Morder, para um autista, nem sempre é sinal de agressividade. É possível que o autista morda porque encontrou nesse ato uma oportunidade de comunicação com as outras pessoas. É essencial, portanto, mostrar a ele que este hábito incomoda e pode machucar e afastar as outras pessoas. A melhor maneira de mostrar isso é falar claramente, usando também gestos e ilustrações. E certamente será preciso repetir algumas vezes até que ele aprenda.

É importante, porém, tentar descobrir por que o autista morde. Um dos motivos pode ser dor física, que ele não consegue expressar de outra forma e nem pedir ajuda. Além disso, ele não entende a sensação e nem sabe como fazer para diminuir a dor. Enrijecimento dos músculos da boca, excesso da salivação quando isso não é comum e gengivas inchadas ou avermelhadas indicam que o autista precisa de cuidados médicos ou odontológicos.

Se o autista não for verbal, a mordida pode ser uma tentativa de comunicar ou expressar algo, como uma vontade. Observar as situações em que o autista costuma morder dão indícios de seus motivos, e se a tentativa de comunicação for uma suspeita, vale a pena tentar ensinar-lhe formas de comunicação alternativa e ampliada.

A mordida pode também ser uma forma de aliviar a tensão descoberta pelo autista. Se for observado que isso está acontecendo, o ideal é tentar evitar a situação ou ambiente que desencadeia a crise de ansiedade. Se o hábito de morder se manifesta em um determinado local ou na presença das mesmas pessoas, conduzir o autista para um local calmo, sem muitos estímulos sensoriais, pode diminuir a crise. O mesmo vale para as pessoas que desencadeiam a crise. Se isso não for possível, uma alternativa é oferecer objetos limpos e seguros que o autista possa mastigar em lugar de si próprio ou as outras pessoas. Assim, evita-se ferimentos e ele tem oportunidade de aliviar seu estresse.

A busca de uma sensação específica também pode explicar o desejo de morder de alguns autistas. Uma alternativa, nesse caso, é oferecer alimentos de sabores e consistência variados, para que ele os experimente. Observar suas reações é essencial, pois a experiência deve trazer sensações agradáveis ao autista. Caso contrário, ele voltará a insistir nas mordidas.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.