Histórias singulares, apesar de encontradas em várias regiões brasileiras onde existe desigualdade de gênero. É a conclusão do estudo “Femicídios: narrativas de crimes de gênero”. Femicídios são mortes violentas de mulheres, decorrentes do exercício de poder entre homens e mulheres. “Com relação aos homicídios femininos, o Brasil ocupa o sétimo lugar entre 84 países do mundo”, ressalta o estudo. Apesar dessa colocação nada honrosa, a pesquisa destaca que as mortes femininas por agressão são pouco estudadas, e que um dos motivos pode ser o fato de que a mortalidade masculina por agressão tem se mostrado historicamente maior que a feminina, apresentando taxas até dez vezes maiores.

O estudo analisou 92 inquéritos policiais de homicídios femininos em Porto Alegre, utilizando as narrativas como ferramenta de análise. Os pesquisadores Stela Nazareth Menegehel, Roger Flores Ceccon, Lilian Zielke Hesler, Ane Freitas Margarites, Stefania Rosa e Valmir Dorn Vasconcelos selecionaram seis casos considerados representativos de femicídio íntimo, femicídio com abuso sexual, morte por execução ou conexão, e femicídio de profissional do sexo. “Observou-se a presença de crimes de gênero caracterizados pela crueldade, semelhantes aos encontrados em regiões de elevada violência e misoginia”, destacam. Misoginia significa ódio, desprezo ou repulsa às mulheres ou características consideradas femininas.

O trabalho aponta como maioria das vítimas mulheres jovens, negras, profissionais do sexo e moradoras de territórios marcados pelo tráfico e pela pobreza. “Há diferentes cenários onde os femicídios podem ocorrer, tornando esse conjunto de mortes heterogêneo e complexo, embora se possa afirmar que todos eles são provocados pela condição de discriminação e subordinação das mulheres na sociedade patriarcal”.

Os pesquisadores afirmam ainda que os novos cenários de femicídio, que compreendem as redes internacionais de tráfico e a exploração de mulheres, movimentam enormes somas de dinheiro e atingem dimensões mundiais. “Para o comércio de mulheres, é importante que a mercadoria esteja viva, porém, se há ameaça de fuga, pedido de ajuda, contato com outras pessoas ou adoecimento, a mulher torna-se uma peça sacrificável”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832013000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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