Retomando a vida de blogueira

Tenho 45 anos. Para alguns, isso é uma sentença de morte. Para outros, é o começo da segunda metade de minha vida. Para mim, é o momento de me questionar: como viverei o resto da minha vida? E no atual momento que atravesso, essa pergunta deve se transformar em: de que viverei o resto da minha vida?

Espero ainda trabalhar muito. Meu primeiro registro em carteira profissional foi aos 16 anos, e conservo esta carteira até hoje, embora nos últimos 12 minha atuação tenha sido coo free lancer, como a de muitas mães que optaram por permanecer mais tempo ao lado de seus filhos. Tenho três, e agora que os três não demandam tanto minha presença, minha nova pergunta é: de que forma conseguir mais trabalho?

Minha tendência natural é retomar os projetos antigos, que no passado me trouxeram visibilidade e alguns resultados interessantes. Este projeto, Meunomenai, proporcionou meu ingresso no doutorado na Faculdade de Saúde Pública da USP, experiência que foi um grande desafio e que hoje eu tenho muita satisfação em contar que consegui.

Venho aqui para divulgar o III Seminário de Comunicação e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que será realizado no próximo dia 4 de junho no auditório Paula Souza, da Faculdade de Saúde Pública da USP. A entrada é gratuita e o evento é aberto ao público interessado nas temáticas abordadas, que são muito variadas. A Faculdade de Saúde Pública da USP fica localizada na Av. Dr. Arnaldo, 7150, ao lado do metrô Clínicas (Linha Verde).

Abaixo, a programação e os palestrantes confirmados:

10h – Disputa de sentidos e utilização do Youtube por mulheres afro-latinas: saúde de populações negras nas escolas de saúde pública do Estado de São Paulo (estudo de cinco universidades)

Andréa Rosendo da Silva e Enola Mango

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Doutoranda do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina (PROLAM), da Universidade de São Paulo(USP). Mestre em Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (PPGCOM/UFPR). Graduada em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2010) e Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Positivo (2002). É jornalista e atua na área de assessoria de imprensa. Integra o Grupo de Pesquisa Midiaculturas, Poder e Sociedade, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPR (PPGCP/UFPR), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Sociologia (PGSOCIO/UFPR) e ao Núcleo de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (CPOP/PPGCP/ PGSOCIO/UFPR). Pesquisadora nas áreas de Comunicação, Cultura; Mídias, Mediação e Recepção; Gênero e Identidade das mulheres afro-latinas.

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Possui graduação em Sistemas de Informação pela Universidade de São Paulo (2016). Trabalhou como professora em voluntariado, administrando o curso de Informática básica da ONG para imigrantes (2018). Tem experiência na área de Sistemas de Informação, com ênfase em gestão de TI, atuando principalmente nos temas: Usabilidade, Ergonomia e administração de Banco de Dados.

11h – A arte de comunicar o diagnóstico ao paciente

Ênio Roberto de Andrade

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Diretor do Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; coordenador do ambulatório de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Formação em Psiquiatria com ênfase em psiquiatria da infância e da adolescência.

 

13h – Democratização do conhecimento : as revistas científicas brasileiras de saúde pública no Facebook e os desafios para o futuro

Maria Thereza Diana Reis

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Mestra em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, FSP USP (2018). Especialista em Comunicação Jornalística pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (2002). Graduada em Comunicação Social (Jornalismo) pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (1997). Jornalista com experiência na área de Saúde Pública/Coletiva, tendo atuado no Grupo de Apoio e Prevenção à Aids do Estado de Minas Gerais (2000-2001), no Centro de Pesquisa e Documentação em Cidades Saudáveis (Cepedoc), ligado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (2002-2004), no Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP) (2003-2010), no HVTU Vila Mariana, Centro de Pesquisas de Vacinas contra a Aids, ligado ao Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (2004), na Associação Paulista de Saúde Pública (APSP) (2010-2018). Desde 2011 atua eventualmente como jornalista para a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) na cobertura de eventos. Foi membro da Comissão de Informação, Educação e Comunicação do Conselho Estadual de Saúde do Estado de São Paulo (2013-2015). Jornalista free-lancer (desde 1998).

14h – Comunicação entre profissional de saúde e pessoa em estado de adoecimento

Eunice Almeida Ferreira

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Possui graduação em Enfermagem, mestrado em Ciências Sociais-(1996); doutorado em Educação pela Faculdade de Educação da USP (2004); pós-doutorado em Educação pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2013) . Atualmente é professor doutor do curso de graduação em Obstetrícia e do Programa de Pós -Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo(EACH-USP). Líder do Grupo Internacional e Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Formação de Profissionais para área da Educação e da Saúde (GIEPES). Temas de interesse: Formação de profissional da saúde. Acessibilidade aos serviços de saúde. Informação- comunicação nos serviços de saúde. Gestão dos serviços de saúde.

15h -Discursos de lideranças indígenas e Saúde Pública

Valdir Baptista

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Possui graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo (1989) e Especialização em Teoria da Comunicação (1994), ambos pela Faculdade Cásper Líbero, Mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999) e Doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo USP (2016), estudando o uso do audiovisual em Saúde Pública. Durante dez anos (2000-2010), foi coordenador do curso de Rádio e TV da Universidade Anhembi Morumbi, onde também criou o curso de Cinema, cuja coordenação acumulou por cerca de dois anos. Atuou também no mesmo período como professor nos cursos de graduação em Comunicação Social e pós-graduação lato sensu da Universidade Anhembi Morumbi. Coordenou, para a Universidade Anhembi Morumbi, no biênio 2008/2009, um curso in company de extensão em televisão para os Profissionais da TPA (Televisão Pública de Angola), com duração de 11 meses, que foi oferecido em Luanda, Angola. Atualmente, leciona no FIAM-FAAM Centro Universitário, as disciplinas Argumento e Roteiro II, Narrativa em Hipermídia, Introdução ao Audiovisual e Direção Técnica de Produtos Audiovisuais. Foi professor da disciplina Jornalismo Cultural e orientador de trabalhos de final de curso nas especializações lato sensu: Midia, Informação e Cultura (MIDCULT) e Gestão de Projetos Culturais e Organização de Eventos (GESTCULT), no Celacc, Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação, núcleo de pesquisa interdepartamental criado na Escola de Comunicações e Artes, ECA, da Universidade de São Paulo, em 1996, e vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.

16h – Homoparentalidade feminina

Paula Carvalho

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Realizou o doutorado no Departamento Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública/Universidade de São Paulo (USP), com o trabalho: Homoparentalidade feminina: nuances da assistência no período gravídico-puerperal na perspectiva de mulheres residentes no município de São Paulo (Bolsista CNPq). Esteve na University of Southern California em Los Angeles (EUA) entre Abril e Julho de 2017, com a supervisão local da professora Sofia Gruskin, que trabalha com Saúde Global e Direitos humanos. É formada em Biologia, possui mestrado em Microbiologia e migrou para questões de Saúde Pública e estudos de gênero, com ênfase em pesquisa e análise qualitativa. Ela está interessada especialmente em saúde materno-infantil, assistência ao parto, disparidades de saúde para as mulheres lésbicas, direitos humanos, direitos reprodutivos, estudos LGBT e relações de gênero. Atualmente compõe o Núcleo de Pesquisa em Direitos Humanos e Saúde LGBT+ (NUDHES) e trabalha como pesquisadora e entrevistadora em duas pesquisas realizadas com mulheres transexuais, a Coorte TransNacional e a pesquisa TransAmigas.

17h – Epidemiologia, nutrição e divulgação científica

Tatiana Collese

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Nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo (2012). Mestre pelo Departamento de Medicina Preventiva pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Doutoranda no Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Colaboradora do YCARE (Youth, Child cArdiovascular Risk and Environmental) Research Group, FMUSP. Foi pesquisadora do GENUD (Growth, Exercise, NUtrition and Development) Research Group, UNIZAR – Universidad de Zaragoza – Espanha. Foi pesquisadora do Estudo Multicêntrico Europeu I Family Study. Cursou extensão profissionalizante de nutrição clínica em cardiologia no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Possui vivência em: Cirurgia Bariátrica no Hospital Israelita Albert Einstein; Alta gastronomia pela GR/SA na AMCHAM (American Chamber of Commerce for Brazil, São Paulo); Nutrição em Marketing na Loja Mundo Verde; Saúde Pública: Associação Prato Cheio e ONG Banco de Alimentos. Foi agente de pesquisa do Estudo Canadense PURE-Prospective Urban and Rural Epidemiological Study. Recebeu bolsa de estudos do Programa Santander Universidades na Peking University – China. Revisora das revistas científicas: Appetite, Advances in Nutrition, European Journal of Nutrition, Public Health Nutrition e Gaceta Sanitária. Pesquisadora na área de desfechos e fatores associados à saúde cardiovascular, principalmente, em crianças e adolescentes.

 

 

Design Thinking: metodologia, ferramentas e reflexões

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Equilíbrio entre o raciocínio associativo, que alavanca a inovação, e o pensamento analítico, que reduz os riscos. Assim é apresentada a proposta do design thinking no livro “Design thinking & thinking design – metodologia, ferramentas e reflexões sobre o tema”, de Adriana Melo e Ricardo Abelheira. A obra apresenta as raízes do design no mundo, e descreve como surgiu o design thinking. “As ferramentas de ideação disponíveis na literatura são muitas”, afirmam os autores. “O tipo de desafio (gráfico, produto, comunicação, interface, experiência navegação, serviço…) vai naturalmente apontar apontar qual técnica de ideação aplicar”.

O livro destaca algumas diferenças do mundo corporativo na atualidade: “antes as empresas agiam reativamente aos cenários e eram avessas ao risco. Hoje precisam de intraempreendedores que antecipem necessidades ou oportunidades”. Apresentando resultados de pesquisas e paradigmas gestacionais de algumas empresas, os autores questionam: “Qual é o conjunto de conhecimentos necessários para o novo mundo?”.

Os autores também apresentam técnicas para “vender”  o design thinking para equipes, e ressaltam: “O empresário está realmente interessado no resultado que os investimentos em design podem gerar e descobrir de que forma a aplicação do design thinking vai canalizar a inovação, aumentando a competitividade”.

Texto escrito por Silvana Schultze para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Proatividade, ética e educação continuada: pesquisa aponta características desejadas de profissionais da informação


Catalogação e classificação de conhecimento foi por muito tempo o foco tanto da formação quanto da atuação dos profissionais da área de informação. Com o desenvolvimento da tecnologia da informação, a dinamização do mercado de trabalho e a globalização das empresas, estas funções ampliaram-se, abrindo novas frentes de trabalho inclusive em meios de comunicação. Para atender à nova demanda, entretanto, os cursos superiores e os próprios profissionais precisaram adaptar-se. Os pesquisadores Edileuda Soares Diniz, André Pena e Leandro Damaceno Gonçalves apontam para a necessidade do profissional da informação apresentar-se como um indivíduo pró-ativo e que saiba agir com ética no ambiente de trabalho. “Existe espaço para o profissional da informação atuar em empresas do porte do Jornal pesquisado, desde que invista na educação continuada”, destacam, referindo-se ao jornal que foi objeto do estudo “O perfil do profissional da informação demandado por uma empresa do ramo jornalístico”.

A partir de entrevistas com os empregadores do jornal, os autores do estudo constataram o interesse em contratar profissionais com o perfil do profissional bibliotecário. “Os argumentos abordados nesse trabalho revelaram que a informação é uma importante ferramenta para o sucesso e sobrevivência de qualquer empresa”, destacam.

O jornal em questão, de acordo com o estudo, realizou inúmeros investimentos em novas tecnologias e aperfeiçoamento dos profissionais presentes na equipe. “As exigências apontadas pelos participantes da pesquisa para contratar o profissional da informação para atuar no interior de sua empresa foi o perfil de um indivíduo inovador, dinâmico e, principalmente, pró-ativo e de atitudes éticas”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/745/pdf_51

Marca-país Brasil: percepção de estrangeiros afeta turismo

Os Estados Unidos ocuparam, até recentemente, o segundo lugar entre os países que mais enviaram turistas ao Brasil. Esse número, entretanto, caiu gradualmente a cada ano. A explicação óbvia para a queda é a crise norte-americana. A pesquisadora Fabiana Gondim Mariutti, entretanto, resolveu analisar a questão à luz da consideração da marca-país Brasil. “A consideração da marca-país, como sendo a percepção da imagem e as associações da marca de uma nação – vista pelos estrangeiros, é um aspecto frequentemente presente, seja no panorama econômico, político, social, acadêmico, na moda, no esporte, no cinema e, finalmente no turismo”, explica.

Autora da dissertação de mestrado “Identidade de marca-país: comunicação da marca Brasil nos Estados Unidos da América”, defendida na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP Ribeirão Preto, Fabiana Gondim Mariutti defende que o Brasil necessita de estudos sobre seu próprio conceito de país de origem e, principalmente, o fortalecimento de sua identidade de marca.

A pesquisa concluiu que a Marca Brasil apresenta relações incompletas e divergências conceituais com a teoria, cujo conceito firma-se que a identidade da marca é a visão estratégica da marca. “Esse entendimento é distorcido teoricamente pela Embratur e não experimentado nas respostas dos entrevistados”, destaca a pesquisadora. “Portanto, a identidade central da marca Brasil que deveria ser a alma da marca corresponde parcialmente à desejada pela Embratur, trazendo apenas a diversidade como característica”. Além disso, aponta a pesquisa, a identidade expandida, cujos elementos dimensionais da identidade da marca são organizados em quatro perspectivas, não proporcionaram textura e integridade da marca Brasil. “Cada experiência com a Marca Brasil em contextos diversos proporciona associações com a reputação e a imagem do país”, ressalta o estudo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/96/96132/tde-04052012-113333/pt-br.php

Jornalismo ambiental de qualidade é característica do profissional, e não do grupo editorial, aponta tese

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A grande imprensa recorre a diversas fontes para cobrir matérias sobre o meio ambiente? Essa é uma das perguntas que nortearam a pesquisa “A cobertura jornalística sobre poluição do solo por resíduos: uma análise da produção dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo da Rio-92 a 2007”. A autora, Maria Daniela de Araujo Vianna, defendeu sua tese de doutorado na unidade de Ciência Ambiental da USP, e concluiu que a maior parte das coberturas feitas pelos dois jornais no período de 15 anos traz uma abordagem desconexa, pontual e alarmista sobre o tema. “Embora o volume de textos sobre meio ambiente seja maior na atualidade do que no passado e exista maior número de reportagens contextualizadas, isso ainda é a exceção, e não a regra nas redações”, afirma.

A autora destaca ainda que as matérias mostraram-se presas a uma visão reducionista da realidade, buscando emoldurar histórias e encaixar nelas papéis de vilões e mocinhos, justiceiros e vítimas. “A qualidade está mais associada a iniciativas individuais de profissionais do que a decisões institucionais de grupos de comunicação”.

Cientistas e jornalistas entrevistados para o estudo refletiram sobre caminhos possíveis para a cobertura jornalística sobre meio ambiente, e apontaram, entre outras coisas, a aproximação e o melhor entendimento entre jornalistas e cientistas como fatores importantes para a qualificação do debate ambiental mediado pela imprensa no Brasil.

Fonte: Universidade de São Paulo.

Propagandas usam técnicas sofisticadas para atingir crianças, que não identificam manipulação; pesquisadores defendem maior rigidez na regulamentação brasileira

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O crescimento do poder de consumo do brasileiro não passa despercebido pelas agências de publicidade. Convencer o público a comprar por meio de anúncios na televisão é uma das formas mais disseminadas de publicidade, mas a prática assume complexidade e se torna perigosa diante da frágil regulamentação brasileira a respeito do assunto. “No caso do público infantil, a mídia lança mão de estratégias voltadas não somente para as próprias crianças, como também para seus pais, responsáveis e cuidadores, isto é, em última instância, os que definem a escolha e aquisição dos produtos e serviços anunciados”, afirmam os autores do estudo “Publicidade infantil: uma análise de táticas persuasivas na TV aberta”.

Fabio Iglesias, Lucas Soares Caldas e Stela Maria Santos de Lemos, da Universidade de Brasília (UNB), ressaltam que em comparação com países europeus e da América do Norte, a legislação brasileira é limitada. “A frequência elevada de táticas de persuasão é uma evidência de exposição de crianças a táticas sutis, contra as quais não têm ainda muita capacidade de resistência em função de seu desenvolvimento cognitivo”, ressaltam.

O estudo avaliou 182 peças publicitárias veiculadas nos intervalos comerciais de um programa infantil de elevada audiência da televisão aberta, duas semanas antes do Dia das Crianças. A análise revelou como principais táticas dos anunciantes a definição de um critério de decisão pela criança, a simulação de consenso social, o contar de histórias e a modelagem social. Isso quer dizer que os anunciantes brasileiros que querem atingir o público infantil não têm pudores em usar discursos nas propagandas como “Peça já para o seu pai” e “Você não vai querer ficar de fora”.

Quem não se lembra da célebre e manipuladora propaganda de bicicleta onde as crianças eram induzidas a espalhar bilhetes pela casa para que os pais não se esquecessem de comprar a bicicleta, ou outras em que crianças pequenas aparecem batendo os pés e gritando “Eu quero! Eu quero!”?

Os pesquisadores observaram que a tática mais frequente foi a de definir o critério de decisão, que apareceu em quase todas as propagandas. “Os resultados indicaram uma grande diferença no uso de táticas de persuasão entre as empresas anunciantes, o que sugere que elaboram diferentes e sofisticadas estratégias para a promoção de seus produtos”, concluem. “Isso reflete a necessidade de avanços na regulação da publicidade voltada para crianças, devido à sutileza de algumas táticas e ao fato de ser praticamente impossível a criação de uma peça publicitária livre de algumas que se mostraram constantes”, defendem os autorem.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822013000100015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Ciclo de vida de empreendimentos sociais é diferente, afirma estudo

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Instituições sem fins lucrativos, ONGs e outras modalidades de empreendimentos sociais apresentam um ciclo de vida diferente dos empreendimentos tradicionais, cujo foco é o lucro. A proposta de um ciclo de vida próprio para os empreendimentos sociais é feita pelos pesquisadores Alexandre Meira de Vasconcelos e Álvaro Guillermo Rojas Lezana, da Universidade Federal de Santa Catarina. “O modelo pode subsidiar a decisão dos gestores sobre o futuro da organização, bem como de financiadores públicos e privados, gestores de redes sociais, pesquisadores, consultores, administradores públicos, entre outrosstakeholders, e abre caminho para outros estudos sobre o tema”.

Autores do estudo “Modelo de ciclo de vida de empreendimentos sociais”, eles entrevistaram fundadores de dez empreendimentos sociais de Curitiba (PR) acerca da história de vida da organização. “A análise qualitativa dos dados identificou cinco etapas de evolução (Ação Social, Associação, Visibilidade Social, Rede Social e Representatividade Social) com, respectivamente, seis momentos de crise que determinam a passagem para uma etapa posterior (Desequilíbrio Social, Identidade, Foco, Controle, Responsabilização e Ética)”, ressalta o estudo.

Segundo o estudo, a partir dos anos 1990 a participação social em decisões antes da alçada exclusiva de governos ganhou relevância e se tornou quesito obrigatório no processo de construção e transformação da sociedade, inclusive com a alteração substancial do discurso político. “As organizações formais oriundas da participação social apresentam uma variedade de tipologias, formas de atuação e origens”, destacam.

Os pesquisadores afirma ainda que estudos futuros podem se dedicar a criar um instrumento para medir e avaliar em qual fase uma organização está atualmente e em que momento se moverá para o estágio subsequente. “Esse instrumento deverá minimizar a ambiguidade de termos característicos das fases e quantificá-los”, concluem.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-76122012000400007&lng=pt&nrm=iso