Oficinas de Cozinha podem ser um recurso para terapia fonoaudiológica de pessoas com Síndrome de Prader-Willi, que apresentam dificuldades alimentares desde os primeiros meses de vida, além de dificuldades de linguagem. “Prader-Willi apresenta duas fases clínicas opostas”, descreve o estudo “Trabalho fonoaudiológico em oficina de cozinha em um caso de Prader-Willi”, que acompanhou uma criança de cinco anos com diagnósticos da Síndrome. “Na primeira fase, os principais sintomas são hipotonia neonatal, hipotermia, letargia, choro fraco, hiporreflexia e dificuldade na alimentação, devido ao reflexo de sucção fraco, continua o estudo, ressaltando que a hipotonia é central e não progressiva, apresentando melhoras entre o oitavo e décimo primeiro mês de vida.

Conforme o tônus muscular aumenta e a criança começa a ficar mais alerta, ela ganha mais apetite e inicia-se o segundo estágio da síndrome, que começa a partir do segundo ano de vida. “A criança apresenta apetite insaciável e não seletivo, resultando em ganho de peso e desenvolvimento progressivo da hiperfagia e obesidade”, destacam os pesquisadores Nathalia Zambottie Luiz Augusto de Paula Souza. Nesta fase, pessoas com a Síndrome de Prader-Willi também apresentam atrasos no desenvolvimento psicomotor e de linguagem, caracterizados por problemas de articulação na fala, habilidades morfossintáticas restritas e dificuldades pragmáticas e lexicais. “Esse quadro normalmente contribui para um déficit de aprendizado”, alertam. Outros sintomas também são desenvolvidos no segundo estágio, como sonolência e sensação de dor diminuída.

O estudo destaca que a Oficina de Cozinha, no trabalho fonoaudiológico com crianças pequenas, vem sendo utilizada por profissionais da área da saúde, com resultados satisfatórios no tratamento de vários casos clínicos. “É um dispositivo pertinente à elaboração da linguagem em crianças, uma vez que remonta cenas simbólicas e inaugurais da oralidade, entre outras: amamentação, sucção digital, balbucio e primeiros níveis de desenvolvimento da fala”.

No caso estudado, houve melhora no funcionamento miofuncional oral e de linguagem – organização da função mastigatória e ganho de autonomia na capacidade discursiva. “A criança, que apresenta marcas orgânicas advindas da Síndrome, usufruiu de potencialidades da Oficina de Cozinha”, concluem os pesquisadores.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462013000100022&lng=pt&nrm=iso