mortes violentas de mulheres: cenários e narrativas

Histórias singulares, apesar de encontradas em várias regiões brasileiras onde existe desigualdade de gênero. É a conclusão do estudo “Femicídios: narrativas de crimes de gênero”. Femicídios são mortes violentas de mulheres, decorrentes do exercício de poder entre homens e mulheres. “Com relação aos homicídios femininos, o Brasil ocupa o sétimo lugar entre 84 países do mundo”, ressalta o estudo. Apesar dessa colocação nada honrosa, a pesquisa destaca que as mortes femininas por agressão são pouco estudadas, e que um dos motivos pode ser o fato de que a mortalidade masculina por agressão tem se mostrado historicamente maior que a feminina, apresentando taxas até dez vezes maiores.

O estudo analisou 92 inquéritos policiais de homicídios femininos em Porto Alegre, utilizando as narrativas como ferramenta de análise. Os pesquisadores Stela Nazareth Menegehel, Roger Flores Ceccon, Lilian Zielke Hesler, Ane Freitas Margarites, Stefania Rosa e Valmir Dorn Vasconcelos selecionaram seis casos considerados representativos de femicídio íntimo, femicídio com abuso sexual, morte por execução ou conexão, e femicídio de profissional do sexo. “Observou-se a presença de crimes de gênero caracterizados pela crueldade, semelhantes aos encontrados em regiões de elevada violência e misoginia”, destacam. Misoginia significa ódio, desprezo ou repulsa às mulheres ou características consideradas femininas.

O trabalho aponta como maioria das vítimas mulheres jovens, negras, profissionais do sexo e moradoras de territórios marcados pelo tráfico e pela pobreza. “Há diferentes cenários onde os femicídios podem ocorrer, tornando esse conjunto de mortes heterogêneo e complexo, embora se possa afirmar que todos eles são provocados pela condição de discriminação e subordinação das mulheres na sociedade patriarcal”.

Os pesquisadores afirmam ainda que os novos cenários de femicídio, que compreendem as redes internacionais de tráfico e a exploração de mulheres, movimentam enormes somas de dinheiro e atingem dimensões mundiais. “Para o comércio de mulheres, é importante que a mercadoria esteja viva, porém, se há ameaça de fuga, pedido de ajuda, contato com outras pessoas ou adoecimento, a mulher torna-se uma peça sacrificável”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832013000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Mulheres no poder: pesquisa aponta satisfação, desafios e motivações para empreendedorismo feminino

O melhor investimento para transformar a sociedade é investir nas mulheres. Com essas palavras, a pesquisadora Eva G. Jonathan encerra seu estudo “Mulheres empreendedoras: o desafio da escolha do empreendedorismo e o exercício do poder”. A frase, na verdade, faz parte de um dos depoimentos colhidos pela pesquisadora, que analisou 149 empreendedoras do Rio de Janeiro. Destas, 116 possuíam empreendimentos em segmentos variados da economia, 16 eram empreendedoras de alta tecnologia (Tecnologia de Informação e Biotecnologia) e 17 eram líderes de empreendimentos sociais sem fins lucrativos.

A pesquisa analisou as respostas a partir de dois aspectos: o desafio enfrentado por mulheres que escolhem o empreendedorismo como forma de se inserir na esfera pública do trabalho, e a forma de conduzir seus empreendimentos. “A análise de como as mulheres contemporâneas lidam com a multiplicidade de papéis sugere a relevância que conferem ao ato de fazer escolhas sem pressões ou cobranças. Uma necessidade a ser reconhecida pela sociedade como um todo”, destaca a autora do estudo.

Desejo de auto-realização e necessidade de criar uma forma de se inserir no mercado de trabalho são apontados pelo estudo como principais motivações para mulheres empreendedoras. “O empreendimento próprio emerge como algo desafiador, prazeroso, no qual podem imprimir seus próprios valores e formas de ser/agir e que permite exercer sua capacidade de decisão”.

Alguns depoimentos do estudo ressaltam a análise da pesquisadora, como o da entrevistada de 43 anos, empreendedora na área de serviços: “Eu não queria mais trabalhar para ninguém, eu queria ter um negocinho que fosse pequenininho, mas que fosse meu, que tivesse […] o meu jeito, que eu tava cansada de receber ordens […]”.

A busca de independência e/ou estabilidade financeira também aparece como um motivo de peso, assim como as mudanças na vida privada – separação conjugal, mudança de cidade, crescimento dos filhos – ou profissional das empreendedoras. “Quando saí da empresa […] eu estava em uma faixa etária que era considerada velha […], então, eu tive que abrir o meu próprio negócio, porque ninguém aceita uma mulher com quarenta e poucos anos […]”, conta uma empreendedora de 56 anos, da área de comércio. “Fiquei completamente fora do mercado de trabalho, porque me formei […], não fiz nada […], fiquei desesperada […]”, afirma outra, de 42 anos, também da área de comércio

Os dados encontrados pela pesquisadora indicam ainda que a experiência de ser empreendedora acarreta, principalmente, uma vivência de bem-estar subjetivo, sendo intensos os sentimentos de satisfação pessoal e de autorrealização experimentados. “O exercício de criatividade, a liberdade de ação, a identificação com aquilo que faz, as conquistas diárias, entre outros aspectos, alimentam tais sentimentos e promovem auto-estima, contribuindo para a construção de uma auto-imagem de vencedora”, destaca o estudo.

O estudo aponta ainda outro lado do empreendedorismo feminino: as entrevistadas percebem certos desgastes e custos, tais como ter pouco tempo para si e para a família, possuir uma pesada carga horária de trabalho e ter o lazer prejudicado. Aparentemente, não é motivo para desânimo ou arrependimentos. “Ênfase maior é dada (pelas empreendedoras entrevistadas) aos benefícios do envolvimento e da atuação em diversas áreas, destacando-se o orgulho pelas realizações, o respeito próprio, as conquistas diárias no trabalho, além da boa relação com filhos, familiares, funcionários e outros parceiros do trabalho”, ressalta a pesquisadora.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652011000100005&lng=pt&nrm=iso