Mastigação ruim em adultos: pesquisadoras analisam autopercepção e fatores associados


Perdas de dentes, má oclusão dentária, distúrbios e até cáries podem resultar em dificuldades de mastigação e deglutição que, por sua vez, podem levar a quadros transitórios ou permanentes de incapacidade bucal. A insatisfação mastigatória é um importante indicador de incapacidade bucal, que se refere a dificuldades de consumir alimentos muito fibrosos ou duros, além de incômodo ao alimentar-se em frente a outras pessoas.

Dispostas a investigar a autopercepção das pessoas em relação à própria mastigação, as pesquisadoras Ana Paula Gasparini Braga, Sandhi Maria Barreto e Andréa Maria Eleutério de Barros Lima Martins entrevistaram mais de 13 mil adultos. Os resultados foram apresentados no estudo “Autopercepção da mastigação e fatores associados em adultos brasileiros”.

Analisando as respostas, as pesquisadoras observaram que os fatores apontados como responsáveis pela autopercepção ruim e regular estão associados à falta de informação sobre como evitar problemas bucais, necessidade de prótese parcial ou total e dores em dentes e gengivas, entre outros. “A mastigação é uma das funções mais importantes do sistema estomatognático por relacionar-se à nutrição, ao crescimento e ao desenvolvimento craniofacial, à maturação da musculatura orofacial, à estabilidade oclusal e à estabilidade da articulação emporomandibular”, destacam as pesquisadoras.

Dentre os entrevistados, cerca de um quinto dos adultos percebeu a mastigação como ruim, e um quarto, como regular. “Essas prevalências são elevadas em relação às taxas de prevalência de insatisfação ou dificuldades mastigatórias em estudos internacionais, e em conjunto, a prevalência de autopercepção da mastigação regular e ruim foi próxima à taxa encontrada na população idosa brasileira”.

O estudo ressalta que tais resultados são preocupantes, pois a insatisfação mastigatória está vinculada a restrições alimentares e piora na qualidade de vida. Além disso, os resultados apontam que ser mulher e se autodeclarar pardo foram as características individuais associadas à autopercepção ruim da mastigação. A associação com o gênero não foi encontrada em estudos internacionais levantados pelas pesquisadoras. “Uma hipótese para esse resultado seria a de que, no Brasil, as mulheres apresentam maior prevalência de perdas dentárias do que os homens”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/pdf/csp/v28n5/08.pdf

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