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Educação domiciliar: violência e baixa qualidade do ensino são motivos para as famílias brasileiras que preferem não mandar seus filhos para a escola

A educação de crianças em suas próprias casas (em inglês, homeschooling) não é regulamentada no Brasil e nem reconhecida pela Justiça. Apesar disso, cerca de mil famílias brasileiras optaram por assumir a educação de suas crianças em vez de mandá-las para escolas públicas ou privadas. Os motivos estão relacionadas ao questionamento da qualidade do ensino (tanto público quanto privado) e também a problemas com violência dentro das escolas, e foram analisados pela pedagoga Luciane Barbosa em pesquisa da Faculdade de Educação da USP. “A prática do homeschooling mostra a necessidade de discutir o papel da escola como espaço de socialização e formação da cidadania das crianças e jovens”, ressalta a pesquisadora.

De acordo com a pedagoga, o debate sobre ensino em casa no Brasil surge em um contexto de ampliação do acesso à educação escolar. “No caso do Poder Judiciário, inclusive, era mais comum o julgamento de demandas pelo maior acesso à escola, e não de autorizações de pais para ensinarem os filhos em casa”, afirma. “Com a previsão legal da extensão da escolarização obrigatória, que em 2016 passará a abranger crianças a partir dos quatro anos de idade, surge um questionamento maior sobre a exclusividade da instituição escolar na oferta de ensino”.

O papel da escola como espaço de socialização das crianças e jovens também é colocado em questão pelos defensores do ensino em casa. “Nno Brasil há a agravante de que a opção pela escola privada pelos pais representa também uma escolha da classe social em que o filho vai conviver”, diz Luciane. “As famílias entrevistadas possuem um maior poder aquisitivo e, portanto, condições para uma maior atuação na educação dos filhos, por isso cabe indagar se o engajamento em torno do ensino individualizado dos filhos não poderia ser melhor empregado na mobilização por melhorias nas escolas públicas”.

A pedagoga destaca que o principal problema relativo ao ensino domiciliar não é legal ou jurídico, mas de opções de política educacional. “O tema é muito controverso, pois há uma defesa de que a legislação atual, tanto a Constituição de 1988 quanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), daria margem a interpretações que permitiriam a existência do ensino em casa”, afirma. “Ao mesmo tempo, uma possível regulamentação pode, de certa forma, entrar em conflito com todo o processo de profissionalização dos professores, na medida em que se aceitaria que qualquer pai fosse professor de seu filhos, desprezando o histórico debate sobre os saberes e práticas necessárias à atuação docente”.

Os dados sobre ensino em casa são fornecidos pela Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED), entidade que presta assessoria jurídica às famílias e defende a aprovação de projetos de lei que regulamentem o tema — desde 1996, sete propostas já passaram pelo Congresso Nacional. “Em julgamento realizado em 2001, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se posicionou contra o ensino em casa, por entender que o artigo 208 da Constituição Federal exige que os pais levem os filhos a frequentarem a escola, além de enfatizarem o papel da instituição escolar na socialização dos alunos”, conta a pedagoga. “Por essa razão, muitas famílias não declaram que ensinam seus filhos em casa por receio de serem levadas à Justiça”.

Parte do estudo da pedagoga foi conduzida no Canadá, onde a educação domiciliar é permitida por Lei. “Ao entrevistar as famílias canadenses, percebe-se que embora a motivação religiosa esteja muito presente, os pais também optam pelo ensino em casa pela questão de custos (famílias mais numerosas) ou por terem filhos com deficiência, entre outras razões”, explica a autora, que no Brasil entrevistou quatro famílias com histórico de discussões sobre a educação em casa no Poder Judiciário. “Há discordâncias quanto à formação moral oferecida pelas escolas, devido a ocorrências de episódios de violência e bullying”.

A socialização do aluno, que muitas vezes é alegada como o motivo para que a criança freqüente a escola, no Canadá é suprida pela participação dos pais em associações, entre outras práticas, e não preocupa os pais. “No Canadá, as bibliotecas e ginásios esportivos possuem programas voltados para homeschoolers”, explica a autora. “Também há uma preocupação em desenvolver a participação social dos filhos nas comunidades em que vivem, pois consideram que a escola oferece um conceito de cidadania ligado apenas ao conhecimento de fatos históricos e ao exercício do voto”.

A pesquisa resultou em tese de doutorado defendida por Luciane Barbosa na Faculdade de Educação da USP, no início de junho de 2013.

Fonte: Universidade de São Paulo

Questionário para avaliação de autistas inclui processamento sensorial: objetivo é aproximar pais e profissionais para sucesso da intervenção

Alterações do Processamento Sensorial são comuns em crianças com perturbações do espectro do autismo (PEA), e nos últimos anos o tema vem sendo cada vez mais investigado por cientistas. Os números encontrados sobre as crianças que sofrem as perturbações, no entanto, ainda variam muito: estudos apontam que entre 42% a 88% das crianças com PEA apresentam este tipo de disfunção. Com o objetivo de contribuir para as pesquisas sobre o tema, foi definido um novo projeto de investigação.

Criado pelos pesquisadores Helena Isabel Silva Reis, Ana Paula da Silva Pereira e Leandro da Silva Almeida, o projeto é baseado em uma escala que avalia três características tradicionais de crianças autistas: (1) Interação, (2) Comunicação e (3) Comportamento e interesses repetitivos e estereotipados.

A novidade deste projeto é a inclusão de um novo domínio: o Processamento Sensorial. “Com a construção e validação desta escala pretendemos que pais e profissionais utilizem colaborativamente um instrumento de avaliação da intervenção que lhes permita monitorizar o processo de apoio e adequar as suas práticas”, explicam os pesquisadores.

O artigo “Construção e validação de um instrumento de avaliação do perfil desenvolvimental de crianças com Perturbação do Espectro do Autismo descreve os procedimentos e os resultados das fases de construção deste instrumento de avaliação, em forma de questionário.

O questionário foi desenvolvido para que a avaliação de crianças autistas seja mais completa e real. “Os itens do instrumento de avaliação integram um conjunto alargado de características ou competências que podem ser avaliadas nos vários contextos naturais de vida da criança”. Os itens podem ser preenchidos tanto por pais quanto por profissionais especializado em autismo.

A dimensão do processamento sensorial foi incluída no questionário para assegurar um perfil desenvolvimental das crianças com PEA que agregue a observação dos pais e dos profissionais acerca do desenvolvimento da criança. Os pesquisadores esperam que, acima de tudo, o questionário possa estreitar uma ligação entre as dimensões consideradas na avaliação e as áreas tidas como prioritárias para a intervenção.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382013000200004&lang=pt

Higiene pessoal de crianças e adolescentes autistas: dicas práticas para criar o hábito


Os hábitos de higiene pessoal, como escovar os dentes e tomar banho adequadamente, entre outros, são transmitidos às crianças pelos pais e cuidadores tanto por palavras e orientações quanto por exemplos. Ao observar que seus colegas de escola, outros amigos e familiares apresentam-se sempre limpos, a criança aprende que essa é uma conduta social desejada e aceita. Crianças e adolescentes autistas, entretanto, podem não perceber esses exemplos concretos, e as instruções verbais podem ser muito abstratas para que elas entendam o que de fato têm que fazer para manterem-se limpas.

Uma maneira de conseguir que a higiene pessoal de crianças e adolescentes autistas seja adequada, precisando cada vez menos de supervisão dos pais e cuidadores, é descrever claramente o que deve ser feito durante o banho para que a pessoa esteja limpa ao sair do chuveiro ou banheira.

Em vem de dizer “Entre no chuveiro para tomar banho”, é possível descrever cada etapa do banho: “Tire as roupas e entre no chuveiro para molhar os cabelos, colocar um pouco de xampu na palma da mão e depois esfregá-lo nos cabelos até sua cabeça estar coberta de espuma”, e assim por diante. A expectativa é que após um certo número de instruções  – mantendo sempre as mesmas palavras e mesma sequência – a criança ou adolescente memorize cada etapa, sendo capaz de fazê-las sem instruções ou até supervisão.

O número de vezes que as instruções deverão ser repetidas até que a sequência seja memorizada e transformada em um hábito irá variar de acordo com o grau do transtorno e da personalidade de cada autista.

Uma maneira de reforçar as instruções verbais, ou mesmo substituí-las, caso o resultado não esteja sendo satisfatório, é utilizar ilustrações ou bonecos. É possível, por exemplo,criar um quebra-cabeças de cartolina, com desenhos ou colagem de ilustrações de partes do corpo humano. Antes do banho propriamente dito, pode-se criar uma rotina de brincadeira com esse material, descrevendo cada etapa do banho que será tomado em seguida.

É importante que a sequência seja sempre a mesma, para que fique claro quando o banho termina, e que somente quando todas as etapas tiverem sido cumpridas é que o banho estará completo, e a criança limpa, como se espera. Assim, pode-se começar a brincadeira dizendo à criança que a menina (ou menino) lava a cabeça com água e xampu, tirando toda a espuma, ao mesmo tempo que se coloca a figura da cabeça de lado, ou dentro de uma pequena caixa, saco plástico ou pasta. Em seguida, pega-se as figuras da mãos (uma de cada), dizendo que a criança lava a mão com água e sabonete, colocando também essas figuras de lado, e assim por diante, até terminarem todas as partes do corpo.

Essa atividade pode ser feita também com bonecos de plástico ou de tecido, conforme a criatividade dos pais e cuidadores e gostos de cada criança. Se a criança ou adolescente contar com o atendimento de terapeuta ocupacional, esta atividade poderá ser feita em parceria com o profissional, reforçando a aquisição do hábito de cuidar da própria higiene pessoal.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

A linguagem de pessoas com Asperger: características e treino


Especialistas não estão em total acordo em relação à linguagem de pessoas com Asperger, transtorno do Espectro do Autismo. Enquanto alguns defendem que não existem atrasos significativos no desenvolvimento esperado da linguagem de portadores de Asperger, outros afirmam que sua linguagem é claramente diferente.

A diferença na linguagem de Aspergers pode ser resultante de algumas características do transtorno, como a incapacidade ou dificuldade para compreender as regras sutis de interação social, além de piadas e “pistas” sociais – indicações que as pessoas costumam dar sobre suas opiniões e impressões, seja sobre um assunto, rumo da conversa ou sobre a outra pessoa com quem se conversa. Por ter dificuldade em perceber essas pistas, a pessoa com Asperger pode ser rotulada como desagradável e inconveniente, prejudicando suas relações na escola, no trabalho e até na família.

A dificuldade em envolver-se em comunicação recíproca também acompanha as pessoas com Asperger, e muitos descrevem sua fala como a de um “pequeno professor”. O comportamento considerado estranho, porém, não é necessariamente resultado de desejo de afastamento. “Este é apontado como o ponto mais frustrante para os indivíduos com Síndrome de Asperger, pois os seus problemas sociais não parecem derivar necessariamente de uma falta de interesse nas relações sociais, e sim porque eles parecem apenas não saber como fazer essas relações sociais funcionarem”, afirma a pesquisadora Carla Maria da Silva Matos, autora do estudo “Compreensão de linguagem não-literal em crianças com Perturbações do Espectro do Autismo”.

O tratamento fonoaudiológico para pessoas com Asperger envolve o treino do contato visual e linguagem corporal, além do uso de imagens para explicar figuras de linguagem (metáforas, como a expressão “chovendo canivetes”). Um especialista também podem ensinar à pessoa como iniciar uma conversa, e treiná-la para que não interrompa a fala dos outros, o que Aspergers costumam fazer.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/7338/1/ulfpie042850_tm.pdf

Autismo e Asperger: mesma “família”, mas diferentes


O termo Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) envolve uma série de perturbações do desenvolvimento, caracterizadas por déficits significativos em três domínios fundamentais para o ser humano: social, comunicativo e comportamental. A palavra espectro, nesse caso, indica um conjunto de condições com características semelhantes ao autismo, como a Síndrome de Asperger.

Autismo e Asperger, portanto, são diferentes entre si.  O termo autismo foi usado pela primeira vez na década de 1940, pelo médico austríaco Leo Kanner. Na mesma época, o também médico austríaco Hans Asperger estudou um grupo de adolescentes com as mesmas características descritas por Leo Kanner. O estudo de Asperger destacava que os adolescentes analisados não apresentavam déficit intelectual.

Ainda que as características apontadas pelos dois médicos para descrever portadores de autismo e de Asperger em alguns momentos sejam semelhantes entre si, o grau em que cada uma se manifesta resulta em maior ou menor inclusão da pessoa, influindo ainda na sua qualidade de vida.

Assim, o afastamento social profundo, assim como a ausência de fala e a hipersensbilidade a estímulos sensoriais, marcantes em autistas, podem afetar mais o indivíduo e seus familiares. Por outro lado, algumas características apontadas como próprias dos portadores de Asperger – como falta de empatia, comunicação não-verbal empobrecida e dificuldade de compreender ideias abstratas, por exemplo – podem ser facilmente aceitas pela sociedade como traços da personalidade da pessoa, fazendo com que muitas vezes, e conforme o grau do transtorno, esta pessoa não sofre prejuízos pessoais em resultado da síndrome. Em muitos casos, é possível até que seu comportamento não desperte atenção a ponto de precisar recorrer a especialistas que a dignostiquem.

Características do autismo apontadas pelo médico Leo Kanner:

1)  afastamento social profundo;

2) resistência a mudanças;

3) boa memória para rotinas;

4) expressão inteligente e pensativa;

5) ausência de fala, ou uso da linguagem sem real intenção comunicativa;

6) hipersensibilidade a estímulos sensoriais;

7) habilidade com objetos;

8) linguagem literal, tanto para compreender quanto para expressar-se.

Características da Síndrome de Asperger apontadas pelo médico Hans Asperger:

1) falta de empatia com o outro;

2) interesse por atividades repetitivas;

3) comunicação não-verbal (gestos e expressões faciais) empobrecida;

4) boa memória mecânica (combinação da memória visual com a memória tátil);

5) relacionamentos sociais diferentes dos convencionais;

6) movimentos corporais pouco coordenados;

7) hipersensibilidade à mudança na rotina;

8) dificuldade de compreender ideias abstratas.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Ansiedade em autistas: defesa contra o mundo social

À medida em que vão sendo feitas novas descobertas sobre o autismo, cresce a indicação de avaliação e tratamento de determinadas condições psiquiátricas em pessoas com transtornos do espectro autista.

A ansiedade é uma das condições mais comuns, e os especialistas deram-se conta, nos últimos anos, do grande número de pessoas com diagnóstico de autismo que batalham diariamente com diversos sintomas de ansiedade, de maior ou menor intensidade. “O papel da ansiedade na vida de autistas foi se modificando no decorrer dos anos, e continua sendo fonte de confusão e controvérsia”, alerta Isabel Paula-Pérez, autora do estudo “Co-ocorrência entre ansiedade e autismo (tradução livre do original em espanhol).

Na década de 1940, estudiosos do autismo já sugeriam que sintomas como a necessidade de que o ambiente não sofra modificações, padrões de comportamento, atividades e interesses restritos e estereotipados são originados na ansiedade do autista. Essa opinião ganhou força na década de 1960, quando os comportamentos e interesses característicos dos autistas foram interpretados por especialistas como um mecanismo de defesa contra a ansiedade provocada pelo mundo social no qual todos estamos inseridos, autistas ou não.

A ansiedade de autistas foi dividida em ativa, na qual o autista tende a demonstrar reações emocionais extremas em determinadas situações, e distante, na qual a pessoa mantém-se completamente distante quando enfrenta mudanças ambientais.

Texto escrito por Silvana Schutze, do blog meunomenai.com

Baseado no estudo estudo “Co-ocorrência entre ansiedade e autismo”

Para ler o texto completo (em espanhol), acesse o link: http://desafiandoalautismo.org/ansiedad-y-autismo/

Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo

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Ensinar uma criança autista a fazer perguntas e declarações é o primeiro passo para que elas desenvolvam suas habilidades para iniciar e manter uma conversa, além de trocar de temas durante uma mesma conversa e até resgatar o interesse da outra pessoa durante a mesma conversa. Estas são consideradas habilidades avançadas de conversação, e podem ser exercitadas por pais, familiares, amigos, professores e terapeutas.

O primeiro passo é ensinar à criança que uma conversa é marcada pela ida e volta de falas: ao perguntar ou declarar algo, portanto, ela deve entender que haverá uma resposta verbal da outra pessoa, mesmo que seja para dizer “Não sei”. Da mesma forma, é preciso mostrar a ela que as outras pessoas esperam respostas verbais durante uma conversa. Isso pode ser ensinado por meio de exercícios práticos, desenhos ou objetos, como fantoches ou bonecos.

É importante também explicar à criança o valor das conversas para o desenvolvimento das relações afetivas e sociais. E, acima de tudo, a criança com autismo deve ter oportunidade de praticar a conversação com o maior número de pessoas, para que entre em contato com opiniões e reações diferentes. Os comportamentos agressivos ou relutantes que algumas crianças apresentam diante de pessoas novas podem ser amenizados com a prática social.

Uma conversa é feita também de sinais não-verbais, e isso também deve ser ensinado à criança. Mostrar a ela que muitas pessoas costumam ficar inquietas ou olhar ao redor quando não estão interessadas em uma conversa é uma boa maneira de treinar o resgate da conversa. Pode-se, por exemplo, ensinar a ela que nessas situações é possível fazer uma pergunta para que a pessoa volte sua atenção à conversa.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog meunomenai. Baseado no artigo “Conversational development for autismo”, disponível no link: http://desafiandoalautismo.org/wp-content/uploads/2012/01/Conversational-development-for-autism.docx

Ecolalia: quando o autista apenas repete palavras, frases ou perguntas

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Ecolalia é a repetição de palavras, frases ou perguntas que muitos autistas apresentam. O ato de repetição pode ocorrer porque a criança quer apenas ouvir sua própria vez, como os bebês fazem ao balbuciar. Pode significar, também que a criança com autismo não entendeu o significado do que foi dito a ela.

A ecolalia é vista por especialistas como um bom sinal. Para incrementar a linguagem da criança, é recomendado que as atividades sejam acompanhadas de comentários. No caso de jogos, por exemplo, é possível dizer o que será feito em seguida ou descrever o que está sendo feito.

É importante saber qual o comentário que a criança já conhece. Todos os comentários devem ser claros e objetivos, e nunca deve-se usar sarcasmo ou ironia. O tom de voz deve ser alegre e expressivo, dando ênfase às palavras principais da frase. Usar frases curtas e simples, dando instruções objetivas, também facilitam a compreensão. Dizer “Tire a roupa e entre no chuveiro” é muito mais eficiente do que “Você brincou bastante hoje e está suado; precisa tomar banho para ficar limpo e cheiroso antes de dormir”. Gestos simples e até linguagem de sinais também podem reforçar a compreensão do que está sendo dito à criança.

Pode-se ainda desenvolver brincadeiras que sejam acompanhadas de frases repetidas a cada ação, como “Preparar, apontar, já!”. Após várias repetições da mesma frase, pode-se ainda não falar a última palavra, para verificar se a criança está acompanhando e se ela mesma lembra-se de dizer a palavra. Músicas curtas e repetitivas também são úteis quando se pretende incrementar a fala da criança autista.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.wordpress.com

Baseado em informações da instituição Desafiando el Autismo.

Diversificando a alimentação de autistas: passos para aumentar a tolerância a novos sabores e texturas

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A alimentação de crianças e adolescentes autistas pode ser uma dificuldade para muitos pais, mas a adoção de algumas estratégias pode diminuir a resistência a novos sabores e texturas. Uma sequência de passos que consideram a tolerância, a interação da criança ou adolescente com a comida e seus sentidos de tato e olfato, podem ajudar com que o autista experimente o alimento, e, finalmente, o adote como parte de suas preferências e hábitos alimentares.

Na etapa de tolerância, a sugestão é que inicialmente o novo alimento seja colocado no mesmo ambiente que a criança ou adolescente. Em seguida, na mesma mesa em que ele se alimenta, porém do lado oposto de onde ele está sentado. Os próximos passos são colocar o alimento na metade do cominho da mesma mesa, depois a uma pequena distância e por fim no mesmo espaço em que ele come. Assim como nas outras etapas, a passagem de uma fase para outra depende de cada criança, e os pais ou cuidadores decidirão o momento de avançar após avaliar a reação e aceitação a cada passo.

Na etapa de interação, a criança ou adolescente deve assistir à preparação do alimento e colocá-lo na mesa. Em seguida, irá esvaziar o recipiente do alimento, despejando-o dentro de outro recipiente. Essa ação será feita primeiramente fora do espaço próprio de alimentação, e em seguida, no próprio espaço. Por fim, o alimento será despejado do recipiente dentro do próprio prato da criança ou adolescente.

Na etapa de estimulação ao olfato, a criança ou adolescente deverá sentir o cheiro do alimento dentro da casa. Em seguida, ao redor da mesa em que se alimenta, e então no espaço próprio de alimentação. Por fim, ele deve ser incentivado a pegar um pedaço do alimento para cheirá-lo diretamente.

Na próxima etapa, do tato, a criança ou adolescente deve ser estimulada a mexer no alimento com a ponta de um dedo. Depois, com as pontas de todos os dedos, e então com toda a mão. Em seguida, a sugestão é que a criança ou adolescente toque o alimento com os próprios braços e ombros; depois, com a parte superior da cabeça; em seguida, com as bochechas, e por fim, com a parte inferior do nariz.

Finalmente chega-se ao momento de experimentar o alimento, e inicialmente deve-se orientar a criança ou adolescente a encostar o alimento em seus lábios ou colocá-lo entre os dentes. Em seguida, a lambê-lo. Depois, a morder um pedaço, cuspindo imediatamente. Na próxima fase, deverá morder alguns pedaços, mantendo-os na boca alguns segundos antes de cuspí-los. Em seguida, deverá morder e mastigar por alguns segundos, antes de cuspir. Então, será a hora de mastigar e engolir alguns pedaços, cuspindo os demais. Logo será a vez de mastigar e engolir todo o alimento com a ajuda de água, para finalmente mastigar e engolir de forma independente.

Com paciência e perseverança, ao final dessa sequência a criança ou adolescente poderá ter aprendido a comer com tranquilidade e satisfação um novo alimento.

Escrito por Silvana Schultze, editora do blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Fonte: Desafiando al autismo.

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