Jornalismo e saúde

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A jornalista especializada em Saúde Mônica Tarantino concedeu a seguinte entrevista ao blog:

1)    Comente sobre sua trajetória profissional – formação, principais atividades e projetos

Silvana, comecei a trabalhar em jornal antes de entrar na faculdade. Eu era recepcionista e precisava definir o que queria da vida. Minha tia tinha um namorado que era fotógrafo de esportes dos Diários Associados. Eu achava as histórias dele incríveis, aquela paixão pelo trabalho, cada dia uma coisa, zero rotina. Nesse período, eu também adorava ler jornais, comprava o que tinha na banca  – Movimento, Opinião, Pasquim…a chamada imprensa nanica. Aos 16 anos, consegui um estágio no jornal Valeparaibano, em São José dos Campos (SP) e amei aquele mundo. Fazia a página de televisão, cultura e…horóscopo, porque o contrato do astrólogo tinha vencido e não fora ainda renovado. Um dia entrei no jornal e a moça da recepção, que era de Touro, tinha cortado o cabelo porque nós (eu e algumas colegas de redação) tínhamos dado essa sugestão no horóscopo. Fiquei apavorada com o impacto do que era publicado…grande lição. Aos 17 anos entrei na faculdade, voltei a São Paulo, onde nasci, e passei nos cursos para recém-formados da Editora Abril e da Folha de S.Paulo. Antes de me especializar em saúde e medicina, cobri educação, política, cultura, agribusiness, trabalhei em assessoria de imprensa, assessoria de comunicação política e de governo. Fiz livros como ghost writer de médicos, organizei livros e projetos com a ONG Nossa Tribo para comunidades indígenas. Um deles, realizado com recursos do Criança Esperança, buscava resgatar aspectos da alimentação tradicional para melhorar a nutrição de crianças do povo Xavante. Outra coisa legal foi organizar o songbook compositor Itamar Assumpção, cujo projeto e edição receberam um APCA de melhor biografia. Hoje estou preocupada em aprender sobre jornalismo de dados em cursos on-line e estudar mais sobre saúde pública no Brasil. Enfim, me atualizar de alguma forma.

  2)    Como é a rotina de um repórter especializado em saúde? Que tipo de pautas você cobre, e com quais profissionais interage para fazer as matérias?

Precisamos ler (e ouvir) muito, especialmente revistas científicas, sites de divulgação científica, jornais do Brasil e internacionais, agências, sites de governo. Acompanho blogs de ciência de alguns pesquisadores e converso com cientistas e médicos com frequência. Quando algum tema vira matéria, a preocupação constante é ouvir diversos pesquisadores para contextualizar as descobertas e pesquisas. Outra questão premente é ampliar a consciência, no Brasil, sobre a importância da divulgação científica. Isso tem melhorado muito, mas ainda precisa se tornar uma ação reconhecida e estabelecida pelas instituições, que deveriam investir mais. Participei de um evento há alguns meses, o Pint of Science BR, e fiquei muito impressionada com a disposição dos pesquisadores em divulgar seus trabalhos. É preciso criar meios para que essas informações cheguem ao público interessado. Como diz meu amigo Moura Leite Neto, vice-presidente da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência, a ciência precisa chegar às pessoas. 

3) Como chegou à área de saúde, e quais os desafios de se trabalhar nesta área?

O jornalismo na área da saúde e medicina entrou na minha vida por acaso, quando fechou uma revista em que eu trabalhava (Mulher Atual) e fui acolhida na revista Saúde! É Vital, que à época pertencia à Editora Azul, ligada a Abril. Foram tempos de muito aprendizado. Reescrevia as matérias muitas vezes, demorava para acertar, chorei muito, ficava arrasada com o rigor das editoras. Enfim, aprendi muito e vi que ainda precisaria aprender muito mais. Acabei me apaixonando pelo tema e segui na área. Fiquei 15 anos na ISTOÉ, fiz cursos de especialização, mas não cursei nenhum mestrado. Penso nisso agora. Em 2015, fui realizar um sonho na editora Brasileiros – Monique Oliveira (jornalista e doutoranda em saúde pública) e eu criamos ali o site Saúde! Brasileiros e a editoria de saúde da revista. Foi uma experiência maravilhosa. Lá ganhamos o prêmio Jornalistas Tropicais, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, por uma matéria chamada Herdeiros do Zika, que foi capa da revista. Em 2017, por causa da crise econômica e política, a Brasileiros parou de ser publicada e encerrou também o site. Adoraria que voltasse. Ainda em 2017, Monique e eu criamos uma agência  on-line de jornalismo em saúde, a Bula. Mais recentemente, começamos um podcast na rádio Brasil Atual chamado Tudo Ciência! Sigo dando suporte na parte de pesquisa e edição de livros e escrevo para o site Medscape. E sim, é um desafio cobrir essa área com qualidade. Exige muita pesquisa para contextualizar as notícias, a busca de fontes envolvidas e não envolvidas nos estudos para comentá-los com seriedade, rigor constante para selecionar as boas fontes de informação. Precisa gostar de verdade.

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