Pesquisar

meunomenai

atualidades, saúde, família, literatura, carreira…

Mês

Dezembro 2013

Superdotação e liderança criativa: proposta para estímulo

O tema da liderança vem sendo debatido intensamente na literatura, principalmente no ambiente empresarial, governamental e militar, mas seu conhecimento ainda é bastante escasso entre os educadores e psicólogos. Alguns tópicos desse conhecimento são abordados no estudo “Liderança em jovens:uma proposta para identificação e desenvolvimento da criatividade e superdotação”, de autoria dos pesquisadores Steven I. Pfeiffer e Solange Muglia Wechsler. “Existem possibilidades de detectar a superdotação intelectual e criativa entre crianças e jovens e expectativas de superação de um nível básico de competência para atingir o de especialista ou esperto, em qualquer área, permitindo assim o aparecimento da liderança”, ressaltam os autores.

O estudo trata ainda de indicadores da liderança, ou como a liderança se desenvolve entre os jovens, além de possíveis diferenças de sexo, e a relação da inteligência com a criatividade. Os autores apresentam ainda um modelo para estimular a liderança criativa e uma escala para professores avaliarem superdotação, com o objetivo de estímulo.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S0103-166X2013000200008&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

 

Autismo e esquizofrenia: fatores em comum

Esquizofrenia e autismo, apesar das diferenças na idade em que se manifestam e no perfil clínico, são igualmente ainda pouco compreendidas por especialistas. É possível que as duas condições tenham algo mais em comum, conforme acreditam os pesquisadores J. Hamlyn, M. Duhig, J. McGrath e J. Scott, que revisaram a literatura científica sobre os dois temas. “A pesquisa genética e epidemiológica recente sugere que estas duas desordens do desenvolvimento neurológico compartilham certos fatores de risco”, destacam.

Autores do estudo “Fatores de risco modificáveis para a esquizofrenia e o autismo – fatores de risco compartilhados impactando no desenvolvimento do cérebro” (tradução livre para o português), os pesquisadores identificaram três fatores: idade paterna avançada, complicações no parto e a condição de migrante dos pais, que pode ocasionar na inserção do filho em grupos minoritários.

Os pesquisadores apontam ainda fatore não-genéticos, como excessos ou deficiências nutricionais e exposição a drogas, e ressaltam: “Agora são necessários estudos para quantificar qualquer aumento no risco de autismo ou esquizofrenia associado a esses fatores ambientais modificáveis”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo (em inglês), acesse o link:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23123588

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/10/05/cinco-coisas-para-se-ensinar-a-criancas-que-convivem-com-autistas/

http://meunomenai.com/2013/10/02/evitando-o-habito-de-morder-em-autistas/

http://meunomenai.com/2013/09/15/historias-sociais-ferramenta-para-desenvolver-habilidades-sociais-de-autistas/

http://meunomenai.com/2013/09/14/planejando-ferias-com-uma-pessoa-autista/

http://meunomenai.com/2013/09/11/o-que-fazer-quando-o-autista-tem-o-habito-de-agredir-a-si-mesmo-durante-uma-crise/

 

Aprendizagem de autistas: eficácia da estratégia aumenta habilidade para comportamentos mais complexos

Muitos pais de autistas consideram o desenvolvimento social o principal ganho de seus filhos aos freqüentarem a escola, seja regular ou especial. Com o direcionamento de autistas para escolas regulares, porém, aumenta a exposição desses alunos aos conteúdos acadêmicos tradicionais. Interessada no processo de aprendizagem dos conceitos de adição e subtração por autistas, a pesquisadora Camila Graciella Santos Gomes acompanhou uma adolescente autista que recebeu estímulos visuais para explicar as operações aritméticas.

Autora do estudo “Autismo e ensino de habilidades acadêmicas: adição e subtração”, a pesquisadora descreve como gradualmente foi aumentada a comeplexidade das operações ensinadas, à medida que ia aumentando o número de acertos dela nas tarefas. “O ensino de habilidades acadêmicas para pessoas com autismo tem recebido pouca atenção de estudos, provavelmente porque os comprometimentos clássicos do transtorno relacionados à comunicação, interação social e comportamentos são vistos como prioritários no desenvolvimento de pesquisas”, explica a pesquisadora.

O estudo utilizou procedimentos adaptados com base em descrições sobre o quadro de autismo, princípios de aprendizagem da análise experimental do comportamento, técnicas de ensino e observação direta do repertório da participante. “Pode-se perceber que, com o aumento da eficácia das estratégias de ensino que possibilitam a aquisição de habilidades básicas e que suplementam as dificuldades clássicas do transtorno, crianças com autismo têm mostrado um ganho no repertório geral e, conseqüentemente, tornam-se hábeis a aprender comportamentos mais complexos como àqueles necessários aos conteúdos acadêmicos”, destaca o estudo.

A menina autista participante do estudo à época tinha 12 anos e freqüentava uma classe com colegas de 11 anos em média. Sabia ler e escrever, mas demonstrava dificuldade em compreender os conteúdos. Enquanto o restante de sua turma trabalhava conteúdos de multiplicação, divisão, potenciação e raiz quadrada, ela ainda não havia aprendido a resolver operações de adição e subtração. Sua fala é descrita como repetitiva e estereotipada, e era comum que a menina falasse sobre o mesmo assunto ou fizesse a mesma pergunta diversas vezes. “Apresentava também alteração no tom da fala, troca de pronomes e dificuldades na organização de frases”, descreve o estudo, completando que a menina compreendia literalmente ordens verbais e apresentava dificuldades na compreensão de ordens complexas e conceitos abstratos, necessitando de explicações mais simples e diretas. Não compreendia conceitos que necessitavam de relações entre objetos ou quantidade como “maior”, “menor”, “mais” ou “menos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382007000300004&lng=pt&nrm=iso

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

“Rastreamento de sinais de autismo em irmãos”

http://meunomenai.com/2013/12/06/rastreamento-de-sinais-de-autismo-em-irmaos-2/

“Teoria da Mente e autismo: treinamento para desenvolver habilidade metacognitiva”

http://meunomenai.com/2013/11/13/teoria-da-mente-e-autismo-treinamento-para-desenvolver-habilidade-metacognitiva-2/

“Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo”

http://meunomenai.com/2013/08/07/dicas-para-desenvolver-habilidade-de-conversacao-avancada-em-criancas-com-autismo/

“Lecionando para crianças e adolescentes com autismo: informações para pais e professores compartilharem”

http://meunomenai.com/2013/07/16/lecionando-para-criancas-e-adolescentes-com-autismo-informacoes-para-pais-e-professores-compartilharem/

“Estratégias de ensino para crianças com autismo”

http://meunomenai.com/2013/07/08/estrategias-de-ensinopara-criancas-com-autismo/

Quase metade de crianças autistas que não falaram até os cinco anos poderão falar com fluência mais tarde

O fato de uma criança autista não falar entre os quatro ou cinco anos não significa que ela nunca irá falar, como receiam alguns pais. Estudo publicado na revista Pediatrics verificou que 70% de crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos que não falavam aos quatro anos desenvolviam-se a ponto de utilizar frases simples, enquanto quase metade adquiria com o decorrer dos anos um linguajar fluente e adequado.

Imagem

O estudo analisou mais de 500 crianças com autismo, e não encontrou relações entre a possibilidade da criança desenvolver a linguagem mais tarde e suas condições demográficas, como a região em que nasceu, e condições psiquiátricas, como o grau do autismo, crises de ansiedade ou agressividade, por exemplo. Isso quer dizer que a princípio qualquer criança pode desenvolver a fala, mesmo que já tenha passado dos cinco anos.

A pesquisa destaca ainda não ter encontrado indícios de que interesses restritos (crianças que comem somente determinados alimentos, por exemplo, ou gostam apenas de uma cor, estilo de roupa ou brinquedo), assim como as condutas repetitivas que muitos autistas apresentam (girar constantemente objetos, por exemplo) e os aspectos sensoriais (como extrema sensibilidade/aversão ao toque) interfiram significativamente no desenvolvimento da linguagem.

Fonte:http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2013/02/26/peds.2012-2221

Aluno da rede estadual vence Prêmio Jovem Cientista 2013

O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e acontece desde o ano 1981. Este ano, o tema foi “Água – desafios da sociedade”., e o vencedor, o estudante Edvan Nascimento Pereira, da 2ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Ernestina Pereira Maia, localizada no município de Moju, no Pará.

Seu projeto, “Carvão do Caroço de Açaí (Euterpe oleracea) ativados quimicamente com hidróxido de sódio (NaOH) e sua eficiência no tratamento de água para o consumo”, foi baseado em pesquisa que revelou um índice de 64% de moradores da região que afirmam ter contraído algum tipo de doença pela ingestão de água não tratada. O carvão resultante do caroço de açaí desempenha papel de filtro,  contribuindo para a prevenção de inúmeras doenças e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida da população local.

Com esse projeto, Edvan já participou de várias feiras de ciências e conquistou prêmios como o da Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE) e Ciência Jovem, que acontece em Recife. “Isso é uma demostração que a escola pública está produzindo bons frutos na área de ciência e tecnologia. Grande parte desses projetos são desenvolvidos em parceria com as secretaria estaduais de Educação e os clubes de ciências”, enfatizou Licurgo Brito, secretário adjunto de Ensino da Seduc.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Fonte: FEBRACE

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

http://meunomenai.com/2013/08/07/aprendizagem-interativa-em-ciencias-e-engenharia-cursos-online-e-gratuitos-em-plataforma-feita-em-parceria-com-laboratorio-da-usp/

http://meunomenai.com/2013/09/02/impacto-das-novas-tecnologias-no-ensino-superior-em-cinema-e-audiovisual-pesquisa-analisa-transformacoes-e-demandas-do-mercado-de-trabalho/

http://meunomenai.com/2013/12/10/musica-e-neurociencias-relacao-com-linguagem-movimentos-e-emocoes-2/

http://meunomenai.com/2013/12/02/educacao-cientifica-e-inclusao-escolar/

http://meunomenai.com/2013/09/02/educacao-domiciliar-violencia-e-baixa-qualidade-do-ensino-sao-motivos-para-as-familias-brasileiras-que-preferem-nao-mandar-seus-filhos-para-a-escola/

Bullying contra autistas: o que fazer

A partir da suspeita de que autistas são especialmente vulneráveis ao bullying, a Interactive Autism Network (IAN) realizou uma pesquisa sobre o tema, chegando a um resultado assustador: mais de 60% dos autistas entrevistados, entre 6 e 15 anos, haviam sofrido algum tipo de perseguição por colegas ou outras crianças em algum momento de suas vidas. “Nossos resultados mostram que as crianças com síndrome de Autismo são intimidadas a um ritmo muito elevado, e também são muitas vezes intencionalmente conduzidas a colapsos ou explosões de agressividade pelos colegas mal-intencionados”, descreve Dan Olweus, um dos pesquisadores.

A entidade elaborou um “kit” para pais e educadores de crianças especiais contra o bullying. O texto (em inglês) está disponível gratuitamente no link: http://specialneeds.thebullyproject.com/toolkit

A IAN, entidade que realizou a pesquisa, tem como objetivo promover a aproximação entre pesquisadores e a comunidade autista, e ressalta que a vítima de bullying raramente faz algo para provocar seus agressores. O estudo destaca ainda que o bullying deixou de ser encarado como um comportamento infantil, e hoje é tratado como um problema social, especialmente o cyberbullying, perseguição feita pela internet. Sobretudo ocorrida em redes sociais, esse tipo de bullying é crime e deve ser denunciado, primeiramente aos administradores da rede, para que os ataques sejam suspensos. Antes disso, porém, é importante reunir provas do crime, como impressões da página, pois o autor pode retirá-la espontaneamente. As provas podem ser apresentadas em qualquer delegacia de polícia. A Secretaria Especial de Direitos Humanos também recebe denúncias, por telefone, discando-se o número 100 (discagem gratuita) ou por e-mail: disquedenuncia@sedh.gov.br

Os pesquisadores destacam ainda que, quando outra criança ou adolescente, que não a vítima, intervém no ataque, cerca de 50% dos agressores encerram o ataque, ao menos momentaneamente. A participação dos pais e professores é fundamental para que os ataques acabem de vez. As perseguições quando fora da internet, muitas vezes são difíceis de se comprovar, pois podem ser encobertas por outras crianças ou adolescentes, que não concordam com o bullying mas têm medo de se transformar em alvos se denunciarem ou confirmarem uma agressão.

Escolas devem ter regras específicas contra o bullying, e divulgá-las regularmente, inclusive as punições. Se isto não ocorrer, os pais podem solicitar e até participar da elaboração das regras. “O bullying afeta a capacidade de aprendizagem”, alerta o pesquisador.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Autism Speaks

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

“Ecolalia, quando o autista apenas repete palavras, frases ou perguntas”

http://meunomenai.com/2013/07/27/ecolalia-quando-o-autista-apenas-repete-palavras-frases-ou-perguntas/

“Dez coisas que crianças autistas gostariam que você soubesse”

http://meunomenai.com/2013/07/11/dez-coisas-que-criancas-autistas-gostariam-que-voce-soubesse/

“Ensinando crianças autistas a interagir com cães”

http://meunomenai.com/2013/10/03/ensinando-criancas-autistas-a-interagir-com-caes/

Música e neurociências: relação com linguagem, movimentos e emoções

Diversos estudos apontam a música como ferramenta de intervenção em diferentes alterações neurológicas como afasia (distúrbio de linguagem), autismo e dislexia, assim como o estudo da neurociência tem trazido muitas contribuições em diversas áreas, buscando melhor compreender o funcionamento do cérebro humano. É o que ressaltam os pesquisadores Viviane Cristina da Rocha e Paulo Sérgio Boggio, autores do estudo “A música por uma óptica neurocientífica”.

Revisando artigos científicos publicados em periódicos internacionais na década de 2010, relacionados à música e à neurociência, os autores concluíram que há contribuição da neurociência tanto para o campo de música, da pedagogia musical e da performance, quanto para o campo da musicoterapia. “O estudo da música tem sido valorizado em diversas áreas, das quais se destacam a percepção auditiva, a relação entre música e movimento, a relação entre música e memória, estudos com música e linguagem, além daqueles acerca das emoções evocadas por música”.

Destacando que a música é vivenciada diariamente por uma grande maioria de pessoas, os autores afirmam que a música, junto à linguagem, é um dos traços exclusivos dos seres humanos. “Apesar da existência do canto dos pássaros e alguns tipos de comunicação entre primatas e baleias, por exemplo, nenhuma outra espécie possui esses dois domínios organizados da maneira como são nos seres humanos”, afirmam, com base em literatura da área.

O artigo descreve ainda os avanços da área de Neurociências nas últimas décadas, que têm possibilitado uma maior compreensão sobre a relação entre música e sistema nervoso. “Técnicas como imagem por ressonância magnética (IRM) têm possibilitado, por exemplo, a verificação de diferentes volumes de estruturas cerebrais específicas como o corpo caloso, córtex motor e cerebelo quando se compara músicos de alto desempenho e não músicos”, apontam.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-75992013000100012&lng=pt&nrm=iso

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

“Pesquisadora defende abordagem empírica da consciência”

http://meunomenai.com/2013/10/04/pesquisador-defende-abordagem-empirica-da-consciencia/

“Novo grupo de estudos em neurociência contemporânea em Ribeirão preto, SP”

http://meunomenai.com/2013/08/21/novo-grupo-de-estudos-em-neurociencia-contemporanea-em-ribeirao-preto-sp/

“Alice, mãe do autista Emílio, fala da trajetória do filho até a faculdade de música”

http://meunomenai.com/2013/08/16/alice-mae-do-autista-emilio-fala-da-trajetoria-do-filho-ate-a-faculdade-de-musica/

“A linguagem da música”

http://meunomenai.com/2013/07/04/a-linguagem-da-musica/

 

Altas habilidades/superdotação: invisibilidade é resultado de estigma e falta de informação da sociedade e de docentes


O atendimento educacional especializado para alunos com altas habilidades/superdotação na Educação Básica é hoje uma realidade legalmente consolidada, que precisa ser implementada e surtir efeitos concretos nos encaminhamentos pedagógicos. Esta é a posição das pesquisadoras Susana Graciela Pérez Barrera Pérez e Soraia Napoleão Freitas. “Os alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) constituem uma parcela importante da população-alvo da Educação Especial, que ultrapassa os 2 milhões de matrículas na Educação Básica”, afirmam. Essa estimativa foi levantada para a elaboração do estudo “Encaminhamentos pedagógicos com alunos com Altas Habilidades/Superdotação na Educação Básica: o cenário Brasileiro”, de autoria de ambas.

O estudo analisa os aspectos que prejudicam a concretização do atendimento aos alunos com altas habilidades/superdotação – desinformação, representação cultural e falta de formação acadêmica e docente – que, segundo as autoras, são as causas da invisibilidade destes alunos. “A representação cultural deturpada leva a pensar que o aluno com AH/SD é uma pessoa rara, que não precisa de nada, que se autoeduca, que somente existe em classes privilegiadas, que só pode ser o aluno nota 10 na sala de aula e, principalmente, que não é um aluno com necessidades educacionais especiais, pois este termo é equivocadamente reservado aos alunos com deficiência”.

O estudo destaca ainda que a estigmatização de alunos com altas habilidades/superdotação faz com que eles não consigam sair de sua invisibilidade sistêmica, que se reflete nos censos escolares, que não recebem informações adequadas das escolas e, portanto, apresentam números insignificantes dentro das matrículas escolares. O estigma também reflete nos dispositivos legais, “que embora às vezes os contemplem, o fazem superficialmente, sem medidas específicas para eles”, e nos programas de atendimento de Educação Especial ou Educação Inclusiva, “que frequentemente esquecem dessa população”, segundo as autoras.

O estudo destaca ainda que, na maioria dos programas de formação acadêmica, especialmente nos cursos de Pedagogia e Educação, o tema altas habilidades, quando apresentado, “é de forma tão superficial que não permite uma compreensão adequada por parte dos futuros professores”. As autoras alertam ainda que, “nos cursos de Psicologia, Neurologia e Pediatria, cujos profissionais deveriam ter conhecimentos mínimos sobre o assunto, é extremamente raro encontrar o tema nos conteúdos curriculares e isso leva a que muitas pessoas com AH/SD sejam “diagnosticadas”, tratadas e inclusive medicadas por patologias como a transtorno de déficit de atenção com (ou sem) hiperatividade, depressão, bipolaridade, por exemplo”.

Para mudar esse quadro, as autoras ressaltam que a informação da sociedade como um todo e a formação dos docentes é um dos principais elementos que poderão apagar o nefasto prefixo “in” da palavra “invisibilidade”. “Nesse sentido, o desenvolvimento de campanhas de informação, como as que já ocorrem para as áreas da deficiência, permitiria que os mitos e as crenças populares relativas às PAH/SD fossem combatidos”, defendem.

A revisão das políticas públicas também é necessária. “Para que a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva possa concretizar seus anseios de promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo, entre outras, o atendimento educacional especializado e a formação de professores para esse atendimento e dos demais profissionais da educação para a inclusão escolar, tem que haver uma normatização mais eficiente e a tão necessária articulação intersetorial na implementação das políticas públicas, da educação infantil ao ensino superior”.

A inclusão de conteúdos relativos às altas habilidades/superdotação no programas de graduação também é importante. “Isso depende muito de ações mais pró-ativas do órgão regulador em nível federal – o Ministério de Educação – e da Secretaria de Educação Especial, em particular”, ressalta o estudo.

Como a responsabilidade de oferecer formação continuada e especializada está nas mãos das Secretarias de Educação (federal, estaduais e municipais), as autoras preocupam-se com as seguintes questões: “Quem e como identificará os alunos com Altas Habilidades/Superdotação que deverão ser declarados no Censo Escolar?”, “Quem vai preparar e como vai ser preparado o professor para o atendimento educacional especializado para os alunos com Altas Habilidades/Superdotação?”, e “Quando o aluno com AH/SD é atendido nos NAAH/S ou em salas de recursos específicas para as AH/SD – que não constituem Salas de Recursos Multifuncionais – como serão declarados no formulário do Censo, visto que na opção que seria a mais apropriada para o cadastro dos NAAH/S e das salas de recursos específicas para as AH/SD (a terceira), estes alunos não aparecem relacionados?”.

Por fim, o estudo alerta que, para o pleno desenvolvimento das habilidades desses alunos, é necessário levar em conta que além do enriquecimento extracurricular, desenvolvido no contraturno, também devem ser adotadas estratégias pedagógicas de enriquecimento intracurricular, ou seja, dentro da sala de aula.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602011000300008&lng=pt&nrm=iso

Se você gostou deste texto, poderá gostar também de:

“Teoria das inteligências múltiplas: testes não conseguem medir todas as formas”

http://meunomenai.com/2013/08/16/teoria-das-inteligencias-multiplas-testes-nao-conseguem-medir-todas-as-formas/

“Dissincronia emocional em superdotados: alerta para dificuldades nas relações sociais”

http://meunomenai.com/2013/08/20/dissincronia-emocional-em-superdotados-alerta-para-dificuldades-nas-relacoes-sociais/

“Alunos superdotados pedem professores com algo a mais: o caso do professor Alberto”

http://meunomenai.com/2013/08/15/alunos-superdotados-pedem-professores-com-algo-a-mais-o-caso-do-professor-alberto/

“Alunos superdotados e ameaça à relação de poder tradicional na escola: pesquisadora propõe revisão de métodos e diagnósticos”

 http://meunomenai.com/2013/08/05/alunos-superdotados-e-ameaca-a-relacao-de-poder-tradicional-na-escola-pesquisadora-propoe-revisao-de-metodos-e-diagnosticos/

“A superdotação ao longo da vida: adultos adaptados e não adaptados”

http://meunomenai.com/2013/07/28/a-superdotacao-ao-longo-da-vida-adultos-adaptados-e-nao-adaptados/

Pesquisas em disfagia dificultam prática baseada em evidências

 

Pesquisas científicas estão fortemente relacionadas às formas de identificação de disfagia, e não às características proporcionadas pela deglutição de diferentes consistências, segundo estudo “Alimentos na consistência líquida e deglutição: uma revisão crítica da literatura”. O objetivo do trabalho foi analisar artigos científicos internacionais publicados sobre a fisiologia da deglutição de alimentos líquidos nas fases oral e faríngea.

Os autores, Elaine Cristina Pires, Fernanda Chiarion Sassi, Laura Davison Mangilli, Suelly Cecília Olivan Limongi e Claudia Regina Furquim de Andrade, destacam que na maioria dos estudos descritos nos artigos analisados não há grupo-controle. “Os achados desta revisão demonstram que há dificuldade na aplicabilidade clínica dos achados científicos, dificultando a prática baseada em evidências”, ressaltam.

Distúrbio da deglutição decorrente de alterações em uma ou mais de suas fases, podendo ter como causa aspectos neurológicos e/ou estruturais, a disfagia pode ocasionar aspiração laringo-traqueal (entrada de alimentos ou líquidos, incluindo saliva e secreções, na via aérea, abaixo da glote), conforme descreve a literatura levantada para o estudo. “Tosse, sufocação/asfixia, problemas pulmonares, desidratação, desnutrição, sepse, perda de peso e morte, são resultados característicos da aspiração decorrente da disfagia”, apontam os autores, com base nessa literatura.

O estudo ressalta que inúmeros fatores interferem na eficiência da deglutição, como a consistência do bolo alimentar, o volume ingerido, a temperatura, a própria característica anatômica dos indivíduos e a integridade dos músculos e nervos envolvidos no processo de deglutição. “O líquido é designado por alguns autores como sendo a consistência que mais causa penetração laríngea e aspiração, mesmo quando comparado com a deglutição de líquidos espessados”.

Durante a revisão de literatura, foi observado ainda que os grupos estudados nas pesquisas descritas são heterogêneos, principalmente quando considerando indivíduos com alterações neurológicas. “Além disso, não há pareamento de idade na maioria dos estudos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400020&lng=pt&nrm=iso

Se você gostou deste texto, poderá também gostar de:

http://meunomenai.com/2013/09/19/fonoaudiologos-e-denuncias-de-violencia-intrafamiliar-criancas-com-dificuldade-de-comunicacao-correm-maior-risco/

http://meunomenai.com/2013/09/01/terapia-fonologica-contrastiva-estudo-compara-aquisicao-de-fonemas-entre-criancas-com-e-sem-intervencao/

http://meunomenai.com/2013/08/26/implante-coclear-parametros-acusticos-aproximam-se-dos-valores-apresentados-por-criancas-ouvintes-2/

http://meunomenai.com/2013/08/20/consultoria-colaborativa-necessidade-de-inclusao-de-criancas-especiais-em-escolas-regulares-abre-frente-de-atuacao-para-fonoaudiologos/

http://meunomenai.com/2013/08/19/a-linguagem-de-pessoas-com-asperger-caracteristicas-e-treino/

site na WordPress.com.

EM CIMA ↑