Os processos de substituição que ocorrem na fala de pessoas com Dispraxia Verbal ocorrem, de modo geral, em palavras com mais de duas sílabas, em alvos líquidos e fricativos, dentro do pé-métrico do acento (em tônica e pós-tônica), em posição de onset simples medial e coda final. Essa é uma das análises do estudo “Processos de substituição e variabilidade articulatória na fala de sujeitos com dispraxia verbal”.

As pesquisadoras Inaê Costa Rechia, Ana Paula Ramos de Souza, Carolina Lisboa Mezzomo e Michele Paula Moro, autoras do estudo, analisaram a fala de crianças entre dois anos e meio e quatro anos e dois meses, com hipótese diagnóstica de Dispraxia Verbal. “A tonicidade foi estatisticamente significante para a ocorrência da variabilidade articulatória e substituições usuais, sendo que o processo apresentou maior probabilidade de ocorrência em sílaba tônica e pós-tônica (sílabas dentro do pé métrico do acento), respectivamente”, destaca o estudo.

As autoras apontam, entre as implicações clínicas do estudo, a necessidade de se considerar que a aquisição de segmentos não ocorrerá com ampla generalização entre estruturas silábicas e sílabas distintas nas palavras, pois o acento e o tipo de estrutura silábica, bem como a extensão da palavra, desempenham papel importante no processo de aquisição fonológica por sujeitos dispráxicos. “Assim, novos segmentos devem ser trabalhados, preferencialmente em palavras mono e dissílabas, se possível paroxítonas, com o segmento na sílaba tônica”, ressaltam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342009000400020&lng=pt&nrm=iso