A pesquisadora Marília Penna Bernal, autora do estudo “Qualidade de vida e autismo de alto funcionamento: percepção da criança, família e educador”, descreve autismo de alto funcionamento como um quadro pertencente ao transtorno do espectro autista. Esse quadro é caracterizado pelo comprometimento de três áreas: interação social, déficits de linguagem e interesses restritos e estereotipados. “Tradicionalmente a qualidade de vida da criança tem sido avaliada por adultos, existindo uma carência de instrumentos que se destinam a essa avaliação, dificultando a avaliação pela própria criança”, ressalta a pesquisadora.

A dissertação de mestrado, defendida no Instituto de Psicologia da USP, analisou crianças entre 04 e 12 anos diagnosticadas com autismo de alto funcionamento, seus familiares e educadores. “O objetivo deste trabalho foi de avaliar a qualidade de vida de crianças portadoras de autismo de alto funcionamento, analisando o índice de concordância entre criança, familiar e educador, bem como analisar a sensibilidade do questionário utilizado quando respondido por terceiros”.

Os resultados mostram consistência nas respostas dos três grupos. “Ao se pensar as crianças como incapazes de responder a um questionário de qualidade de vida fica evidente a necessidade de se construir ou validar instrumentos já existentes”, conclui a pesquisadora. “Nos resultados encontrados percebe-se que as crianças avaliadas são capazes de fornecer informações sobre si, sobre sua qualidade de vida e o que as tornam felizes”. Os dados, afirma a autora, são importantes para se estruturar serviços que atendam essa população.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-09022011-103709/pt-br.php