Treino em consciência fonológica recupera atrasos em linguagem escrita


Atrasos de linguagem escrita, um problema que afeta número significativo de alunos brasileiros do Ensino Fundamental, podem ser revertidos por meio do treino em consciência fonológica, que é a capacidade de separar, de modo consciente, as palavras em suas menores unidades: sílabas e fonemas. É o que afirma a pesquisadora Neusa Lopes Bispo Diniz, autora do estudo “Metalingugaem e alfabetização: efeitos de uma intervenção para recuperação de alunos com dificuldades na aprendizagem da linguagem escrita”.

A tese de doutorado foi defendida no Instituto de Psicologia da USP, e ressalta que a efetividade do programa de intervenção constitui uma importante implicação pedagógica. “É possível recuperar atrasos em linguagem escrita em crianças dos anos iniciais do ensino fundamental através de treino em consciência fonológica, correspondência grafemafonema e consciência sintática, em situação real de sala de aula”.

A pesquisadora acompanhou alunos entre 08 e 12 anos durante 16 sessões de aplicação coletiva de atividades lúdicas metafonológicas e 15 sessões de atividades lúdicas metassintáticas. “Há na literatura especializada fortes evidências empíricas a respeito das relações entre habilidades de leitura e escrita e habilidades metalingüísticas”, aponta.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-09012009-144508/pt-br.php

Relatos de mães de crianças com autismo descrevem estresse, luto, sobrecarga e medo do futuro


A condição especial de uma criança modifica bastante o ciclo de vida familiar, podendo causar sobrecarga emocional, sobretudo estresse e depressão. Interessada em conhecer a relação dessa sobrecarga com a qualidade de vida de mães de crianças com autismo, a pesquisadora Maria Ângela Bravo Favero entrevistou mães vinculadas a duas instituições de atendimento. Os resultados foram apresentados no estudo “Trajetória e sobrecarga emocional da família de crianças autistas: relatos maternos”, que resultou em dissertação de mestrado foi defendida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP. Além do impacto na qualidade de vida, a pesquisadora analisou as principais dificuldades decorrentes da demanda de cuidados com o filho e os modos de enfrentamento.

Os resultados mostraram que cerca de 65% das mães entrevistadas apresentaram estresse. As estratégias de enfrentamento das dificuldades são focadas em práticas de cultos religiosos e pensamento fantasioso por 45% dessas mães enquanto 35% enfrentam as dificuldades focando no problema.

A trajetória da família na busca de compreender o problema da criança, resultando numa verdadeira peregrinação por hospitais e profissionais de saúde, também foi abordada na análise. Na descrição de uma mãe, seu filho parecia desenvolver-se como os irmãos, mamando e engatinhando na “idade certa”. “Com um ano e meio parecia inteligente, aprendia as vogais e contava até dez”, lembra a mãe. A suspeita surgiu porque o menino repetia tudo “como papagaio”, nas palavras da própria mãe, referindo-se à ecolalia.

O primeiro pediatra, entretanto, não detectou nada, e o diagnóstico, quando o menino estava com três anos, foi desanimador, fazendo com que a mãe chorasse todos os dias até finalmente aceitar a condição do filho. “Fatores como características de personalidade e disponibilidade de recursos pessoais e sociais que incluem informação e orientação levam ao uso de estratégias que colaboram na busca de uma melhor adaptação à nova condição”, aponta a pesquisadora.

Outros temas, como o luto enfrentado pela família e as dificuldades de lidar com a condição da criança, e também as mudanças na dinâmica familiar e a sobrecarga emocional materna que culminou num processo de racionalização do sofrimento também ficaram evidentes nas respostas. As mães relataram ainda o desamparo sentido pelos pais no que se refere às perspectivas futuras de cuidado com o filho.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-27042005-113149/pt-br.php

Crianças com autismo de alto funcionamento podem avaliar sua qualidade de vida e dizer o que as faz felizes, afirma pesquisadora


A pesquisadora Marília Penna Bernal, autora do estudo “Qualidade de vida e autismo de alto funcionamento: percepção da criança, família e educador”, descreve autismo de alto funcionamento como um quadro pertencente ao transtorno do espectro autista. Esse quadro é caracterizado pelo comprometimento de três áreas: interação social, déficits de linguagem e interesses restritos e estereotipados. “Tradicionalmente a qualidade de vida da criança tem sido avaliada por adultos, existindo uma carência de instrumentos que se destinam a essa avaliação, dificultando a avaliação pela própria criança”, ressalta a pesquisadora.

A dissertação de mestrado, defendida no Instituto de Psicologia da USP, analisou crianças entre 04 e 12 anos diagnosticadas com autismo de alto funcionamento, seus familiares e educadores. “O objetivo deste trabalho foi de avaliar a qualidade de vida de crianças portadoras de autismo de alto funcionamento, analisando o índice de concordância entre criança, familiar e educador, bem como analisar a sensibilidade do questionário utilizado quando respondido por terceiros”.

Os resultados mostram consistência nas respostas dos três grupos. “Ao se pensar as crianças como incapazes de responder a um questionário de qualidade de vida fica evidente a necessidade de se construir ou validar instrumentos já existentes”, conclui a pesquisadora. “Nos resultados encontrados percebe-se que as crianças avaliadas são capazes de fornecer informações sobre si, sobre sua qualidade de vida e o que as tornam felizes”. Os dados, afirma a autora, são importantes para se estruturar serviços que atendam essa população.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-09022011-103709/pt-br.php

Impasses da atuação de psicólogos na educação de alunos com transtornos de desenvolvimento


O trabalho de psicólogas em escolas é indispensável, mas a necessidade de repensar suas intervenções, sobretudo na educação especial, é emergente. A conclusão é da pesquisadora Valéria Campinas Braunstein, autora do estudo “Escolarização de pessoas com transtornos globais do desenvolvimento: possibilidades de atuação no campo da psicologia”.

A ideia do estudo partiu da experiência profissional e acadêmica da autora, que envolve a criação de uma escola que, a partir de 1997, passou a receber alunos com necessidades especiais na educação. A decisão, recorda, resultou em questionamentos e pressões tanto por parte de profissionais quanto de pais de alunos. “Alguns, indignados, transferiram seus filhos, afirmando ser irresponsabilidade de nossa parte permitir tal convivência”, descreve a pesquisadora.

Apesar de a decisão causar a perda de cerca de metade dos alunos, a autora ressalta que os pais de alunos com necessidades especiais de educação insistiram para que o trabalho continuasse, em função dos ganhos observados no bem-estar e desenvolvimento de seus filhos.

Essa experiência também é descrita na dissertação de mestrado, que foi defendida na Faculdade de Educação da USP. O trabalho descreve ainda os parâmetros que norteiam práticas em psicologia escolar frente às demandas relacionadas ao aluno com transtornos globais do desenvolvimento. “Nossa proposta desde o início foi de refletir sobre os impasses da concretização de uma prática crítica em que os psicólogos possam buscar respostas às suas indagações sobre o trabalho com crianças que têm transtornos globais de desenvolvimento no âmbito escolar”.

A pesquisadora ressalta, ainda que esse exercício deve começar no momento de formação do profissional. “É fundamentalmente importante que alunos e profissionais que pretendam trabalhar com a diversidade possam conhecer a realidade escolar por meio de estágios articulados com discussões com profissionais da área escolar”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-10122012-145930/pt-br.php

Fisioterapia aliada a toxina botulínica melhora qualidade de vida de pacientes com distonia cervical


O tratamento com toxina botulínica costuma ser indicado para casos de distonia cervical (torcicolo). As contribuições do tratamento multidisciplinar, entretanto, são admitidas, conforme a pesquisadora Mariana Araújo Ribeiro Queiroz.

Autora do estudo “Tratamento da distonia cervical com fisioterapia: estudo de 20 casos”, avaliou o efeito da associação da toxina botulínica a um protocolo de fisioterapia na gravidade da distonia cervical, incapacidade e dor, além do efeito dessa associação na qualidade de vida dos pacientes. “Foi proposto um novo modelo de tratamento para pacientes com distonia cervical que seriam submetidos a um protocolo fisioterapêutico, baseado em três principais abordagens: aprendizagem motora, cinesioterapia e estimulação elétrica funcional na musculatura antagonista ao padrão distônico”, explica a pesquisadora, que defendeu dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina da USP.

Os resultados dos tratamentos na qualidade de vida foram avaliados conforme aspectos físicos e emocionais. Em relação aos aspectos físicos, o grupo de pacientes que recebeu tratamento aliado à fisioterapia apresentou melhora significativa em três subdomínios: capacidade funcional, limitação por aspectos físicos e dor. Houve também diferença nos resultados apresentados por pacientes tratados apenas com toxina em relação aos que receberam o tratamento conjunto nos subdomínios limitação por aspectos físicos e dor. Em relação aos aspectos emocionais, o grupo que recebeu tratamento conjunto apresentou melhora significativa nos subdomínios vitalidade, aspectos sociais e saúde mental.

A pesquisadora afirma que novas pesquisas são necessárias para confirmar eseus achados e solidificar a reabilitação neurológica como um tratamento eficaz no manejo da distonia cervical.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5138/tde-03072012-091938/pt-br.php

Programas de Qualidade de Vida no Trabalho: pesquisador aponta acidentes, doenças e mortes no trabalho como conseqüências da alienação


Programas de Qualidade de Vida do Trabalhador, segundo o pesquisador José Newton Garcia de Araújo, fazem parte de estratégias de manipulação-sedução do trabalhador. Autor da pesquisa “Qualidade de vida no trabalho: controle e escondimento do mal-estar do trabalhado”, o pesquisador analisa os programas de qualidade de vida sob a luz do capitalismo, revendo análises de Marx sobre o sistema de trocas que faz da alienação a essência do trabalho. “Tal modo de produção continua sendo uma fonte permanente de acidentes, doenças e mortes no trabalho, fazendo milhões de vítimas, anualmente, em todo o planeta”, destaca o estudo.

De acordo com o pesquisador, as relações entre capital e trabalho se traduzem em um conflito inconciliável, que os ideólogos da gestão de recursos humanos tentam, no entanto, ‘desconhecer’ ou ocultar. “As sucessivas inovações tecnológicas estão orientadas para a redução e posterior eliminação do homem, nos processos de produção, embora isso só seja parcialmente possível”.

O autor questiona ainda algumas categorias de qualidade de vida no trabalho. “Não passam de um rol de itens bem-intencionados e vazios, pois negados, via de regra, pela realidade cotidiana do trabalho, nos mais diversos modelos de empresas, sejam elas públicas ou privadas, nacionais ou multinacionais, grandes, médias ou microempresas”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1981-77462009000300011&script=sci_abstract&tlng=pt

Pesquisadoras analisam aspectos psicológicos da lei brasileira sobre alienação parental


A lei brasileira sobre alienação paternal determina a atuação de psicólogos no exame de supostos casos, e para analisar os argumentos no campo da Psicologia que fundamentaram o projeto de lei, as pesquisadoras Analícia Martins de Sousa e Leila Maria Torraca de Brito examinaram as decisões judiciais proferidas em diferentes países com base no conceito. “Ao circunscrever alguns argumentos que se encontram no bojo da exposição de motivos do Projeto, percebem-se certas incongruências em relação aos conhecimentos advindos da Psicologia bem como às resoluções emitidas pelo Conselho Federal de Psicologia para a atuação de psicólogos”, destacam.

Autoras do estudo “Síndrome de Alienação Parental: da Teoria Norte-Americana à Nova Lei Brasileira”, as pesquisadoras salientam que a lei sobre alienação parental restringe a problemática que envolve os conflitos e as relações familiares pós-divórcio a aspectos individuais. Com isso, defendem, são desconsiderados diversos fatores sociais e legislativos que, ao longo do tempo, têm contribuído para o afastamento de um dos pais após o divórcio. “A síndrome de alienação parental (SAP) foi definida, na década de 1980, pelo psiquiatra norteamericano Richard Gardner, como um distúrbio infantil que acometeria crianças e adolescentes envolvidos em situações de disputa de guarda entre os pais, e na visão do autor, a síndrome se desenvolve a partir de programação ou lavagem cerebral realizada por um genitor – nomeado como alienador – para que a criança rejeite o outro responsável”, descreve o estudo.

O estudo destaca ainda que, no Brasil, os resultados de pesquisas sobre separação conjugal parecem ser desconsiderados quando o assunto é a Síndrome de Alienação Parental. “Observa-se que no país tem sido corrente o argumento de que a dita alienação da criança seria motivada por sentimento de vingança por parte do genitor guardião”, ressalta. “Outros autores acrescentam a possibilidade de o alienador ser portador de “moléstia mental ou comportamental”, ou ainda de este se valer da prática de tortura psicológica”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v31n2/v31n2a06.pdf