Mulheres dos anos dourados

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“Jornal das moças critica as mulheres que se importam em demasia com os cuidados pessoais, chamando-as de frívolas. Claudia, por sua vez, como valoriza o consumo tanto quanto as virtudes morais, não faz esse tipo de censura; nessa revista, cuidados com a beleza e a aparência nunca são demais”. Com essas palavras, Carla Bassanezi Pinsky analisa, através de publicações voltadas ao público feminino, os tempos em que casar era indispensável, traições masculinas eram perdoadas em nome da harmonia conjugal e bons eletrodomésticos deveriam compensar a monotomia. Publicado pela Editora Contexto, 396 páginas, 2014, o livro traz na contracapa uma pergunta: será que as coisas mudaram tanto assim?

A autora trata as noções de masculino e feminino como conceitos históricos. “As concepções relacionadas à diferença sexual tanto são produto das relações sociais quanto produzem e atuam na construção dessas relações”, descreve Carla. O livro reflete ainda sobre os papeis desempenhados e atribuídos às mulheres dentro de um relacionamento ao longo do tempo: mulheres solteiras, desquitadas, que traem, que são traídas, que são amantes.

Em sua análise das publicações consideradas femininas, ela relembra a figura de Carmen da Silva, que por muitos anos foi editora da revista Claudia e foi pioneira em suas opiniões sobre criação de filhos, por exemplo, defendendo a liberdade de diálogo inclusive sobre sexo.