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Outubro 2013

Caixa lúdica para tratamento terapêutico de Síndrome de Asperger


A utilização de uma caixa lúdica em processo terapêutico de crianças com Síndrome de Asperger pode ajudar na construção de vínculos e suprir carências de processo multiprofissional a longo prazo, sobretudo na rede pública. “Percebeu-se que o atendimento, adaptado às condições do ambulatório público, contribuiu para a capacidade de comunicação e de interação da criança, fato que aponta para a importância do debate sobre a psicoterapia psicodinâmica com esta população e formas de realizá-la”, destaca o estudo “Ludoterapia de criança com Síndrome de Asperger: estudo de caso”.

Os autores, Fernanda Pereira Horta Rodrigues, Maíra Bonafé Sei e Sérgio Luiz Saboya Arruda acompanharam o atendimento a um menino de 12 anos diagnosticado com Síndrome de Asperger e atendido no ambulatório de psicoterapia de crianças de um hospital público. Segundo os autores, faltam na literatura científica descrições e discussões acerca da psicoterapia psicodinâmica em crianças com diagnóstico específico de Síndrome de Asperger, embora possam ser citadas algumas referências sobre intervenções com indivíduos com autismo e transtornos globais do desenvolvimento em geral.

Para a pesquisa, foi usada a psicoterapia lúdica de orientação psicodinâmica. Os atendimentos psicoterapêuticos foram realizados por uma terapeuta participante de um curso de especialização em psicoterapias da criança, cujas atividades se estenderam por dois anos. As sessões eram semanais e duravam em torno de 45 minutos. “Neste ambulatório há situações em que é propiciado um espaço de acolhimento para os pais”, descreve o estudo.

O menino participante da pesquisa foi o terceiro e último filho do casal, e suas duas irmãs mais velhas já são casadas há algum tempo, com famílias próprias. Para poder seguir o tratamento psiquiátrico do filho, a mãe largou o emprego e mudou-se de cidade, residindo com o marido e o filho em bairro próximo do hospital, para o qual somente é necessário pegar uma condução. Atualmente o pai é funcionário público municipal e a mãe cuida da casa.

Não falou até os três anos de idade, apenas emitia alguns sons que só eram compreendidos pela mãe, que atendia seus pedidos. Com quatro anos, falava poucas palavras e ingressou na escola, sem se socializar com as outras crianças. Era agitado e desatento, mas mostrava bom desenvolvimento intelectual, e fez acompanhamento fonoaudiológico dos três aos nove anos.

Ao chegar para o atendimento psicológico, cursava a sexta série do ensino fundamental, e era chamado pelas outras crianças da escola de “louco”. Segundo sua mãe, escolhia crianças de idade inferior à sua para se relacionar, o que para ela não trazia vantagens. Mantinha um vínculo de amizade com apenas uma criança, que o acompanhava em todas as atividades, e tinha um relacionamento próximo com apenas uma professora, que havia lhe dado aula por vários anos e, todos os dias, ao encontrá-la, cumprimentava-a com um beijo. A mãe estranhava essa aproximação da parte dele e sempre chamava sua atenção. Com exceção desse colega e dessa professora, o menino não conseguia estabelecer relações sociais fora do núcleo familiar.

Em casa, tinha o hábito de criar inventos que eram levados para o hospital e ajudaram o terapeuta no momento do jogo, apesar de recusar-se a brincar com os brinquedos da caixa lúdica, dizendo que só mexia com os seus inventos. A partir daí, sua caixa lúdica foi reformulada, passando a ser chamada de a “caixa de inventos”, os resultados positivos começaram a aparecer.

A técnica da caixa lúdica, segundo o estudo, representa e simboliza o mundo interno do paciente, permitindo que a criança expresse suas fantasias, angústias, defesas psíquicas e sentimentos em geral por meio dos objetos presentes na caixa, de desenhos e brincadeiras.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2013000100121&lng=pt&nrm=iso

Tratamento do autismo: escolha entre psicanálise e análise do comportamento aplicada

Psicanálise e Análise do Comportamento Aplicada (ABA) são duas formas de tratamento para autismo dentro da área de psicologia. “Quem pode melhor atender uma criança com autismo?”, pergunta a pesquisadora Luisa Guirado Caramicoli, autora do estudo “Autismo: uma análise institucional do discurso dos tratamentos”. Interessada em descobrir como ocorrem esses tratamentos, a pesquisadora entrevistou profissionais que atuam nestas duas frentes.

A pesquisa contou com questionários que permitiam aos profissionais descreverem suas experiências, sucessos e frustrações, dificuldades e facilidades, para investigar o efeito do discurso desses profissionais sobre o próprio autismo. Os resultados surpreenderam a autora. “Não se observaram apenas diferenças no modo como psicanalistas e analistas do comportamento veem a criança com autismo, a família, seu próprio trabalho e o alcance do método de tratamento”.

Diante da proximidade dos discursos, a pesquisadora optou por identificar os pontos em comum e as divergências. Tanto analistas do comportamento quanto psicanalistas se relacionaram com a criança e com o autismo com base em teorias e em metodologia que sustenta suas ações. Por outro lado, a confiança mostrada sobre o alcance de mudanças, a objetividade na definição de pontos de partida e de chegada nos trabalhos clínicos, as certezas quanto aos resultados e à eficácia dos procedimentos terapêuticos e a inserção programada dos pais no tratamento foram diferentes para os dois grupos de analistas e psicanalistas entrevistados.

A pesquisadora observa que o público – pais, familiares e até a mídia – têm um papel inusitado no confronto entre os dois tipos de tratamento: a escolha acaba sendo não pelo melhor, mas pelo que mais se aproxima de atender à demanda desse público. “O autismo se torna, assim, uma coisa pública”, defende.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-30072013-093834/pt-br.php

Falta de mão de obra especializada e exclusão digital prejudicam projetos de Telefonoaudiologia


Os pontos fortes de projetos na área de Telefonoaudiologia estão concentrados na competência administrativa, enquanto os pontos fracos estão identificados na competência de sustentabilidade, necessitando de ações específicas para diminuir os efeitos negativos durante a execução destes projetos pelos seus responsáveis. Estas são as conclusões do estudo “Aplicação de instrumento administrativo para orientação das pesquisas em Telefonoaudiologia na Faculdade de Odontologia de Bauru”, do pesquisador Paulo Marcos Zanferrari. “A importância da Telessaúde no âmbito da medicina propagou-se de forma exponencial, demonstrando capacidade de maximizar resultados, sendo utilizada rapidamente na área de Fonoaudiologia, podendo ser denominada de Telefonoaudiologia”, explica o pesquisador.

Docentes responsáveis por 32 projetos desenvolvidos no Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, SP, na área de Telessaúde, foram entrevistados pelo pesquisador para sua dissertação de mestrado, defendida na Faculdade de Odontologia da USP Bauru.

O objetivo do trabalho era desenvolver um instrumento para criar linhas de orientação das pesquisas dos projetos, além de identificar os pontos fortes e fracos dos projetos analisados e suas possíveis causas. “A pesquisa mostrou que o domínio dos pontos fortes e pontos fracos dos projetos, associados a especialização do capital humano, a maximização do tempo e a atualização dos recursos digitais são insumos importantes para ampliar os benefícios dos projetos de Telessaúde, rumo à vantagem competitiva organizacional”, ressalta o autor.

Foram identificados como pontos fortes a missão do projeto, a qualidade das informações, os canais de comunicação e os benefícios proporcionados aos usuários, tendo como principais causas a utilização de multimeios específicos, a educação continuada, a quantidade de informações disponibilizadas e o comprometimento do capital humano. Em relação aos fatores negativos, os resultados indicam a ausência de especialização da mão de obra em determinadas etapas do projeto, a falta de atualização de hardware e software, a exclusão digital dos usuários e a obsolescência do projeto. “As principais causas desses pontos fracos estão concentradas na dificuldade de suporte técnico, profissionais para divulgação e treinamento, estratégias de marketing e a manutenção dos projetos desenvolvidos”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25143/tde-14082013-103242/pt-br.php

Leitura em voz alta e escrita: interferência positiva

Ler em voz alta pode contribuir no processo de apropriação da escrita por crianças. “As características da leitura em voz alta – a presencialidade atualizada pela voz e pelo olhar, a convocação do corpo sonoro e seu potencial para transmitir cultura – são significantes e podem interferir positivamente no processo de apropriação da escrita”, defende a pesquisadora Lucila Maria Pastorello.

Autora da dissertação de mestrado “Leitura em voz alta e apropriação da linguagem escrita pela criança”, defendida na Faculdade de Educação da USP, a pesquisadora realizou um entrecruzamento entre a lingüística, a psicanálise e a clínica fonoaudiológica. O estudo destaca que a leitura em voz alta, entretanto, pode ser uma tarefa árdua e até frustrante, se for desempenhada pelos próprios alunos. A leitura em tropeços, segundo a pesquisadora, que é natural em uma criança que se depara com um texto pela primeira vez, pode afastar o leitor do texto, pois “a incompletude é aniquiladora”.

A pesquisadora aponta ainda que, em seu trabalho, foram os textos marcadamente estéticos, e não os informativos, que possibilitaram a circulação do desejo e o laço com o escrito. “A cena de leitura em voz alta permite à criança ´ouviver´ a escrita a partir de um saboreamento, do saber as letras”, ressalta, com destaque para o neologismo que une os verbos “ouvir” e “viver”.

A dissertação destaca, ainda, um emocionante depoimento do escritor Moacir Scliar, no qual ele relata a prática de sua mãe de ler em voz alta para ele, ainda em sua barriga. A mãe do escritor faleceu em função de complicações de seu parto, mas a história manteve-se viva por meio dos relatos de seu pai, que mencionava inclusive o autor preferido do bebê Moacir: Machado de Assis.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-20042010-154846/pt-br.php

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Mal-estar na civilização: pesquisador propõe reflexão sobre desmembramento da personalidade psíquica

A indestrutibilidade do psíquico é superestimada? Essa é pergunta do pesquisador François Villa, psicanalista, professor na Universidade de Paris Diderot e autor do estudo “Mal-estar na civilização e desastre totalirário”. Segundo o autor, os traços mnésicos são indestrutíveis, enquanto os processos e os destinos de seus produtos são destrutíveis. “O psíquico pode ser atingido pela destrutividade, pela do mundo e por aquela de que é portador”, ressalta.

O estudo destaca ainda que as condições de possibilidade do psíquico, das quais a cultura faz parte, podem ser destruídas ou alteradas, e questiona: “Não é incrível que demos seguimento à tarefa psicanalítica como se a onda da irrupção do terror e da barbárie na cultura não tivesse abalado as quatro paredes de nossos consultórios?”.

Segundo o autor, não apenas não chegamos a saber qual a extensão da transformação dos espíritos e das mentalidades sob os regimes totalitários, como também não sabemos até que ponto nosso espírito e nossa mentalidade são a descendência direta de tal transformação. “Essa transformação teria sido apenas transitória, efêmera?”, pergunta. “Será que vamos rejeitar sem hesitação a ideia de uma transformação irreversível e a hipótese de que a regressão que favoreceu a instauração do regime nazista tanto quanto a tornou possível, atingiu um ponto que favorece o retorno de alguma coisa que nunca tinha existido?”.

Atentando para a possibilidade de exagero desse questionamento, o autor sugere a reflexão acerca dos ideais culturais após o cataclismo que teve como consequência a decomposição e o desmembramento tanto do projeto civilizador quanto da personalidade psíquica.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Programa Alfabetização Solidária: tese aponta difusão de ideias neoliberais, como financiamento público e privado e mão de obra barata e temporária


O Programa Alfabetização Solidária foi, realmente, uma política governamental de alfabetização de jovens e adultos, apesar de se postular como não governamental. Essa é a conclusão da pesquisadora Gladys Beatriz Barreyro, autora do estudo “Política sociais e educação: o programa Alfabetização Solidária e a participação das instituições de ensino superior na sua implementação”.

Segundo a autora, o formato do programa difundiu um modelo de implementação de políticas sociais que aplicou ideias neoliberais adaptadas ao Brasil, tais como financiamento público e privado, utilização de mão de obra barata e temporária, filantropização das problemáticas sociais e terceirização na implementação, por meio de Instituições de Ensino Superior. “A essas, o Programa proporcionou o desenvolvimento de atividades como extensão e estágios, e valiosas experiências de pesquisa, produção de materiais e envolvimento com a problemática da Educação de Jovens e Adultos”, destaca a pesquisadora.

A tese de Doutorado foi defendida na Faculdade de Educação da USP, e teve como objetivos

explicar as características das políticas sociais decorrentes do contexto de reformas e mudanças no papel dos Estados latino-americanos, particularmente o brasileiro, analisar as políticas educacionais da década, especialmente a municipalização, e explicar, analisar e interpretar a política na ação, mostrando como as Instituições de Ensino Superior, as quais passavam por um processo de expansão com novas regras de avaliação, credenciamento e reconhecimento, implementaram esse Programa.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-23012013-162535/pt-br.php

Dislexia: treinamento da correspondência grafema-fonema

 

A dislexia é caracterizada como um distúrbio específico de aprendizagem, de origem neurológica. É caracterizado pela dificuldade com a fluência correta na leitura, além de dificuldade na habilidade de decodificação e soletração, resultante de um déficit em componentes da linguagem.

As pesquisadoras Daniele de Campos Refundini, Maíra Anelli Martins e Simone Aparecida Capellini, autoras do estudo “Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para a dislexia”, encontraram evidências de que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações.

Os principais sinais da dislexia, destacam as pesquisadoras, podem ser evidenciados durante o desenvolvimento do escolar e se referem a fala ininteligível, imaturidade fonológica, redução de léxico e dificuldade em aprender o nome das letras ou os sons do alfabeto. Também ocorre dificuldade para entender instruções, compreender a fala ou material lido, dificuldade para lembrar números, letras em sequência, questões e direções, e dificuldade para lembrar sentenças ou estórias, além de atraso de fala, confusão direita-esquerda, embaixo, em cima, frente-atrás (palavras-conceitos) e dificuldade em processar sons das palavras e história familial positiva de problemas de fala, linguagem e desenvolvimento da leitura. “Como esses sinais podem ser evidenciados na fase pré-escolar e no início da lfabetização, a dislexia pode ser identificada e detectada precocemente”, ressalta o estudo.

Estudos internacionais recomendam o uso de intervenção em escolares de séries iniciais de alfabetização que apresentem desempenho abaixo do esperado em relação ao seu grupo classe, denominado essas crianças como crianças de risco para a dislexia.

A pesquisa foi realizada com o objetivo de verificar a eficácia do programa da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para dislexia da 1ª série. Participaram deste estudo 60 escolares de ensino público municipal, na faixa etária de 6 a 7 anos de idade.

Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significantes, evidenciando que dos 18 escolares submetidos ao programa, 17 apresentaram melhor desempenho em situação de pós-testagem em relação à pré-testagem. “A realização deste programa foi eficaz para a identificação dos escolares com sinais da dislexia, evidenciando que quando é fornecida a instrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares que não apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestações”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-84862010000200005&script=sci_arttext

Treino em consciência fonológica recupera atrasos em linguagem escrita


Atrasos de linguagem escrita, um problema que afeta número significativo de alunos brasileiros do Ensino Fundamental, podem ser revertidos por meio do treino em consciência fonológica, que é a capacidade de separar, de modo consciente, as palavras em suas menores unidades: sílabas e fonemas. É o que afirma a pesquisadora Neusa Lopes Bispo Diniz, autora do estudo “Metalingugaem e alfabetização: efeitos de uma intervenção para recuperação de alunos com dificuldades na aprendizagem da linguagem escrita”.

A tese de doutorado foi defendida no Instituto de Psicologia da USP, e ressalta que a efetividade do programa de intervenção constitui uma importante implicação pedagógica. “É possível recuperar atrasos em linguagem escrita em crianças dos anos iniciais do ensino fundamental através de treino em consciência fonológica, correspondência grafemafonema e consciência sintática, em situação real de sala de aula”.

A pesquisadora acompanhou alunos entre 08 e 12 anos durante 16 sessões de aplicação coletiva de atividades lúdicas metafonológicas e 15 sessões de atividades lúdicas metassintáticas. “Há na literatura especializada fortes evidências empíricas a respeito das relações entre habilidades de leitura e escrita e habilidades metalingüísticas”, aponta.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-09012009-144508/pt-br.php

Relatos de mães de crianças com autismo descrevem estresse, luto, sobrecarga e medo do futuro


A condição especial de uma criança modifica bastante o ciclo de vida familiar, podendo causar sobrecarga emocional, sobretudo estresse e depressão. Interessada em conhecer a relação dessa sobrecarga com a qualidade de vida de mães de crianças com autismo, a pesquisadora Maria Ângela Bravo Favero entrevistou mães vinculadas a duas instituições de atendimento. Os resultados foram apresentados no estudo “Trajetória e sobrecarga emocional da família de crianças autistas: relatos maternos”, que resultou em dissertação de mestrado foi defendida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP. Além do impacto na qualidade de vida, a pesquisadora analisou as principais dificuldades decorrentes da demanda de cuidados com o filho e os modos de enfrentamento.

Os resultados mostraram que cerca de 65% das mães entrevistadas apresentaram estresse. As estratégias de enfrentamento das dificuldades são focadas em práticas de cultos religiosos e pensamento fantasioso por 45% dessas mães enquanto 35% enfrentam as dificuldades focando no problema.

A trajetória da família na busca de compreender o problema da criança, resultando numa verdadeira peregrinação por hospitais e profissionais de saúde, também foi abordada na análise. Na descrição de uma mãe, seu filho parecia desenvolver-se como os irmãos, mamando e engatinhando na “idade certa”. “Com um ano e meio parecia inteligente, aprendia as vogais e contava até dez”, lembra a mãe. A suspeita surgiu porque o menino repetia tudo “como papagaio”, nas palavras da própria mãe, referindo-se à ecolalia.

O primeiro pediatra, entretanto, não detectou nada, e o diagnóstico, quando o menino estava com três anos, foi desanimador, fazendo com que a mãe chorasse todos os dias até finalmente aceitar a condição do filho. “Fatores como características de personalidade e disponibilidade de recursos pessoais e sociais que incluem informação e orientação levam ao uso de estratégias que colaboram na busca de uma melhor adaptação à nova condição”, aponta a pesquisadora.

Outros temas, como o luto enfrentado pela família e as dificuldades de lidar com a condição da criança, e também as mudanças na dinâmica familiar e a sobrecarga emocional materna que culminou num processo de racionalização do sofrimento também ficaram evidentes nas respostas. As mães relataram ainda o desamparo sentido pelos pais no que se refere às perspectivas futuras de cuidado com o filho.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-27042005-113149/pt-br.php

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