Psicanálise e Análise do Comportamento Aplicada (ABA) são duas formas de tratamento para autismo dentro da área de psicologia. “Quem pode melhor atender uma criança com autismo?”, pergunta a pesquisadora Luisa Guirado Caramicoli, autora do estudo “Autismo: uma análise institucional do discurso dos tratamentos”. Interessada em descobrir como ocorrem esses tratamentos, a pesquisadora entrevistou profissionais que atuam nestas duas frentes.

A pesquisa contou com questionários que permitiam aos profissionais descreverem suas experiências, sucessos e frustrações, dificuldades e facilidades, para investigar o efeito do discurso desses profissionais sobre o próprio autismo. Os resultados surpreenderam a autora. “Não se observaram apenas diferenças no modo como psicanalistas e analistas do comportamento veem a criança com autismo, a família, seu próprio trabalho e o alcance do método de tratamento”.

Diante da proximidade dos discursos, a pesquisadora optou por identificar os pontos em comum e as divergências. Tanto analistas do comportamento quanto psicanalistas se relacionaram com a criança e com o autismo com base em teorias e em metodologia que sustenta suas ações. Por outro lado, a confiança mostrada sobre o alcance de mudanças, a objetividade na definição de pontos de partida e de chegada nos trabalhos clínicos, as certezas quanto aos resultados e à eficácia dos procedimentos terapêuticos e a inserção programada dos pais no tratamento foram diferentes para os dois grupos de analistas e psicanalistas entrevistados.

A pesquisadora observa que o público – pais, familiares e até a mídia – têm um papel inusitado no confronto entre os dois tipos de tratamento: a escolha acaba sendo não pelo melhor, mas pelo que mais se aproxima de atender à demanda desse público. “O autismo se torna, assim, uma coisa pública”, defende.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-30072013-093834/pt-br.php