A dislexia é caracterizada como um distúrbio específico de aprendizagem, de origem neurológica. É caracterizado pela dificuldade com a fluência correta na leitura, além de dificuldade na habilidade de decodificação e soletração, resultante de um déficit em componentes da linguagem.

As pesquisadoras Daniele de Campos Refundini, Maíra Anelli Martins e Simone Aparecida Capellini, autoras do estudo “Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para a dislexia”, encontraram evidências de que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações.

Os principais sinais da dislexia, destacam as pesquisadoras, podem ser evidenciados durante o desenvolvimento do escolar e se referem a fala ininteligível, imaturidade fonológica, redução de léxico e dificuldade em aprender o nome das letras ou os sons do alfabeto. Também ocorre dificuldade para entender instruções, compreender a fala ou material lido, dificuldade para lembrar números, letras em sequência, questões e direções, e dificuldade para lembrar sentenças ou estórias, além de atraso de fala, confusão direita-esquerda, embaixo, em cima, frente-atrás (palavras-conceitos) e dificuldade em processar sons das palavras e história familial positiva de problemas de fala, linguagem e desenvolvimento da leitura. “Como esses sinais podem ser evidenciados na fase pré-escolar e no início da lfabetização, a dislexia pode ser identificada e detectada precocemente”, ressalta o estudo.

Estudos internacionais recomendam o uso de intervenção em escolares de séries iniciais de alfabetização que apresentem desempenho abaixo do esperado em relação ao seu grupo classe, denominado essas crianças como crianças de risco para a dislexia.

A pesquisa foi realizada com o objetivo de verificar a eficácia do programa da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para dislexia da 1ª série. Participaram deste estudo 60 escolares de ensino público municipal, na faixa etária de 6 a 7 anos de idade.

Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significantes, evidenciando que dos 18 escolares submetidos ao programa, 17 apresentaram melhor desempenho em situação de pós-testagem em relação à pré-testagem. “A realização deste programa foi eficaz para a identificação dos escolares com sinais da dislexia, evidenciando que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-84862010000200005&script=sci_arttext