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Novembro 2013

Mortes violentas de mulheres: cenários e narrativas

Histórias singulares, apesar de encontradas em várias regiões brasileiras onde existe desigualdade de gênero. É a conclusão do estudo “Femicídios: narrativas de crimes de gênero”. Femicídios são mortes violentas de mulheres, decorrentes do exercício de poder entre homens e mulheres. “Com relação aos homicídios femininos, o Brasil ocupa o sétimo lugar entre 84 países do mundo”, ressalta o estudo. Apesar dessa colocação nada honrosa, a pesquisa destaca que as mortes femininas por agressão são pouco estudadas, e que um dos motivos pode ser o fato de que a mortalidade masculina por agressão tem se mostrado historicamente maior que a feminina, apresentando taxas até dez vezes maiores.

O estudo analisou 92 inquéritos policiais de homicídios femininos em Porto Alegre, utilizando as narrativas como ferramenta de análise. Os pesquisadores Stela Nazareth Menegehel, Roger Flores Ceccon, Lilian Zielke Hesler, Ane Freitas Margarites, Stefania Rosa e Valmir Dorn Vasconcelos selecionaram seis casos considerados representativos de femicídio íntimo, femicídio com abuso sexual, morte por execução ou conexão, e femicídio de profissional do sexo. “Observou-se a presença de crimes de gênero caracterizados pela crueldade, semelhantes aos encontrados em regiões de elevada violência e misoginia”, destacam. Misoginia significa ódio, desprezo ou repulsa às mulheres ou características consideradas femininas.

O trabalho aponta como maioria das vítimas mulheres jovens, negras, profissionais do sexo e moradoras de territórios marcados pelo tráfico e pela pobreza. “Há diferentes cenários onde os femicídios podem ocorrer, tornando esse conjunto de mortes heterogêneo e complexo, embora se possa afirmar que todos eles são provocados pela condição de discriminação e subordinação das mulheres na sociedade patriarcal”.

Os pesquisadores afirmam ainda que os novos cenários de femicídio, que compreendem as redes internacionais de tráfico e a exploração de mulheres, movimentam enormes somas de dinheiro e atingem dimensões mundiais. “Para o comércio de mulheres, é importante que a mercadoria esteja viva, porém, se há ameaça de fuga, pedido de ajuda, contato com outras pessoas ou adoecimento, a mulher torna-se uma peça sacrificável”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832013000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Alterações de linguagem e Síndrome de Down: comportamentos que auxiliam o desenvolvimento


Paciência, entonação de voz adequada e boa interação são comportamentos positivos no relacionamento de mães com seus filhos com alterações de linguagem. “É preciso interagir com outros seres humanos como meio de sobrevivência, proteção e estimulação, sendo que a comunicação nasce desta necessidade”, destaca o estudo “Síndrome de Down versus alteração de linguagem: interação comunicativa entre pais e filhos”.

As autoras, Maria Grazia Guillen Mayer, Maria Amelia Almeida e Simone Aparecida Lopes-Herrera, investigaram a interação de mães de crianças com síndrome de Down e seus filhos e mães de crianças com alteração de linguagem e seus filhos. “Os dados encontrados mostram que mães de crianças com alteração de linguagem interagem mais positivamente com a criança quando comparadas às mães de crianças com síndrome de Down”, destacam, ressaltando que, neste estudo, mães de crianças com síndrome de Down tiveram comportamentos mais passivos, assim como seus filhos.

Os comportamentos durante a interação de crianças com alteração de linguagem e suas mães que auxiliam o processo de desenvolvimento da linguagem da criança apontados no estudo são: equilíbrio da atividade dialógica durante a interação, estrutura gramatical e complexidade do discurso adequado, mais paciência com a criança e adequada entonação da fala. Ao analisar as crianças, as pesquisadoras observaram que as com síndrome de Down tiveram mais dificuldades em compreender regras e instruções fornecidas pelas mães, além de demonstrarem menos interesse nas atividades. “A forma discursiva não foi adequada e a entonação de fala mais monótona”, concluem as pesquisadoras, destacando que a comunicação requer habilidades básicas, como a capacidade para iniciar, interagir e responder apropriadamente ao que está sendo questionado, além de manter a interação. “Durante a interação social, as crianças aprendem como usar a linguagem e fazer dela uso social”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382013000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Caso de polícia? Análise do sistema educacional brasileiro


É chocante assistir a professores serem brutalmente atacados pela polícia em manifestações públicas que exigem nada mais que condições dignas para seu trabalho. Mais chocante ainda é observar a repetição dessa brutalidade, mesmo diante do consenso de que a profissão de professor é desvalorizada a ponto de muitos recearem que, se o governo brasileiro não modificar profundamente o sistema, haverá escassez gritante de professores.

Por que, afinal, não se consegue articular discursos coerentes que conduzam à melhoria do sistema de ensino brasileiro, satisfazendo todas as partes envolvidas nesse sistema? Será uma utopia um sistema de ensino onde professores sentem-se valorizados e pessoalmente realizados pelos resultados de seu trabalho e pela sua remuneração, ao mesmo tempo em que alunos terminam seus ciclos de estudos cientes de que receberam uma formação sólida que os preparou para as próximas etapas?

Interessado nas possibilidades e nos limites da construção de um Estado de direitos, assim como do fortalecimento da esfera pública, o pesquisador Miguel G. Arroyo aprofundou-se nos referenciais teóricos com que tem sido analisada a construção do sistema de educação. “Ao atrelar a construção de um sistema de educação à cooperação entre os entes federados, que possibilidades e limites coloca a garantia do direito de todos à educação?”, questiona o pesquisador.

Essa e outras questões estão presentes no estudo “Reinventar a política – reinventar o sistema de educação”. O autor ressalta: “Depois de algumas décadas de tentar a contra-hegemonia pelo pensamento crítico, pela conscientização por currículos anti-hegemônicos, idealizados como semeadores do dissenso, o que experimentamos é que a paz nos campos, nas vilas, nos conglomerados, nas ruas e até nas escolas não passa por acentuar um sistema educacional que faça o jogo de consenso integrador”.

Consenso e dissenso são analisados no estudo, que argumenta: “Como garantir igualdade de direitos em um padrão de poder no qual o poder dos entes federados é tão assimétrico?”. O pesquisador destaca ainda que, “quando se opta por privilegiar processos de um mínimo sobreviver, não há lugar nem para o jogo do consenso nem do dissenso”.

A partir do questão “Educar para o consenso ou suprimir o dissenso?”, o autor argumenta que “o discurso sobre a necessidade de um sistema articulado, de qualidade, tem destacado a necessidade de socializar os trabalhadores e os cidadãos para o consenso na cultura nacional, nos valores da ordem”. Segundo ele, “não por acaso a questão operária foi uma questão de polícia, como as questões agrária, da paz nas favelas e nos conglomerados continuam uma questão de polícia, de repressão e de extermínio”.

Por quanto tempo ainda a questão da educação será no Brasil caso de polícia?

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302013000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Da Holanda a Beirute: a experiência de criar um filho autista


O que a Holanda, na Europa, e Beirute, no Líbano, têm a ver com o autismo? A relação está no livro “Longe da Árvore”, do jornalista Andrew Solomon: enquanto uma mãe de uma criança deficiente definiu sua experiência como se tivesse descoberto que estava na Holanda em vez da Itália, como planejara, uma mãe de autista descreveu a sua própria experiência de criar o filho especial como se tivesse sido bruscamente jogada numa zona de guerra.

“Welcome to Holland” (“Bem vindo à Holanda”) é um texto de autoria de Emily Kingsley, que descreve a deficiência como um lugar bonito, cheio de serenas alegrias, mas diferente da maternidade que ela planejara: a Itália de seus sonhos.

Em contrapartida, a mãe da criança autista tem dificuldade para encontrar alegrias serenas em meio aos sintomas extremos de seu filho: capacidade de passar muitos dias sem dormir, aliada à incapacidade de se conectar ou falar com outro ser humano – inclusive a própria mãe. Some-se a isso os atos de violência aleatória que seu filho costuma cometer a sua hiperatividade, e não será difícil entender por que essa mãe comparou sua experiência com a maternidade a  uma guerra.

O autismo é acompanhado por uma série de frustrações, e talvez a maior delas seja o fato de que não é possível prever o que torna um tratamento eficaz em um autista e totalmente ineficaz em outro. Infelizmente, a única maneira de descobrir a eficácia de um tratamento é experimentá-lo, geralmente por muito tempo.

O jornalista descreve o caso de uma menina diagnosticada com autismo que, após inúmeras intervenções, como fonoaudioterapia, terapia ocupacional, fisioterapia e musicoterapia, continuava sem dormir, causando feridas em si mesma e sem conectar-se com outras pessoas. Um neurologista falou aos pais, sem rodeios, que se ela havia reagido a toda aquela intervenção precoce e de qualidade, nunca iria falar.

Não foi, no entanto o que aconteceu nos anos seguintes: em ocasiões diferentes a menina falou frases inteiras e com sentido, identificando corretamente cores de objetos e manifestando vontades. Infelizmente, os pais não conseguiram identificar o que fizera com que ela falasse naquelas situações. Essa mãe acredita que o ato de falar, para sua filha, é como um congestionamento de trânsito: em determinados momentos, as ruas e avenidas ficam totalmente desimpedidas, e as palavras conseguem então chegar à boca.

Essa mesma mãe encontrou, no decorrer dos anos, suas próprias alegrias serenas na experiência da maternidade: um dia, ao se despedir da filha, a menina esfregou o próprio rosto no seu. Uma profissional que acompanhava a menina vibrou com a reação da menina, e a mãe soube que ela jamais fizera isso com nenhuma outra pessoa. Era o primeiro beijo que recebia de sua filha autista.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

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Teoria da Mente e autismo: treinamento para desenvolver habilidade metacognitiva

A Teoria da Mente está relacionada à habilidade de atribuir estados mentais – crenças, intenções, desejos e conhecimento – a nós mesmos e às outras pessoas. Em alguns casos de autismo, existe a desconfiança de que essa habilidade está prejudicada. Esse prejuízo pode interferir na aprendizagem escolar do autista e em sua vida familiar e social, pois a habilidade descrita na Teoria da Mente envolve também a compreensão de que as crenças, intenções, desejos e conhecimentos de outras pessoas sãodiferentes entre si e dos nossos próprios. “A Teoria da Mente é uma habilidade metacognitiva que em muitos casos supõe-se deficitária no autismo”, ressalta o estudo “Teoria da Mente em um caso de autismo: como treiná-la” (tradução livre do original em espanhol).

Habilidade metacognitiva está relacionada à conscientização da pessoa sobre seu próprios conhecimentos e sua capacidade de compreensão, controle e manipulação de suas habilidades de aprendizagem.

Os autores do estudo, María Jesús Martín García, Inmaculada Gómez Becerra e Maria José Garro Espín, descrevem o caso de um menino diagnosticado com autismo que foi acompanhado por quase três anos. Durante esse tempo, o menino recebeu um protocolo de treinamento de habilidades, composto basicamente de ajudas verbais.

O objetivo desse protocolo era enfatizar, para o menino autista, elementos como tom de voz, expressões faciais e corporais, palavras e frases que indicam mudanças de situação e de tempo. Alguns exemplos: abanar a mão, dando tchau, pode indicar que a pessoa está finalizando a conversa e indo embora; olhar para os lados diversas vezes pode demonstrar que a pessoa não está interessada no tema da conversa, e por isso é interessante mudar o assunto caso o autista queira continuar conversando naquele momento com aquela pessoa; e dizer “amanhã depois do café da manhã nós vamos ao dentista” significa que antes de sentar na cadeira do dentista o autista irá cumprir a rotina inteira de um dia.

O protocolo descrito no estudo incorporou ainda objetos e jogos que faziam parte do cotidiano do menino, que foram usados para demonstrar diferentes consequências de uma mesma ação ou fala. Dessa forma, foi possível demonstrar conceitos como certo e errado.

Os pesquisadores destacam que os resultados encontrados demonstram sucesso no treinamento. Durante o período em que participou do estudo, o menino assistiu diariamente a aulas regulares com crianças de mesma idade cronológica e recebeu em paralelo outros tipos de atendimento, como apoio psicoeducativo três vezes por semana em sua própria casa. Ao iniciar o protocolo, o menino tinha idade cronológica de cinco anos e idade mental de três anos e dois meses. Ao final, sua idade mental era de cinco anos e meio.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www,meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.psicothema.com/psicothema.asp?ID=4051

Mulheres no poder: pesquisa aponta satisfação, desafios e motivações para empreendedorismo feminino

O melhor investimento para transformar a sociedade é investir nas mulheres. Com essas palavras, a pesquisadora Eva G. Jonathan encerra seu estudo “Mulheres empreendedoras: o desafio da escolha do empreendedorismo e o exercício do poder”. A frase, na verdade, faz parte de um dos depoimentos colhidos pela pesquisadora, que analisou 149 empreendedoras do Rio de Janeiro. Destas, 116 possuíam empreendimentos em segmentos variados da economia, 16 eram empreendedoras de alta tecnologia (Tecnologia de Informação e Biotecnologia) e 17 eram líderes de empreendimentos sociais sem fins lucrativos.

A pesquisa analisou as respostas a partir de dois aspectos: o desafio enfrentado por mulheres que escolhem o empreendedorismo como forma de se inserir na esfera pública do trabalho, e a forma de conduzir seus empreendimentos. “A análise de como as mulheres contemporâneas lidam com a multiplicidade de papéis sugere a relevância que conferem ao ato de fazer escolhas sem pressões ou cobranças. Uma necessidade a ser reconhecida pela sociedade como um todo”, destaca a autora do estudo.

Desejo de auto-realização e necessidade de criar uma forma de se inserir no mercado de trabalho são apontados pelo estudo como principais motivações para mulheres empreendedoras. “O empreendimento próprio emerge como algo desafiador, prazeroso, no qual podem imprimir seus próprios valores e formas de ser/agir e que permite exercer sua capacidade de decisão”.

Alguns depoimentos do estudo ressaltam a análise da pesquisadora, como o da entrevistada de 43 anos, empreendedora na área de serviços: “Eu não queria mais trabalhar para ninguém, eu queria ter um negocinho que fosse pequenininho, mas que fosse meu, que tivesse […] o meu jeito, que eu tava cansada de receber ordens […]”.

A busca de independência e/ou estabilidade financeira também aparece como um motivo de peso, assim como as mudanças na vida privada – separação conjugal, mudança de cidade, crescimento dos filhos – ou profissional das empreendedoras. “Quando saí da empresa […] eu estava em uma faixa etária que era considerada velha […], então, eu tive que abrir o meu próprio negócio, porque ninguém aceita uma mulher com quarenta e poucos anos […]”, conta uma empreendedora de 56 anos, da área de comércio. “Fiquei completamente fora do mercado de trabalho, porque me formei […], não fiz nada […], fiquei desesperada […]”, afirma outra, de 42 anos, também da área de comércio

Os dados encontrados pela pesquisadora indicam ainda que a experiência de ser empreendedora acarreta, principalmente, uma vivência de bem-estar subjetivo, sendo intensos os sentimentos de satisfação pessoal e de autorrealização experimentados. “O exercício de criatividade, a liberdade de ação, a identificação com aquilo que faz, as conquistas diárias, entre outros aspectos, alimentam tais sentimentos e promovem auto-estima, contribuindo para a construção de uma auto-imagem de vencedora”, destaca o estudo.

O estudo aponta ainda outro lado do empreendedorismo feminino: as entrevistadas percebem certos desgastes e custos, tais como ter pouco tempo para si e para a família, possuir uma pesada carga horária de trabalho e ter o lazer prejudicado. Aparentemente, não é motivo para desânimo ou arrependimentos. “Ênfase maior é dada (pelas empreendedoras entrevistadas) aos benefícios do envolvimento e da atuação em diversas áreas, destacando-se o orgulho pelas realizações, o respeito próprio, as conquistas diárias no trabalho, além da boa relação com filhos, familiares, funcionários e outros parceiros do trabalho”, ressalta a pesquisadora.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652011000100005&lng=pt&nrm=iso

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