Quais as consequências das inovações que tornam inviáveis as modalidades convencionais de produção de energia no mundo contemporâneo? Esse é o questionamento do pesquisador  Ricardo Abramovay, Professor Titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo, membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e autor da obra  “Muito Além da Economia Verde e coautor de Lixo Zero: Gestão de Resíduos Sólidos para uma Sociedade mais Próspera”. A pergunta é feita no estudo “Inovações para que se democratize o acesso à energia, sem ampliar as emissões”, que aborda, entre outros pontos, a desigualdade entre os países na ocupação do espaço carbono.
Reconhecendo a importância de se reverter esta desigualdade, o pesquisador ressalta que o mais importante, entretanto, é criar condições para que os avanços recentes na capacidade de geração de energia elétrica de fontes renováveis e descentralizadas cheguem de maneira massiva aos países em desenvolvimento. “Fortalecer as economias fósseis e construir hidrelétricas nocivas a ecossistemas preciosos e frágeis é perenizar um caminho de acesso à energia que, globalmente, está sendo superado”, defende.
O autor acredita ainda que as condições técnicas dos píses deveriam dominar as discussões e as propostas para combater o aquecimento global. “Muito mais importante que garantir o direito aos países de renda baixa e média para que continuem contribuindo (e de forma crescente) à destruição do sistema climático, o grande desafio está em conseguir dotá-los das condições técnicas que lhes permitam entrar e avançar na revolução digital sem terem que passar pelo que de mais predatório caracterizou a primeira e a segunda revoluções industriais”.
O estudo destaca, por fim, que o maior obstáculo neste campo talvez não seja de natureza técnica ou financeira, mas sim esteja concentrado nos interesses em torno das formas convencionais de crescimento econômico, começando pelas formas tradicionais de oferta de energia. “Quanto mais se investe nas modalidades fósseis ou nas formas predatórias de hidroeletricidade, mais incontornável se torna a dependência de trajetória imposta por estas tecnologias, mesmo que sob formas renovadas, como é o caso das fontes não convencionais de obtenção de petróleo das quais o pré-sal brasileiro é um exemplo fundamental”, explica.
Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomeni.com
Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2014000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt