Provinha Brasil: pesquisadora alerta que instrumento de avaliação da alfabetização pouco contribui para formação de leitores e escritores


Provinha Brasil é um instrumento para avaliação do nível de alfabetização dos alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e diagnóstico de possível insuficiências das habilidades de leitura e escrita. Foi aplicado pela primeira vez em 2008, e participaram daquela edição mais de três mil municípios e 22 unidades federativas. “Atualmente, há poucos trabalhos que se detêm a analisar os impactos da avaliação da alfabetização nas práticas escolares nos dois primeiros anos do ensino fundamental e, também, que analisam os documentos que compõem o kit da Provinha Brasil”, afirma a pesquisadora Cláudia Maria Mendes Gontijo, autora do estudo “Avaliação da alfabetização: Provinha Brasil”.

O estudo busca compreender as origens do Programa de Avaliação da Alfabetização e as mudanças que ocorreram durante seu desenvolvimento. “O programa tem origem nas definições de organismos mundiais para a década da alfabetização”, ressalta a autora, referindo-se ao período de 2003 a 2012. “O modelo autônomo de alfabetização ancora o Programa de Avaliação e, por isso, a ênfase é depositada no aprendizado das unidades abstratas da língua”.

As análises da Provinha Brasil apontam para um modelo de alfabetização concebido como um conjunto de competências autônomas. “Essas competências estão listadas na Matriz de Referência sob a forma de descritores, habilidades e capacidades no eixo apropriação do sistema de escrita”, afirma a pesquisadora. “Se a introdução do letramento inicial visava a dar conta da dimensão pragmática, funcional, de uso da linguagem escrita de modo a garantir a participação e a inserção das crianças na cultura escrita, podemos dizer que as capacidades elencadas na Matriz referentes à leitura e os itens da Provinha relacionados não contribuem para isso.

A pesquisadora resume que, na perspectiva dos especialistas do MEC responsáveis pela elaboração da Provinha Brasil, a língua/linguagem é um sistema pronto e acabado, e a leitura é concebida como decodificação, enquanto o texto é concebido como enunciação monológica. “Sendo assim, é importante questionar: de que modo a Provinha, pensada como instrumento pedagógico e, portanto, educativo, poderá contribuir para a formação de leitores e escritores?”, pergunta. “Infelizmente, se permanecer dessa forma, ela certamente só poderá contribuir para a formação de massas silenciosas e adaptadas à realidade socioeconômica”, alerta.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022012000300005&script=sci_arttext

 

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