Qualidade de vida de autistas

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O termo qualidade de vida expressa uma série de percepções, do próprio indivíduo ou de terceiros, como familiares, e no caso de autismo, auxilia na identificação de fatores importantes para a qualidade de vida do indivíduo com o transtorno e também para que a qualidade de vida relatada por este esteja em consonância com a qualidade de vida relatada por parentes.

Um estudo internacional com mais de 1.700 pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro do autismo na infância observou que comorbidade psiquiátrica, dificuldade para dormir, incapacidade intelectual, comportamento desadaptativo, funcionamento adaptativo, sintomatologia do autismo, atividade diurna principal e residência são fatores que se associam-se à qualidade de vida.

(Leia mais sobre autismo no blog http://www.meunomenai.wordpress na categoria Autismo & Asperger: lá, você encontra textos como Trabalhando com crianças com autismo: saúde e educação)

Os pesquisadores ressaltam que a qualidade de vida reportada (por terceiros) é diferente da qualidade de vida reportada pelo próprio indivíduo e deve ser considerada como uma fonte de informação alternativa.  “A qualidade de vida pode ser melhorada quando os fatores associados a ela são melhorados”, observam. “Entretanto, grandes variações na qualidade de vida foram encontradas para a maioria dos fatores, sugerindo a necessidade de envolver os indivíduos com o transtorno e/ou suas famílias ao melhorar sua qualidade de vida”, conclui o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. Para conhecer o estudo original (em inglês), acesse https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30312897

A inteligência de crianças com autismo

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A inteligência de crianças com autismo é subestimada? Essa é a pergunta que muitos pais e professores se fazem, e também foi feita pelas pesquisadoras Anne-Marie Nader, Valérie Courchesne, Michelle Dawson e Isabelle Soulières. Para tentar respondê-la, elas escreveram o artigo “O WISC-IV subestima a inteligência de crianças autistas?” (tradução livre do original em inglês Does the WISC-IV underestimate the intelligence of autistic children?).
WISC-IV é a sigla para Escala Wechsler de Inteligência para Crianças, e IV refere-se à ultima versão do teste, desenvolvida em 2003. As autoras acreditam que essa versão pode subestimar a inteligência de crianças autistas com transtornos de linguagem, e destacam que essas crianças alcançam pontuação maior quando são avaliadas pelo teste RPM, sigla para Matrizes Progressivas de Raven. Wechsler e Raven são sobrenomes dos pesquisadores que desenvolveram esses dois instrumentos usados para estimativa da inteligência de uma criança.
Os dois testes, apesar de enfoques bem diferentes, apresentam resultados parecidos quando aplicados em crianças chamadas típicas, sem transtornos. O site espanhol Desafiando el autismo publicou matéria sobre esse estudo, onde destaca que cada vez mais estudos desafiam a visão recorrente de que o autismo é incompatível com o desenvolvimento de uma verdadeira inteligência.
O questionamento dos resultados da aplicação de testes em crianças autistas é importante porque ressalta a necessidade de desenvolvimento de instrumentos de avaliação específicos para essas crianças. Caso contrário, corre-se o risco de reproduzir rótulos e estereótipos que muitos pais e mães sabem que não condizem com a realidade de seus filhos autistas.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer a matéria original do site espanhol, acesse o link: http://desafiandoalautismo.org/el-wisc-iv-subestima-la-inteligencia-de-los-ninos-con-autismo/

Estresse entre mães de pessoas com autismo

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Um estudo com 30 mães de pessoas com autismo mostrou que 70% delas apresentavam altos níveis de estresse. As mães, que tinham entre 30 e 56 anos de idade, quando consultadas sobre os comportamentos dos filhos com os quais se julgavam mais eficazes para lidar, apontaram os movimentos estereotipados dos filhos, o grande tempo gasto em uma atividade particular e a insistência para que as coisas sejam feitas de uma determinada maneira. “O estresse psicológico constitui-se em um processo no qual o indivíduo percebe e reage a situações consideradas por ele como desafiadoras, que excedem seus limites e ameaçam o seu bem-estar”, descrevem os pesquisadores Carlo Schmidt e Cleonice Bosa, autores do estudo “Estresse e auto-eficácia em mães de pessoas com autismo”.
A auto-eficácia é descrita no estudo como o julgamento do sujeito sobre sua habilidade para desempenhar com sucesso um padrão específico de comportamento. “A natureza crônica do autismo tende a acarretar dificuldades importantes no que tange à realização de tarefas comuns, próprias da fase de desenvolvimento dessas pessoas”, explicam os autores.
Carlo Schmidt e Cleonice Bosa ressaltam ainda que a compreensão da relação entre autismo e estresse familiar não pode ser baseada em relações lineares entre possíveis causas e efeitos. As explicações sobre como esses dois fatores estão relacionados, defendem os pesquisadores, devem levar em conta diversos outros fatores envolvidos no processo de adaptação da família a uma condição crônica, como o autismo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:
http://seer.psicologia.ufrj.br/index.php/abp/article/view/88/101

TDAH subtipo desatento: protocolo oficial contra equívocos


Um protocolo oficial poderia ser uma saída para evitar equívocos diagnósticos ou interpretações de sintomas de outros transtornos que não o TDAH do subtipo desatento. É o que apontam as pesquisadoras Lilian Martins Larroca e Neide Micelli Domingos, autoras do estudo “TDAH – Investigação dos critérios para diagnóstico do subtipo predominantemente desatento”. De acordo com a pesquisa, as discrepâncias de diagnóstico e suposta falta de critério científico dos sintomas do transtorno alimentam o questionamento de uma corrente de pensamento que se opõe à sua existência.
O objetivo desta pesquisa foi identificar, através da literatura científica e entrevistas realizadas com três neuropediatras, os procedimentos médicos necessários para o diagnóstico seguro do TDAH – subtipo desatento e verificar se esses procedimentos foram aplicados ao diagnóstico de alunos de um colégio particular no interior de São Paulo. “O encaminhamento para avaliações multiprofissionais depende dos critérios seguidos por cada médico e não segue uma diretriz”, observaram as autoras.
Os resultados demonstraram ainda que nenhum dos diagnósticos da amostra seguiu todos os procedimentos apontados, mostrando a necessidade de estabelecer um protocolo amplo, que agregue a participação de outros profissionais (fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos etc.), e que garanta a precisão diagnóstica, além de descartar possibilidades e investigar fatores concorrentes para dificuldades apresentadas pela criança desatenta.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572012000100012&lng=pt&nrm=iso

Autismo e professores: teleducação para difusão de conhecimento

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A classificação e definição dos Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), a legislação brasileira educacional e o papel da escola e do professor na vida da criança são temas de interesse de professores que participaram de estudo na rede de ensino municipal de Bauru, interior de São Paulo.
As pesquisadoras Natalia Caroline Favoretto e Dionísia Aparecida Cusin Lamônica, autoras do estudo “Conhecimentos e necessidades dos professores em relação aos transtornos do espectro autístico”, defendem que a teleducação é um caminho para atender a essas necessidades. “As aulas devem abordar assuntos destacados pelas respostas do questionário de verificação, sendo eles, definição e classificação dos TEA, legislação educacional, papel da escola e do professor na vida da criança, caracterização das alterações de comportamento, socialização e comunicação no indivíduo com TEA, desenvolvimento normal de linguagem e desenvolvimento de linguagem nos TEA e, principalmente de estratégias educacionais que favoreçam o aprendizado do aluno com TEA”, afirma o estudo.
A pesquisa faz parte de um projeto que pretende, por meio da teleducação, prover informações aos professores do ensino infantil visando à inclusão de crianças com Transtornos do Espectro Autístico (TEA) na rede regular de ensino. A partir das respostas dos professores a um questionário, foram organizados conteúdos programáticos para elaboração um curso de difusão de conhecimentos que será desenvolvido em uma próxima etapa. “Os resultados evidenciaram que a inclusão escolar está em processo de crescimento, porém com professores carentes por informações”.
O estudo também proporcionou uma maior integração entre a comunidade fonoaudiológica e pedagógica, e para as pesquisadoras essa integração favorece a elaboração do conteúdo do curso.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382014000100008&lng=pt&nrm=iso

Radar da Primeira Infância: portal traz informações sobre crianças até seis anos

Pais, mães e profissionais de diversas áreas interessados em notícias de conteúdo confiável sobre assuntos da primeira infância têm agora um canal que pode ser acessado gratuitamente, pela internet.

O portal Radar da Primeira Infância reúne informações sobre pesquisas científicas realizadas por universidades, centros de pesquisa e entidades sobre o período de vida da criança até os seis anos de idade. É possível fazer uma pesquisa específica, filtrar por assunto ou selecionar todos os artigos de uma mesma fonte, e também enviar perguntas à equipe do site.

O conteúdo do site é previamente selecionado, validado e classificado por uma equipe, o que, segundo os organizadores, garante a qualidade do material e poupa tempo do internauta. Temas como amamentação, educação, prematuridade, introdução alimentar, entre outros, estão relacionados.

O internauta pode O portal foi lançado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) em parceria com o Instituto Alfa e Beto (IAB), e é apoiado pela Fundação Bernard Van Leer.

O portal pode ser acessado pelo link www.radardaprimeirainfancia.org.br/
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Relação pai e filho com deficiência física: pesquisa busca informações sobre responsabilidades e sentimentos

Interessado na relação entre pais e filhos com deficiência física, o pesquisador Miguel Cláudio Moriel Chacon buscou informações da relação pai-filho deficiente físico quanto ao espaço, responsabilidades e sentimentos que o pai tem na relação parental. Os resultados, baseados nas respostas de pais entre 31 e 66 anos, estão no estudo “Aspectos relacionais, familiares e sociais da relação pai-filho com deficiência física”. “Há diferenças no tempo de percepção dos pais sobre a deficiência”, afirma o autor, observando ainda que a informação sobre a deficiência geralmente chega pelo médico.

O pesquisador destaca que, quando a deficiência não possui alto grau de visibilidade e comprometimento, só será percebida com o tempo. “O choque da descoberta e comportamentos de rejeição são sentimentos prevalecentes nos pais”. A maioria dos pais participantes da pesquisa aponta diferenças de papéis na criação e considera que cabe exclusivamente a eles prover a família, enquanto o papel da mãe, para esses pais, seria acompanhar o filho.

O estudo aponta ainda que esses pais sentem que dividem com as mães as responsabilidades pelo cuidado, na maioria das vezes não se sentem acusados em se distanciar, e procuram acompanhar os tratamentos. Além disso, destaca a pesquisa, os filhos com deficiência física são tão apegados a eles quanto aos demais familiares. “A maioria assume o sentimento de medo de gerar outros filhos com deficiência”, afirma o estudo. Entre os pais que possuem mais que um filho, a maioria reconhece a existência de tratamento diferenciado ao filho com deficiência física. “Os pais sentem como as mães, mas manifestam-se diferentemente”, conclui o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382011000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

Alunos com necessidades especiais: desinteresse e insegurança

Projetos que exigem a comunicação entre uma escola regular e um centro de educação especial ainda não executados de acordo com as características de cada aluno. Caso a articulação entre elas seja eficiente, as capacidades dos alunos com deficiência podem ser potencializadas.

Esse descompasso ficou evidente no estudo de caso de uma escola em São Carlos, interior de São Paulo. As pesquisadoras Bárbara Martins de Lima Delpretto e Bianca Campos Carlos dos Santos, autoras do estudo “Um contexto em transformação político- pedagógico: a articulação entre uma escola regular e um centro de atendimento educacional especializado”, partiram do pressuposto de que as instituições regulares e centros de AEE-atendimento educacional especializado atuam na oferta obrigatória de serviços e recursos voltados para os alunos com deficiência, e por isso ambas devem trabalhar juntas de forma a favorecer o processo de escolarização desses alunos.

Analisando as respostas ao questionário desenvolvido para esta pesquisa, as autoras observaram uma carência de recursos estimulantes. “Muitas das atividades aplicadas ainda estão ‘engessadas’ a uma proposta que se limita no uso de materiais diferenciados ao ambiente escolar e que geram, segundo relatos, um desinteresse por parte do aluno com necessidades especiais”. O motivo do desinteresse dos alunos com necessidades especiais, ressaltam as pesquisadoras, é que essas atividades têm sido aplicadas da mesma forma pela escola regular e pela instituição de educação especial, e não de forma complementar.

A pesquisa apontou ainda insegurança entre os professores em relação aos alunos com necessidades especiais. “Muitos docentes ainda se sentem inseguros em uma intervenção conjunta diante das especificidades dessa articulação, assim como das necessidades educacionais dos alunos em questão”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/view/4595/pdf

Terapia Ocupacional: benefícios para crianças com baixa visão


Crianças em idade pré-escolar com baixa visão podem ser beneficiadas por consultoria colaborativa em Terapia Ocupacional voltada para seus professores. Um estudo conduzido pelas pesquisadoras Tatiana Luísa Reis Gebraele Cláudia Maria Simões Martinez demonstrou aumento do repertório dos professores do Grupo Experimental nas atividades de higiene e alimentação de seus alunos com baixa visão. “As estratégias desenvolvidas e empregadas no PRÓ-AVD, como atividades práticas, feedbacks e a interação entre a pesquisadora e professoras foram decisivos para a adesão dos participantes e resultados obtidos na consultoria colaborativa”, destacam as pesquisadoras.

Os resultados foram apresentados no estudo “Consultoria colaborativa em terapia ocupacional para professores de crianças pré-escolares com baixa visão”, que teve como objetivo elaborar, implementar e avaliar um programa individualizado de consultoria colaborativa em Terapia Ocupacional para professores.

A meta, descreve o estudo, era aumentar o repertório de estratégias e recursos dos professores para promover a independência de crianças pré-escolares com baixa visão nas atividades de vida diária de higiene e alimentação, denominado PRÓ-AVD. “A elaboração do Programa envolveu o estudo prévio das habilidades da criança nas tarefas de autocuidado, e de sua capacidade visual, do repertório inicial do professor, e da dinâmica da díade Professor – Aluno durante a realização das AVDs”. A implementação do Programa ocorreu por meio de consultoria colaborativa em seis encontros semanais.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382011000100008&lng=pt&nrm=iso

Sinais de autismo: família e educadores são os primeiros a perceberem


A família é a primeira a perceber alterações no desenvolvimento da criança autista, como constataram os pesquisadores Maria Del Sol Fortea Sevilla, Maria Olga Escandell Bermúdez e José Juan Castro Sánchez. Autores de uma pesquisa que investigou a idade em que surgem as primeiras suspeitas de autismo, a que profissionais a família recorre e o tempo médio de diagnóstico, os pesquisadores observaram que profissionais de educação são os segundos a perceberem primeiramente indícios de autismo.

Os resultados foram apresentados no estudo “Detecção precoce do autismo: profissionais implicados”. O tempo de diagnóstico das crianças participantes do estudo durou em média 16 meses, e 69% delas receberam o diagnóstico durante os três primeiros anos de vida.

Os pesquisadores ressaltam que a maioria dos pais constatou alterações de desenvolvimento quando seus filhos tinham por volta de um ano e meio de vida, e destacam a importância da atenção primária. “Os pediatras de atenção primária exercem uma função de atenção integral que consideram o contexto da criança, o seguimento de seu desenvolvimento e a atenção aos problemas de saúde.

Atenção primária, descreve o estudo, é o primeiro grau de acesso à assistência sanitária e integra a atenção preventiva, curativa e reabilitadora, assim como a promoção da saúde da comunidade. “O procedimento recomendado é que o pediatria encaminhe a criança aos demais especialistas imediatamente para as diferentes avaliações”, destacam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1135-57272013000200008&lng=es&nrm=iso

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