Relatos de mães de crianças com autismo descrevem estresse, luto, sobrecarga e medo do futuro


A condição especial de uma criança modifica bastante o ciclo de vida familiar, podendo causar sobrecarga emocional, sobretudo estresse e depressão. Interessada em conhecer a relação dessa sobrecarga com a qualidade de vida de mães de crianças com autismo, a pesquisadora Maria Ângela Bravo Favero entrevistou mães vinculadas a duas instituições de atendimento. Os resultados foram apresentados no estudo “Trajetória e sobrecarga emocional da família de crianças autistas: relatos maternos”, que resultou em dissertação de mestrado foi defendida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP. Além do impacto na qualidade de vida, a pesquisadora analisou as principais dificuldades decorrentes da demanda de cuidados com o filho e os modos de enfrentamento.

Os resultados mostraram que cerca de 65% das mães entrevistadas apresentaram estresse. As estratégias de enfrentamento das dificuldades são focadas em práticas de cultos religiosos e pensamento fantasioso por 45% dessas mães enquanto 35% enfrentam as dificuldades focando no problema.

A trajetória da família na busca de compreender o problema da criança, resultando numa verdadeira peregrinação por hospitais e profissionais de saúde, também foi abordada na análise. Na descrição de uma mãe, seu filho parecia desenvolver-se como os irmãos, mamando e engatinhando na “idade certa”. “Com um ano e meio parecia inteligente, aprendia as vogais e contava até dez”, lembra a mãe. A suspeita surgiu porque o menino repetia tudo “como papagaio”, nas palavras da própria mãe, referindo-se à ecolalia.

O primeiro pediatra, entretanto, não detectou nada, e o diagnóstico, quando o menino estava com três anos, foi desanimador, fazendo com que a mãe chorasse todos os dias até finalmente aceitar a condição do filho. “Fatores como características de personalidade e disponibilidade de recursos pessoais e sociais que incluem informação e orientação levam ao uso de estratégias que colaboram na busca de uma melhor adaptação à nova condição”, aponta a pesquisadora.

Outros temas, como o luto enfrentado pela família e as dificuldades de lidar com a condição da criança, e também as mudanças na dinâmica familiar e a sobrecarga emocional materna que culminou num processo de racionalização do sofrimento também ficaram evidentes nas respostas. As mães relataram ainda o desamparo sentido pelos pais no que se refere às perspectivas futuras de cuidado com o filho.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-27042005-113149/pt-br.php

7 Comments

  1. Eu trabalho com meu estresse da seguinte forma: de 15/15 dias tenho uma cuidadora q fica com meu filho final de semana, viajo para minha terra no interior de Minas e la durmo bastante,encontro com os amigos vamos p o barzinho,ou na casa do meu primo.Digo sempre q vou carregar a bateria. Quanto ao futuro esta nas mãos de Deus não adianta sofrer antes, 34 anos com meu filho autista aprendi muita coisa.

    1. Maria Cecília, que bom que encontrou uma forma de descansar um pouco… Você está certíssima, não adianta sofrer por antecedência.
      Obrigada pela visita toda saúde do mundo para você e seu filho.
      Abraços e volte sempre,
      Silvana

  2. É muito complicado, meu filho tem seis anos e é extremamente ativo, chegando a ficar dias sem dormir direito, mesmo com medicamentos, às vezes penso em fazer o mesmo que a colega Maria Cecília falou acima, mas não encontro pessoas de confiança que tenham capacidade emocional de ficar com ele, paciência mesmo, às vezes coloco ele pra dormir e saio um pouco com meu marido, mas sempre preocupada. Já sofri muito pensando no futuro e minha psicóloga me aconselhou a simplesmente lutar por meus sonhos e ter fé em Deus, que as coisas acontecerão naturalmente.Ter um filho autista é viver uma mistura intensa de emoções e diferentes sentimentos, às vezes nos sentimos perdidas, às vezes confiantes, é um exercício diário de amor.

  3. tenho um filho de 20 anos. E muuta renuncia e resignação. Tbm n tenho com quem deixar , e não confio em deixar com outros pessoas, vivo p ele…já desisti!!

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