Teoria da Mente e autismo: treinamento para desenvolver habilidade metacognitiva

A Teoria da Mente está relacionada à habilidade de atribuir estados mentais – crenças, intenções, desejos e conhecimento – a nós mesmos e às outras pessoas. Em alguns casos de autismo, existe a desconfiança de que essa habilidade está prejudicada. Esse prejuízo pode interferir na aprendizagem escolar do autista e em sua vida familiar e social, pois a habilidade descrita na Teoria da Mente envolve também a compreensão de que as crenças, intenções, desejos e conhecimentos de outras pessoas sãodiferentes entre si e dos nossos próprios. “A Teoria da Mente é uma habilidade metacognitiva que em muitos casos supõe-se deficitária no autismo”, ressalta o estudo “Teoria da Mente em um caso de autismo: como treiná-la” (tradução livre do original em espanhol).

Habilidade metacognitiva está relacionada à conscientização da pessoa sobre seu próprios conhecimentos e sua capacidade de compreensão, controle e manipulação de suas habilidades de aprendizagem.

Os autores do estudo, María Jesús Martín García, Inmaculada Gómez Becerra e Maria José Garro Espín, descrevem o caso de um menino diagnosticado com autismo que foi acompanhado por quase três anos. Durante esse tempo, o menino recebeu um protocolo de treinamento de habilidades, composto basicamente de ajudas verbais.

O objetivo desse protocolo era enfatizar, para o menino autista, elementos como tom de voz, expressões faciais e corporais, palavras e frases que indicam mudanças de situação e de tempo. Alguns exemplos: abanar a mão, dando tchau, pode indicar que a pessoa está finalizando a conversa e indo embora; olhar para os lados diversas vezes pode demonstrar que a pessoa não está interessada no tema da conversa, e por isso é interessante mudar o assunto caso o autista queira continuar conversando naquele momento com aquela pessoa; e dizer “amanhã depois do café da manhã nós vamos ao dentista” significa que antes de sentar na cadeira do dentista o autista irá cumprir a rotina inteira de um dia.

O protocolo descrito no estudo incorporou ainda objetos e jogos que faziam parte do cotidiano do menino, que foram usados para demonstrar diferentes consequências de uma mesma ação ou fala. Dessa forma, foi possível demonstrar conceitos como certo e errado.

Os pesquisadores destacam que os resultados encontrados demonstram sucesso no treinamento. Durante o período em que participou do estudo, o menino assistiu diariamente a aulas regulares com crianças de mesma idade cronológica e recebeu em paralelo outros tipos de atendimento, como apoio psicoeducativo três vezes por semana em sua própria casa. Ao iniciar o protocolo, o menino tinha idade cronológica de cinco anos e idade mental de três anos e dois meses. Ao final, sua idade mental era de cinco anos e meio.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www,meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.psicothema.com/psicothema.asp?ID=4051

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