Empreendedorismo: criando seu próprio emprego estável

Imagem

Não há dúvidas de que o modelo de emprego estável está mudando rapidamente no mundo todo, inclusive no Brasil. A geração de pais que agora acompanha a entrada ou saída de seus filhos na universidade foi obrigada a rever seus próprios conceitos na hora de orientá-los, pois não basta mais dizer: “Estude o máximo que puder para tirar notas altas e conseguir um bom emprego”.

Mesmo que alguns pais ainda insistam em dizer isso, dificilmente serão ouvidos. A percepção de “bom emprego” para a nova geração é muito diferente da de nossos pais, e certamente não se traduz em “emprego para a vida toda”. Os jovens chegam a ter calafrios diante da perspectiva de envelhecer e se aposentar num único emprego, e a expressão “muito tempo” passou a ser relativa: se para empregadores tradicionais – e mais antigos – “muito tempo” era coisa de décadas, para quem está entrando no mercado de trabalho agora pode significar coisa de meses.

Sim, isso mesmo. Se um jovem percebe, logo nas primeiras semanas – ou dias – que não gosta do trabalho, ele não hesitará em mudar. Salvo, é claro, as situações em que este jovem precisa desesperadamente deste emprego, seja para ajudar a sustentar sua família ou a si próprio. Mesmo estes, entretanto, certamente continuarão acompanhando de perto o mercado, à espera da primeira chance de partir para outra.

E muitas vezes o “partir para outra” resulta em abrir o próprio negócio. Nunca foi tão fácil empreender. Com as novas tecnologias, é possível montar um negócio próprio com custo baixíssimo, sem necessidade de espaço físico que não seja o da própria casa. A lei do Microempreendedor individual (MEI) facilitou o que até então era um dos maiores entraves para quem desejava abrir sua própria empresa – a burocracia – e entidades como o SEBRAE oferecem diversas opções de apoio e estímulo, tanto presencialmente quanto a distância, e gratuitamente.

Empreender, portanto, está deixando de ser uma ação desesperada de quem não encontra seu espaço dentro do mercado de trabalho convencional, para ser uma opção consciente e tranquila de profissionais em busca de realização pessoal, reconhecimento e retorno financeiro.

Silvana Schultze

Editora do blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Marketing e Deus: o apoio de organizações religiosas

Imagem

A Igreja pode favorecer formação de capital social e propiciar motivação econômica.  Essa é a constatação do estudo “”Segurando na mão de Deus”: organizações religiosas e apoio ao empreendedorismo”.

A pesquisa investiga mecanismos de apoio ao empreendedorismo proporcionados por organizações religiosas, por meio da análise de duas organizações, uma católica e outra evangélica. “Os resultados do trabalho indicam uma confluência entre os dois casos: o pertencimento às igrejas resulta na formação de capital social orientado para as várias dimensões econômicas e no reforço religioso à motivação econômica”, destaca o estudo. “As diferenças, contudo, encontram-se na representação religiosa do significado do sucesso econômico e na articulação e fechamento de suas respectivas redes sociais”.

Os professores autores da pesquisa, Mauricio Custódio Serafi, Ana Cristina Braga Martes e Carlos L. Rodriguez observaram ainda que, no caso da experiência neopentecostal, a ênfase recai mais diretamente sobre as vantagens do pertencimento à Igreja e suas redes. “Os recursos organizacionais aparecem revestidos por um discurso que apela para um novo tipo de chamado, secular, mas sacralizado: o direito de ser rico e feliz, que Deus a todos concede, desde que abençoados na Terra pela igreja e não mais como predestinados, como no caso do calvinismo”, ressaltam. “Nesse sentido, ser rico e feliz adquire um caráter quase coercitivo de um dever para com Deus, o que acaba por legitimar o papel ativo da Igreja diante dos negócios”.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75902012000200008&lng=pt&nrm=iso

Lojas de conveniência e parceria em trade marketing: motivações, estrutura e atribuições

Imagem

Que motivações levariam o setor de lojas de conveniência a adotar o trade marketing? Integração entre as áreas de marketing e de vendas, o termo foi analisado no estudo “Trade marketing no setor de lojas de conveniência”. Os autores, Victor Manoel Cunha de Almeida, Leonardo Siano Penna, Gilberto Figueira da Silva e Flávia D’Albergaria Freitas, descrevem as motivações para a adoção do trade marketing no setor de lojas de conveniência, bem como suas atribuições e posição na estrutura organizacional.

Por meio do estudo de casos múltiplos de quatro redes de lojas de conveniência, além de cinco fabricantes indicados pelas redes pesquisadas, os autores constataram que a existência de uma área formal de trade marketing não é condição suficiente para garantir a colaboração entre os fabricantes e os varejistas de lojas de conveniência. “As ações de trade marketing são desenvolvidas e negociadas com o franqueador, todavia sua execução ocorre na instância do franqueado”, destacam. “Trata-se, portanto, de uma relação tripartite (tríade) composta por fabricante, franqueador das lojas de conveniência e seus franqueados”.

De acordo com os pesquisadores, fatores como a presença de sistema de informação de vendas, alta frequência semanal de compras e capilaridade de sua distribuição geográfica possibilitam à indústria vislumbrar a implementação de ações de trade marketing de escopo nacional, mais customizadas e mais criativas que no grande varejo. Ambiente de loja que agrega serviços e exposição diferenciada, menor sensibilidade do comprador aos preços e possibilidade de margens superiores também fazem parte de alguns dos fatores apontados no estudo. “A indústria ainda não se depara com elementos restritivos existentes no grande varejo, como a intensa presença das marcas próprias (que só aparecem timidamente nas lojas de conveniência) e as rígidas políticas contratuais de fornecimento”.

O estudo ressalta, porém, que apesar de as negociações das ações de trade marketing serem centralizadas junto ao franqueador, a logística, a execução e o controle das ações são fragmentados por toda a rede de franqueados. “Isso resulta, consequentemente, em diferença estrutural entre o trade marketing no grande varejo e nas redes de lojas de conveniência”.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75902012000600006&lng=pt&nrm=iso

Mulheres de baixa renda consomem produtos de beleza como forma de compensação

Imagem

O uso de produtos de beleza pode ser uma forma de mulheres de baixa renda reduzirem pistas visuais de sua condição social, evitando situações constrangedoras ou mesmo humilhantes. Essa é uma das análises do estudo “Valores que motivam mulheres de baixa renda a comprar produtos de beleza”, dos pesquisadores Mariana Nazaré Livramento, Luis Fernando Hor-Meyll e Luís Alexandre Grubits de Paula Pessôa. “Mais do que um capricho, os produtos desempenhariam o papel de preservar a dignidade do indivíduo”, ressaltam eles, destacando que os relatos coletados para a pesquisa revelam forte percepção das entrevistadas de que sofrem discriminação social, inclusive em seu próprio ambiente.

O trabalho tem como objetivo identificar valores individuais que motivam mulheres de baixa renda, mesmo vivendo com severas limitações financeiras, a comprar produtos de beleza, e que poderiam, à primeira vista, ser considerados itens supérfluos. Os pesquisadores realizaram entrevistas com mulheres no Rio de Janeiro, e concluíram que a marca dos produtos selecionados para compra por essas mulheres surgiu como fator importante em suas escolhas, não para obter status, mas como garantia da qualidade dos produtos. “Este trabalho buscou ampliar o conhecimento sobre o comportamento de consumo dos grupos sociais na base da pirâmide, examinando questões ainda pouco exploradas, como valores de sua subcultura”, explicam.

O relato de uma das entrevistadas, faxineira, afirmando que após um dia de trabalho extenuante maquiar-se e cuidar dos cabelos era indispensável antes de retornar para casa, reforça a análise. Sentir-se mais bonita e cuidada era a forma que restava para reconquistar sua dignidade, nas próprias palavras da entrevistada.

Os pesquisadores destacam ainda que o valor percebido, entendido como o preço pago em relação à qualidade do produto, surgiu como importante fator de influência na decisão de compra de produtos de beleza. O preço, por sua vez, parece ser fator eliminatório, já que a compra de itens caros desequilibraria o orçamento familiar, comprometendo ainda mais a satisfação de necessidades básicas da família. “A qualidade percebida, entretanto, também parece ser crucial, já que, uma vez comprado o produto, seja ele barato ou caro, terá que ser totalmente utilizado, pois sua recompra seria proibitiva”.

Fonte: Revista de Administração Mackenzie.